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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

POLÍTICA - Qual o custo social da austeridade,

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29/01/2015 - Copyleft

Qual o custo social da austeridade para cada ganho financeiro?

Quantas empresas terão de fechar as portas com a austeridade de agora no País? Quantas relações industriais e comerciais serão desfeitas?


José Carlos Peliano (*)
Arquivo

Por mais que o secretario - geral da Presidência da República afirme que os direitos sociais são intocáveis, eles já estão tocados e acabarão sendo tocados mais a fundo pela guinada na política econômica do governo federal.

Houve, sim, mudança de propósitos a despeito das “correções de rumo” levadas a termo nas áreas fiscal e tributária. De boas intenções o inferno está cheio e quem acaba pagando o pato são os mais pobres, os menos protegidos pelo sistema.

Não há compatibilidade técnica ou política do ajuste com a política social. Não há o jeitinho brasileiro no desenho e aplicação de correções entre a estratégia da austeridade e a estratégia social (qual?) do governo federal. A de Mantega foi descorada pela de Levy.

Se a manteiga azeitava pontualmente a economia nos últimos anos na busca de um ajuste entre os interesses industriais e os dos rentistas, na atual administração federal a economia “levyta” acima dos ajustes anteriores em direção a um corte de gastos públicos e aumentos de tributos, incluindo as chamadas correções de rumo.

Vamos procurar entender o que aconteceu. A austeridade seguida por mais um “Chicago boy” vai segurar com certeza as asas curtas da economia brasileira que voava sim, mas não conseguia voar mais alto nos últimos anos. Receita conhecida dos manuais de economia e das experiências nefastas mundo afora.

O resultado de corte de gastos, aumento de tributos, completando com câmbio sem administração, ao sabor dos ventos, reduz a produção nacional, trava novos investimentos. O PIB recua e com ele a atividade econômica. Resultado: desemprego e expansão dos bolsões de pobreza.

Como o governo federal quer combater o desemprego? Com o seguro-desemprego, daí afirmar que os direitos sociais são intocáveis. Só que os efeitos do remédio austero pode fugir do controle e o aumento do número de desempregados ser muito maior e ameaçar os recursos disponíveis do seguro.

Pior, as próprias medidas econômicas de ajuste fiscal e tributário podem afetar a arrecadação do PIS/Pasep, de onde saem os recursos para comporem o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Uma vez que esses recursos advém de contribuições das empresas sobre seus faturamentos. Ou seja, sobre suas vendas a um mercado encolhido.

Se a economia resolver melhorar no curto-prazo, como?, o governo federal sai chamuscado dessa, mas ileso, quando as empresas vierem a recuperar as vendas e os faturamentos. Caso contrário, o aumento do desemprego pode pesar no bolso e na barriga dos trabalhadores, aportar nos levantamentos do IBGE e chegar aos ministérios ameaçando a permanência dos responsáveis. Ou não, como diria o “filósofo” baiano Caetano, o Veloso.

Ou não. porque em economia a política conta muito mais do que imagina a vã filosofia. De fato, se houver um consenso tático e estratégico entre os grupos industriais poderosos, os grupos rentistas, incluindo o sistema bancário e financeiro, e o governo, é possível que uma retomada, mesmo que frágil e tímida, venha a ocorrer.

E se a oposição e a mídia resolverem não sabotar o tanto que vêm fazendo. Quando perceberem que o remédio pode matar o doente e ameaça-las de uma forma ou de outra/

O que conta no frigir dos ovos das contas econômicas é o balanço entre as taxas de retorno dos investimentos e os ganhos obtidos no mercado financeiro. A conta de chegar mais importante nos cálculos do vai-e-vem do dinheiro.

Caso a crise internacional continue, os mercados externo e interno não reagirem positivamente, os industriais deverão continuar aplicando seus lucros em papeis pré e pós fixados em detrimento da expansão de projetos antigos de investimento ou do lançamento de novos.

Mas uma concertação entre todos esses atores pode amenizar a compulsão ao rentismo em benefício da retomada industrial, desde que o governo ceda em benefícios, incentivos e coisas do gênero. Enquanto a indústria não se voltar ao fortalecimento e à consolidação do parque dos bens de capital, nada feito.

Nem mesmo a austeridade, que é a maneira mais dura e burra para o povo enfrentar um ajuste ortodoxo, mas é a mais fácil para destruir a economia desfazendo circuitos industriais e comerciais entre pequenas, médias e grandes empresas. A Zona do Euro está repleta de exemplos nos últimos anos.

Alternativas mais saudáveis existem e muitos já as apontaram para o Brasil vencer o remanso em que a economia se encontra. Lições de casa abundam em nossa história econômica. Insucessos no caminho da austeridade não faltam. Estiveram na fila dos austeros Simonsen, Roberto Campos, Armínio Fraga, entre outros. Períodos em que a economia brasileira catou cavaco.

Onde estão as trilhas promissoras dos BRICS, do Mercosul e de uma política industrial integrada, mas diferenciada? Uma diferença importante seria a concepção de ações de fomento e incentivo às pequenas e médias empresas industriais voltadas mais para o mercado interno.

A armação de um complexo industrial voltado preponderantemente para o fornecimento de bens de capital à parcela da indústria nacional de produtos e serviços de menor valor agregado é uma opção  duradoura. Enquanto as grandes batalham também por espaços no setor externo, as demais cuidam de garantir o emprego, a renda e a arrecadação no front interno.

E não seria necessário o retrocesso traído com a austeridade. Nem a invenção recente da austeridade seletiva, que é a ilusão que toma conta do governo federal. Não existe meia cirurgia para curar um doente, ou opera-se o que se deve operar ou fecha-se e nada se faz.

Aliás destruir é muito fácil, nisto a austeridade é campeã imbatível. Mais sensato, trabalhoso, mas socialmente justo, é construir ou reconstruir com sapiência, perspicácia, conhecimento e justiça. Sem acabar com expectativas, sem frustrar projetos ou derrubar sonhos. Quantas empresas terão de fechar as portas com a austeridade de agora no País? Quantas relações industriais e comerciais serão desfeitas? Quanto se vai perder de iniciativas promissoras? Quando se perderá em arrecadação? Quantos trabalhadores na rua ou em posições piores?

