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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - "Seu auxílio, meu mandato".


O programa “Seu Auxílio, Meu Mandato” do Dr. Rodrigo Janot

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Em campanha para o terceiro mandato como Procurador Geral da República, o Dr. Rodrigo Janot, segundo noticia hoje O Globo (por enquanto, só na versão impressa),  apresentou parecer  ao Supremo Tribunal Federal defendendo o pagamento de auxílio-moradia a integrantes aos procuradores . O benefício, no valor de R$ 4.377,73, é pago indiscriminadamente a todos os integrantes do MP e não é computado para o cálculo do pagamento até o limite do teto constitucional, hoje limitado a R$ 33.763, vencimento dos ministros do STF.
O “moralizador- geral da República” diz que isso não é salário, muito embora não seja pago apenas aos que tem de se deslocar em razão do trabalho, mas a todos os procuradores – e também aos juízes. Se as suas excelências quiserem investir o auxílio na compra de um apartamento, é o suficiente para, ao longo da carreira, adquirir um apartamento de mais de  R$ 1 milhão, sem tirar um tostão de seu polpudo vencimento.
Dentro de toda a “legalidade”, embora fora de toda a moralidade.
O Dr. Janot, claro, precisa dos votos de seus colegas de corporação para se habilitar na lista tríplice de indicados a Michel Temer  para que seja reconduzido ao cargo. Dificilmente, portanto, teria outra posição senão a de manter a benesse.
O programa “Seu Auxílio, Meu Mandato”

POLÍTICA - PIG insiste em suas construções grosseiras.

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Lula: Estadão faz curandeirismo jurídico

PiG insiste em suas construções grosseiras
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O Conversa Afiada reproduz nota dos advogados do Presidente Lula:
A pretexto de analisar a visão política de um dos membros do Partido dos Trabalhadores (PT) em entrevista concedida ao Valor, o jornal O Estado de S.Paulo volta a praticar curandeirismo jurídico em seu editorial de hoje (28/02) para sustentar que “se os processos contra Lula forem analisados somente no âmbito jurídico, a derrota do petista é certa”. O próprio jornal, no entanto, não apresentou qualquer argumento jurídico para sustentar sua posição e a tese que pretende reforçar junto aos leitores. A realidade é bem diversa daquela exposta pelo jornal.

Em uma das ações penais que o Ministério Público Federal promoveu contra Lula, valendo-se do espalhafatoso e indigno uso de um Powerpoint que chocou a comunidade jurídica nacional e internacional, sustentou-se que o ex-Presidente teria organizado um esquema que possibilitou o desvio de valores de três contratos firmados entre a Petrobras e uma empreiteira, e o produto desse ilícito teria sido utilizado para a “compra de governabilidade” (daí o aumento da base parlamentar em seu governo) e resultado em benefícios pessoais (a propriedade de um apartamento “tríplex” no Guarujá, SP, e o pagamento da armazenagem de parte do acervo presidencial.

As 65 testemunhas ouvidas, até o momento, nessa ação - sendo 27 selecionadas pelo Ministério Público Federal - quebraram a espinha dorsal da acusação. Nenhuma, inclusive os notórios delatores da Lava Jato, fez qualquer afirmação que pudesse vincular Lula a qualquer desvio na Petrobras, à propriedade do triplex ou ainda a recursos utilizados para a armazenagem do acervo presidencial. Ao contrário, os depoimentos apontaram a colossal distância entre esses supostos ilícitos na petroleira – que não foram identificados, diga-se de passagem, por qualquer órgão de controle interno ou externo – e o ex-Presidente Lula.

Foi nessa mesma ação penal que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, ao ser confrontado com a prática de ilícitos na Petrobras no período em que era o dirigente máximo do País, com o envolvimento de alguns dos mesmos atores que hoje figuram na Lava Jato, reconheceu que “o Presidente da República não tem como saber de tudo”. FHC também esclareceu que mantém seu acervo presidencial através de doações, exatamente como fez Lula.

Tamanha é a segurança na inocência de nosso cliente que pedimos - também nessa ação - a realização de uma prova pericial que pudesse analisar, dentre outras coisas, se algum valor desviado da Petrobras foi utilizado em benefício do ex-Presidente Lula. Mas a prova foi negada pelo juiz sem maior fundamentação. E por quê? Simplesmente, porque iria demonstrar, de uma vez por todas, que nenhum valor proveniente da Petrobras foi usado para beneficiar Lula. Outras provas requeridas também foram negadas da mesma forma.

Quem acompanha o que acontece na 13ª Vara Federal de Curitiba - presencialmente ou pelas gravações realizadas - sabe a distância entre o que afirma O Estado de S.Paulo e a condução real das audiências pelo magistrado responsável pelos processos. São rotineiramente desrespeitadas expressas disposições legais, como aquelas que asseguram às partes o direito de gravar as audiências independente de autorização judicial. A OAB/PR já aderiu à nossa impugnação sobre o tema e deu prazo para o magistrado se explicar.

O jornal confunde a combatividade de nossa atuação – que deveria nortear a conduta de qualquer advogado - com tentativas de “irritar o magistrado”, deixando evidente a falta de seriedade de sua análise e a conivência do diário com as ilegalidades praticadas naquele órgão judiciário.

Aliás, esse acumpliciamento entre o juízo e alguns setores da imprensa está longe de ser novidade. Quando o principal ramal do nosso escritório foi interceptado, gravando a conversa de 30 advogados, o jornal ficou absolutamente silente, a despeito de violação flagrante às nossas prerrogativas. Bem diferente foi a posição quando se buscou quebrar o sigilo de jornalistas, o que mostra o casuísmo presente nas análises.

Os abusos praticados contra Lula pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba não são denunciados apenas por nós, seus advogados. No último dia 26.02, por exemplo, o próprio O Estado de S.Paulo veiculou entrevista com Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e com atuação nas mais diversas áreas do governo, afirmando que a condução coercitiva de Lula foi arbitrária. Ele também lembrou outros atentados jurídicos praticados contra o ex-Presidente pelo mesmo juiz.

Aliás, foi esse cenário de flagrantes arbitrariedades e ilegalidades, que afrontam claramente as garantias fundamentais de Lula, associado à ausência de um remédio eficaz para paralisá-las, que motivou o Comunicado de junho de 2016 ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que assinamos juntamente Geoffrey Roberston, um dos maiores especialistas no mundo sobre o tema. Em momento algum deixamos de apresentar, com técnica jurídica, a defesa em favor de Lula.

A propósito, não só elaboramos consistentes trabalhos jurídicos de defesa, como tornamos publico esse material (site www.averdadedelula.com.br). Oportuno lembrar, ainda, que o Congresso Nacional reconheceu em 2009 a possibilidade de qualquer brasileiro levar um comunicado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, de forma que a providência tem expresso amparo na legislação nacional. Os erros já cometidos pelo jornal no acompanhamento da tramitação do comunicado em Genebra também são a prova cabal da clara e deliberada confusão entre a opinião do diário e a apuração jornalística. A segunda está a reboque da primeira.

Das demais ações penais propostas contra Lula nesse assédio de alguns membros do MPF, com o cristalino objetivo de prejudicar ou inviabilizar sua atividade política, existe uma em estágio mais avançado, que tramita perante a 10ª Vara Federal de Brasília. Essa ação penal trata da – absurda – “compra do silêncio de Nestor Cerveró” e está baseada exclusivamente em acusação feita pelo senador cassado Delcídio do Amaral em delação premiada negociada com o MPF, que permitiu que ele deixasse a prisão. A ação foi proposta sem que Cerveró sequer tivesse sido ouvido sobre essa acusação de Delcídio, mostrando que a apuração ou a verdade dos fatos não foram os nortes seguidos pelos acusadores. Também os depoimentos ali colhidos mostram o óbvio: Lula jamais participou de qualquer ato objetivando interferir, direta ou indiretamente, na delação de Nestor Cerveró. O próprio delator deixou claro esse fato quando foi ouvido em juízo, na mesma linha seguida pelas demais testemunhas.

Esse balanço é suficiente para mostrar as impropriedades cometidas pelo jornal, em seu editorial de hoje, sob o disfarce de uma análise jurídica para a qual sequer dispõe de expertise e isenção para realizar. Sintomática igualmente a afirmação ali contida de que “sobram provas” contra Lula, mas nenhuma foi apontada, exatamente porque não existem! São apenas fruto de construções grosseiras, que O Estado de S.Paulo insiste em reverberar, com a divulgação constante de erros factuais em sua pretensa cobertura jornalística "isenta".

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins

POLÍTICA - O mercado financeiro e a volta do Lula.

