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sábado, 31 de maio de 2014

POLÍTICA - Guerra entre as extremas direitas européias.

Guerra sem quartel entre as extremas direitas na Europa

O que está em jogo não é uma mera disputa simbólica, mas sim um pacote de privilégios que se obtém no parlamento europeu para a constituição de um grupo.


Eduardo Febbro
Arquivo

Paris - Os partidos da extrema direita – também chamados de “eurófobos” – que subiram ao topo com as eleições para renovar o parlamento europeu (22 a 25 de maio) sacaram das urnas a machadinha da guerra. Ainda que na França, Inglaterra, Dinamarca, Suécia, Itália, Hungria e Grécia, os extremistas tenham conseguido uma legitimidade jamais alcançada até hoje, e ainda que professem a mesma oposição à União Europeia e alguns tenham ideias similares, hoje eles combatem entre si palmo a palmo para ver quem é capaz de formar primeiro um grupo parlamentar no parlamento europeu.

O fato de terem ideologias similares não significa que se entendam como irmãos, longe isso. O britânico Nigel Farage, chefe do partido UKIP, detesta a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, a qual julga demasiado extremista. Por sua vez, a senhora Le Pen não quer se associar com os nazis gregos da Aurora Dourada e muito menos com os neonazis alemães do Partido Nacional Democrata, os ultradireitistas húngaros do partido Jobbik ou os búlgaros de Ataka. Há um ardente perfume de incompatibilidade entres estes novos eurodemocratas dos extremos.

O que está em jogo não é uma mera disputa simbólica, mas sim um pacote de privilégios que se obtém dentro do parlamento europeu para a constituição de um grupo: mais dinheiro (três milhões de euros), secretarias, escritórios maiores, mais tempo para usar a palavra, mais visibilidade e postos importantes nas comissões.

Na legislatura 2009-2013, os sete grupos existentes repartiram entre si 57 milhões de euros. As condições para contar com um grupo próprio no Parlamento europeu são drásticas: é preciso ter pelo menos 25 eurodeputados oriundos de sete países distintos. “Há uma série de movimentos que, na minha opinião, estão interessados em participar de uma grande força política cuja meta consiste sempre em impedir qualquer avanço da Europa Federal”, explicou Marine Le Pen.

Essa convergência não resulta, porém, em uma irmandade automática. Hoje, a confrontação mais dura ocorre entre Marine Le Pen e Nigel Farage. O excêntrico líder do UKIP tem um grupo próprio da legislatura anterior (Europa, Liberdade e Democracia), mas a chefe da Frente Nacional francesa também quer ter o seu grupo. A FN ganhou 24 deputados no parlamento de Estrasburgo, o mesmo número que o UKIP. No entanto, as posições radicais da Frente Nacional, seu racismo declarado e sua islamofobia militante o privam de muitos apoios, começando pelo partido britânico. Farage acusou em várias oportunidades a líder francesa e seu movimento de antissemitismo e excluiu por isso qualquer pacto com Marine Le Pen. A mesma reprovação é feita por outros extremistas europeus, especialmente os escandinavos. “Não quero ser mal educado com Marine Le Pen, não é necessário, mas não penso que seu partido faça parte de nossa família política”, disse Farage há alguns dias.

Nesta luta política na qual partidos com o mesmo DNA se rechaçam, a extrema-direita francesa também traçou a sua linha vermelha: os infrequentáveis são o Aurora Dourada (Grécia, três deputados), o Partido Nacional Democrata (Alemanha, um deputado), Jobbik (Hungria, três deputados), Ataka (Bulgária, dois deputados). O eurodeputado eleito pelo Partido Nacional Democrata da Almanha, Udo Voigt, classificou Adolf Hitler como “um grande homem de Estado”.

As contas, no momento, são favoráveis ao britânico UKIP. Nigel Farage pode contar com o apoio dos partidos eurófobos escandinavos, começando pelos dois deputados do partido finlandês Verdearos, dois dos Democratas suecos e os quatro do Partido Popular dinamarquês. É possível, igualmente, que Farage consiga o apoio do partido anti-euro alemão AFD (7 deputados), dos gregos independentes (um deputado) , sobretudo, dos 17 eurodeputados do movimento italiano 5 Estrelas de Pepe Grillo. Ao todo, são seis países. Faltaria um. O britânico teria a promessa de outros dois partidos, o checo Svobodni (um deputado),  e o lituano Ordem e Justiça (dois deputados).

