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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

POLÍTICA - Delcídio revela o "petrolão tucano".

Delcídio revela o "petrolão tucano"



Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:

Pelo teor das gravações que chegaram ao conhecimento público, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez por merecer sua prisão, apesar de alguns juristas dizerem que houve precipitação na decisão. Isso porque, de acordo com a Constituição, parlamentares só podem ser presos em flagrante – pode-se até questionar se há excessos nas prerrogativas parlamentares, mas atualmente é o que está em vigor na Carta Constitucional brasileira.
Outra questão é se a prisão irá ajudar ou terá atrapalhado as investigações. Na prática, Delcídio foi preso por falar demais e sua prisão imediata acaba por silenciá-lo. Daqui em diante, o senador se limitará a só falar o que os investigadores já sabem e, pelo jeito, vem aí um novo acordo de delação premiada.

A melhor investigação recomendava monitorá-lo algum tempo antes de prendê-lo para obter provas mais conclusivas, armar o flagrante em ação controlada e, assim, pegar outros envolvidos e obter evidências de eventuais crimes ainda não elucidados ou mesmo desconhecidos.

Mas Delcídio produziu uma combinação fatal para si mesmo: falou em influir politicamente na decisão de ministros do STF e citou um banqueiro bilionário (que era André Esteves, do BTG Pactual) ter em mãos a cópia de um acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que deveria estar em sigilo absoluto.

Tudo isso somado certamente levou os ministros do STF citados à conclusão de que se esta gravação chegasse à imprensa antes de prendê-lo eles próprios estariam sob suspeição diante da opinião pública. Como agravante, o risco de dossiês secretos virem a ser usados com fins escusos, inclusive como informação privilegiada no mercado financeiro. Daí o imediatismo da prisão, mesmo controversa do ponto de vista constitucional.

Apesar de a prisão silenciar as conversas de bastidores de Delcídio sobre malfeitos na Petrobras, a gravação feita por Bernardo Cerveró, filho de Nestor, da reunião que teve com o advogado Edson Ribeiro, que defendia o ex-diretor, e do chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, contém informações suficientes para tirar da gaveta o que podemos chamar de "petrolão tucano". Tudo aponta para concluir-se que o esquema de corrupção na diretoria internacional da Petrobras após 2003 ser uma transposição vinda da diretoria de Gás e Energia na gestão de Delcídio, durante o governo tucano de FHC.

Já está claro que, com o apoio de Delcídio, Cerveró foi para a Diretoria Internacional em 2003. E levou com ele gerentes da diretoria de Gás e Energia que agora são investigados na Lava Jato e que aparecem ligados a escândalos do passado mal investigados até hoje.

Delcídio foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 1999 e 2001. Nestor Cerveró foi seu braço direito na época. Eram gerentes nesta diretoria Luis Carlos Moreira da Silva e Cezar de Souza Tavares. Foram designados naquele tempo para representar a Petrobras no conselho de administração da Termorio S.A., empresa criada para construir e operar a termoelétrica Leonel Brizola, em Duque de Caxias, cujo maior fornecedor de equipamentos foi a Alstom.

Na conversa gravada, Delcídio manifestou preocupação com a possibilidade de Cerveró delatá-lo por questões relacionadas a contratos da Alstom com a Petrobras.

Apesar de fazerem parte apenas do conselho de administração da termoelétrica, posto que não tem função executiva, os dois gerentes viajaram para a Suíça junto com o presidente da Termorio em junho de 2002 para participar de negociações do contrato da Alstom, conforme descrito em ata de reunião da diretoria registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro. Na 20ª fase da Operação Lava Jato, os dois foram alvos de mandados de busca e apreensão por evidências de terem recebido propina na compra da Refinaria de Pasadena, nos EUA.

Luis Carlos Moreira da Silva foi levado por Cerveró para ser gerente-executivo de desenvolvimento de negócios da diretoria internacional. Cezar de Souza Tavares se aposentou e abriu a empresa Cezar Tavares Consultores, que foi contratada pela diretoria de Cerveró para atuar na negociação dos contratos de compra da Refinaria de Pasadena. Em 2008, após Cerveró sair da diretoria Internacional, Moreira tam´bem se aposentou e virou sócio na consultoria de Tavares, mesmo movimento feito por outro investigado, Rafael Mauro Comino, igualmente "transposto" da diretoria de Delcídio para a Internacional de Cerveró.

No diálogo gravado, Delcídio dá a entender que tinha uma combinação para Cerveró não falar sobre envolvimento dele com a Alstom e questiona o rascunho da delação mostrado por André Esteves conter isto. Bernardo e o advogado Edson confirmam que Cerveró e Moreira (eles não citam o nome completo) tinham dinheiro na Suíça, recebido da Alstom, e foram descobertos lá há algum tempo, mas conseguiram arquivar o processo fazendo acordo confidencial com o Ministério Público de lá. O dinheiro ficou com o governo suíço mas, no Brasil, ninguém soube de nada.

Os procuradores da Lava Jato tiveram conhecimento da trama informamente quando estiveram na Suíça mas, segundo o advogado Edson, não têm como usar esta informação de forma legal no Brasil, já que, depois do acordo, os procuradores suíços não podem mais fornecer estes dados oficialmente.

Pausa para uma observação: se for verdade esta narrativa, que justiça podre era essa dos suíços? Descobriram dinheiro com indícios de ser roubado dos cofres públicos brasileiros e fizeram acordo para ficar com o dinheiro em troca de silêncio?

Gestões temerárias

Mas voltando ao "petrolão tucano": a diretoria de Delcídio foi responsável pela assinatura dos contratos lesivos à Petrobras para construção e operação de usinas termelétricas, no governo FHC, em consórcio com empresas estrangeiras como Enron, El Paso e com a brasileira MPX, de Eike Batista.

Processo de tomada de contas especial do TCU – TC 032.295/2010-3 – registra nos contratos que a Petrobras assumiu sozinha riscos desfavoráveis ao erário público (leia-se: ruins para a estatal e bons para os sócios privados nos consórcios) para a construção das termelétricas.

O texto do acórdão descreve um contrato draconiano, cuja única garantia tinha os sócios privados, de que teriam seus lucros devidamente recebidos – o que obrigou a estatal a pagar aos consórcios R$ 2,8 bilhões. A Petrobras (leia-se, o povo brasileiro) ficou com este prejuízo, enquanto os sócios privados foram generosamente remunerados. Pior do que isso, durante cinco anos a Petrobras pagou aos sócios juros de 12% ao ano, mais do que os sócios pagavam ao BNDES pelo dinheiro que tomaram emprestado para investir.

Desenhando: se a Petrobras tomasse diretamente empréstimo no BNDES para construir as termelétricas sem sócio nenhum, em cinco anos pagaria o empréstimo, com juros muito menores e ficaria dona sozinha das usinas.