Abutres financeiros temem volta de Lula

Por Altamiro Borges

Na semana passada, a revista estadunidense Forbes, dedicada à chamada elite empresarial – ou seria cloaca burguesa? – publicou um longo artigo sobre a economia brasileira e as perspectivas do futuro. Trechos da matéria foram traduzidos e reproduzidos pelo Jornal do Brasil sob o título: “Forbes: Investidores analisam possibilidade de Lula vencer em 2018”. A publicação ouviu apenas os agentes do mercado financeiro, os famosos abutres. Eles se dizem animados com o fim da recessão no país e – muito excitados – com as contrarreformas neoliberais orquestradas pelo covil golpista. O temor, afirmam, é com o retorno de Lula em 2018.

“Matéria publicada nesta quinta-feira (24) pela Forbes conta que após quase três anos de recessão a economia brasileira está crescendo novamente. Nada de muito significativo, mas sair da taxa negativa já anima os investidores... Mas existe uma faísca de preocupação lá fora que tem menos a ver com o aumento dos preços dos títulos brasileiros e mais a ver com a conversa de Luiz Inácio Lula da Silva retornando ao poder em 2018... O PT que ele criou foi golpeado pelos eleitores em outubro. Ainda assim, Lula não pode ser descartado como forte candidato à Presidência. Ele é, de longe, a maior estrela política do Brasil”.

Para Mike Reynal, gerente do fundo Sophus Capital, “seria ruim para a economia um retorno de Lula em 2018. ‘Uma nova presidência de Lula seria manchada de lembranças de corrupção, má administração e burocracia judicial ligadas à presidente Dilma... Seríamos definitivamente mais céticos’, afirma... ‘O mercado já está especulando que o Brasil pode obter crédito quando aprovarmos a reforma das pensões’, diz Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. ‘Uma vitória de Lula acabaria com tudo isso. Sem dúvida, Lula seria um desastre para as finanças do país e traria pânico para os mercados financeiros’, diz ele”.

Os abutres financeiros – que se entusiasmaram com o “golpe dos corruptos” que alçou Michel Temer ao poder – temem pela vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2018. Eles estão fazendo bilionários negócios e ganhando muito dinheiro com os usurpadores que assaltaram o Palácio do Planalto. A entrega do pré-sal, os cortes dos gastos públicos em saúde e educação, as privatizações de estatais e as contrarreformas trabalhista e previdenciária, entre outras medidas de desmonte de nação e do trabalho, animam esta gente ambiciosa, sem qualquer escrúpulo ou caráter. Daí o medo diante do risco da volta de Lula!

Altamiro Borges: CPI da Previdência já pode ser instalada

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Altamiro Borges: Empresas devem R$ 426 bilhões ao INSS

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Altamiro Borges: 'Fora Temer' invade Carnaval da Globo

Altamiro Borges: 'Fora Temer' invade Carnaval da Globo

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - A lava jato e seus inimigos íntimos.

A Lava Jato e seus inimigos íntimos
por Aldo Fornazieri
A grande frente que se formou para perpetrar o golpe do impeachment está se desfazendo aos poucos. O ponto de convergência desta frente foi a Operação Lava Jato. Ela era o estandarte, a bandeira tremulante, na qual estava estampada a cruz  para liderar o expurgo dos corruptos que haviam se apossado do país. Sérgio Moro parecia ser uma espécie de São Bernardo de Clairvaux, cujos pareceres nos processos e nos mandatos eram verdadeiras chamadas à mobilização de cruzados. Ou, quem sabe, era o bispo Fulk um dos chefes da Cruzada Cátara para combater com violência os hereges porque, entre outras coisas, estes queriam uma maior igualdade.
Nas cruzadas do impeachment todos eram santos: os que foram às ruas, os integrantes do judiciário, os porta-vozes da grande mídia, os políticos contrários ao governo Dilma, os deputados do indescritível espetáculo do 17 de abril, os grupos que pregavam a volta dos militares etc. São Michel, com seu cortejo de anjos e arcanjos, haveria de purificar o Brasil com seu jeitinho manso, com sua habilidade de conversar, com sua capacidade de construir consensos. O Brasil, livre dos demônios vermelhos, seria unificado, num estalar de dedos a economia voltaria a crescer e o manto verde e amarelo da ordem e do progresso haveria de produzir paz, contentamento, empregos e opulência.
Esta grande mentira, que embebedou boa parte da sociedade, hoje não passa de um espelho estilhaçado em mil pedaços, todos eles refletindo a face da maior quadrilha de corruptos que se apossou do poder. Todos eles refletindo as faces de um grupo indigesto de políticos que se acotovelam para participar da suruba do Foro Privilegiado. Todos eles refletindo as faces de antigos comparsas que agora querem queimar o sagrado estandarte no fogo cruzado que objetiva bloquear a marcha da libertação da terra santa. Até os santos, os chefes dos cavaleiros templários, o São Bernardo, são diariamente chamuscados pelas chamas que vêm das barricadas que tentam bloquear a justiça purificadora.
O PMDB, principal beneficiário, se tornou também o principal inimigo da Lava Jato. Já tentou várias manobras no Congresso para detê-la. Agora vêm os ataques públicos. Junto com alguns colunistas e blogueiros de direita, que se valeram de todas as ilegalidades da Lava Jato e do juiz Moro para derrubar o governo Dilma, desferem petardos contra os vazamentos seletivos, contra a criminalização da política, contra as conduções coercitivas, contra a manutenção de acusados na cadeia para que eles façam delações premiadas, contra o "lado obscuro" da operação e assim por diante. Investigar corruptos do PMDB e do PSDB virou sinônimo de "criminalização da política". Contra o PT se tratava de "limpeza moral". Mas a partir do governo Temer, a fetidez do ar bloqueou até mesmo a chuva nos céus de Brasília.
O PMDB está na linha de frente no combate à Lava Jato. Age como se fosse uma infantaria, uma espécie de bucha de canhão. Já, o PSDB, age como se fosse um grupo de comando de forças especiais. Usa a inteligência, tem infiltrados poderosos nas trincheiras "inimigas" como Rodrigo Janot, o próprio Moro, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e o ministro plagiador. Entre os infiltrados, nem todos são amigos entre si. O único ponto de convergência consiste em proteger os caciques do tucanato. Uns torpedeiam a Lava Jato, citando, inclusive, ilegalidades contra petistas; outros, querem preservá-la no que lhes interessa.
As direitas que patrocinaram as mobilizações de rua agora estão divididas. De um lado estão aqueles que querem salvar Temer para salvar o PSDB em 2018. Além de atacarem a Lava Jato, acusam seus ex-colegas classificando-os de "direita xucra", de fazer o jogo da esquerda por querem continuar mobilizando contra a corrupção. Ocorre que as perspectivas de 2018 colocam as direitas em uma encruzilhada, em marchas para caminhos distintos. A "direita xucra" quer a continuidade das mobilizações por duas razões: 1) ficar com Temer poderá significar um naufrágio; 2) não quer uma alternativa tucana, pois está engajada na construção de um projeto mais à direita - talvez Bolsonaro, talvez um outro candidato a la Trump.  
Temer deveria renunciar e Moro se afastar
Não é necessário muito esforço de lógica para perceber o que a "Operação Mula", que envolve José Yunes, Eliseu Padilha e Michel Temer quer esconder. O PMDB tinha três chefes que recebiam e distribuíam propinas: Michel Temer, Eduardo Cunha e Eliseu Padilha. Não se tratava atos fortuitos, ocasionais, mas de operações sistemáticas de corrupção tramadas, inclusive, em palácios da República.
A continuidade de Temer na presidência da República foi, é e será uma afronta à dignidade nacional, à moralidade social, aos conceitos fundantes da Constituição Federal. Se ainda restam alguns resquícios de comunidade política nacional, Temer precisa se afastar ou ser afastado. Aqui cabe uma cobrança às sumidas oposições: sem o afastamento de Temer, o futuro da dignidade da política, da sua moralidade, da responsabilidade, estará comprometido por anos seguidos. Sem a saída de Temer a herança que ficará serão os escombros da democracia e a percepção de que golpes valem a pena.
O juiz Moro, por seu turno, não  tem mais condições morais de permanecer à frente da Lava Jato. Em recente palestra proferida nos Estados Unidos ele afirmou que não contribuiu para derrubar Dilma. Ele não só contribuiu de forma decisiva como, agora se sabe, agiu deliberadamente para proteger os mal-feitos de Temer ao cancelar perguntas dirigidas pela defesa de Cunha ao presidente-usurpador. Ao barrar as perguntas de Cunha, o juiz Moro cometeu duas ilegalidades: 1) barrou o direito de defesa, algo que não cabe a nenhum juiz praticar; 2) prevaricou, pois o certo era permitir que se pudesse conhecer aquilo que as perguntas pretendiam revelar.
Vejam-se apenas duas das perguntas barradas por Moro dirigidas a Temer: "Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?" e "O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?". Moro classificou como "chantagem" e "provocações" as perguntas da defesa de Cunha. Está claro que ele agiu para proteger Temer, protegendo um esquema criminoso.
A cada dia que passa, as provas deixam mais evidente que quem destruiu a Petrobras pela corrupção foi o PMDB. A destruiu para agora entregar os seus ativos ao capital estrangeiro. Este governo foi instituído para liquidar as empresas brasileiras a preço de banana, para entregar os direitos dos trabalhadores ao capitalismo de predação, para vender as aposentadorias de pobres idosos ao capital financeiro, para destruir a educação e a saúde públicas.
Agora a mídia e setores de direita querem vender a seguinte equação: a política vai mal, mas a economia vai bem, pois os indicadores estariam melhorando. Proclamar a queda da inflação e dos juros como grande feito desse governo significa vender fumaça, pois os dois indicadores são consequência do efeito inercial da recesssão. Na verdade, a política está podre e a economia vai mal. Uma economia que tem mais de 12% de desempregados não pode estar bem. Uma economia que produz novos pobres todos os dias não pode estar bem. Uma economia que destrói o pouco de seguridade social do seu povo vai muito mal.
Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política.