Enquanto isto quanto dos serviços da dívida pública estarão sendo carreados aos bolsos dos rentistas industriais, da banca, dos proprietários? Quanto as ações terão suas cotações elevadas nos pregões com o enxugamento da dívida pública concomitante ao desemprego gerado? Qual o custo social para cada ganho financeiro?


(*) Economista, colaborador da Carta Maior

PETROBRÁS - O preço da teimosia de Dilma.

Petrobras: eis o preço da teimosia de Dilma


É até maldade o que a presidente Dilma está fazendo com sua amiga Graça Foster, obrigada todos os dias a mostrar a cara para explicar o inexplicável na enxurrada de denúncias, prejuízos e lambanças na Petrobras, outrora a maior empresa brasileira.
Lealdade e teimosia deveriam ter limite quando estão em jogo os interesses da Nação. Chegamos a um ponto, após a divulgação do último balanço da empresa, na madrugada desta quarta-feira, com dois meses de atraso, em que não dá mais para adiar a troca imediata de toda a diretoria executiva e do conselho de administração da Petrobras.
Trata-se de uma questão de sobrevivência da empresa. O desafio, agora que chegamos ao fundo do poço, é saber quem aceita pegar esta bucha de canhão, com todos os processos que correm na Justiça brasileira e nos Estados Unidos.
Basta citar apenas um número sobre o que aconteceu após a divulgação do balanço: as ações da Petrobras caíram 11,2% na Bolsa e o valor de mercado da empresa desabou de R$ 129 bilhões para R$ 115 bilhões, uma perda de R$ 13,9 bilhões em apenas um dia.
De nada adianta agora Dilma fazer discursos denunciando os  inimigos internos e externos interessados na privatização da empresa. Que eles existem, e são poderosos, cansamos de ver todos os dias na mídia familiar, mas isto não resolve o desafio imediato, urgente, inadiável: evitar a quebra da empresa, com o contínuo derretimento das suas ações e dos seus ativos.
Para isso, é preciso recuperar um mínimo de credibilidade no mercado, com a indicação de novos responsáveis pelo seu comando, exatamente como Dilma fez ao nomear Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Vejam bem, não estão em discussão a competência e a honestidade de Dilma e Graça, mas a presidente da Petrobras está visivelmente com seu prazo de validade vencido. Nem ela aguenta mais.
srs1 Petrobras: eis o preço da teimosia de Dilma
Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da Republica

Meu colega Heródoto Barbeiro já mostrou na quarta-feira (28) no telão do Jornal da Record News (assista aqui) os números desta tragédia anunciada a cada balanço, ano a ano, trimestre a trimestre, desde o início das denúncias do esquema de corrupção pela Operação Lava Jato.  O valor dos prejuízos é incalculável, como a própria empresa reconheceu, em seu comunicado oficial sobre o balanço, que omitiu este dado, e fez a Bolsa despencar.
Não tenho ações da Petrobras, nada entendo de balanços nem de economia, mas não é preciso ser nenhum especialista para saber que lucro é lucro, prejuízo é prejuízo, tanto faz se é numa instituição pública ou privada. Toda empresa tem que dar lucro ou acaba fechando. E a Petrobras não é uma entidade de benemerência.
No mesmo dia em que o balanço do terceiro trimestre, sem aval de uma auditoria externa, mostrou uma queda de 38% no lucro líquido em relação ao período anterior, enquanto o endividamento da empresa crescia 18% apenas entre o final de 2013 e setembro de 2014, atingindo estratosféricos R$ 261 bilhões, o McDonald´s, que também não é uma entidade de benemerência, anunciava a demissão do seu presidente, Dan Thompson.
Motivo: as vendas globais da empresa caíram 1% (sim, apenas um por cento) em 2014 e o lucro líquido mostrou queda de 15% no ano. A Petrobras, eu sei, não é um McDonald´s, mas acionista é acionista em qualquer lugar do mundo. E qualquer empresa, no mundo capitalista em que vivemos, depende de investimentos e financiamentos, não vive de discursos nem de ideologias.
A teimosia de Dilma em deixar tudo como está causa crescentes prejuízos não só à Petrobras e seus acionistas, mas à imagem do seu próprio governo e à do país.
Até quando?
E vamos que vamos.

EUA - Operador de drone larga emprego depois de matar criança afegã.




Da bbc:


Brandon Bryant, ex-operador de drones da Força Aérea dos Estados Unidos, abaixa o olhar quando lembra do “momento determinante” que pôs fim a sua carreira de mais de quatro anos no serviço secreto de aeronaves não tripuladas.
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“Acho que, naquele momento, estávamos fazendo a coisa errada”, disse ele ao programa Witness, da BBC, em referência à caçada ao cidadão americano Anwar al-Awlaki, clérigo radical e líder da Al-Qaeda, morto por um drone americano no Iêmen em setembro de 2011.
“Nos diziam que ele poderia ser o novo (Osama) Bin Laden. Mas ele era um cidadão americano, pessoas que eu havia jurado proteger.”
Bryant abandonou o trabalho na Força Aérea em 2011. Mas admite que, antes disso, um dos ataques que ajudou a realizar, contra uma cabana no Afeganistão em 2007, o fez perder o sono por muito tempo.
A missão em questão envolvia o monitoramento de dois suspeitos e a ordem era liquidá-los.
“Faltando seis segundos (para o disparo atingir o alvo), uma pessoa pequena corre e entra (na cabana). O míssil atinge o alvo. E eu fiquei sentado lá pensando, ‘Meu Deus, o que está acontecendo… O que foi aquilo?'”.
Cada missão não tripulada contava com um piloto e um operador central (no caso, Bryant) e tinha como objetivo operar a câmera e disparar o laser que guia os explosivos.
Bryant diz que o piloto “não se abalou em nada”.
Mas o operador achava que eles haviam acabado de matar um civil e pediu para rever as imagens do ataque. A resposta que recebeu de seus colegas o incomodou.
“Foi mais ou menos como, ‘Após reexaminar o vídeo, parece que era um cachorro’. Eu pensava, de jeito nenhum, não era um cachorro de jeito nenhum. Acredito que era uma criança”, contou.
“Me senti enojado. Parei de dormir porque sonhava com aquilo. Eu sonhava em infravermelho.”
O programa de drones se tornou uma das principais armas dos EUA no combate a extremistas de grupos como a Al-Qaeda. Mas críticos alegam que os ataques produzem um número significativo de vítimas civis e que o projeto carece de controle maior.
Bryant conta que, como operador de drones, ajudou a matar mais de 1,6 mil pessoas entre 2006 e 2011.
Durante quase quatro anos, ele trabalhou nos turnos da noite (dia no Afeganistão e no Iraque), quando grande parte das missões era conduzida.
O fato de monitorar muitas pessoas em seu dia a dia e assisti-las em suas tarefas cotidianas tornava a tarefa difícil para Bryant.
“Sabia que eles (os alvos) eram seres humanos. Assistia-os vivendo suas vidas, fazendo suas coisas, até plantar uma bomba em um local e voltar para a casa para abraçar seus filhos.”
No fim das contas, Bryant diz que o conflito entre o que ele havia prometido fazer (proteger vidas americanas) e o que ele era forçado a fazer o levaram a desistir.
“Foi quando eu decidi dar as costas e ir embora.”