Mesmo identificando e reconhecendo tudo isso, o acórdão do TCU de 16 de julho de 2014 (quando a Lava Jato já bombava) acatou a defesa e não puniu ninguém da diretoria da Petrobras da era tucana.

Foram alvo desta tomada de contas além de Delcídio e Cerveró, Henri Philippe Reichstull, Ronnie Vaz Moreira, Francisco Gros, Rogério Almeida Manso da Costa Reis, José Coutinho Barbosa, Geraldo Vieira Baltar, Albano de Souza Gonçalves, João Pinheiro Nogueira Batista,Jorge Marques de Toledo Camargo, Antônio Luiz Silva de Menezes, Irani Carlos Varella.

Um trecho do acórdão do TCU resume a decisão: "(...) ainda que tenha faltado prudência por parte dos administradores da Petrobras, os gestores devem ser eximidos de responsabilidade por não ser razoável exigir-lhes que, com as circunstâncias favoráveis de mercado, descumprissem os compromissos políticos e sociais que haviam assumido e desistissem da oportunidade de negócio que se apresentava. Fica demonstrada a inexigibilidade de conduta diversa por parte dos gestores da Petrobras, excluindo sua a culpabilidade".

Deixa ver se entendi: em uma linguagem menos embromada, como a diretoria tinha "compromisso político" com o governo tucano ficou tudo liberado para fazer outra imprudente "privataria" com a Enron, El Paso e MPX. É isso?

Detalhe: em 2001 e 2002, quando ocorreram estes fatos, o ministro das Minas e Energia era José Jorge que posteriormente foi senador pelo PFL de Pernambuco. Em 2014, José Jorge era conselheiro do TCU. Hoje aposentado, à época ele declarou-se impedido de votar neste processo. Concluí-se, portanto, que ele tinha interesse direto no assunto.

POLÍTICA - Vérpera de um Dia D para a crise.

Véspera de um Dia D para a crise

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Uma paz de cemitérios domina Brasília na véspera de um dia D para a crise econômico-política. Há um feriado de araque na cidade, do Dia do Evangélico, mas nem o comércio o respeitou. A administração federal funcionou normalmente, mas na área política não houve qualquer reunião de líderes da base governista, nenhuma ação palaciana visível. A presidente Dilma desembarca de madrugada na base aérea, procedente de Paris, e fará uma reunião de coordenação política pela manhã. Mas nesta altura será curto o tempo para executar a estratégia.

O ponto mais importante do dia para o governo é a votação do projeto que reduz a meta de superávit primário de 1,15% para 0,7% do PIB. Com o rombo nas contas de outubro, o problema ficou ainda mais premente. Para não incorrer no descumprimento da meta e em crime de responsabilidade, a presidente só tem duas alternativas. Ou aprova a redução da meta ou segue fazendo cortes brutais nos gastos públicos, ao ponto de comprometer as mais rotineiras atividades administrativas.

O corte de R$ 10 bilhões, que ela determinou na sexta-feira e foi publicado hoje, não será suficiente. A matéria tem votação prevista para a noite em sessão conjunta do Senado e da Câmara. O governo precisará mobilizar a base e tem contra si o péssimo ambiente político que se instalou no Congresso depois da prisão do senador Delcídio Amaral. Mas como o recesso só começa no dia 22, ainda poderá ser feita nova tentativa, embora o governo ainda tenha que aprovar a DRU, a LDO e a lei orçamentária de 2016 neste curto espaço de tempo.

O segundo evento mais importante do dia é a votação, pelo Conselho de Ética, do parecer favorável ao prosseguimento do processo de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Como visto hoje, ele adiou o anúncio de decisão sobre os processos de impeachment alegando não querer misturá-la com a nova suspeita do Ministério Público, que ele negou com veemência, de que tenha recebido R$ 45 milhões do BTG Pactual, cujo ex-controlador André Esteves está preso, para inserir dispositivo numa medida provisória favorecendo o banco.

Nem por isso tem sido menor a pressão sobre os três deputados petistas que integram o conselho. O que todo mundo sabe mas não foi dito por Cunha é que se o PT não colaborar com sua salvação ele pode abrir o processo contra Dilma. No paradão do dia, nenhuma notícia das movimentações petistas sobre este dilema.

Uma crise chega ao ponto crítico quando começa a imobilizar os atores. Vamos ver se amanhã eles reagem e enfrentam o dia e seus desafios.

MEIO AMBIENTE - "Debate sobre Mariana não foi proporcional à escala do desastre".

“Debate sobre Mariana não foi proporcional à escala do desastre”, diz relator da ONU




Da BBC Brasil:

A atenção dada ao desastre ambiental de Mariana não foi proporcional à dimensão da tragédia.
A opinião é do relator especial da Organização das Nações Unidas para Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak.
Em entrevista à BBC Brasil, ele criticou ainda a falta de transparência sobre as causas do acidente e disse estar preocupado com o futuro da região.
“A severidade do desastre e a ausência de informações sobre as causas do incidente demandam um escrutínio muito maior e um debate público mais forte”, disse Tuncak.
“Francamente, estamos vendo uma falta de responsabilidade das empresas e do governo que não correspondem ao tamanho do estrago e do risco para o meio ambiente”, afirmou Tuncak.
“O público tem o direito de saber por que isso aconteceu e os impactos em potencial desse desastre”, disse.
“Recebemos a informação de que há áreas contaminadas com níveis mil vezes superiores ao que seria considerado seguro de acordo com o governo brasileiro. Há diversas variáveis, mas basicamente isso indica um grande risco à população local, sua saúde e vida”, acrescentou.

NÃO SOMOS MACACOS, MAS....

Não somos macacos, mas...


A tristeza só aumenta. Que ela sirva para nos deixar atentos, responsáveis e mais combatentes em não nos  curvar a ditames desumanos.


Emanuele tinha cinco
 anos e seu corpo acaba de ser encontrado a 70 km do local onde escapou da mão do pai que tentava resgatá-la junto com o seu irmãozinho.
O avô ainda se jogou no meio da lama para tentar salvá-la e viu seu corpo emergir duas vezes. Ouviu seus últimos gritos de socorro e desespero.
Mas desde aquele momento em que a lama engoliu o subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana, nada mais se ouviu de Emanuele.
Emanuele está morta.