POLÍTICA - Tabapuã Papers.

Tabapuã Papers é suruba com Temer e Globo




Não é fácil entender a papelada divulgada pelo grupo anonymous na semana passada, chamada de Tabapuã Papers. Mas como o trabalho do jornalismo deve ser simplificar, em vez de complicar, este Blog vai tentar trocar em miúdos do que se trata.
Em 31 de dezembro do ano passado, duas pessoas – um homem chamado Joel Assis e uma mulher chamada Larissa Monteiro – colocaram no ar o blog Tabapuã Papers. Esse nome remete a empresa criada pelo presidente Michel Temer e sua filha Luciana em 2010, a Tabapuã Investimentos e Participações.

Um dos fatos estranhos sobre a Tabapuã é que Michel Temer omitiu sua criação na declaração de bens como candidato na eleição de 2010, quando se tornou vice-presidente da República na chapa de Dilma Rousseff.


Porém, Temer incluiu a empresa em sua declaração de bens como candidato em 2014

O blog Tabapuã Papers afirma que foi criado para mostrar “(…) relações sombrias do melhor amigo do presidente Michel Temer com firmas em paraísos fiscais, empresas de fachada, bancos suspeitos de lavagem de dinheiro, barões da mídia e, claro, com o próprio Temer (…)”.
O “melhor amigo do presidente Michel Temer” (citado no parágrafo acima), no caso, é o advogado José Yunes, que deixou o cargo de assessor de Temer em 13 de dezembro do ano passado depois de ter tido seu nome citado em delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht.

Em depoimento ao Ministério Público Federal prestado na semana passada, Yunes contou que, em 2014, recebeu um telefonema de Eliseu Padilha, na época deputado federal. Padilha pediu que ele recebesse um documento no escritório, que depois seria recolhido por outra pessoa.
Agora, em entrevista à GloboNews, Yunes disse que foi apenas uma “mula” de Padilha, que mandou um doleiro todo enrolado na lava jato ir lá, ao seu escritório, deixar o tal dinheiro que outra pessoa passaria depois para retirar.
Yunes se diz enganado, envolvido em esquema do qual não tinha conhecimento, e que comprometeria, “apenas”, o presidente da República.
Ocorre que toda essa barafunda tem desdobramentos surpreendentes graças aos documentos do Tabapuã Papers.
Os papéis mostram nada mais, nada menos do que Temer alugando salas comerciais para um consórcio de bilionários que inclui um filho de Yunes, Marcos Yunes, e ninguém mais, ninguém menos do que José Roberto Marinho, um dos donos da Globo.
Trata-se da Maraú Administração de Bens e Participações, cujo curioso quadro societário você confere abaixo.

Toda essa gente que figura na constituição da Maraú aparece no Tabapuã Papers enrolada com a criação de offshores em paraísos fiscais, ou seja, aparece como dona de empresas de fachada, com sede falsa, com atividades obscuras movidas a capital sem origem declarada.
É nesse rolo que estão metidos Michel Temer, presidente da República, e José Roberto Marinho, um dos presidentes “de facto” do Brasil. Unidos por uma montanha de “coincidências” de nomes, pessoas, empresas constituídas fora do país e que começaram a atuar aqui dentro.
Ninguém achou exatamente o que está errado em tudo isso. Tudo o que está sendo divulgado pelo blog Panamá Papers é, “apenas”, um conjunto de documentos que requer investigação das autoridades.
A sociedade tem direito de entender que tipo de negócios são esses que a Globo e o presidente da República mantiveram com um monte de gente enrolada até o pescoço em mega escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação, evasão de divisas e o diabo a quatro.
É estarrecedor ver pessoas tão importantes tendo relações comerciais com investigados, denunciados e até com gente presa (doleiros). O imóvel alugado pela Tabapuã, de Temer, para a Maraú, de Yunes e Marinho, pode ter sediado a suruba do século.

POLÍTICA - KAKAY critica foro privilegiado.

247 – Em 35 anos de carreira, pelos quais já defendeu mais de 80 governadores, três ex-presidentes e vários parlamentares, advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é crítico ferrenho do foro privilegiado.
Em entrevista à Coluna do Estadão nesta segunda-feira 27, ele afirma que "o foro, dito privilegiado, é uma prática pouco republicana sob todos os sentidos. Não é bom para a sociedade, não é bom para o STF".
"Acho que o Supremo só deve tratar das questões criminais quando elas chegam lá, na forma de habeas corpus, ou em situações muito específicas. A instrução do processo seguramente não é a especialidade da Corte", avalia, lembrando que até para o recebimento de uma denúncia no caso do Supremo é em forma de colegiado, o que demanda mais tempo.
Ele diz ter conversado com políticos para criticar o processo como funciona atualmente, e tem visto resistência. "Do ponto de vista da defesa, eles se beneficiariam, pois teriam direito a julgamento em mais de uma instância, e não em instância única", observa.
Ao comentar sobre a Lava Jato, o advogado critica o que chama de "juiz de exceção" no caso de Sergio Moro. "Nós temos um juiz com uma nomeação exclusiva para julgar a Lava Jato, o que, sob o meu ponto de vista, significa um juiz de exceção. Nenhum juiz pode ser designado só para uma causa. Isso é claramente inconstitucional. Nós estamos vivendo um momento de espetacularização do poder Judiciário".

POLÍTICA - Será que desta vez o Dr. Moro vai investigar a Mossack Fonseca?


Rio Grande do Sul 247 - O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) destrinchou nesta segunda-feira, 27, as conexões obscuras entre José Yunes e o seu melhor amigo Michel Temer. 
Pimenta lembra as revelações do grupo de ativistas digitais Anonymous, que divulgaram um conjunto de documentos que movimentações financeiras de Yunes, especialmente por meio de offshores no Panamá (leia mais aqui e aqui). 
"O Anonymous demonstra que o senhor Yunes desenvolveu vários negócios com a Mossack Fonseca lá no Panamá nos últimos anos. Ele demonstra também que um banco de investimentos chamado Pine, originado de outros bancos de uma família chamada Pinheiro, com raízes no Ceará, também aparece com esses negócios nebulosos", diz Pimenta. 
O deputado relata ainda relação as suspeitas sobre a origem do capital da incorporadora Yuni, que fez grandes prédios, especialmente em São Paulo, financiados com recursos do Pine. "Algumas dessas incorporações e investimentos feitos pela Yune, especialmente em São Paulo, com prédios comerciais de luxo. E quem possui salas comerciais valiosíssimas? Michel Temer. Em alguns locais com o metro quadrado mais caro do Brasil. Portanto, há uma conexão clara entre Michel Temer, José Yunes, banco Prime, Mossack Fonseca e offshores do Panamá", afirma.
Segundo Pimenta, o que falta apenas é a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal juntarem as pontas e iniciarem a investigação. "As conexões provam que esta história está muito mal contada. Todo esse dinheiro que José Yunes movimenta dentro e fora do Brasil talvez não seja todo dele", questiona.

POLÍTICA - A autofagia da direita que virou monstro.