CUBA - Conversa de Fidel com Frei Betto.


Em conversa com Frei Betto, Fidel diz que EUA continuam ‘colonizadores’


Amigos de longa data, Frei Betto e Fidel Castro conversaram por uma hora e meia na residência do líder cubano em Havana sobre política internacional e até física quântica. O encontro ocorreu na terça-feira (27/01).
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O escritor, expoente da teologia da libertação no Brasil, estava preocupado com o estado de saúde do ex-presidente, que não aparecia em público e em fotos desde agosto do ano passado.
“Mas o encontrei muito bem. Ele está completamente lúcido, embora mais magro”, disse Frei Betto em entrevista à DW Brasil.
Enquanto anotava cada detalhe da conversa, o ex-presidente cubano, de 88 anos, disse que a abertura de diálogo entre os Estados Unidos e a ilha é positiva, mas o governo americano ainda é visto como inimigo e colonizador. “É preciso dar fim ao embargo econômico”, ressaltou Fidel.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MÍDIA - A mídia tem lado e não é do trabalhador.


Laurindo: Dilma percebeu que a mídia tem lado e não é o do trabalhador

"A presidenta Dilma percebeu que a mídia tem lado e não é o lado dos trabalhadoras e trabalhadores que produzem a riqueza desse país", declarou Laurindo Leal Filho pesquisador e apresentador do programa VerTV, da TV Brasil, ao comentar suas últimas declarações da presidenta sobre o papel da mídia no Brasil.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho



Foto: Carla Santos
  
A opinião de Laurindo Leal Filho parte do último discurso de Dilma Rousseff durante a abertura da primeira reunião ministerial do seu segundo mandato, realizada nesta terça-feira (27). Dentre as ponderações da mandatária ficou o aviso: “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação, sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente... Reajam aos boatos. Travem a batalha da comunicação”.

Laurindo Leal lembra que, a postura da presidenta Dilma sobre a mídia, apresentada no final do seu primeiro mandato, já mostrou um avanço de percepção sobre qual o papel deste setor no seio da sociedade. Ele pondera que "esse processo que ela [Dilma Rousseff] sofreu fez com que ela começasse a ter um percepção um pouco mais apurada sobre o papel da mídia na sociedade brasileira. Diferentemente, do início de seu mandato, Dilma encerra essas quarto anos falando em regulamentação econômica da mídia, o que foi, sem dúvida alguma, um grande avanço. E foi além, ao se dirigir aos seus ministros pedindo que ele respondam às inverdades que são colocadas, diariamente, pela mídia sobre seu governo", refletiu pesquisador.

Para ele, esse movimento deveria inspirar um salto em dois sentidos. Primeiro, o fortalecimento dos movimentos sociais que estão na luta para emplacar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um Comunicação Democrática (PlipCom). E, segundo, iniciar um outro movimento de fortalecimento, por parte do governo, dos veículos de comunicação pública existentes no Brasil.

Ministério das Comunicações

Ao comentar a indicação de Ricardo Berzoini para o Ministério das Comunicações, Laurindo Leal destacou ser essa um escolha acertada. "A trajetória do ministro Ricardo Berzoini no partido e no movimento sindical indica uma direção muita mais afinada com interesses maiores, da sociedade, dos trabalhadores e da democracia".

E completou: "Em suas primeiras declarações, o ministro já demonstrou que está disposto a avançar, pelo menos, na proposição de uma nova legislação para a comunicação, especialmente, no que se refere a regulação econômica".

MÍDIA - A senha para o novo golpe.





   
29 de janeiro de 2015 - 16h14

O Globo, a Petrobras e o novo golpe 

Como alerta o editorial do Vermelho, na declaração do senador tucano José Serra pode estar a senha para a tentativa dos derrotados nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014, buscarem afinal um ajuste de contas com o campo popular.  


  
Diz Serra que Dilma provavelmente não termina o mandato e que o país vive clima parecido com o que antecedeu à queda de João Goulart. O mesmo jornal que divulgou a declaração do tucano faz hoje uma edição que busca desestabilizar o Governo, através da fraude e da manipulação.

O Globo e o “balanço da corrupção”

O sistema Globo é conhecido por sua “técnica” de manipulação que tenta ajustar os fatos aos seus interesses políticos. O jornal O Globo de hoje é um exemplo. A Petrobras divulgou quarta-feira (28/1) o balanço financeiro do terceiro trimestre de 2014. Exigiam da empresa que ela incluísse no balanço “os prejuízos com a corrupção”, como escreveu um colunista amestrado da nossa mídia hegemônica. Qualquer leigo pode perguntar com razão, como incluir um possível prejuízo de corrupção em uma investigação que está em curso, é complexa, e ainda nem foi levada a julgamento? Só existirão números mais ou menos claros ao final do processo. Mas O Globo já divulgou o seu “Balanço da Corrupção”: nada menos do que R$ 88 bilhões.

O Globo e o falso “balanço”

O próprio Ministério Público Federal (MPF) tão afeito às luzes das câmaras globais, divulgou nesta quinta-feira (29/1) um estudo onde estima as perdas com corrupção na Petrobras em 2,1 bilhão. Número gigantesco também, mas como qualquer número de uma investigação que está em andamento, ainda necessitando passar pelo crivo do julgamento e da produção de provas. De qualquer maneira, muito menos do que o “balanço” de O Globo.