Ela não morreu por conta de uma fatalidade.
Não morreu por conta de uma doença rara.
Não morreu pelos desígnios do altíssimo.
Morreu porque a morte de uns está e sempre esteve na conta daqueles que tratam o mundo como seu pedaço de cobre, de zinco, de ouro. Como sua conta bancária.
Emanuele poderia se chamar Aylan. Poderia ter três anos. Poderia ser síria.
Tanto faz.
Emanuelle e tantas outras vítimas dessa e de tantas outras tragédias vão se tornar números.
E daqui a um tempo nos tribunais alguém vai dizer que o desastre poderia ter sido maior, não fosse os investimentos feitos pelos abutres que produziram o desastre.
E a roda vai rodar.
E Emanueles e Aylans ficarão pelo caminho.
O avô de Emanuelle diz que ainda ouve o grito final de desespero da neta.
Nós não.
Nós o esqueceremos com facilidade.
E tocaremos adiante.
Da mesma forma que já nos esquecemos da imagem de Aylan que tocou o mundo.
E nos esquecemos dos refugiados sírios e das crianças que continuam se afogando no Mediterrâneo.

Não somos macacos.
Mas não somos tão humanos quanto imaginamos.
Se assim fôssemos, hoje não estaríamos discutindo apenas o caos em Mariana. Mas tudo que envolve este pesar.

As opções que temos feito e que estão nos levando a chafurdar na lama de um progresso que não vai pra frente.
De um progresso que não é para muitos.
De um progresso que acaba em lodo para a imensa maioria de todos nós.

Todos morreremos. O problema não é a morte, mas a forma como nossa humanidade vem sendo assassinada.
E o quanto temos sido cúmplices neste enredo.







Emanuelle, Aylan e nós


 Renato Rovai







Tragédia em Minas não terá sua “foto de criança síria”; postura das autoridades e da imprensa, até agora, é protocolar, sem empatia com a população atingida
Há uma história dentro da história do desabamento das barragens em Mariana (MG): a das crianças, tratadas com um descaso protocolar pela imprensa brasileira.
Emanuele Vitória Fernandes, de 5 anos, foi encontrada morta a 70 quilômetros de Mariana, e o UOL registra de forma contábil: “Garota de 5 anos é quarta morte confirmada em MG”. Quem era ela? Onde estudava? Lemos apenas – como em uma necrópsia – que a criança foi reconhecida pela família “por conta do cabelo, formato do pé e arcada dentária”.
Quatro crianças entre os 22 moradores e trabalhadores da Samarco ainda estão desaparecidas, conforme a lista divulgada pela prefeitura e pelos Bombeiros. São elas: Thiago Damasceno Santos, de 7 anos; Ana Clara dos Santos Souza, de 4 anos; Mateus Dias Batista, de 5 anos; e Yuri Dias Batista, de 3 meses. (Os dois irmãos desapareceram com a mãe, outra Ana Clara.) Onde elas estão?
Leia mais: Minas Gerais: onde estão Ana Clara, Mateus, Yuri e Thiago?

O Rio Doce vai ressuscitar. As pessoas não.
Tido como morto, rio Doce ressuscitará em cinco meses, afirma pesquisador
http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/11/esta-aberta-a-temporada-de-minimizacao-do-crime-ambiental-de-mariana/

Eles só roubaram no Governo Lula


Eles só roubaram no Governo Lula


domingo, 29 de novembro de 2015

Secretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em luta! - Jor...


ARGENTINA - "Um país não é uma empresa".

     
        

“Um país não é uma empresa”, diz Cristina Kirchner

Em um ato na última quarta-feira (25) no Hospital Posadas, em Buenos Aires, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, falou sobre a vitória do opositor Mauríco Macri. “Houve eleições e a diferença entre ambas as forças foi muito escassa, muito pequena. Eu me pergunto: se houvesse sido ao contrário, o que estaria acontecendo hoje com a Argentina? Teriam reagido como nós, com grandeza, compreensão e vivência democrática que devemos ter com os argentinos?”, disse.


Reuters
A presidenta destacou o posicionamento da Frente Para a Vitória, que aceitou o resultado das eleições "com grandeza"A presidenta destacou o posicionamento da Frente Para a Vitória, que aceitou o resultado das eleições "com grandeza"
A presidente afirmou que o balanço de um país é determinado por “quantos argentinos estão incluídos e quantos estão excluídos” e que "há necessidades que devem ser atendidas não segundo um critério economicista". “Um país não é uma empresa”, disse a atual presidenta.

“Jamais nos ocorreria fazer algo que afetasse a governabilidade e a convivência” entre os argentinos, declarou Cristina. “Queremos que o país vá bem, não somos do exército do 'quanto pior, melhor'”.

“Entramos no governo sem indústrias e saímos com um país com indústrias que seguem em frente, dando trabalho a milhões de argentinos”, afirmou a mandatária. Segundo ela, seu governo entrou e saiu “pela porta”. “Aos que sustentam que entramos pela janela, ninguém entra pela janela”.

A presidenta destacou  que o maior feito de sua gestão foi "termos empoderado o povo em seus direitos". "São vocês quem deverão defendê-los se alguém se atrever a revogá-los", declarou.

Fonte: Opera Mundi

POLÍTICA - Convoquem urgentemente o Woody Allen.


Convoquem urgentemente o Woody Allen: A Lava Jato começa com Delcídio do Amaral e a Andrade Gutierrez; termina com Marcelo Odebrecht