Os cálculos de Marine Le Pen são mais apertados. A Frente Nacional poderia contar com os sete deputados do holandês PVV, os quatro do Partido pela Liberdade da Áustria, o único eurodeputado que resta ao Vlaams Belan, da Bélgica, e, talvez, os 5 deputados da autonomista e xenófoba Liga do Norte italiana que antes fazia parte do grupo Europa, Liberdade e Democracia, de Nigel Farage. No total, são cinco países. Faltam dois. A caça se dirige ao KNP, partido eurófobo da Polônia (2 deputados) e ao lituano Ordem e Justiça.

O impacto dos resultados das eleições europeias e seu impressionante exército de neonazistas, neofascistas ou eurocéticos que ingressou no Parlamento não deve, porém, ocultar a realidade da geometria política. Após os primeiros contatos entre o britânico Farage e o italiano Pepe Grillo, o líder do UKIP disse: “se conseguirmos nos entender, poderemos nos divertir e criar muitos problemas para Bruxelas”.

Seria melhor dizer obstáculos antes que verdadeiros problemas. Mesmo que Marine Le Pen e Nigel Farage consigam formar seus respectivos grupos, seu peso é mais que relativo. Os quatro núcleos pró-europeus, centro-direita, socialistas, liberais e verdes, repartem entre si 70% dos 751 eurodeputados.

Tradução: Louise Antônia León

GEOPOLÍTICA - Já vivemos em um mundo multipolar?



Já vivemos em um mundo multipolar?

Os acordos entre a China e a Rússia, o fortalecimento dos Brics e os processos de integração na AL são elos do que pode chegar a ser um mundo multipolar.

por Emir Sader em 31/05/2014 às 17:08




Emir Sader

A mais importante virada da história contemporânea foi propiciada pelo fim da guerra fria, momento em que um dos campos da era bipolar desapareceu, abrindo caminho para um mundo unipolar, sob a hegemonia imperial norteamericana.

De imediato os EUA passaram a se valer de sua inquestionável superioridade, buscando transferir os conflitos para o enfrentamento miliar. O ápice dessa política de militarização dos conflitos se deu no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Ainda que sob formas relativamente distintas, o desenlace dos conflitos se deu pela via militar – invasão, ocupação, bombardeio, derrubada dos governos.

Mesmo com desgastes, essa via se impunha até recentemente sem que aparecessem obstáculos para que a dominação norteamericana se impusesse. Até que o conflito com a Síria, que se encaminhava para um bombardeio do território desse país, teve uma virada inesperada, com uma proposta de acordo formulada pelo Ministro de Relações dos EUA e aceita pelos EUA.

Acontece que os desgastes anteriores começavam a desgastar a capacidade hegemônica dos EUA. Foi muito significativo que a primeira rejeição a participar do bombardeio viesse do maior aliado estratégico dos EUA – da Grã Bretanha -, com a negativa do Parlamento britânico a acompanha os EUA em uma nova aventura, como consequência direta dos desgastes da invasão do Iraque, em que o ex-primeiro ministro Tony Blair saiu desgastado, por ter jogado seu prestígio numa versão que se revelou falsa.

Obama teve que aceitar a oferta russa porque, além de tudo, não conseguiu apoio da opinião pública dos EUA, sem vontade de que o país se metesse em uma nova guerra, com consequências imprevisíveis, como tampouco dos militares, a quem a ideia de um “bombardeio cirúrgico” não tinha convencido. E, como relatou o próprio Obama, nem de sua família ele conseguiu apoio.

A passagem a um clima de acordo sobre a Síria se estendeu ao Irã – inclusive pelos vínculos diretos que tem os dois conflitos -, valendo-se também da eleição de um novo presidente no Irã. Em ambos os casos, mesmo com dificuldades, há avanços, projetando paralelamente a Russia como novo grande protagonista da negociação dos conflitos contemporâneos. Pela primeira vez, desde o fim da guerra fria, os EUA tiveram que limitar sua ação baseada na força, para aceitar termos políticos de acordos negociados entre governos.