O Globo e o número mágico

A Petrobras decidiu que não publicaria qualquer número sobre perdas com corrupção até que seja formatada uma “metodologia que tome por base valores, prazos e informações contidos nos depoimentos em conformidade com as exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC), visando a emissão das demonstrações contábeis revisadas” (nota da presidência da Petrobras). No entanto, pressionada, fez um relatório com diferenças contábeis na avaliação de ativos onde diversos elementos são considerados: variações do câmbio, preço do petróleo, ajustes de projetos, etc, e aí surgiu o número mágico de R$ 88 Bilhões de reais, divulgado pela empresa com a ressalva: “decidimos não utilizar a metodologia da determinação do valor justo como ‘proxy’ para ajustar os ativos imobilizados da Companhia devido à corrupção, pois o ajuste seria composto de elementos que não teriam relação direta com pagamentos indevidos” (nota da presidência da Petrobras).

O Globo e o gancho

A ingenuidade política da direção da Petrobras, ao ceder a uma pressão descabida que exigia a divulgação de uma estimativa mesmo que ela não tivesse “relação direta com pagamentos indevidos”, deu o “gancho” que a Globo queria. Na edição desta quinta-feira (29/1), o jornal que foi símbolo da ditadura militar estampa em letras garrafais na primeira página: “Balanço da Corrupção – Petrobras põe R$ 88 bi sob suspeita, e ações caem 11%". Esqueça, no caso o “sob suspeita”, o que fica para o leitor são os dois elementos mais fortes: a palavra “corrupção” e o número “R$ 88 Bi”. A junção destes dois elementos forma como que um veredito na cabeça do leitor, reforçado pelos colunistas amestrados com chamadas também na primeira página: Merval Pereira: “Balanço da Petrobras desmente Dilma”. Carlos Alberto Sardenberg: “Estatal torra R$ 2,7 bi em projetos”. Míriam Leitão: “Crise na empresa é herança nociva do PT”. O veredito está fechado: mesmo com o principal acusado de coordenar o esquema de corrupção tendo sido nomeado por FHC e ter sido demitido por Dilma em 2012, a culpa é do PT e da Dilma. Mesmo que a Petrobras tenha crescido indiscutivelmente nestes 12 anos tendo descoberto o pré-sal e mesmo que o balanço em questão traga também boas notícias: aumento na produção de petróleo e gás, aumento na exportação de óleo, maior produção de derivados, o que o sistema Globo e a mídia hegemônica passam é que a Petrobras está destruída. Tudo a serviço de um clima, como diz Serra, que se pareça com 1964.

ECONOMIA - O cara não fala as coisas que o PIG gostaria de ouvir.

 

POLÍTICA INTERNACIONAL - A auto-destruição da Europa.

A auto-destruição da Europa

por EKAI [*]
1. O anúncio foi feito. O Banco Central Europeu comprometeu-se com sucessivas operações de expansão monetária que atingirão "pelo menos" 1.140.000 milhões de Euros entre Março de 2015 e Setembro de 2016. Uma loucura.

2. Uma loucura, sobretudo, porque o objectivo desta operação não é lutar contra a deflação e nem impulsionar a reactivação da economia europeia e sim, mais uma vez, ajudar os grandes bancos em dificuldades. Dificuldades que decorrem tanto do sobre-endividamento como do risco acumulado no mercado de derivados financeiros.

3. Que ninguém se engane pelo facto de se falar unicamente em operações "de aquisição de dívida". O importante é quem é o titular desses activos – e o titular é, quase na totalidade, o sector bancário, que vai ser o receptor da liquidez aportada e o beneficiário desta expansão monetária.

4. Se quisermos fazer uma ideia do que está a acontecer na Europa, basta contrastar o tão publicitado e mediático Plano Juncker com esta operação de expansão monetária do BCE. Ou, se se preferir, o que as instituições europeias estão dispostas a fazer a favor da economia real e o que – ao contrário – estão a transferir da economia real para o sector financeiro.

5. A comparação entre estes dois números seria cómica se o que está em jogo – o futuro da Europa – não fosse tão dramático.

6. O montante do tão publicitado Plano Juncker revela-nos o que a União Europeia está disposta fazer a favor da economia real: 21 mil milhões de Euro no período 2015-2017. Destes, só 5 mil milhões são contribuições directa do Banco Europeu de Investimentos e o resto – 16 mil milhões – são garantias.

7. Frente a isto, "pelo menos" 1.140.000 milhões de Euros vão ser trasfegados da economia real europeia para o sector financeiro através da expansão monetária do Banco Central de Investimentos.

8. Depois de tudo o que sucedeu desde o estalar da crise, da ruptura forçada com os países emergentes ou da artificial colocação em marcha do Tratado TTIP com os Estados Unidos, se alguém tivesse alguma dúvida sobre quem detém o poder político na Europa ficaria esclarecido por estes números. Números que confirmam uma estratégia repetida desenvolvida desde 2008, que de forma reiterada e obstinada deu prioridade aos interesses da oligarquia financeira frente à indústria, à economia real e ao emprego.

9. A quantia de 1.140.000 milhões de Euro corresponde aproximadamente a uns 11,5% do Produto Interno Bruto da Eurozona. Ou seja, a aproximadamente um mês e meio de rendimento de todos os europeus que se retirada da economia real e se entrega ao sector bancário.

10. A decisão reflecte, por um lado, a desesperada situação do sector financeiro europeu, repetidamente advertida pelo EKAI Center. Reflecte também o pânico da oligarquia central perante o risco acumulado na grande banca e após o esgotamento da capacidade da Reserva Federal dos Estados Unidos – e, posteriormente, do Banco do Japão – para continuar a alimentar a bolha especulativa. E revela, naturalmente, a intolerável submissão dos meios de comunicação e de uma grande parte da classe política europeia e sua indiferença frente aos interesses dos cidadãos.

11. Frente a esta situação, é claro o que se deveria fazer que é, mais ou menos, o contrário do que agora se faz:
  • Enfrentar o quanto antes a reestruturação interna da grande banca, ao mesmo tempo que se libertam as cargas excessivas de endividamento dos governos e das empresas eficientes e viáveis.