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O senador Ferraço (PSDB, PTB, PPS, PMDB), o prefeito Paes (PSDB, PMDB), o senador Delcidio (PSDB, PT), o senador Romário e o espancador de mulheres Pedro Paulo; Marcelo Odebrechet deixa a van sob o olhar do “japonês bonzinho”. Processado por contrabando, ele tem a confiança da direção da Polícia Federal e é suspeito de vender informações a revistas e ao banqueiro Esteves
por Luiz Carlos Azenha
Imaginem, por um momento, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, recolhido ao seu apartamento na Trump Tower, em Manhattan.
A prisão domiciliar deve ter um impacto devastador para quem estava acostumado à badalação da vida de cartola no “país do futebol”.
Porém, aos 83 anos de idade, Marin sabe que poderia ser pior, bem pior. A essa altura, ele não tem nada a perder. Quanto mais contar, quanto mais colaborar com os investigadores, menor a pena.
Vamos combinar que, tirando o dinheiro, não há nenhum cimento ideológico que una Marin a Ricardo Teixeira ou Marcelo Campos Pinto, recentemente defenestrado pela Globo.
Ou seja, Marin vai abrir o bico mirando numa aposentadoria não muito distante no Brasil, preservada parte da fortuna que amealhou.
Para os que serão delatados por Marin, resta a certeza de que não poderão influenciar o FBI ou a promotoria dos Estados Unidos.
No Brasil, é diferente.
Imaginem agora o senador Delcídio do Amaral na cadeia, longe das filhas, da família. Um homem que transitou do PSDB para o PT em 2001, às vésperas de Lula se eleger presidente da República, lhes parece ideologicamente sólido?
Delcídio ocupou uma das diretorias mais importantes da Petrobras, a de Gás e Petróleo, no final do governo FHC. Conheceu então Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, os diretores da estatal agora convertidos em delatores. Todos, portanto, antecedem Lula no Planalto.
Delcídio é pluripartidário. O que o levaria a celebrar em seu gabinete um acordo entre Eduardo Paes (PMDB) e Romário (PSB) de olho nas eleições municipais do Rio em 2016? Seria a manutenção do status quo benéfica a seus próprios interesses pessoais?
Ou ele agia ali como preposto do governo Dilma ou do PT? A ver.
À Polícia Federal, o petista já fez declarações suficientemente comprometedoras para enredar o banqueiro, mas não duvido que Esteves passe alguns dias na carceragem — para efeito didático junto aos eleitores — e seja libertado.
Um banqueiro comendo as quentinhas de Bangu sempre pega bem no Jornal Nacional, vende a ideia de uma Justiça “justa”.
Além de não se enquadrar no perfil dos três Ps, Esteves pagou a lua-de-mel do tucano Aécio Neves — informação significativamente omitida por toda a grande mídia.
Independentemente de Esteves, o ex-líder do governo Dilma no Senado tem muito a dizer. Agora, diante da gravação que tem grande impacto junto à opinião pública, tudo indica que Delcídio ficará tempo suficiente na cadeia para ser convencido a “cantar”.
O Supremo Tribunal Federal, que atropelou a Constituição para prendê-lo, terá coragem de libertá-lo?
Foi assim, com a dureza da cadeia, que o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, teve a sua resistência “quebrada”. Segundo informações do Estadão, ele está pronto para “entregar” dois senadores, além de revelar esquemas na construção de estádios da Copa.
A empreiteira que Otávio dirigia teve uma parceria inusitada, por exemplo, na reforma do Maracanã: além da Odebrecht, associou-se à minúscula Delta, de Fernando Cavendish, o grande amigo do ex-governador Sergio Cabral, que por sua vez é aliado do prefeito Eduardo Paes. Paes quer eleger Pedro Paulo em 2016 e se candidatar ao Planalto em 2018 pelo PMDB. Romário seria o candidato ao governo do Estado.
O PMDB do Rio, lembrem-se, é aquele que emplacou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. É aquele que enriqueceu graças ao pré-sal e a obras bilionárias feitas para a Copa e as Olimpíadas.
A seção carioca do PMDB é a única que pode financiar uma campanha presidencial competitiva, assim como a do PSDB paulista.
A dedução óbvia é que Delcídio provavelmente trabalhava por um futuro glorioso… no PMDB.
Ou, a mando de alguém, subordinava o PT ao PMDB nas eleições de 2018.
A delação do presidente da Andrade Gutierrez, agora acertada, tem potencial explosivo: pode jogar luz, por exemplo, sobre a obra do Maracanã.
A Andrade, registre-se, é parceira da Odebrecht e da Carvalho Hosken na obra do Parque Olímpico.
Como brinquei no Facebook, foi o melhor negócio imobiliário do planeta o fechado pela PPP de Eduardo Paes (cliquem para o vídeo imperdível).
Mais de 500 mil metros quadrados de terreno público, transferidos às empreiteiras, agora contam com toda a infraestrutura. Valor?  720 reais o metro quadrado, multiplicados por 22 — já que as empresas poderão construir neles edifícios de 22 andares.
Foi por isso que Eduardo Paes sacrificou a Vila Autódromo, embora os moradores tivessem recebido títulos de posse provisórios (por 99 anos) do governador Brizola: para fazer, às margens da lagoa de Jacarepaguá, o jardim dos ricos que vão comprar imóveis das três empreiteiras!
Mas, voltando à Lava Jato, temos como um dos últimos resistentes Marcelo Odebrecht. Quanto tempo ele vai resistir? Provavelmente, os advogados da empreiteira já se movimentam nos bastidores para obter um acerto parecido com a da “concorrente”.
Odebrecht, lembrem-se, é aquele do “adiantar 15″ para JS, mensagem capturada em um de seus celulares. JS, tudo indica, como brincou um internauta, é Jula da Silva.
Delcídio, Otávio e Marcelo estão em posição para por abaixo o sistema político brasileiro, se resolverem realmente contar tudo.
Porém, se houver uma inclinação de delegados e promotores a ouvir apenas parte da História, por que motivo eles se arriscariam a delatar mais que o necessário?
Portanto, o PT está à mercê desta cascata de delações.
Consequências do 25 de novembro?
Para todos os efeitos, um governo Dilma dono de seu próprio nariz acabou. Um fato novo pode levá-lo ao impeachment, mas considerando as delações por vir é pouco provável que haja alguém mais confiável que Dilma para se arrastar, feito Sarney, até o fim do mandato. Um governo fraco, dominado pelo pensamento econômico neoliberal, vai produzir austeridade via desemprego — eliminando, assim, qualquer chance de sobrevivência eleitoral.
A candidatura de Lula, em consequência, murcha. Para o ex-presidente, escapar da prisão nestas circunstâncias será em si uma vitória.
A direita dispõe, portanto, não só dos instrumentos para recapturar o Planalto em 2018, como da legislação antiterrorista que sobreviverá às Olimpíadas e servirá, como o Patriot Act, para conter qualquer explosão social fora da institucionalidade. Não é pouco, para quem pretende retomar, num quadro de crise econômica mundial, a política do arrocho da ditadura.
Ironicamente, a legislação que permitirá à direita fazer isso foi produzida pelo governo Dilma e “aperfeiçoada” pelos tucanos, com intermediação de… Delcídio do Amaral.
Ah, Woody Allen, não chegou a hora de produzir um filme inspirado no Brasil, tendo o “japonês bonzinho” no papel principal?
PS do Viomundo: Pergunta que não quer calar diz respeito ao filho do Cerveró, Bernardo. Ele gravou por conta própria? Ou foi agente de alguém?

PETROBRAS - Para o Dr. "não vem ao caso",isso não interessa, pois a obsessão é pegar o Lula.


Petrobras: "Não é Dote. É Dog. Paulo Dog. Para o Dr. Moro, "isso não vem ao caso", porque aconteceu na era FHC. Só vale pegar petistas.‏

No texto a seguir, aparecem os nomes de dois ex-gerentes da Petrobras, Luis Carlos Moreira da Silva e Cezar de Sousa Tavares.

Paulo Dote do Delcídio é o Dog do Wellington e Dornelles?

"Não sei dizer a qual dos 2 ele é o mais próximo"
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Dornelles e o primo. Temer e o irmão
 Como se sabe, o Azenha, o Rodrigo Vianna e este ansioso blogueiro trabalharam na Globo por muitos anos.

E lá deixaram bons e fiéis amigos que dedicam ao Gilberto Freire com “ï” a mesma e silenciosa admiração dos três.