O caso da Ucrânia, mesmo com características distintas, confirma essa nova tendência. Com o final da guerra e a desaparição do campo socialista, as potências ocidentais avançaram com grande codícia sobre os países até ali participantes desse campo, incorporando-os à União Europeia e inclusive à Otan.

A  Ucrânia é um caso especial, porque se localiza na fronteira da Rússia e porque a Crimeia tem um porto essencial para o país, em termos comerciais e militares.  A forma violenta com que as forças pro-União Europeia atuaram – decretando inclusive a proibição do idioma russo – enfraqueceu mais ainda sua capacidade

A realidade é que se desatou uma dinâmica centrifuga, em que as potências ocidentais denunciam a ação da Russia como força que estaria impulsionando o desmembramento da Ucrânia. Conforme aumenta a ira da imprensa ocidental, se veem confrontados com a impossibilidade de intervir, gerando-se uma situação a mais de limites da ação dos EUA.

Conforme as potências ocidentais se viam limitadas a medidas inoquas de punição à Russia, Putin se reunia com Xi Jinping, para acertar um grande acordo energético, assim como uma estratégia de desdolarização do comércio entre os dois países. Em todos os seus aspectos os acordos contribuem a configurar campos próprios de ação, em oposição ao boco dirigido pelos EUA. No próprio conflito ucraniano, enquanto os EUA contam com seus tradicionais aliados europeus – com distintos graus de coincidência – a Russia conta com os países do Brics.

Os acordos entre a China e a Rússia, o fortalecimento dos Brics e os processos de integração regional na América Latina são elos do que pode chegar a ser um mundo multipolar. Os próximos anos confirmarão ou não esta perspectiva.

COPA DO MUNDO - Futebol passarinho.

Futebol passarinho

A realização da Copa do Mundo no Brasil despertou uma grotesca procissão, cada vez mais enfadonha, de abutres e coveiros do Brasil em todas as frentes.


Flávio Aguiar
Arquivo

(*) Artigo publicado originalmente no Blog da Boitempo.

A realização da Copa do Mundo no Brasil despertou uma grotesca procissão – cada vez mais enfadonha – de abutres e coveiros do Brasil em todas as frentes e latitudes. Erguendo uma verdadeira cortina de fumaça com seus incensórios e turíbulos para dominar a pauta e a percepção do momento, este variegado cortejo reúne de tudo.

Conduzindo a custódia, vêm os que querem derrubar ou derrotar o governo. São de dentro e de fora do país, liderados neste pelos arautos da velha mídia, e lá pelos cardeais da City londrina, The Economist e Financial Times, ladeados por bispos e arcebispos como El País, El Mercurio, et alii. Em suas orações às vezes suplicantes, às vezes raivosas, alimentam a crendice de que a Copa pode ajudar a reeleger ou deseleger Dilma Rousseff em outubro. Esta ortodoxia se baseia em outra superstição, a de que nosso povo é despreparado para a democracia porque vota com os pés ou o estômago – não com a cabeça ou o coração. (Os mais ricos, pelo menos, têm o privilégio de votar com os bolsos e as bolsas).

Esta superstição tem uma variante à extrema-esquerda, qual seja, a de que as massas são sempre despreparadas, e que precisam de uma vanguarda lúcida para iluminar-lhes o caminho. O governo é o Anti-Cristo que deve ser eliminado, para que a verdadeira luz possa chegar aos fiéis. Então, dá-lhe foguetório e até louvação dos coquetéis molotovs dos black blocs, além das pedradas, sejam contra vitrines bancárias ou a Embaixada do Brasil em Berlim.