A autofagia da direita que virou monstro

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Semana passada, tratei aqui do significado do “barraco” cibernético entre Reinaldo Azevedo e a ex-apresentadora da Veja, Joyce Hasselman, dizendo que “o que interessa no episódio é que desenha, para quem não entendeu ainda, que a direita caminha para a extrema direita e os tucanos ficam lamentando o monstro que eles próprios criaram”.
Hoje, na Folha, o sociólogo Celso Rocha de Barrros, na Folha, faz uma boa análise do que o episódio deprimente (para quem não viu e que se poupar do sofrimento integral, há, ao final, o “compacto” editado pela Mídia Ninja, embora retire metade das grosserias, resume o arranca-rabo)
Embora a representação seja caricata, o assunto é sério. E vai se refletir no “camisa amarela” da Paulista

Barraco expõe disputa dentro da direita, que não se decide sobre Temer

Celso Rocha de Barros, na Folha
Como diria o comissário Gordon, não foi o debate de que precisávamos, mas talvez tenha sido o debate que merecíamos. Uma pequena guerra civil começou dentro da chamada “nova direita” brasileira: Reinaldo Azevedo, colunista da Folha, foi atacado por Joice Hasselmann, ex-“Veja”, e por Rodrigo Constantino, ex-“Veja”, por suas críticas à Lava Jato, e respondeu animadamente.
Intelectualmente, foi um daqueles jogos em que o compacto com os melhores momentos tem só o hino nacional e o apito final. Mas o barraco dos conservadores foi o canário na mina: é sinal de uma crise chegando, e de uma disputa real dentro da direita brasileira, que deve se tornar mais acirrada nos próximos meses.
A direita brasileira precisa se decidir sobre Temer; abandoná-lo é colocar em risco as reformas de mercado, apoiá-lo é colocar-se no centro do alvo da Lava Jato. Não será fácil.
Azevedo defende o governo Temer e, recentemente começou a fazer críticas à Lava Jato. Talvez o apoio e o timing das críticas não sejam completamente não relacionados. Ao contrário de Olavo de Carvalho ou Constantino, Azevedo tem trânsito na direita institucional brasileira; suas posições são mais ou menos próximas das do DEM, por exemplo, ou da direita do PSDB. Esses setores investiram pesadamente no governo Temer. E todo mundo ali vai aparecer nas delações.
Para essa turma, o ideal é que a cruzada anticorrupção pare no PT, e o discurso “Temer colocou o Brasil nos trilhos de novo” tem que colar até a eleição de 2018. Se der certo, os governistas entram com boas chances na disputa presidencial.
Os adversários de Azevedo são recém-chegados buscando maior inserção institucional. Não se importariam se a política brasileira implodisse. No cenário de implosão, Azevedo os ameaça com Lula; mas eles sonham, aberta ou secretamente, com Bolsonaro. E, sobretudo, cada um deles sonha ser Steve Bannon, o assessor de extrema-direita de Trump.
Os movimentos anti-Dilma tentam se equilibrar no meio dessa tensão. Recentemente, convocaram uma passeata a favor da Lava Jato. Mas a convocação é uma piada: em vez de tentar atrair o maior público possível para defender a operação, o Movimento Brasil Livre incluiu na pauta dos protestos a reforma da Previdência e a revogação do Estatuto do Desarmamento. Fez isso para impedir que apareça qualquer um que se disponha a gritar “Fora, Temer”. Isto é, o MBL apoia a Lava Jato desde que o seu lado continue no poder. Como diria o PT, assim até eu.
Por sua vez, Ronaldo Caiado não disfarça a pretensão de ser candidato a presidente no ano que vem. Olhando com os olhos de 2018, Caiado já se apavorou com o que viu, e pediu a renúncia de Temer. Mas é difícil que arraste consigo sua base social ou o resto da direita, ao menos enquanto Temer estiver amarrado às reformas. E quem se converter ao “Fora, Temer” tão perto de 2018 vai parecer oportunista (e o será).
A história não contada do impeachment de Dilma Rousseff é justamente sua origem na crise de liderança da direita brasileira depois da quarta derrota presidencial seguida do PSDB. Desde então, a direita brasileira foi liderada por quem gritasse mais alto. Agora a combinação de delações contra a direita e eleições presidenciais vai testar a competência política dos vencedores de 2016.


Altamiro Borges: O Itamaraty na bacia do fisiologismo

Altamiro Borges: O Itamaraty na bacia do fisiologismo: Por Tereza Cruvinel, em seu blog : O Brasil já teve ministros das Relações Exteriores com filiação partidária, tais como Afonso Arinos ou ...

Altamiro Borges: O pacote de Yunes virou bomba para Temer

Altamiro Borges: O pacote de Yunes virou bomba para Temer: Por Fernando Brito, no blog Tijolaço : Os jornais mostram que o pacote de Yunes é coisa que o Palácio do Planalto está muito longe de desem...

POLÍTICA - Pai, o que é bolivarianismo do PT?

Entendendo o BOLIVARIANISMO do PT em poucas linhas.

Pai, o que é bolivariano?

-É o governo comunista do PT que tivemos até ano passado. As instituições funcionavam e havia um pacto republicano em que os poderes se respeitavam, cada um com autonomia para agir dentro da sua competência, sem interferência do governo. A imprensa publicava o que queria, as pessoas iam as ruas protestar sem repressão, podia-se até xingar a presidente em coro nos estádios que ninguém soltava fogos para abafar. A industria nacional nunca esteve tão aquecida e o estado tinha uma gama enorme de projetos sociais. O país tinha pleno emprego, o menor índice de desemprego da história foi um ano antes de derrubarem a presidenta Dilma. O país tinha posição de destaque na comunidade internacional e estava para ser chamado a participar do Conselho de Segurança da ONU.
O que houve com o governo bolivariano do PT?
-Foi derrubado num golpe de Estado e estabeleceu-se uma democracia.
O que é democracia?
- Democracia é o governo dos que tomaram o poder pelo golpe, todos suspeitos de crimes de corrupção e alguns réus de processos na justiça. As instituições ficaram todas corrompidas e não se respeitam mais, o governo interfere nas instituições, fazendo reuniões secretas no meia da noite. Foi estabelecida a censura na imprensa, o desemprego disparou, a violência nas cidades aumentou, as manifestações estão sendo reprimidas com violência pela polícia e já ameaçam por o exército nas ruas contra possíveis convulsões sociais devido a miséria e o desespero que se avizinha. Os projetos sociais foram suprimidos, proibiu-se investir no social por duas décadas. O país virou piada no exterior e a ONU está processando o governo por perseguir politicamente um ex presidente bolivariano.
Pai, eu quero viver num país bolivariano."
(Sérgio Zambrozuski)

POLÍTICA - Temer e Yunes.

O elo desconhecido entre Temer e Yunes

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Qual a razão do primeiro amigo de Michel Temer, José Yunes, ter entrado em pânico, quando seu nome apareceu em delação de executivo da Odebrecht, a ponto de procurar o Ministério Público Federal para uma delação sem sentido.

A jornalistas, Yunes disse que lhe foi solicitado por Elizeu Padilha – Ministro-Chefe licenciado da Casa Civil – que recebesse “documentos” em seu escritório. Os tais “documentos”, na verdade, eram propinas pagas pela Odebrecht e levadas até ele pelo notório doleiro Lúcio Funaro.

Aos jornalistas, Yunes declarou ter sido apanhado de surpresa. E, assim que se deu conta do ocorrido, procurou o amigo Temer, que o acalmou.

Ao MPF, declarou que nada disse a Temer.

De sua parte, Temer mandou informar os jornais que exigirá explicações de Padilha.

O que está por trás dessa dança dos lobos, tão desesperada e tão sem nexo?

Dias atrás o grupo Anonymous divulgou um pacote de documentos sobre negócios de Yunes, Temer e outros sócios.

No primeiro artigo da série, mostramos que a principal suspeita levantada – a associação de Yunes com grandes bilionários – na verdade era uma sociedade para um condomínio a ser construído na Bahia.

Vamos, agora, à parte perigosa revelada pelos documentos, ajudado por comentaristas do Blog que passaram informações centrais para fechar a narrativa.

Peça 1 – as diversas formas de lavagem de dinheiro

Por que interessa conhecer os negócios de José Yunes, o primeiro amigo?

Primeiro, porque, após a delação do executivo da Odebrecht, descobriu-se que ele participava dos esquemas de captação de recursos de Michel Temer.

Depois, porque um dos modus operandi de muitos políticos é o de receberem no exterior, através de depósitos em fundos de investimento com aparência de legalidade. Em vez de contas convencionais em países estrangeiros, fundos de investimento através dos quais entram no Brasil como investimento externo.