  • Canalizar qualquer expansão monetária rumo à economia real e não ao sector financeiro.

  • Assegurar a relação comercial, industrial e de infraestruturas com os países emergentes.

  • Renovar a aposta da Eurozona na formação, no investimento e na inovação tecnológica.
  • 12. A Europa está a destruir a sua economia real, através de uma série contínua de estratégias e decisões condicionadas pelos interesses a oligarquia financeira. Tudo parece indicar que só uma ruptura política democrática nos pode salvar do desastre. Mas não estamos a falar de um processo de décadas. A mudança geopolítica acelera-se e tudo leva a pensar que os próximos anos ou meses serão decisivos.
    Acerca da QE ver também:
  • O BCE, a QE e a fuga à estagnação , Michael Roberts
  • A QE do BCE , Jacques Sapir
  • Declarações de Mario Draghi
    [*] Empresa de consultoria do País Basco.

    O original encontra-se em
    https://pt.scribd.com/doc/253603591/EUROPA-SE-AUTODESTRUYE


  • Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • POLÍTICA - O arauto do caos.

    Serra aposta na queda de Dilma como Jânio e Jango


    "Senador tucano aposta que presidente Dilma Rousseff não vai concluir o mandato; segundo ele, há um completo desgoverno, agravado pela crise econômica e pelas denúncias de corrupção; ele compara ambiente atual aos vividos por Jânio Quadros (PTN) e João Goulart (PTB), eleitos presidente e vice no pleito de 1960

    Brasil 247

    Para o senador tucano José Serra, a presidente Dilma Rousseff não vai concluir o mandato. Segundo nota do colunista Ilimar Franco, nas reuniões internas do partido, ele tem avaliado que há um completo desgoverno, agravado pela crise econômica e pelas denúncias de corrupção.

    Serra compara o ambiente atual aos vividos por Jânio Quadros (PTN) e João Goulart (PTB), eleitos presidente e vice no pleito de 1960. Candidato por um partido nanico, com o apoio da UDN, Jânio renunciou em agosto de 1961, com menos de um ano de mandato. Goulart, que assumiu o cargo vago, foi destituído por um golpe militar em março de 1964, que gerou no país uma ditadura militar que só teve fim em 1985."

    MÍDIA - A guerra da comunicação.

    Mídia & Governo: A guerra da comunicação


    Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

    Os jornais destacam nas edições de quarta-feira (28/1), mas não esclarecem, a frase da presidente da República na qual ela conclama seus ministros à “batalha da comunicação”. Nos textos sobre a reunião ministerial, no entanto, esse tema fica em plano secundário, e as reportagens se concentram em outras pautas. O Estado de S.Paulo e a Folha de S. Paulo escolheram o foco na questão econômica e o Globo preferiu destacar o escândalo da Petrobras entre os assuntos tratados.
    No trecho em que a presidente se refere às relações do governo com a mídia, foi dito o seguinte:

    “Nós devemos enfrentar o desconhecimento e a desinformação, sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente. Nós não devemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam ao boato, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública (...). Sejam claros, precisos, se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas”.

    Em seguida, ela deu alguns exemplos de temas que reclamam mais clareza nas manifestações do Poder Executivo: a tese de que algumas das medidas anunciadas eliminam direitos dos trabalhadores, queixas sobre mobilidade urbana e a crise de abastecimento de água. Segundo a presidente, os integrantes do governo devem “falar mais”, comunicar sobre desafios, iniciativas e acertos.

    Ao analisar o discurso presidencial, o observador deve levar em conta que as estruturas de comunicação de instituições públicas costumam ser muito lentas ao reagir a circunstâncias negativas no ambiente midiático. Mesmo quando o gabinete de crise está em operação permanente, como nos períodos de campanha eleitoral, demora muito para chegar a um ponto comum na análise de cada evento, criar uma proposta e só então levá-la para aprovação da autoridade principal.

    Então, deve-se considerar que a fala da presidente Dilma Rousseff ainda se refere a questões que foram levantadas na primeira semana de seu novo mandato, quando a imprensa explorou aparentes contradições entre seu discurso de posse e manifestações de três de seus ministros. No entanto, o que não está dito nos jornais é que a chefe do governo anda preocupada com o efeito de frases imprecisas num contexto comunicacional que lhe é claramente desfavorável.

    Falta transparência

    O discurso da presidente, proferido quase um mês depois de sua última manifestação oficial, precisa ser lido em sua circunstância original. Ela ainda tratava da declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre redução de direitos previdenciários e trabalhistas, da manifestação do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sobre mudança no cálculo do reajuste do salário mínimo, e da referência do ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, à providência divina no caso da falta de chuvas.

    Esses episódios foram exaustivamente explorados pela imprensa, deixando o governo sob intenso bombardeio durante três semanas, justamente no período imediatamente posterior à sua posse, quando a sociedade esperava um esclarecimento sobre os rumos do seu segundo mandato.

    Faltou iniciativa e transparência a Dilma Rousseff, e ainda que seus estrategistas tenham recomendado cautela no enfrentamento de uma mídia visceralmente hostil, essa postura só agrava a situação.

    A política de comunicação do governo federal revela um temor excessivo ao poder da mídia tradicional. O cuidado que a presidente e seus principais auxiliares demonstram ao evitar, por exemplo, o debate sobre a democratização da mídia, denota o medo de ver suas palavras distorcidas e de enfrentar a acusação de que o governo tem o propósito de controlar a imprensa. Por outro lado, um governo do Partido dos Trabalhadores não pode fugir dessa questão.

    As relações entre os governos petistas e a mídia tradicional sempre foram pautadas pelo cinismo: os dois lados fingem que estão participando de um diálogo, mas ambos sabem que o pano de fundo é um conflito inconciliável.

    A presidente Dilma Rousseff está equivocada: o que está em andamento não é uma “batalha da comunicação”, como se referiu em seu discurso. O que há é uma guerra aberta, na qual o objetivo da imprensa é tirar seu grupo do Palácio do Planalto. Esse objetivo quase foi alcançado na eleição presidencial do ano passado.