Mas há também o coro dos sacristãos. Dispersos pelo mundo inteiro, no nosso país ou pontificando na mídia europeia, nunca se viram tantos doutos intérpretes do Brasil. Qualquer jeguelhé joga suas jeguelhadas sobre a nossa “cultura da corrupção”, o nosso incurável pendor para a “violência”, para depender de “favores”, a nossa crônica “homofobia”, o nosso empedernido “machismo”, a nossa proverbial incompatibilidade com o “moderno”, o nosso sempiterno “racismo”, a nossa tara da “escravidão”, nossa inamovível “pobreza”, “falta de cultura”, “falta de projeção mundial”, onde se ajuntam nossa incapacidade para ganhar um prêmio Nobel, nossa música que “não têm o mesmo alcance mundial da salsa ou do reggae” (sic), e por aí se vai. Conforme o ângulo de onde fala o distinto se multiplicam os pronomes “nós” (a propósito, nós quem, cara-pálida?) ou o substantivo plural e coletivizado “os brasileiros”. Não se trata de negar que aquelas mazelas existam em nosso país. Mas as marteladas são tais que deixam a conotação de que ele é a cloaca do mundo, e que elas são nosso patrimônio exclusivo.

Assim, um país de 200 milhões de habitantes, oito mil quilômetros de comprido por oito mil de largo, com uma das economias mais complexas e uma cultura das mais ricas do mundo, se vê reduzido a uns poucos lugares-comuns, repetidos ad nauseam como se fossem grandes originalidades, descobertas, quando na verdade simplesmente invertem disforicamente a perspectiva dos outros lugares comuns – os eufóricos – da cordialidade, índole pacífica, democracia racial, etc. etc. etc. Estas ou estes vestais do templo jornalístico acham que estão inventando, em seu laboratório, o “verdadeiro” Brasil, quando de fato fazem parte simplesmente do ciclo que a medicina antiga chamava de “maníaco-depressivo”. Tenho, inclusive a certeza de que aqueles defeitos de nosso “caráter” desaparecerão de muitos dos discursos como por encanto em novembro, caso alguma oposição vença em outubro.

E no passar da procissão sobem aos céus – ou descem aos infernos – as comparações absurdas, como as do momento atual com a ditadura de 1970; ou as inverdades marteladas, como a de que é a Copa que está roubando dinheiro da educação e da saúde (ao invés do superávit primário e da queda da CPMF); levantam-se os estandartes oportunistas anti-Copa, juntando-se a reivindicações legítimas em campos como educação, saúde, etc., ajudando a esvaziá-las, em troca de quinze letras ou quinze segundos de fama nas manchetes ou telas nacionais e internacionais.

Fica difícil discernir o real para além deste fumacê de crendices. Mas num raro momento em que consegui me desligar desta atmosfera asfixiante, por uma nesga da cortina tive uma visão deslumbrante (já que para estes sacerdotes do caos devo ser um destes caiporas, que pensa com os pés, embora eu tenha sido goleiro, ao invés do cérebro e do miocárdio). De repente, num estalo de Vieira, vi que no dia 13 de julho, em pleno Maracanã, alguém vai erguer a taça aos céus, renovando mais uma vez a sua consagração, oficiada por Bellini naquele 29 de junho de 1958, no estádio Rasunda, em Estocolmo, na Suécia.

Como acontecia na época, ouvi tudo pelo rádio e vi em fotos no dia seguinte e somente algum tempo depois pude assistir nos cinemas a missa gloriosa daquela partida e daquele verdadeiro gestus brechtiano, stanilavskiano, da sagração da Jules Rimet. De fato, foi ali que o caneco ficou sendo nosso, realidade apenas confirmada em 1970. Naquele momento houve uma verdadeira transubstanciação (como na missa católica). Foi ali num gesto que começou prosaico (“mostra a taça, Bellini, pra que a gente consiga fazer uma foto melhor”, pediram os jornalistas) e se transformou no gestus teatral que transformou a Taça Jules Rimet ou do Mundo no imortal Caneco do Brasil. Dali pra frente, em qualquer arena, em qualquer parte do mundo, da várzea mais pobre ao estádio mais suntuoso, espraiou-se o gesto de erguer a taça da vitória. Foi ali, naquele gestus, que a taça se transfigurou em cálice, cheio de sangue, suor e lágrimas, o sangue e o suor que se dão dentro das quatro linhas, e as lágrimas da vitória ou da derrota, como as que foram derramadas em 29 de junho de 1958, em Rasunda, ou em 16 de julho de 1950, no Maracanã.