De certo modo, é o caso de José Serra, conforme esmiuçado por Amaury Ribeiro Jr no livro “A privataria tucana”.

O fundo de investimentos de sua filha Verônica acumulou um patrimônio significativo. Em pelo menos um caso, sabe-se que foi utilizado para troca de favores com empresas.

Foi o caso da Serasa Experian, que, no final do mandato de Serra como governador de São Paulo, ganhou de graça o Cadin estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais).

Assim que Serra deixou o governo, Verônica intermediou para a Serasa-Experian a venda de um site de e-mail marketing, a Virid. Na época, o mercado avaliava o preço em no máximo R$ 30 milhões. A Experian pagou R$ 104 milhões. Empresa de capital aberto na Bolsa de Londres, manteve o valor da transação em sigilo. Para todos os efeitos, foi um lucro legalizado do fundo de investimentos de Verônica.

Sérgio Machado tinha investimentos no exterior, através de um filho que era alto funcionário do Credit Suisse – e, ao que consta, foi sacrificado pela gula do pai e do irmão político.

Portanto, há uma probabilidade de que as empresas de Yunes possam ter servido para abrigar recursos políticos captados por Temer.

Não faltará paraíso fiscal no purgatório político em que se meteu Yunes, caso os Anjos Gabriel do Ministério Público Federal resolvam investigar a sério.

O dossiê disponibilizado pelo grupo Anonymous na Internet traz algumas pistas que precisam ser bem investigadas, das empresas dos Yunes.

Peça 2 – o Banco Pine

Aqui, aí se chega no elo desconhecido, o Banco Pine, ou Fist Pinebank, Inc, ou FPB.

O Banco Pine é o sucessor do BMC (Banco Mercantil de Crédito), da família Pinheiro, do Ceará, de três irmãos, Norberto, Nelson e Jaime Pinheiro, que chegaram a montar um banco médio, bem-sucedido. Assim como outros bancos cearenses, especializou-se em AROs (Antecipação de Receita Orçamentária) para prefeituras e em crédito consignado para funcionários públicos.

Depois, o banco foi vendido por R$ 800 milhões ao Bradesco e, de suas entranhas nasceu em 1997 o Banco Pine, brasileiro, o First Pinebank que, depois de uma passagem turbulenta pelos Estados Unidos, tornou-se um banco panamenho; e a BR Partners, uma associação de Ângela Pinheiro, filha do patriarca Jaime Pinheiro, com Ricardo Lacerda, ex-presidente da Goldman Sachs do Brasil.

Aqui, começa nosso pequeno quebra-cabeça:

Em 2005, o nome do Pine Bank já apareceu associado ao doleiro Toninho Barcelona, no escândalo do Banestado (https://goo.gl/wQh4dq)

Em julho passado, a Lava Jato já tinha batido no Pine (https://goo.gl/opDxOv), através da Operação Caça-Fantasmas, da 32a fase. Identificou o FPB Banc Inc – àquela altura, um banco panamenho, mas de propriedade de Nelson Pinheiro, um dos três irmãos sócios do BMC-, o PKB da Suiça e o Carregosa, de Portugal, suspeitos de montarem representações clandestinas para clientes interessados em abrir contas em paraísos fiscais. Outro nome que apareceu no FPB foi o de Eduardo Rosa Pinheiro, também a família Pinheiro.

A suspeita da Lava Jato é que esse esquema teria sido usado por doleiros e operadores de propina para esconder o dinheiro da corrupção da Petrobras e de outras empresas públicas, investigadas pelas operações Lava Jato, Custo Brasil, Saqueador e Recebedor.

Os bancos tinham ligação direta com a Mossak Fonseca. A Polícia Federal e o MPF pediram prisão preventiva dos funcionários do banco, mas o juiz Sérgio Moro permitiu apenas condução coercitiva. Alegou que as evidências levantadas pela Lava Jato apenas apontavam atuação clandestina no país.

Assim como na batida na Mossak Fonseca, quando se constatou que não havia pistas que levassem a Lula – mas a alguns bilionários influentes -, abafou-se a investigação e manteve-se em sigilo as descobertas.

Mas outros países atuaram. No dia 10 de fevereiro de 2017, menos de duas semanas atrás, a Superintendência Bancária do Panamá suspendeu a licença de corretagem do Pine Bank, a partir de informações levantadas pela Lava Jato (https://goo.gl/KYF0gc). No Panamá, era um banco pequeno, com US$ 134 milhões em depósitos e apenas US$ 13 milhões de capitalização declarada,

Constatou-se que o banco recorria apenas à Serasa para analisar sua carteira de clientes, em vez de colocar relatórios reais das empresas. Além disso, a FPB tinha montado 44 empresas através dos escritórios da Mossak Fonseca, provavelmente para desviar dinheiro de suborno.

Os jornais do Panamá apontavam o fato do site do banco não informar nada sobre seus proprietários e acionistas. Sabia-se apenas que o banco pertencia a uma família de empresas debaixo do guarda-chuva de Brickell Group.

O jornal Panama News anotava que o FBK tinha um presidente de nome Eduardo Pinheiro, um gerente geral chamado José Palucci e um convidado especial para a inauguração da sede, de nome Mailson da Nóbrega.

O jornal levantou o nome da consultoria Brickell Management Services Inc, de Miami, com apenas 6 funcionários. E constatou que Pine Bank foi acusado pelo FED de violar vários pontos da lei anti-lavagem de capitais, tendo encerrado as operações nos Estados Unidos. Segundo o jornal, “propriedade anônima, gestão aparentemente ausente – um banco estranho para se fazer negócios, exceto se houver algum propósito especial”.

Peça 3 – os negócios da família Yunes

Ao longo das últimas décadas, a família de José Yunes expandiu seus negócios por vários setores. Aparentemente, tem dois filhos bastantes empreendedores, dos quais Marcos Mariz de Oliveira Yunes é o que fica à frente dos negócios.

A principal empresa do grupo é a Yuny.

Trata-se de uma grande incorporadora criada em 1996 (https://goo.gl/9iirmz). Em 2007 recebeu aporte de R$ 700 milhões do Golden Tree Insite Partners. Pode ser coincidência de nomes, mas há uma Golden Tree Insite Partners no Reino Unido (https://goo.gl/0WddPa) que em 2010 foi declarada insolvente.

Mais tarde, a VR tornou-se sócia da Yuny. Hoje em dia, do Conselho participam Abraham Szajman e Ury Rabinowitz, este alto funcionário da Brasil Telecom nos tempos de Daniel Dantas – em princípio, significa apenas que é um executivo requisitado. Depois, montou uma joint-venture com a Econ Construtora, a Atua Construtora, para imóveis de baixa renda.

No grupo, há outras empresas menos transparentes.

Uma delas é a Stargate do Brasil Estética de Produtos e Serviços

Criada em 30 de abril de 2007, é sociedade de José Yunes com Arlito Caires dos Santos. No Google, consegue-se chegar próximo com um Carlito Aires dos Santos – trocando o C do sobrenome para o nome, empresário mato-grossense de Peixoto de Azevedo, cuja empresa foi aberta em 20 de março de 2015 (https://goo.gl/lv7cpF).

Por sua vez, a Stargate é sócia da Golden Star, Serviços e Participações Ltda. Aparentemente, a intenção da sociedade foi a aquisição dos bens do panamenho Kamal Mohan Mukhi Mirpuri por Gilberto Pereira de Brito. O endereço de Kamal remete às proximidades do Trump International Hotel em Colon, Panamá. Kamal é proprietário da Multitrade Export Ltda, do Panamá.

Não é o único elo panamenho na nossa história, como se viu no caso do PInebank.
Peça 4 – as ligações do Pine com os Yunes

Como já se viu, o Banco Pine foi apontado como um dos canais para o dinheiro da corrupção das empresas investigadas pela Lava Jato.

Em outros tempos, uma das maneiras de “esquentar” dinheiro frio, depositado fora do país, era através de uma operação cruzada. O investidor depositava seus dólares nas agências externas do banco; e elas serviam de garantias para empréstimos que eram concedidos, aqui, para empresas controladas por ele. Foi assim com o Banco Excel, de um membro da família Safra, que chegou a adquirir a massa falida do Econômico, mas quebrou quando a apreciação do real promoveu o descasamento das garantias externas com os financiamentos internos.

No dossiê do Anonymous são inúmeras as evidências de ligações comerciais do Pine com as empresas dos Yunes, particularmente com a incorporadora Yuny.