    Se quiser contrabalançar esse jogo, ela precisa ser mais assertiva, falar constantemente e diretamente à sociedade e mudar os termos desse embate, tratando a mídia hegemônica com o respeito que merece um partido de oposição."

    SOBRE O "NOJO" A MENINOS NEGROS E POBRES.


    Sobre o “nojo” a meninos negros e pobres e a covardia de uma elite vazia

    (Imagem: Pragmatismo Político)
    "Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde. Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa

    Rosana Pinheiro-Machado, Carta Capital / Pragmatismo Político

    Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saia da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.

    Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.

    No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados. As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino “invadido“, pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa que criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.

    É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que o ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.

    Ah, mas os pobres da África a gente gosta

    Em 2012, enquanto eu estava em Harvard, recebi a visita de uma orientanda do Brasil. Ela tirava fotos e se exibia no Facebook: “#Orgulho”, “Minha orientadora é pós-doutora por Harvard, e a sua?”. Em uma pausa, ela me perguntou em que escola eu havia estudado para ter chegado a uma universidade da elite internacional. Ela buscava identificação. Eu era um exemplo de uma mulher jovem, branca e “bem sucedida”, exatamente como ela se projetava nos próximos dez anos. Eu, sabendo que ela havia estudado do lado de dentro do muro, respondi que passei a parte mais rica da minha vida, dos 2 aos 17 anos de idade, do outro lado do muro. Ela não postou, mas bem que pensou: “#MinhaOrientadoraÉMarginalzinha…”.

    A reação dela era de decepção, vergonha e certa pena de mim. Ela ficou vermelha, desconcertada, sem chão. Engasgou-se e começou a tossir para disfarçar a cor de suas bochechas. Isso tudo porque ela sabia muito bem que tinha passado aproximadamente quinze anos de sua vida chamando pessoas como eu de “tigrada”. Ela se socializou negando a alteridade e, portanto, nunca imaginou que a relação de poder entre os atores dos diferentes lados do mundo se inverteria. Tudo que ela havia aprendido sobre aquele Outro era simplesmente de que se tratava de uma não-persona. O motivo pelo qual o seus vizinhos tinham menos do que ela não cabiam em sua imaginação. Fazendo parte da meritocracia sem mérito, ela simplesmente merecia ter o que tinha.

    Ela, então, tinha que desvendar um enigma: como uma pessoa que tinha vindo de um lugar tão ruim podia estar em uma Universidade tão boa? A única maneira de ela se reconciliar com seus próprios preconceitos era me classificar como um daqueles casos excepcionais de superação que aparecem Globo Repórter. Eu respondi que não, que o destino de quem sai de lá tem sido muito variado. Há quem entra para o crime e morre antes dos 18 anos, mas a maioria tem histórias de lutas, perdas, mas, sobretudo, conquistas. Uma pena que ela nunca quis saber dessas histórias e deixou de crescer por meio da alteridade.

    Ironicamente, essa aluna estava voltando de um programa voluntário para ajudar uma comunidade miserável de Ruanda. Havia poesia – e alívio cristão – em (arrogantemente) querer salvar a África. Por algum motivo, os pobres e negros do lado de lá do oceano (que não assaltariam a sua caminhonete já adquirida aos 21 anos) eram mais dignos de sua profunda bondade do que os pobres e negros que ela havia ignorado por toda a sua existência.

    Eu sempre me pergunto as razões pelas quais esse perfil de elite se comove com a pobreza romantizada, mas nega a solidariedade ao pobre da mesma cidade. Nessas horas, me vem à cabeça o dia em que meus colegas de escola estavam participando de um campeonato de futsal, mas não tinham quadra para treinar. Marcamos uma reunião com a diretora da escola do lado no intuito de solicitar, em nome de nossa vizinhança, o uso da quadra durante a noite, que ficava inativa. Em um ato de profunda humilhação, fomos “escoltados” até o escritório e recepcionados com as piadas das outras crianças (que não teriam tido coragem de debochar fora da fortificação). Depois de muita resistência, a diretora liberou o uso do ginásio, o que foi vetado uma semana depois em função de uma bola que tinha desaparecido. Apesar de eu ter convicção de que não houve roubo, eu nunca vou poder afirmar isso com 100% de certeza. O que eu posso afirmar para o resto da minha vida é que, desde então, eu sou contra a pena de morte – e de toda a concepção de que bandido bom é bandido morto – justamente porque muitos inocentes terão suas vidas abortadas por causa do preconceito. Quinze jovens tiveram seu sonho de competir interrompido por causa de uma falsa verdade: a de que nós só poderíamos ser ladrões. Consequentemente, “não adianta mesmo querer ser generoso e dar oportunidade para marginal”.

    Entender que o pobre do lado tem o mesmo valor do pobre da África é uma tarefa para uma vida toda, pois envolve uma postura política de grandeza reflexiva intelectual e o reconhecimento de nossa responsabilidade sobre o Outro. Reclama-se da ineficiência do Estado brasileiro, mas toda a violência estrutural gerada por este Estado é reproduzida por sujeitos covardes e apáticos que negam, estigmatizam e inviabilizam o Outro.

    Faz vinte anos que eu deixei a escola. Em minha última visita, em 2014, as instalações estavam muito mais deterioradas. As goteiras continuam lá. Sem professores em sala de aula, os alunos não podem ir para área de esportes porque o lugar está interditado há seis anos por risco de o teto desabar. Mas o muro da escola do lado continua a crescer.

    Desde pequena eu aprendi que a violência é holista. As elites não são vítimas da violência urbana. A agressão sofrida é a mesma que se pratica. O olhar de nojo é também assassino. E os muros ferem mais do que protegem. Será que as pessoas imaginam o quanto podem crescer derrubando muros?"

    PETROBRAS - Muitos oportunistas querem se beneficiar dos escândalos da Petrobras.

    Petrobras precisa de acionista que faça sua defesa.