Um desses amigos enviou ao ansioso blogueiro intrigante e-mail:


"vi agora que na encrenca do Delcidio eles falam de um certo Paulo Dote

não é Dote. É Dog. Paulo Dog.

o Paulo Dog tem desde sempre negócios de termica com a Petrobras. É ligado, muiiiiiiiiiito ligado ao (Wellington) Moreira Franco e ao (Francisco) Dornelles. Moreira vai sempre na bela casa que o Paulo Dog tem na ilha de Itaparica. já vi ele por lá. Dornelles tambem vai lá

Não sei dizer a qual dos 2 ele é mais próximo.

A amizade talvez se ligue à Petrobras. Fique de olho.

Paulo Dog ficou rico. Antes, criava cachorros.

abraço.  saudades do amigo,"
O “Paulo Dote” aparece na gravação que levou o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) à cadeia.

No diálogo com que se condenou, Delcidio diz que o "Paulo Dote" está ligado a um fundo americano.

Leia o trecho:
(...)

 DELCIDIO: Aí ele fala que houve uma decisão que tirou os espanhóis em cima da (TERMORIO) e botou um fundo.

EDSON: Isso.

DELCIDIO: Um fundo americano. Que é de quem ? Do Paulo (Dote), que tava associado ao Paulo (Dote). Ou seja, ele conta a história... Ele conta certinho a história e tal, mas diz que não houve nada e papapá, papapá. Mas que ele entendia que a minha preferência era com os espanhóis, mas aí veio uma ordem de cima pra colocar o tal pessoal da... Porque o Paulo tinha uma operação forte dentro da Petrobras. Sempre foi. Hoje não sei se tem, mas antes tinha.

EDSON: Parou.

DELCIDIO: É... Mas o, o, o... Então, e outra coisa que me chamou a atenção naquele material que você mandou, quando o Nestor fala como ele separa os quinze milhões, eu não tô na relação. Só tá embaixo dizendo assim: que ele doou um milhão e meio.

(...)
Aqui, a íntegra da gravação:
 
 http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/11/leia-e-ouca-integra-da-conversa-que-levou-o-senador-delcidio-prisao.html

O editor do Conversa Afiada Alisson Matos seguiu a global pista e farejou que Paulo Dog deve ser Paulo Roberto Barbosa de Oliveira, ex-sócio e ex-presidente da TermoRio, a empresa mencionada na conversa.

Ao que diz o Alisson:

Em 2014, o site da revista Exame divulgou matéria em que denuncia que Paulo Roberto Barbosa de Oliveira esteve envolvido em um caso que engloba a multinacional francesa Alstom e a Petrobras.

 O caso se refere ao fornecimento de turbinas para a usina térmica Governador Leonel Brizola, conhecida como TermoRio, a maior do país, instalada na Baixada Fluminense.

A construção da usina se estendeu de 2001 a 2004.

Relatórios de auditores da própria Petrobras concluíram que a estatal teve prejuízo de pelo menos 15 milhões de reais durante as obras somente com o processo de fiscalização.

A história começa quando a Petrobras, em meio ao “apagão” de energia no governo Fernando Henrique Cardoso, recebeu a missão de investir em geradoras termelétricas.

Ele chegou a desmentir as denuncias à época: http://bahiaeconomica.com.br/noticia/96124,empresario-baiano-nao-tem-envolvimento-em-escandalo-da-alstom-e-petrobras.html

Leia trechos da matéria da Revista Exame, de abril de 2014:
 
http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1062/noticias/quanto-mais-se-mexe


Quanto mais se mexe no caso Pasadena...

 
(...)
O projeto da TermoRio, que havia começado em 1999 com 17% de participação da Petrobras, ganhou força em 2001 com o aumento da fatia da estatal para 43%. O restante do capital era então dividido entre o grupo americano NRG (50%) e o empresário baiano Paulo Roberto Barbosa de Oliveira (7%).

A montagem da usina teve início no mesmo ano, com a compra de nove turbinas da subsidiária da Alstom na Suíça, um contrato de 530 milhões de dólares. Para fiscalizar a instalação das turbinas foi contratada uma empresa de engenharia chamada Eldorado.

Nesse tipo de contrato, empresas de fiscalização técnica têm papel crítico — o pagamento dos fornecedores só é liberado quando os fiscais indicam que as máquinas foram entregues e estão instaladas de acordo com o projeto.

Embora tivesse a menor participação acionária, Oliveira assumiu a presidência da TermoRio. Ele conduzia a ne­gocia­ção com a Alstom. À Petrobras cabiam duas das cinco cadeiras do conselho de administração da TermoRio. Elas eram ocupadas por Luis Carlos Moreira da Silva e Cezar de Souza Tavares, gerentes da estatal.

O chefe deles era Nestor Cerveró, agora pivô do caso da compra da refinaria americana de Pasadena, que àquela altura era gerente executivo da diretoria então ocupa­da pelo atual senador Delcídio Amaral (PT-MS). No conselho da TermoRio, Moreira da Silva e Tavares participavam da gestão do contrato com a Alstom.

Em junho de 2002, os dois acompanharam Oliveira em viagem à Suíça para negociar um pagamento adiantado de 7 milhões de dólares para a Alstom, segundo atas do conselho da TermoRio obtidas por EXAME.

Anomalias

Em 2003, a Petrobras comprou a participação da americana NRG e, no ano seguinte, a parte de Oliveira, tornando-se dona de 100% da usina. Uma nova diretoria designada pela estatal para gerir a TermoRio percebeu que havia esquisitices e montou uma auditoria interna.

Os auditores notaram que a Eldorado mantinha apenas cinco engenheiros para fiscalizar a obra, enquanto seriam necessários pelo menos 20 profissionais para dar conta do trabalho. A auditoria também apontou "anomalias" nos serviços da Eldorado, como "falhas básicas de conferência de documentos e de acompanhamento dos trabalhos contratados".

Em outras palavras, a empresa não fiscalizava. Mesmo assim, o aval da Eldorado servia para que a Alstom recebesse os pagamentos. Os 15 milhões de reais que a Eldorado havia levado por seus serviços foram considerados dinheiro perdido.

Mas esses não foram os únicos problemas com a empresa de engenharia. A investigação constatou que a Eldorado tinha Oliveira (o “Dog”) como um dos sócios e era controlada por uma empresa sediada no Uruguai que também mantinha negócios com ele.

A auditoria interna, porém, não resultou na punição de ninguém.

A principal conse­quên­cia foi que a Petrobras rescindiu o do contrato com a Eldorado em 2004.

(no Governo Lula.)

Isso deu origem a um episódio bizarro. A Eldorado abriu um processo de arbitragem contra a Petrobras pela interrupção do contrato. A estatal perdeu. Foi condenada a pagar indenização de 2 milhões de reais à Eldorado.

A sentença arbitral obtida por EXAME mostra que Moreira da Silva, um dos executivos da Petrobras que havia sido conselheiro da TermoRio, testemunhou a favor da Eldorado. Oliveira (o “Dog”) — ex-sócio e ex-presidente da TermoRio — confirma que era sócio da Eldorado.