Isto porque o futebol tem algo de muito parecido com a situação de dois amantes. Por mais história anterior que haja, condições de vida e condicionamentos anteriores, labirintos percorridos ou expectativas de caminhos futuros, oposições familiares ou cumplicidade de amigos, egos e superegos a equilibrar e a vencer, etc., etc., etc., sempre há o momento em que os amantes estão frente a frente, fechados no círculo sagrado do imortal gestus amoroso, tenha este círculo o formato que tiver: cama, tapete, sofá, esquina, degrau de escada, chuveiro, não importa.

No futebol há a mesma magia da presença de um espaço do sagrado. Por mais distâncias geográficas, sociais, políticas, culturais e outras que os times oficiantes percorram, por mais cartolas que haja, tudo se fecha naqueles momentos “dentro das quatro linhas” em que os oficiantes – jogadores, técnicos, bancos de reservas, massagistas, etc., torcidas e até gandulas, juízes e bandeirinhas, vão se medir e oficiar o sagrado rito da vitória, derrota ou empate.

A transubstanciação simbólica se confirma pela mudança de gênero e de registro linguísticos, que nada tem a ver com machismo, sexo ou preconceito: a taça aristocrática passou a ser o caneco popular. Aliás, se a gente olhar bem, dá para ver que a forma exterior daquela Jules Rimet tinha menos a ver com uma genérica caneca do que com um caneco – definido como uma “caneca alta e estreita” (Houaiss). Daí pra frente, não importava o formato do troféu: o vencedor “levava o caneco pra casa”. E ainda leva. E vai levar, pelos séculos dos séculos, amém.

Tenho diante de mim duas fotos: Fritz Walter, o capitão de 1954, levado em triunfo pela torcida em Berna, na Suíça. Ele segura a taça como se ela fosse feita para tomar a popular cerveja, ou a aristocrática champanhe: um objeto prosaico; e Bellini, erguendo o troféu sagrado, como se ele fosse um elo de ligação entre o céu e a terra, como as mãos para o alto do suplicante, o cajado do peregrino, o olhar do amante que se perde e se encontra no universo.

No 13 de julho de 2014, em pleno Maracanã, alguém vai erguer a taça aos céus e levar o caneco pra casa.

Por isto, por sobre a malta velhaca e falsária das senectudes tremulinas (Maiakovski Mário de Andrade), gloso Mário Quintana:

Os abutres, que hoje atravancam o caminho, eles passarão. O futebol, passarinho.

POLÍTICA - O incrível tiro no pé da Ellus.

Do Blog TIJOLAÇO.

O incrível tiro no pé da Ellus (ou: o jeitinho fashion de bater a carteira e gritar “pega ladrão”)



, Diário do Centro do Mundo

"Ao fazer uma denúncia, ou algo que o valha, num desfile, a Ellus chamou atenção nacionalmente para um problema importante — num dos maiores tiros no pé em toda a história do marketing.

Na São Paulo Fashion Week, foi lido um manifesto cabeça-oca chamado “Desabafo”. Se a intenção era provar o estereótipo de que a indústria da moda é forrada de pessoas superficiais, iletradas e magras, o objetivo foi plenamente alcançado.
Um trecho:

“Brasil = ineficiência, improdutividade. Isso faz com que fiquemos isolados do mundo, acarretando esse atraso todo em relação ao mundo moderno.

É claro que os maiores responsáveis são os políticos e os governos antiquados, cartoriais, quase medievais, que com suas ideias atrasadas de protecionismo acabam por gerar atrofia.

Precisamos desburocratizar, simplificar para motivar, avançar, abrir, internacionalizar, se não, cada vez mais, ficaremos isolados nas geleiras do Polo Sul.”

(“Geleiras do Pólo Sul??”)

Não demorou e descobriu-se que a Ellus está sendo processada por uso de trabalho escravo. É espantoso que quem tenha escrito um texto
falando sobre o quanto somos vagabundos não tenha levado isso em conta (quem assina é a entidade difusa “time Ellus”).