· Em setembro de 2010, a Atua Construtora e Incorporadora convoca AGE para autorizar a contratação de financiamento de R$ 5 milhões junto ao Banco Pine



· Em dezembro de 2011, outra AGE para autorizá-la a tomar mais R$ 5 milhões com o Pine



· Em 18 de julho de 2013, outros R$ 5 milhões (ou renovação do crédito rotativo) novamente junto ao Pine

Peça 5 – os negócios de Temer com Yunes

Os caminhos de Michel Temer, da família Pinheiro, do Banco Pine e da incorporadora Yuny se cruzam em vários imóveis de Michel Temer e de sua holding Tabapuã.
Edifício Lugano

Temer tem duas unidades no edifício Lugano, na rua Pedroso Alvarenga 900, uma construção luxuosa com conjuntos comerciais de 102 a 202 m2.



A incorporadora é a Yuny, dos Yunes.
Spazio Faria Lima

Temer possui duas salas no edifício na rua Iguatemi (https://goo.gl/4XecSC), com escritórios que vão de 350 a 700 m2. Na região, escritórios de 350 m2 custam de R$ 3,5 a R$ 7 milhões.

Trata-se de uma obra faustosa também da Yuny.



Em 23 de maio de 2011, transferiu para a Tabaupã, empresa que tem em sociedade com a filha Luciana.



Quem aluga o escritório é Andréa Pinheiros, da BR Partners, e uma das herdeiras do banco Pine, filha de Jaime Pinheiro, o patriarca.

Conclusão do jogo

Tem-se, então, todas as peças do jogo:

1. O melhor amigo do presidente, José Yunes, participava dos processos de arrecadação de propinas das empresas investigadas pela Lava Jato

2. As empresas de Yunes tinham financiamento farto com o Banco Pine, da família Pinheiro, envolvido com os escândalos da Lava Jato, fechado nos Estados Unidos por acusação de lavagem de dinheiro e, há duas semanas, fechado também no Panamá.

3. Temer com grandes investimentos em projetos da Yuny, a incorporadora da família Yunes, convidando o patriarca José Yunes para assessor especial..

Dificilmente toda essa movimentação passaria despercebida pela Lava Jato, ainda mais depois de invadir os escritórios da Mossak Fonseca e ter identificado o papel do Pine Bank.

Um dia se saberá ao certo a razão de terem segurado essas informações.

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domingo, 26 de fevereiro de 2017

ECONOMIA - Uma abordagem marxista da economia brasileira.



Uma abordagem marxista da economia brasileira recente




   
Seguindo Duménil e Lévy [1] é a aplicação de um conjunto de políticas econômicas “fora de seu lugar” que ajuda a explicar seu fracasso. As recentes políticas heterodoxas de sustentação do nível de emprego, salário real e uma perspectiva favorável ao trabalho se deram sob uma segunda hegemonia financeira (neoliberalismo), na qual o compromisso assentado entre capitalistas e gerentes se dá sob a égide do “capital portador de juros” e no capital fictício, ou seja, da valorização financeira do capital.

O Brasil é uma economia dependente: se desenvolveu competindo com grandes potências industriais e financeiras e se industrializou tardiamente dentro da dinâmica capitalista global. O protagonismo industrial varguista, o processo de substituição das importações experimentado no século XX e o II PND são alguns dos exemplos de como as elites brasileiras nunca tomaram para si a tarefa histórica de desenvolver as forças produtivas e estiveram sempre a reboque do Estado.

No capitalismo brasileiro, as elites agrárias e industriais se juntaram ao Estado para pautar suas demandas. A “socialização das perdas” quando o governo desvalorizava o câmbio para estimular a exportação do café privatizava os lucros nas mãos da oligarquia-exportadora.

Nos anos de 1990, com a abertura da economia e a introdução do ideário neoliberal no Brasil por meio das privatizações e enxugamento do Estado, as classes gerenciais foram paulatinamente sendo deslocadas do fomento à acumulação para o dos ganhos financeiros. Os trabalhadores de gerência, ao ganharem além de renda do trabalho algumas bonificações em ativos, se deslocaram para a lógica das finanças. A hibridização no topo converge os interesses entre a gerência e os capitalistas e todo um processo de hipertrofia financeira se segue: endividamento do setor financeiro, securitização, derivativos, fundos de pensão e mecanismos de diluição de riscos e aumento de lucratividade – o que se tem é a dominância do “capital portador de juros” e do capital fictício.

O ensaio desenvolvimentista [2] do governo Dilma foi o enfrentamento da lucratividade do setor bancário por meio dos bancos públicos para reduzir as taxas de juros forçando a queda dos spreads bancários. A ideia é que um câmbio desvalorizado combinado com uma redução de juros estimularia a produção nacional, retomando o investimento. Além do incentivo cambial e de juros, o crescimento dos gastos públicos poderia aumentar os lucros e reanimar o “animal spirit” do empresário brasileiro. Tal política foi a tentativa frustrada de levar adiante uma agenda keynesiana (acordo entre gerentes e classes populares) em um ambiente no qual os gerentes já estavam capturados pelas finanças.

Este conjunto de práticas não trouxe os resultados previstos. O crescimento pequeno experimentado no período pode ser atribuído ao papel dos termos de troca na economia brasileira. A ideia dos termos de troca afetando negativamente o desempenho das economias subdesenvolvidas (dependentes) se baseia na tese Prebisch-Singer, a qual atribui características assimétricas no comércio internacional entre países desenvolvidos (centro) vis-à-vis países subdesenvolvidos (periferia) levando à deterioração secular dos termos de troca, deixando os benefícios das trocas nos países centrais.

Na reeleição, Dilma cedeu ao discurso da credibilidade e às expectativas racionais, em suma, ao terrorismo econômico do mercado. O ocaso do curto período desenvolvimentista culminou na virada completa da política econômica: substituição do desenvolvimentismo pelo financismo, tendo, à frente, J. Levy, representante das oligarquias financeiras transitando do keynesianismo coxo (porque não havia base social para levá-lo adiante, por isso ele fora claudicante) para um natimorto conjunto de políticas de austeridade (que nascem mortas porque o ajuste se deu em meio à recessão), o autericídio.

A marca evidente desta inversão é a criminalização dos déficits públicos, que dentro do arcabouço keynesiano podem ser importantes em momentos de crise. O governo, ao ceder ao neoliberalismo, implementou um conjunto de políticas restritivas: corte de gastos e enxugamento do Estado junto de uma política monetária restritiva em nome do combate inflacionário. Esta agenda foi implementada em meio a estagflação, o que levou a economia mais fundo no buraco, aumentando dramaticamente o desemprego e não retomando o investimento.

Portanto, a política que rompeu com o tripé macroeconômico (regime de metas da inflação, superávit primário e câmbio flutuante) em nome do desenvolvimento ensejado pelas políticas heterodoxas fracassou porque foi a tentativa de forçar um compromisso social-democrata dentro da hegemonia financeira. Ou seja, a tentativa de implementar políticas keynesianas (acordo entre gerentes e trabalhadores) sob o neoliberalismo deu errado porque as classes gerenciais já haviam sido capturadas pelas classes capitalistas e seus interesses financeiros.

À guisa de conclusão: é necessário repensar o Brasil e que tipo de nação queremos, criando um projeto de longo prazo no país. É preciso que as classes gerenciais enfrentem o poder do capital financeiro e retomem o compromisso com os trabalhadores para evitarmos o aprofundamento das desigualdades mesmo dentro dos marcos do capitalismo.

Repensar o Brasil de um ponto de vista desenvolvimentista significa romper com o rentismo e com as oligarquias financeiras – mas é preciso lembrar que não existe capitalismo sem crédito e que os capitalistas monetários nada mais são que uma fração de classe da burguesia.

Referências:

[1] DUMÉNIL, G. e LÉVY, A crise do neoliberalismo, São Paulo: Boitempo Editorial, 2014

[2] RUGITSKY, F. Do Ensaio Desenvolvimentista à austeridade: uma leitura Kaleckiana, 2015



*Bruno Miller Theodosio é economista pela USP e mestrando na UFRJ

POLÍTICA - Moro não conseguiu escapar do Jorge Luz...

Janio: o jato do Moro é lerdo

Moro não conseguiu escapar do Jorge Luz...