"Não havia impedimento no acordo de acionistas da TermoRio quanto a contratar uma prestadora de serviços ligada a sócios", disse a EXAME. Para ele, o resultado da arbitragem a favor da Eldorado comprova que a fiscalização foi feita corretamente.

Apesar de pareceres de advogados da TermoRio e da Petrobras apontarem indícios de favorecimento à Eldorado, a direção da estatal não moveu ação nem contra os ex-gestores da TermoRio nem contra seus funcionários que participavam do conselho de admi­nistração.

Ao contrário: os principais personagens foram prestigiados. Em 2003, Moreira da Silva foi enviado a uma gerência da diretoria internacional da Petrobras. Tavares se aposentou, abriu uma consultoria e passou a prestar serviços para a própria estatal. Cerveró, chefe deles, virou diretor internacional da petroleira.

Juntos, os três conduziram a compra da refinaria americana de Pasadena em 2006. Quando a aquisição da refinaria foi fechada, Moreira da Silva era gerente de desenvolvimento de negócios internacionais. Tavares atuou como consultor na negociação. Em 2008, Moreira da Silva virou sócio de Tavares. Nenhum dos três quis falar a EXAME.

Mantida em segredo até agora, a auditoria de 2004 na TermoRio pode ser um indício de que, por trás dos negócios entre Alstom, TermoRio e Petrobras, funcionava um esquema de corrupção. Não seria a primeira suspeita. Em 2006, o consultor Luiz Geraldo Costa foi preso pela Polícia Federal na Operação Castores, que investigava corrupção em estatais do setor elétrico.

Em depoimento na prisão, Costa afirmou ter emprestado a conta bancária de uma empresa sua no Uruguai para que a Alstom suíça fizesse depósitos para funcionários da Petrobras envolvidos na construção da TermoRio. Teriam sido transferidos 550 000 dólares numa ocasião e 220 000 euros em outra, segundo o depoimento.

Costa disse ainda ter distribuído o dinheiro conforme instruções recebidas de executivos da Alstom no Brasil, sem conhecer os destinatários. Em troca, ficava com 5% do valor movimentado. Procurado, Costa não quis falar. O depoimento dele veio a público em 2008, mas a investigação acabou arquivada.

A Petrobras respondeu por meio de nota que era minoritária na TermoRio quando a Alstom e a Eldorado foram contratadas. Alega ser obrigada a manter sigilo sobre a arbitragem e diz não ter identificado sinais de pagamento de propinas a envolvidos no projeto da térmica.

A estatal também afirma não ter recebido nenhuma denúncia ligada à Operação Castores, da Polícia Federal. A Alstom comunicou que colabora com as autoridades nas investigações e que sobrepreço e pagamentos ilegais são incompatíveis com seu código de ética.

O senador Delcídio Amaral, ex-diretor de gás e energia da estatal de 1999 a 2001 e que tinha Cerveró, Moreira da Silva e Tavares como subordinados, disse que a escolha de Cerveró foi técnica. "Fui consultado e apoiei, porque sei da competência dele", afirmou.

Amaral diz que o projeto da TermoRio com turbinas da Alstom já estava decidido antes de sua chegada à estatal e que havia saído da empresa quando foi feita a auditoria sobre a Eldorado. Ainda segundo ele, a escolha dos representantes da Petrobras no conselho da TermoRio e o acompanhamento da gestão eram delegados a Cerveró.
Em tempo: como se sabe, Dornelles é sobrinho de Tancredo e contra-parente do Aecím. Wellington foi casado com Celina Vargas do Amaral Peixoto, neta de Vargas: Getulio Dornelles Vargas. Portanto, Dornelles e Wellington, além do amor a Itaparica, talvez tenham mais em comum – em família.


PHA no seu blog "Conversa Afiada".

POLÍTICA - Delcídio para nós.


Delcídio para nós, por Jânio Freitas

"Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique"
Folha de S.Paulo
Delcídio para nós, por Jânio Freitas

 As dúvidas sobre a propriedade da prisão de Delcídio do Amaral, decretada por cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, vão perdurar por muito tempo. Assim como a convicção, bastante difundida, de que a decisão se impôs menos por fundamento jurídico e equilíbrio do que por indignação e ressentimento com a crença exposta pelo senador, citando nomes, na flexibilidade decisória de alguns ministros daquele tribunal, se bem conversados por políticos.

Às dúvidas suscitadas desde os primeiros momentos, estando o ato do parlamentar fora dos casos de prisão permitida pela Constituição, continuam tendo acréscimos. O mais recente: Delcídio planejou a obstrução judicial que fundamentou a prisão, mas não a consumou. E entre a pretensão ou tentativa do crime e o crime consumado, a Justiça reconhece a diferença, com diferente tratamento.

A sonhadora reunião de Delcídio até apressou a delação premiada de Nestor Cerveró, buscada sem êxito pela Lava Jato há mais de ano. Ali ficou evidente que seu advogado Edgar Ribeiro estava contra a delação premiada. Isso decidiu o ex-diretor da Petrobras, temeroso, a encerrar aceitá-la, enfim.

Em contraposição às dúvidas sem solução, Delcídio suscitou também temas e expectativas que tocam a preocupação ou a curiosidade de grande parte da população. Sabe-se, por exemplo, que Fernando Soares, o Baiano, ao fim de um ano depositado em uma prisão da Lava Jato, cedeu à delação premiada. O mais esperado, desde de sua prisão, era o que diria sobre Eduardo Cunha e negócios com ele, havendo já informações sobre a divisão, entre os dois, de milhões de dólares provenientes de negócios impostos à Petrobras.

Informado dos depoimentos de Baiano, eis um dos comentários que o senador faz a respeito: ele "segurou para o Eduardo". Há menções feitas por Baiano que não foram levadas adiante pela escassa curiosidade dos interrogadores. Caso, por exemplo, de um outro intermediário de negociatas citado por Baiano só como Jorge, sem que fossem cobradas mais informações sobre o personagem e seus feitos. Mas saber tudo o que há de verdade ou de fantasia em torno do presidente da Câmara é, neste momento, uma necessidade institucional e um direito de todo cidadão.

Se Fernando Baiano "segurou para Eduardo Cunha", a delação e os respectivos prêmios -a liberdade e a preservação de bens- não coincidem com o que interessa às instituições democráticas e à opinião pública. E não se entende que seja assim.

Entre outras delações castigadas de Delcídio, um caso esquisito. Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique. A delação do multipremiado Paulo Roberto Costa incluiu o relato desse suborno. Mas a Lava Jato não se dedicou a investigá-lo e o procurador-geral da República o arquivou, há oito meses. Os promotores suíços foram em frente.