      Por Ana Paula Ragazzi

    Atingida duramente por uma série de denúncias de corrupção, falta à Petrobras um acionista que a defenda. Dos Estados Unidos já surgiram investidores e até mesmo de uma cidade buscando a Justiça para serem ressarcidos pela empresa em razão dos prejuízos causados pelo esquema que teria beneficiado pessoas e partidos políticos. No Brasil, também já apareceram os primeiros movimentos de pequenos acionistas no mesmo caminho.
    "Quem tem que ser ressarcida é a Petrobras. A empresa foi tão ' assaltada' quanto seus acionistas minoritários", afirma André Gordon, sócio da gestora GTI. "Os acionistas deveriam brigar na Justiça para que o dinheiro desviado volte para a empresa, pois se isso acontecer, eles também serão beneficiados", afirma. A GTI deixou de ser acionista da Petrobras há alguns anos, mas agora, diante da queda dos preços, voltou a comprar.
    A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), voz dos acionistas minoritários institucionais, não se manifestou até o momento sobre a Petrobras. Mauro Cunha, presidente da Amec, é um dos conselheiros independentes da petroleira. Cunha não participa das discussões entre os associados da entidade sobre o assunto, apurou o Valor. A Amec poderá manifestar-se sobre o tema Petrobras no final deste mês, após sua reunião de conselho. Não será Cunha o porta-voz e tampouco a manifestação é dada como certa. A Amec se manifesta sobre questões de mercado, mas esse caso, entende, é de esfera criminal.
    Isoladamente, os acionistas institucionais brasileiros, tais como gestores de fundos que costumam brigar pelas empresas, alguns deles chamados 'ativistas', não têm abraçado o tema e por algumas razões. Desde a megacapitalização da empresa, em 2010, os locais ficaram descontentes com os rumos da petroleira e muitos se desfizeram dos papéis. Passaram a pensar em Petrobras como um 'short" (aposta na venda), diante dos problemas que enxergavam em sua estrutura de capital. Além disso, é difícil ser um acionista relevante da Petrobras, uma das maiores empresas do país, e grandes mudanças na empresa, como o êxito na eleição de conselheiros de administração independentes, só vieram com o apoio de investidores estrangeiros, com mais fôlego para compras. Os fundos passivos, que replicam os índices da bolsa, e estão com os grandes bancos, concentram boa parte das ações.
    Uma outra razão é simplesmente o cansaço, resume Fabio Fuzetti, sócio do Antares Capital, que fez várias reclamações à CVM, que resultaram na abertura de processos, para investigar as refinarias e a política de preços da Petrobras, além de ter se colocado à disposição para colaborar com as investigações da SEC. Desesperançoso com a empresa, Fuzetti vendeu suas ações logo após as eleições, ano passado.
    "Eu cansei. Não vejo resultado das queixas, nem depois de tantas evidências das irregularidades reveladas na companhia nos últimos anos", diz. Para Fuzetti, os fundamentos da empresa foram "destruídos" e ele teme pelas dificuldades financeiras sem um balanço auditado. Ele acredita que o governo terá de capitalizar a Petrobras, o que deverá representar nova diluição para os acionistas minoritários. Mas não descarta voltar a apresentar questionamentos sobre o abuso de poder por parte da União, controladora da Petrobras.
    O desânimo e o cansaço de muitos no mercado com o resultado das investigações é resumido pelo fato de a atual diretoria da empresa não ter sido afastada durante as investigações, medida que, acreditam, seria uma das primeiras, fosse a Petrobras uma empresa privada.
    Gustavo Villela, sócio do Villela e Kraemer Advogados, iniciou uma ação contra a Petrobras e a União em nome de pequenos acionistas, diz que as pessoas que investiram na empresa querem o ressarcimento por se sentirem enganadas. "São pessoas comuns, que investiram economias e perderam seu dinheiro. Algumas aplicaram recursos do fundo de garantia", diz. "Tudo o que se vê agora no noticiário causou a eles indignação com a empresa".
    Ele afirma que não citou pessoas na ação, como conselheiros ou diretores, o que poderia incluir até mesmo a presidente Dilma Rousseff, porque isso poderia atrasar o processo. A Petrobras tem se declarado como vítima e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deverá trabalhar avaliando possível abuso de poder de controle pela União e a falta do dever de lealdade e diligência dos administradores.
    A visão de quem se sentiu enganado e não quer ser mais sócio da empresa é legítima, mas existem um questionamento possível sobre essas ações que buscam ressarcimento. A queda das ações da Petrobras não é explicada apenas pela corrupção. Houve a megacapitalização, a queda do preço do petróleo e principalmente a política de preços da estatal, influenciada pelo governo para conter a inflação - declarações recentes do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deram alguma esperança de que isso deixe de acontecer. Resta saber se os investidores voltarão a confiar na Petrobras.
    Mas nenhum desses fatores conjunturais dá a oportunidade de os acionistas irem à Justiça contra a empresa buscando ressarcimento, medida que se torna possível por conta das denúncias de corrupção e da falta de controles internos na companhia. Além de todos os seus problemas, a empresa possivelmente terá de dispor de recursos para indenizar acionistas.
    Nos Estados Unidos, a lei ampara esse tipo de iniciativa. Até o momento, oito escritórios de advocacia daquele país entraram com ações, que deverão ser unificadas. O prazo final para investidores aderirem à ação coletiva é 6 de fevereiro. A proliferação de escritórios declarando interesse no caso mostra que por lá esse existe uma certa indústria por trás dessas ações. Segundo um advogado, na maioria dos casos, a iniciativa do processo parte dos próprios escritórios, que buscam investidores para que possam entrar com as ações à espera das comissões.
    A partir do primeiro escritório, a causa chama a atenção de outros, e o tema cresce. Por aqui, um gestor ouvido pelo Valor e que prefere não se identificar diz ter sido procurados por um advogado para encabeçar uma ação indenizatória contra a empresa. Ele recusou. "Esse dinheiro tem que voltar para a Petrobras", diz.
     
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    PETRÓLEO - Mercado dia 28 janeiro de 2015.

     

     

     
    1) CLIMA PSICOLÓGICO E SÍNTESE
     
    Os dados sobre a variação de estoques de petróleos e derivados, nos EUA, durante a semana de 17 a 23 de janeiro, divulgados pela EIA do Departamento de Energia, confirmaram, embora com um pouco menos de vigor, os números produzidos ontem pelo API privado: muito bearish para o petróleo nos EUA como um todo (bearish para o WTI em Cushing), e bullish para o diesel, o QAV e a gasolina. Pesaram mais as informações relativas à matéria prima. Mas petróleos e derivados continuam de lado, apesar da baixa de hoje. As declarações do PM grego, Alexis Tsipras, assustaram os mercados, além da Troyka e da Alemanha. O indicador mais importante divulgado hoje, sobre o mercado imobiliário americano, foi bearish. Os fatos geopolíticos tiveram pouca repercussão objetiva sobre os preços.