Mas o debate trouxe à tona casos envolvendo outras marcas como M.Officer, Marisa, Pernambucanas, C&A, Collins e Gregory (além da Zara, já um clássico). Recentemente, o Ministério Público do Trabalho de São Paulo teve a ideia de criar um polo têxtil de trabalhadores imigrantes financiado por
empresas do setor. Ficaria na região de Itaquaquecetuba ou Carapicuíba e seria mantido com o dinheiro da aplicação das multas às empresas.

“Quem cumpre rigorosamente a lei tem muito interesse em combater aquele que agride a legislação. Então, nós vamos lançar um programa envolvendo as 70 grandes marcas que estão no topo da cadeia produtiva no setor de costura, com o objetivo de isolar economicamente aqueles que exploram o trabalho escravo”, disse o procurador Luiz Fabre, do MPT, ao Terra.

E o Senado aprovou nesta semana, por unanimidade, a PEC do Trabalho Escravo, que determina a expropriação de
imóveis urbanos e rurais onde seja constatada exploração de trabalho escravo ou de gente em situação análoga à escravidão.

O texto vai à promulgação pelo Congresso. Ficou 15 anos em tramitação. Sem o apoio inestimável da Ellus e de sua tática de bater a carteira e gritar “pega ladrão”, demoraria muito mais tempo.
A nova versão da camiseta

UCRÂNIA - George Soros financiou forças neonazistas.





Por Redação, com agências internacionais - de Nova York, EUA, e São Paulo

Parceiro de Armínio Fraga neto, ex-presidente do BC e homem de confiança do presidenciável tucano, Aécio Neves (MG), o multimilionário norte-americano George Soros reconheceu, nesta quarta-feira, sua responsabilidade sobre o golpe de Estado na Ucrânia, aplicado pela ultradireita, com apoio de forças neonazistas. Fraga, que se propõe a colaborar na campanha de Neves, baseia-se na sua experiência como sócio de Soros em fundos de investimento. Soros admitiu ter contribuído com a extrema direita para a derrubada do regime democrático ucraniano e a implantação do governo de facto que assumiu em seguida.

Em entrevista à rede norte-americana de TV CNN, Soros afirmou que “uma das coisas que muitas pessoas reconhecem (sobre ele) foi o financiamento das atividades dos grupos dissidentes na Polônia e na República Checa”, o que provocou a pergunta seguinte, se ele estaria “fazendo coisas similares na Ucrânia”.

– Criei uma fundação na Ucrânia antes mesmo que o país declarasse sua independência da Rússia. Esta fundação está funcionando desde então e tem representado um papel importante nos acontecimentos atuais – revelou Soros.

No portal de internet InfoWars, reportagem publicada há alguns dias rompeu o cerco midiático em curso quanto à realidade na Ucrânia ao apontar a participação de Soros, em colaboração estreita com a Fundação Nacional para a Democracia (USAID, na sigla em inglês) – que assumiu parte das atribuições da Agência Central de Inteligência (CIA, também na sigla em inglês) – no golpe de Estado. O Instituto Republicano Internacional, a Casa da Liberdade (Freedom House) e o Instituto Albert Einstein também foram citados como cúmplices no financiamento e na derrubada de governos na Europa Oriental e na Ásia Central, logo após a dissolução da União Soviética.

Muitos dos participantes das manifestações em Kiev assumiram fazer parte de determinadas Organizações Não Governamentais (ONGs) responsáveis por treiná-los em táticas de guerrilha urbana, em numerosos cursos e conferências promovidos pela Fundação do Renascimento Internacional (IRF, em inglês), criada por Soros. A IRF, fundada e financiada pelo multimilionário, orgulha-se de ter feito “mais do que qualquer outra organização” para a “transformação democrática” da Ucrânia, afirmou.

A ação de Soros, no entanto, permitiu que ultranacionalistas passassem a controlar os serviços de segurança ucranianos, como a polícia e as forças armadas. Em abril, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e da Defesa, Andréi Parubiy, foi acusado por testemunhas de aceitar suborno da CIA para ajudar no combate àqueles que se opõem ao governo autoproclamado. Ainda segundo o InfoWars, a operação militar de Kiev, com seu caráter violento, incluindo o incêndio na sede de um sindicato em Odesa, no qual morreram mais de 80 pessoas, também pode ser atribuído ao ativismo de George Soros e das outras organizações ligadas à IRF.