Na reunião da fuga, Delcídio soube com surpresa, por Bernardo, que Cerveró entregara o dinheiro do suborno ao governo suíço, em troca de não ser processado lá. É claro que a Lava Jato e o procurador-geral da República estiveram informados da transação. E contribuíram pela passividade. Mas o dinheiro era brasileiro. Era da Petrobras. Foi dela que saiu sob a forma de sobrepreço ou de gasto forçado. Não podia ser doado, fazer parte de acordo algum. Tinha que ser repatriado e devolvido ao cofre legítimo.

A Procuradoria Geral da República deve o esclarecimento à opinião pública, se fez repatriar o dinheiro do suborno ou por que não o fez. E, em qualquer caso, por que não investigou para valer esse caso. Foi ato criminoso e os envolvidos estão impunes. Com a suspeita de que o próprio Delcídio seja um deles, como já dito à Lava Jato sem consequência até hoje.

Mas não tenhamos esperanças. Estamos no Brasil e, pior, porque a ministra Cármen Lúcia, no seu discurso de magistrada ferida, terminou com este brado cívico: "Criminosos não passarão!" [toc-toc-toc, esconjuro] Foi o brado eterno de La Passionaria em Madri, que não tardou a ser pisoteada pelos fascistas de Franco. De lá para cá, em matéria de ziquizira, só se lhe compara aquele [ai, valei-me, Senhor] "o povo unido jamais será vencido", campeão universal de derrotas.

POLÍTICA - Carta aberta para a ministra Carmen Lúcia.


Carta aberta para a ministra Carmen Lúcia, por Dom Orvandil


Do Cartas e Reflexões Poéticas
Do Bispo Orvandil
Prezada Ministra Carmem Lúcia
 
Nosso País acordou estupefato com a prisão de um senador da República. Por outro lado, alivio-me com a prisão de um banqueiro, um dos mais ricos do Brasil.
 
Não guardo intimidade com o pensamento do Senador Delcídio do Amaral em virtude de suas origens políticas, ligadas à privatizações e ao nefasto neoliberalismo. Porém, sua prisão nos coloca sob espanto pelo colorido de arbitrariedade em face da imunidade parlamentar de que gozam os eleitos pelo povo para ocupar cadeira na mais alta casa legislativa.
 
Perdoe-me, ministra Carmem, por me dirigir a senhora sem o traquejo jurídico próprio dos advogados, já que não sou um e sem a formalidade de um tribunal, já que não pertenço a nenhum.
 
Aqui tenho o objetivo de questioná-la pelo que disse na 2ª turma do STF ao justificar seu voto na decisão do ministro Teori Zavascki ao ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral e do Banqueiro André Esteves.
É de se esperar que os homens e as mulheres eleitos e eleitas sejam honestos, honestas, probos e probas nas suas atividades parlamentares, embora alguns afrontem e desrespeitem a sensibilidade social e a cidadania, como é o caso do Senador Ronaldo Caiado, que frequentemente usa camiseta amarela com os sinais de 9 dedos, em deboche a deficiência física do ex-presidente Luiz Inácio Luiz da Silva, sem que seja incomodado em momento algum por esse preconceito e crime.
 
Nesta carta singela desejo lhe dizer que me senti ofendido e desrespeitado como cidadão com seu discurso ao justificar seu voto a favor da prisão de Delcídio do Amaral, nesta manhã.
 
A senhora disse que antes nos fizeram acreditar que a esperança venceu o medo. É evidente que a senhora se referiu à campanha eleitoral e eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem citá-lo.
 
E vencemos mesmo, ministra Carmem. Milhões de brasileiros fomos ameaçados com o estouro do dólar, com a fuga dos empresários que investiriam em outros Países abandonando o Brasil ao desemprego e à pobreza. Uma atriz da TV Globo apareceu em noticiários e na propaganda eleitoral do PSDB fazendo caras teatrais de assustada e dizendo: “ai, estou com medo”. Pois vencemos essa tentativa. Os milhões de votos investidos em Lula transcenderam fronteiras partidárias para afirmar nossa esperança contra as ameaças rasteiras e desonestas. Vencemos o medo, com muita esperança. O Brasil se sentiu recompensado com essa vitória. A senhora sabe!
 
Como cidadão e como povo me sinto ofendido e agredido em minha esperança e em minha fé com essa sua fala, para mim irônica e sem nenhuma relação com o mensalão da mídia, com muitos casos dúbios e influenciados pela opinião publicada.
 
A senhora carregou sobre a ironia sem nexo ao afirmar que “agora o escárnio venceu o cinismo”.
 
Qual a relação do possível crime do Senador Delcídio do Amaral, nem investigado totalmente e, muito menos julgado e condenado, com a vitória da esperança em 2002?
 
A senhora quer nos envolver em todos os possíveis crimes de Delcídio? A senhora falou pensando em investigação e condenação do ex-presidente Lula, o candidato a respeito de quem se usou o slogan “a esperança venceu o medo”? A senhora já sabe, mesmo sem julgamento, que o Senador Delcídio do Amaral é criminoso, até mesmo antes da manifestação da casa onde ele é parlamentar?
 
Na fundamentação de seu voto a favor da prisão do aludido senador a senhora asseverou que “ agora o escárnio venceu o cinismo”.
 
Pergunto se o seu voto não se referia a um senador? Se se referia ao Senador Delcídio do Amaral qual a relação da ironia com os votos de milhões de brasileiros que tiveram esperança de mudar aquela realidade triste de desemprego, de miséria e de pobreza em 2002?
 
A senhora ameaçou quem ao afirmar posteriormente que “criminosos não passarão sobre a justiça”, alertando a todos do mundo da corrupção?
 
Perdão, ministra, mas a minha ofensa também vem do fato de a senhora misturar ironicamente fatos e valores sem nenhuma relação, sendo que a esperança realmente venceu o medo e sempre vencerá as vilanias da classe dominante, principalmente da rapinagem dos poderosos internacionais, que atuam por meio de jagunços nacionais.
 
Pior, a sua referência de falso senso de oportunidade choca por estabelecer nexos irreais entre um senador atual, preso acusado de atrapalhar investigações, com toda a força da esperança de um povo.
 
Choca mais o fato de a senhora não fazer nenhuma menção ao banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, também preso como suspeito de fazer uma operação polêmica na área internacional da Petrobras, ao comprar poços de petróleo na África, sendo ele um dos homens mais ricos do Brasil, um País pobre e, mesmo assim, de esperanças que vencem os medos.
 
A senhora não disse nada sobre André Esteves foi pelo fato de ele ser banqueiro e rico? Haveria na senhora algum senso de seletividade, como o há na mídia que reforçou com grande destaque as suas palavras?
 
Enfim, perdoe-me pela ousadia de exercer o direito de questionar, de me indignar contra as seletividades e contra o deboche em relação ao povo que tem esperança, apesar do medo que diuturnamente lhe impingem.
 
• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

POLÍTICA - Vitória da direita na Argentina.

Argentina: fim do ciclo progressista?

Por Mateus Fiorentini, no site da UJS:

A direita latino-americana está em festa. A vitória de Macri na Argentina deu folego à contraofensiva que os setores conservadores e aliados dos EUA buscam impor aos governos progressistas e as conquistas obtidas pelo povo nesses últimos anos. Não à toa a mídia monopolista já fala em fim do ciclo de governos de esquerda na região. Estão em êxtase!

Com a vitória na Argentina a direita obtém a sua primeira vitória eleitoral desde a eleição de Piñera, no Chile. E não foi qualquer vitória. Ela ocorre na segunda economia da América do Sul, um país de larga extensão territorial e forte peso político na região. Foi neste país onde, há 10 anos, decretamos o enterro da Alca (projeto integracionista dos EUA) na Cúpula das Américas, em Mar del Plata.
Diante do nariz de George Bush, a esquerda comemorava a derrota do projeto de integração imperialista. Macri aponta para um giro na política internacional argentina aproximando este país daqueles governados por forças conservadoras e próximas a Washington (Colômbia, Peru e México, por exemplo) e, por conseguinte, da Aliança do Pacífico e Tratado Trans-Pacífico. A sua postura agressiva contra a Venezuela o posiciona como liderança no bloco dos países mais alinhados à Casa Branca e contraponto ao “bolivarianismo”. No plano econômico, Macri já anunciou o tom de sua política.

Independência do Banco Central, ajuste das contas públicas, cortes de gastos e investimentos estatais, abertura comercial, etc. Isso tudo sob o discurso de trazer a Argentina “de volta ao mundo”. Discurso muito parecido ao do consórcio golpista brasileiro quando diz que o Brasil, ao não se alinhar ao TTP e às políticas de integração capitaneadas pelos EUA, estaria isolado do mundo. Assim, a direita já inclui Macri no time das “novas” lideranças da direita latino-americana juntamente a Peña Nieto, do México, Capriles, da Venezuela, Mauricio Rodas, do Equador, Aécio Neves, do Brasil, entre outros.

A Argentina que Macri encontra em 2015 não é a mesma que a encontrada por Nestor Kirchner em 2003. Hoje o país está longe de ser o mesmo de 2001 e a quebradeira generalizada onde presidentes não duravam sequer uma semana no governo. Com uma economia mais sólida, com Nestor e Cristina, a Argentina reduziu as desigualdades sociais e o desemprego. O país avançou também nos aspectos democráticos através da revisão da Lei de Anistia e a punição aos torturadores da ditadura, bem como com a Lei de Meios que permitiu democratizar os meios de comunicação e fortalecer o sistema público de comunicação.

Ainda, a firme postura de Cristina com relação aos chamados Fundos Abutres (especuladores que vivem de títulos da dívida dos países) rendeu grande notoriedade ao campo democrático e popular. Esse curso político e histórico constituiu uma força real na sociedade que aprova o governo de Cristina (a presidenta sai do governo com índices de popularidade superiores a 50%) e que deu 48% dos votos ao candidato dela. Além disso, a Frente para a Vitória tem maioria na Câmara dos Deputados (107 de 257 deputados) e no Senado (45 da Frente para a Vitória).

Também, venceu as eleições na maioria dos estados tendo eleito 11 dos 24 governadores que o país possui, embora a direita tenha saído vitoriosa nos mais populosos e de maior peso econômico. Assim, Macri terá trabalho para consolidar-se como o queridinho da direita latino-americana.

Para a campanha eleitoral construíram para Macri um personagem que apresentasse a imagem de uma direita repaginada, leve e dinâmica. Entretanto, agora que terá que pisar no barro e trabalhar em um cenário de aprofundamento da crise econômica internacional, o presidente terá que dar respostas à população. Ao que tudo indica Macri aplicará sem muitos rodeios a receita neoliberal do FMI e Banco Mundial, a mesma que levou a Argentina a quase falência em 2001. Se for por esse rumo, Macri poderá ter o mesmo destino de Sebastian Piñera no Chile. Entretanto, isso dependerá dos rumos que os setores democráticos, progressistas e populares assumirão frente ao novo contexto argentino, sobretudo seu nível de unidade. E, da capacidade da própria direita em repetir erros.

A nível regional a proposta de expulsão da Venezuela do Mercosul parece uma jogada para demarcar um lado no contexto geopolítico, mas pouco hábil na relação com os países. Há pouco mais de um mês a Venezuela foi eleita, com o apoio de 131 países membros da ONU para o Conselho de Direitos Humanos deste organismo. O sistema democrático venezuelano é reconhecido mundialmente destacando a manifestação de Jimmy Carter, ex-presidente norte americano, ao afirmar que este era mais confiável e transparente que o dos EUA. Além disso, Macri nem sentou na cadeira da presidência e o primeiro que busca é criar um conflito regional em um momento onde predomina na região a construção da integração e o diálogo entre os países. Vale lembrar os reiterados elogios de Juan Manuel Santos, presidente colombiano, ao governo da Venezuela por sua ajuda no processo de diálogos de paz na Colômbia.

Desse processo uma questão fundamental a refletir é: Por que perdeu? Essa derrota poderia ter sido evitada? Esse mesmo resultado poderia ter ocorrido no Brasil, em 2014, onde a vitória veio após um segundo turno que logrou mobilizar e unificar os mais diversos setores do campo democrático, popular, de esquerda, progressistas e patrióticos. Além da convicção de que era preciso continuar para avançar e avançar para continuar. Com essa vitória na Argentina a direita vai babando para as eleições na Venezuela.

O fato é que a ascensão das bandeiras da direita em um cenário onde se fortalecem as saídas conservadoras à crise mundial tem colocado as forças progressistas na defensiva. A direita ataca o Estado como indutor da economia e todas as suas derivações (políticas sociais, valorização do trabalho, investimentos públicos em áreas sociais, etc.). Em torno a isso constrói saídas liberalizantes. No contexto da crise, aqui entendida como crise do capitalismo financeiro, o contraponto se mantém em torno ao papel do Estado na economia. Este, como força propulsora de um desenvolvimento de caráter nacional e regional, inclusivo socialmente, de elevação dos direitos sociais, soberania e valorização do trabalho representa uma alavanca para o desenvolvimento soberano. Assim, as oligarquias financeiras lançam-se numa jornada contra o papel protagonista Estado.

Nesse sentido, a construção da unidade em torno da defesa de um modelo de desenvolvimento baseado no papel central do Estado, a defesa da democracia, da justiça social e da soberania devem ser elementos de unidade para enfrentar e construir saídas que permitam aprofundar e inaugurar um novo ciclo progressista na região de mudanças estruturais nas nossas sociedades.