     

     

     
    2) FATOS E NOTÍCIAS RELEVANTES DO DIA, NÃO NECESSARIAMENTE LIGADOS DE FORMA DIRETA AO MERCADO DE PETRÓLEO E COMBUSTÍVEIS



    2.1) Israel e Hezbollah
     
    Dois soldados israelenses e um cidadão espanhol, em missão de paz, foram atingidos e mortos por um foguete disparado pelo Hezbollah, a partir do Líbano. O Hezbollah argumenta que a ação foi em retaliação à morte de um palestino no dia 18/01. Perigo de escalada.



    2.2) Kiev, Luhansk/Donetsk, Moscou
    Intensifica-se a luta na Ucrânia Oriental. Difícil definir se a guerra é civil (entre Kiev e Luhansk/Donetsk) ou internacional (entre Kiev e Moscou). Habitantes da Ucrânia Oriental estão abandonando cidades e deixando-as desertas.



     

     

    2.3) Jordânia e EI / Troca de Prisioneiros
    Aparentemente acertada a troca da mulher iraquiana acusada pela Jordânia de terrorista pelo piloto jordaniano feito prisioneiro pelo EI. Nada foi informado sobre o prisioneiro japonês, também em poder do EI. A Jordânia impõe como condição para devolver a mulher que o piloto seja devolvido ileso.



    2.4) EUA / Fed / Ata do FOMC
    Ambiguidade. Janet Yellen, por um lado, se diz “feliz como o ritmo sólido” com que cresce a economia americana, apontando para o aumento dos juros a médio prazo. Por outro, se declara disposta a ter “paciência” com o processo. O mercado preferiu ouvir (ou ler) o primeiro aspecto da ata.



    2.5) Grécia / Primeiras Declarações
    O novo PM grego, Alexis Tsipras, parece disposto a cumprir as promessas de campanha. Diz que irá renegociar os termos do resgate, estancar e reverter os processos de privatização, recontratar funcionários públicos demitidos e aumentar o salário mínimo do país. A Troyka, a Alemanha e os mercados reagiram mal. A bolsa de Atenas caiu 9,24%, levando com ela as demais bolsas de ações e o euro.



     

     

     
     
    2.6) EUA / Nevasca
    Nova Iorque foi poupada, mas a Nova Inglaterra, não. Um metro de neve e temperaturas a 5°.



    2.7) Indicadores Econômicos
    Só um e bearish: o conjunto de índices produzidos pela Associação de Banqueiros Hipotecários (MBA) dos EUA, relativos à demanda por financiamentos imobiliários.



     


    3) PETRÓLEOS E DERIVADOS, BIOCOMBUSTÍVEIS, ETANOL, GÁS NATURAL



    3.1) Barclays e Goldman Sachs / Prognósticos
    Ambos os bancos divulgaram previsões para o primeiro semestre de 2015 ainda mais pessimistas que as anteriores, com relação aos preços do petróleo. Barclays: Brent (1º mês), 44 US$/bbl (de 77 US$/bbl). Goldman Sachs: WTI (1º mês), 40 US$/bbl (de 66 US$/bbl).



    3.2) Estoques Marítimos
    Os contratos para estocagem em navios atingiu pelo menos os 50 mbbls.



    3.3) EUA / Estoques / Petróleos e Derivados / Variação Durante a Semana de 17 a 23 de janeiro / API


    Petróleo Total: +12,7 mbbls vs a expectativa de +4,1 mbbls e o build de +10,1 mbbls na semana anterior. Muito bearish.
     
    WTI em Cushing: +2,0 mbbls vs +2,9 mbbls na semana anterior. Bearish.
     
    Destilados (QAV + Diesel): 0,7 mbbls vs a expectativa de 1,7 mbbls e o draw de 3,3 mbbls na semana anterior. Neutro.
     
    Gasolina: 5,0 mbbls vs a expectativa de +0,3 mbbls e o build de +0,6 na semana anterior. Muito bullish.

     

    3.4) EUA / Estoques / Petróleos e Derivados / Variação Durante a Semana de 17 a 23 de janeiro / EIA
     
    DOE
    Os números oficiais divulgados pelo Departamento de Energia americano, para os estoques de petróleo, foram um pouco menos bearish que os divulgados ontem pelo API. Mesmo assim, o nível de 406,727 mbbls é récorde histórico, desde que começaram os registros em 1982.


    4) INDICADORES ECONÔMICOS

     
    Bearish

    5) PEQUENO GLOSSÁRIO



     

    5.1) Bullish e bearish


    Diz-se de um mercado que ele é bullish quando o observador supõe que os preços vão subir; que ele é bearish, quando, ao contrário, supõe que vão cair.



    Também se nomeia de bullish ou de bearish aquele que faz a previsão, num ou noutro sentido.



    Bullish
    vem de bull --touro em inglês--, pela forma como o touro ataca, chifrando de baixo para cima e jogando o inimigo para o alto.



    Bearish
    vem de bear --urso em inglês--, pela forma como o urso ataca, com um tapa de cima para baixo e lançando ao chão o opositor.



     

    5.2) Long e short



    Diz-se que um operador (ou uma instituição) está long quando está de posse do produto ou do ativo, ou quando está comprado.



    Ao contrário, diz-se que um operador (ou uma instituição) está short quando está em falta do produto ou do ativo, ou quando está vendido em futuros ou opções, ou ainda, vendido a descoberto.



     

    5.3) Contango e backwardation



    Contango
    é um termo usado em mercados futuros para designar um quadro em que a curva de preços a prazo tem inclinação ascendente. Ou seja, quando os preços para os prazos mais distantes excedem aqueles para os prazos mais próximos.



    Ao contrário, backwardation é usado para situações em que a curva de preços a prazo tem inclinação descendente. Em outras palavras, quando os preços para os prazos mais afastados são inferiores aos dos prazos mais próximos.