Estas mesmas ONGs foram detectadas no Brasil com um serviço semelhante àqueles prestados pela IRF à ultradireita na Ucrânia. A ONG Brazil No Corrupt seria mais uma na lista de organizações patrocinadas por organismos internacionais para a promoção de atos de vandalismo e de violência nas manifestações de rua, principalmente agora, às vésperas da Copa do Mundo, no movimento #naovaitercopa. Compete, ainda, a estas organizações, o patrocínio de páginas nas redes sociais, como a TV Revolta, entre outras, criadas para disseminar o ódio e promover a desestabilização do governo instituído, em manifestações violentas nas principais capitais do país.

POLITICA - A renúncia do monge do ódio.

A renúncia do monge do ódio



Por Marcus Vinícius, em seu blog:

Joaquim Barbosa se foi.

Partiu sem julgar o Mensalão do PSDB.

Escafedeu-se sem nada dizer sobre a Lista de Furnas.

Caiu fora sem se pronunciar em relação ao escândalo de 2,5 bilhões de dólares no metrô de São Paulo, o chamado Trensalão dos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
Joaquim Barbosa só tocou o terror contra o PT.

Barbarizou os condenados da Ação Penal 470, dita Mensalão.

Contrariou a jurisprudência consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que garante ao preso do regime semi-aberto o direito ao trabalho para negar este benefício ao ex-ministro José Dirceu, ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, aos ex-deputados federais Valdemar Costa Neto, Pedro Corrêa e Carlos Alberto Pinto Rodrigues (Bispo Rodrigues), além de Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do então Partido Liberal), que exerciam trabalho externo já há várias semanas.

Radical contra o PT, o ministro Joaquim Barbosa não teve a mesma dureza contra traficantes, facínoras e assassinos barra-pesada que desfrutam de inúmeras regalias nos presídios Brasil afora. O “menino pobre que mudou o Brasil” nada fez contra aqueles que, da cadeia, continuam a comandar suas redes de tráfico de drogas, sequestros, assaltos, assassinatos e extorsões. Porque será que Joaquim Barbosa não tocou o terror contra Fernandinho Beira-Mar, Leonardo Mendonça e outros?

Esperava mais de você Batman!

Joaquim Barbosa vai e se esvai. Desintegra-se o seu pedestal moralista, tal e qual o ex-senador Demóstenes Torres.

Herói do PIG (Partido da Imprensa Golpista), JB avisa que embarca direto para Miami, onde comprou apartamento de R$ 1 milhão. Vai para um auto-exílio, pois sabe que não deixa saudade.

Seus colegas de toga exultam-se com sua renúncia. Ao longo de sua breve passagem pela presidência do Supremo Tribunal Federal e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Joaquim Barbosa conseguiu críticas unânimes por sua conduta de déspota. Sua atuação foi denominada anti-democrática pelos presidentes da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho).

Visto por setores mais conservadores da imprensa e da oposição como ponta de lança para inviabilizar o governo da presidenta Dilma Roussef e criminalizar o PT, Joaquim Barbosa deixa a vida pública para entrar para história como a versão Jânio Quadros de Carlos Lacerda, ou seja, renunciou sem lograr êxito no golpe, como tivera o Corvo, 50 anos antes, naquele fatídico 1º de abril de 1964.

Nem Batman, nem Lacerda.

Joaquim Barbosa não foi herói nem grande conspirador.

Foi, isto sim, um monge do ódio, conforme reconhece o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Furtado Coelho:

“Essa interpretação vingativa de um caso concreto (concessão de trabalho aos presos da AP 470) não pode suscitar prejuízo a 77 mil brasileiros (presos em regime semiaberto)”, advertiu Coelho, reforçando a convicção externada pelo meio jurídico do país, de que o presidente do Supremo, ao aplicar dessa forma, acabou na prática com o regime semiaberto e pode prejudicar todos os que já cumprem pena sob este regime.