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O Conversa Afiada reproduz artigo da Fel-lha de Janio de Freitas, cujo potencial de destruição corre na velocidade da luz!
Jato lerdo é mais uma originalidade da produção nacional. Como o nome sugere, criada nos laboratórios da Lava Jato, que também deu (com a colaboração de peessedebistas) muitas provas da eficácia do invento. Sujeita, no entanto, a frequentes contestações. Todas, é verdade, relegadas ao descaso, que é a vala comum reservada aos argumentos e evidências inconvenientes ao poder. Por acaso ou por contingências incontornáveis, porém, a criação de repente se autodenuncia.
Detidos nos Estados Unidos, os brasileiros Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, entram na Lava Jato com rapidez, em relação ao pedido do juiz Sérgio Moro de que fossem localizados pela Interpol. Já a Lava Jato levou quase três anos até dar aos dois a atenção que trabalharam muito para merecer. Não é que fossem desconhecidos ou mal conhecidos dos coletores de delações. Bem ao contrário. Já o delator dos delatores, Paulo Roberto Costa, apontou-lhes o dedo ainda no início de sua nova e logo bem sucedida carreira.
Além disso, Jorge Luz tem dezenas de anos de serviço e de respeito no seu meio profissional, pela extensão da sua área de operações e pelo domínio das técnicas de sua especialidade –lobby e intermediação de negócios ilícitos. Em particular, nas fraudes em concorrências públicas. Jorge Luz –um nome fácil de guardar para sempre– está na ativa desde os tempos da ditadura.
Experiência e memória extensos demais para um plano de ação com jatos concentrados em área delimitada. Quem vem de longe passa pelos anos 80 e 90, não só pelos de 2000. Lembrança puxa lembrança, uma citação desavisada, um nome referido só como ilustração –e pronto, está extrapolada a delimitação. Um risco.
Jorge Luz e sua atividade baixaram ao limbo. Mesmo que, depois de Paulo Roberto, outros o mencionassem lá por 2014. Mas só em janeiro deste ano lhe chegaram sinais de perigo, levando-o ao encontro do filho já morador de Miami.
Jorge Luz não pôde escapar da Lava Jato. Mas a Lava Jato não pôde escapar de Jorge Luz

O turista escocês deixa o repórter desconcertado

A verdade sobre a operação "lava jato" e o juiz Sérgio moro.

Ciro Gomes Fala sobre o Entreguismo de Sérgio Moro

Emocionante. Estudante cubano com deficiência agradece a Fidel e a Raul

POLÍTICA - Z House.

Galeria dos Hipócritas

Z House: Negócio de um dos donos da Globo com o amigão do peito de Michel Temer envolve mansão em paraíso na Bahia

26 de fevereiro de 2017 às 00h15
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Da Redação, com Garganta Profunda
O Anonymous Brasil reproduziu ontem, com alarde nas redes sociais, documentos originalmente publicados pelo blog Tabapuã Papersem 31 de dezembro de 2016.
É um blog de um post só, mas não podemos cravar se foi criado apenas com o objetivo de disseminar os documentos.
Alguns deles são relacionados ao amigão do peito do usurpador Michel Temer, o advogado José Yunes.
Yunes afastou-se do cargo de assessor de Temer em 13 de dezembro do ano passado, depois de ter seu nome citado em delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da empreiteira Odebrecht.
Segundo Melo Filho, depois de pedido feito por Temer — algo que o agora ocupante do Planalto admite —, a construtora deu dinheiro para a campanha do PMDB em 2014.
Parte da ajuda foi entregue em dinheiro vivo no escritório de Yunes, em São Paulo.
Yunes afirma que foi “mula” involuntária do agora afastado ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, outro homem muito próximo de Temer, como o Viomundo descreveu aqui.
Yunes conta que recebeu um “envelope” em seu escritório através do doleiro Lucio Bolonha Funaro, que não checou o conteúdo e que alguém não identificado apareceu para retirar a encomenda.
Nos bastidores da política, Funaro é conhecido como o homem da mala do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, artífice do impeachment de Dilma Rousseff.
De acordo com a versão de Yunes, na ocasião da entrega Funaro narrou um esforço para eleger 140 deputados e colocar Cunha na presidência da Câmara dos Deputados:
— Ele me disse: “A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo ser presidente”. Perguntei: “Que Eduardo?”. Ele respondeu: “Eduardo Cunha”. Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo (Temer) sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre (risos). Eu decidi contar tudo a ele porque, em 2014, quando aconteceu o episódio e eu entrei no Google e vi quem era o Funaro, fiquei espantado com o “currículo” dele. Nunca havia conhecido o Funaro.
O episódio abre uma imensa janela para especulações, já que Temer é tido como homem de Cunha — e não o inverso — pelo ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes:
— Qual o grau de envolvimento de Temer nas tramas que levaram Cunha à presidência da Câmara?
— Ele já contava ocupar o lugar de Dilma quando saiu candidato à reeleição como vice dela?
— Por que o juiz Moro bloqueou as perguntas feitas pelo presidiário Eduardo Cunha a Michel Temer, cujas respostas poderiam antecipar o que agora confirma José Yunes?
— Moro agiu com timing político para evitar embaraços ao usurpador?
Mas o que realmente interessa nos documentos é a sociedade entre bilionários brasileiros em torno de um projeto imobiliário na Bahia.
Como se sabe, este é o ramo de Yunes.
Ele criou a Maraú Administração de Bens e Participações Ltda, que tem os dois fihos do advogado como sócios. Também na sociedade aparecem um dos donos do Grupo Globo, José Roberto Marinho, o dono da rádio Jovem Pan, um vice-presidente do Banco Itaú, um sócio da Track & Field, etc.
Para usar linguajar carnavalesco e da moda, é uma verdadeira suruba do PIB.
Que tem como sócia uma empresa de nome significativo: Shadowscape Corporation, o escape para a sombra.
A Shadowscape nasceu nas ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, em 04.11.2011, criada pela Mossack & Fonseca, a empresa panamenha especializada em esconder dinheiro por aí.
A direção da empresa, de acordo com os Panama Papers, fica na ilha de Man, outro refúgio fiscal.
Quem assina pela empresa lá é o diretor Ian Andrew Cook. O procurador da Shadowscape no Brasil é um certo JAS. Ele dá como endereço um bairro da região de classe média baixa na zona Sul de São Paulo, onde não foi encontrado.
JAS, o procurador, pode de fato ter conhecimento para pilotar a Shadowscape. Ou pode ser apenas o laranja de alguém graúdo, o verdadeiro dono ou sócio da Shadowscape.
Esse tipo de arquitetuta financeira tem vários usos. Se você é sócio de uma empresa cujo sigilo é protegido por refúgios fiscais, não há nada que impeça fazer uso dela para internar dinheiro que havia saído ilegalmente do País, por exemplo.
As barreiras burocráticas e o sigilo são criados justamente para tornar obscura a origem do dinheiro, seja de evasão fiscal ou do narcotráfico.
A própria Globo, de José Roberto Marinho, já foi pega na boca da botija numa destas operações joão-sem-braço.
Montou nas ilhas Virgens Britâncias uma empresa de nome Empire. Enviou legalmente capital para a empresa. Lá na frente, desmontou a Empire e usou o dinheiro para comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo.
Qual foi a vantagem? A Globo não tirou o dinheiro do Brasil especificamente para comprar os direitos do evento, mas para fazer um investimento externo. Com isso evitou a taxação obrigatória na compra dos direitos. A Receita Federal recebeu denúncia de autoridade estrangeira. Investigou e puniu a Globo. A certa altura, o processo simplesmente sumiu e teve de ser refeito integralmente. A Globo foi enrolando, enrolando, mas não conseguiu desfazer a multa e ao fim e ao cabo pagou R$ 1 bi à Receita em impostos, multas e atrasados.
Valeu a pena? Sim, porque quando a empresa fez o que a Receita definiu como armação, lá atrás, atravessava profunda crise financeira. Quando pagou, nadava em dinheiro.
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Qual era o objetivo dos herdeiros de Yunes, da Globo e da Joven Pan ao montar a sociedade?
Construir um condomínio exclusivo na maravilhosa praia de Maraú, na Bahia.
Mais adiante, vejam que interessante manobra: em 25 de abril de 2015 a empresa original desfez-se em outras 11, uma para cada sócio.
A gleba foi dividida. Ainda não sabemos se, ao fazer isso, a turma deixou de pagar as taxas de transferências devidas em cartório em transações imobiliárias.
O fato é que João Roberto Marinho, um dos herdeiros da Globo, montou sua própria empresa para tratar do assunto: a Z House Administração e Participações, tendo como sócia a esposa Vania Maria Boghossian Marinho e como administradores Simone de Paula Nunes e Roberto Pinheiro da Silva.
É uma nova versão da Casa de Paraty, esta agora completamente renegada pela família Marinho. Dizem eles que a neta de Roberto Marinho, Paula, filha de João Roberto Marinho, não tem nenhuma relação com a mansão de concreto ganhadora de prêmio internacional de arquitetura. É tudo com o ex-marido dela, Alexandre.
Não importa o que digam barqueiros, jardineiros, fiscais e outras testemunhas: é como se Paula nunca tivesse pisado lá, como se nunca tivesse assinado como testemunha o contrato que permitiu ao marido, Alexandre, renovar licitação obtida sem concorrência pública para explorar o espaço público do estado de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, contando com milhões em investimento público no empreendimento.
O Ministério Público da Bahia abriu ação civil pública para investigar se foram cumpridas as exigências feitas pela Prefeitura de Maraú na implantação da “ilha da fantasia” dos bilionários.
Será que, como acontece ainda hoje diante da casa de concreto de Paraty, redes para aquicultura serão estendidas, complicando a chegada de turistas a uma praia pública?
Vejam bem, diferentemente da irmã Paula, José Roberto é o “ambientalista” da família Marinho. Presume-se que jamais permitiria a repetição dos crimes ambientais constatados por autoridades na construção da casa de Paraty.
Uma casa que nem dono identificado publicamente tem. O controle é de uma sociedade que inclui a offshore Vaincre LLC, criada pela mesma Mossack & Fonseca no refúgio fiscal de Las Vegas, Nevada. A vantagem é que Nevada permite que o administrador de uma empresa offshore seja outra empresa offshore, criando duas muralhas de proteção contra jornalistas e policiais.
Os Marinho insistem: nada tem a ver com a mansão de Paraty, mas o fato concreto é que anotações apreendidas na sede da Mossack em SP indicam que Paula Marinho pagou as taxas de manutenção não só da Vaincre LLC mas de outras duas offshore, a A Plus Holdings e a Juste Internacional, baseadas respectivamente no Panamá e nas ilhas Seychelles.
A investigação da Mossack foi “desentranhada” da Lava Jato depois que o nome do ex-presidente Lula não apareceu ligado a nenhuma empresa e a PF centrou fogo em algumas, não em todas as offshore mencionadas nos papéis apreendidos. Por tremenda coincidência, a Vaincre LLL, a A Plus e a Juste ficaram de fora. Simplesmente, não interessam!
No negócio da Bahia, a cisão da Maraú serviu para entregar a cada um dos sócios lotes do terreno do empreendimento, mas a sociedade original continua funcionando com o seguinte capital:
José Roberto Marinho (Globo), Shadowscape Corporation (offshore), Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho (Jovem Pan), Ellen (herdeira do falecido banqueiro Roger Wright, ex-Banco Garantia de Jorge Paulo Lemann), R$ 588 mil cada; Jean-Marc (ex-Itaú, agora CVC Capital Partners Limited), R$ 441 mil; Maria Solovieva, R$ 310 mil; Christopher (herdeiro do banqueiro Roger Wright), Andrea Capelo Pinheiro (casada com Newton Simões, dono da construtora Racional), Luis Terepins (dono da incorporadora Even), Alberto Azevedo (Track & Field) e Frederico Wagner, R$ 294 mil.
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"Fora Temer", a onda do carnaval 2017

POLÍTICA - Aí tem coisa.


Nassif e o dossiê “1°amigo”, sobre Yunes. E uma contribuição do Tijolaço

dossie1
Há algumas horas está rolando nas redes um dossiê de documentos sobre os negócios da família Yunes, cujo patriarca, amigo de Michel Temer, confessou-se “mula” de Eliseu Padilha no recebimento de dinheiro trazido pelo doleiro Lúcio Funaro, operador de Eduardo Cunha.
Só a “escalação” do time acima já mostra quanto a gente tem de ser cuidadoso com este assunto, sem querer tirar conclusões precipitadas. Temos, como diz Nassif, de ir desbastando pelas bordas e, por isso, dou minha contribuição. A empresa Marau Projetos Imobiliários, propriedade da família Yunes, tem agora  como sócio Eduardo Sonoda, citado nos Panamá Papers como acionista da Weko Management, criada pela incubadora de offshores Mossack Fonseca, já de triste fama. No final do post eu reproduzo o diagrama que pode ser visto no site dos Panama Papers.
O texto do Nassif:

O primeiro amigo Yunes, a holding
Maraú e o encontro dos bilionários

O dossiê  distribuído pelo Anonymous, com informações sobre supostos negócios entre o presidente Michel Temer e o primeiro amigo José Yunes é composto por 30 documentos, entre PDFs e Words, basicamente registros na Junta Comercial e em paraísos fiscais.
Versam sobre uma infinidade de holdings e off-shores, algumas delas com os mesmos sócios, outras entrelaçando-se nas relações societárias, algumas soltas sem que, de cara, se possa montar alguma ligação maior.
Como é um quebra-cabeça extremamente complexo, vamos desbastando pelas bordas para ver onde chega. Pode não chegar a nenhum lugar, mas pode chegar a paragens interessantes.
As holdings que surgem da papelada são as seguintes:

Greystone, Shadowscape e Yuni Co são offshores instaladas em paraísos fiscais.
A holding principal é a Marau Administração de Bens e Participaçoes Ltda que contém sócios do clube dos bilionários brasileiros.
O objeto da sociedade é amplo: aquisição e alienação de bens imóveis, realização de estudos, planejamento, incorporações e participação em empreendimentos imobiliários em geral , administração de bens, participação em outras sociedades, com objeto relacionado a empreendimentos imobiliários ou empreendimentos em geral, na condição de cotista, acionista, consorciada ou de qualquer outra forma, bem como a realização de quaisquer outras operações que se relacionem, direta ou indiretamente, com seu objeto social. E ainda terá por objeto a exploração de atividade agrícola ou extrativa.
Entre os sócios participam (ou participaram as seguintes pessoas físicas e jurídicas:

Vamos a um perfil rápido deles:
Alba Maria Juaçaba Esteve Pinheiro e Andrea Capelo Pinheiro – pertencem à família cearense que controlou o banco BMC – que teve relativo sucesso no início dos anos 90.
Alberto Dominguez Von Ihering Azevedo – é um dos três sócios da fábrica de roupas esportivas Track & Field e mais uma dezena de empreendimentos industriais e imobiliários.
Jean-Marc Roberto Nogueira Baptista Etlin – presidente da CVC Partners e vice-presidente do Itaú- BBA.
Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho – o Tuta, dono da Jovem Pan.
José Roberto Marinho – um dos herdeiros das Organizações Globo.
Construter Participações Ltda – de Rodrigo e Michel Terpins, herdeiros das Lojas Mariza.
Christopher Andrew Mouravieff-Apostol – irmão do banqueiro Roger Wright, tragicamente falecido perto de Troncoso – caiu o seu avião matando 14 membros da sua família, todos os filhos e netos. Sua parte foi assumida pela mãe, que morava na Suiça. Depois de sua morte, pelo irmão Christopher. Roger participou do Banco Garantia, do Credit Suisse e, no final, tinha a Arsenal, de investimentos.
Agnes Leopardi Gonçalves – sócia de Lg Office Manager Servicos Administrativos Ltda – ME e da Sao Sebastiao Vii Az Administracao de Bens e Participacoes Ltda., empresa da família Yunes.
Lúcia de Carvalho Lins – não consegui maiores informações.
Marcos Mariz de Oliveira Yunes – filho de José Yunes e executivo de um sem-número de empresas. Pelo sobrenome, é parente do criminalista Antônio Mariz de Oliveira, também na lista dos amigos pessoais de Temer.
Luiz Terepins – ex-presidente da Eternit, tem empresas do setor têxtil e de construções e presidiu a Bienal de São Paulo.
YS Marau Projeto Imobiliário Ltda – Do Grupo José Yunes.
Shadowscape Corporation – aí começa a entrar na zona cinza. Praticamente todos os sócios da Maraú são também sócios da Shadowscape. Por seu lado, entre as empresas controladas pela Shadowscape estão a própria Marau e a São Sebastião V Administração de Bens. Era registrada nas Ilhas Virgens, paraiso fiscal, pela Greystoke Trus Co, escritório especializado em montar offshores. Na documentação, aparece como controlada pela  Greystone First Nominees Limited (https://goo.gl/LVXG7Z) que, por sua vez, aparece como controladora de fundos de investimento em várias partes do mundo, em uma teia típica de processos de lavagem de dinheiro.

Por hoje, ficamos por aqui.
É possível que os investidores da Maraú tenham se reunido em torno de um investimento imobiliário específico. Ou não. Vamos ver como as demais investigações prosseguem.