“Não deve haver vitória do discurso da intolerância e do direito penal sobre o inimigo. Se ele é meu inimigo não devo cumprir a lei”, acentuou o dirigente da entidade máxima dos advogados brasileiros.

Sem Barbosa à frente do STF, a judicialização da política deve perder força. O próprio Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, reconheceu que o afã vingativo de JB trouxe insegurança jurídica ao país:

“O problema que se coloca em interpretação de direito é a segurança jurídica. Tínhamos uma interpretação, já de algum tempo, de que não seria necessário o cumprimento de 1/6 da pena para que o preso pudesse alcançar o privilégio do trabalho externo. Uma modificação nessa interpretação jurídica pode causar insegurança jurídica. E, em causando insegurança jurídica, pode refletir em demais presos sim”, concluiu Janot.

Vai Barbosa.

Leva contigo teu ódio.

Que tua intolerância sirva de alerta a teus pares dos perigos de um magistrado que se deixa guiar pelo rancor, ao invés de aplicar o Direito.

POLÍTICA - Eleitor à deriva.


Pesquisa Ibope: Eleitor à deriva





Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:


E a mídia e os intérpretes das sondagens de intenção de voto contornaram de mansinho uma explicação da recente pesquisa Ibope. Ela pode ajudar a decifrar o comportamento dos eleitores nesse momento. A quatro meses da disputa presidencial a intenção eleitoral do entrevistado abre um contraste de difícil interpretação.Ao responder à pergunta – “como se sente com relação à vida que vem levando hoje?” – uma ampla maioria dos entrevistados respondeu de forma categórica estar muito satisfeita (9%) ou satisfeita (71%) em oposição a uma minoria (17%) de insatisfeitos ou muito insatisfeitos (3%).

Qual a explicação? A satisfação e a insatisfação, maior ou menor de uns e outros, não existem apenas pelo prazer ou pelo desgosto de viver. Há fatores circunstanciais como o amor e o desemprego, fundamentais à vida. Embora não sejam os únicos.

Independentemente do nível de escolaridade e a renda familiar , os eleitores aparecem em igual sintonia. Segundo a pesquisa, o grupo daqueles que se declaram satisfeitos varia de 67%, com os entrevistados da 5ª à 8ª série do ensino fundamental, a 75% de satisfação entre os integrantes do ensino superior.

A mesma aproximação ocorre no mundo dos insatisfeitos e dos muito insatisfeitos. A renda familiar e o nível de ensino praticamente não os distingue na resposta. Juntos, formam uma média de 3% de eleitores. Ou seja, entre a base e o topo da pirâmide social há respostas iguais.

Há, porém, um abismo brutal no comportamento desses dois grupos na cabine eleitoral. O voto os separa.

Que relação existirá entre a manifestação de satisfação ou insatisfação e a resposta à pergunta sobre a aprovação ou a desaprovação “da maneira como Dilma vem administrando o País?”

A pirâmide dividida em classes dá resposta a isso. No topo dela há uma desaprovação de 56%, contra 38% de aprovação. Na base, a desaprovação cai para 26% e a aprovação dá um salto e alcança 69%. Na renda familiar, esse afastamento se repete. Do alto da pirâmide 59% contemplam a administração de Dilma e a desaprovam. Na base, a aprovação é de 60%. Ou seja, reação de igual intensidade em sentido inverso, sentenciaria Newton, aplicando uma lei de física à regra eleitoral.

Um desfecho importante para esse contraste vem da pergunta sobre o interesse pelas eleições manifestado agora. Há 41% dos que se consideram com “muito interesse” e “interesse médio”. Surpreende a manifestação de “pouco interesse” e “nenhum interesse”: 57%.

Os eleitores potenciais de Dilma, os mais pobres, avaliados pela escolaridade e pela renda, ainda se mantêm, em grande número, distantes do processo eleitoral. Portanto, a oposição deve ser comedida ao comemorar uma eleição de dois turnos.


POLÍTICA - O novo papel de Joaquim Barbosa.

sábado, 31 de maio de 2014

O novo papel de Joaquim Barbosa

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
A saída de Joaquim Barbosa do STF representa um alívio para a Justiça do país e é uma boa notícia para os fundamentos da democracia brasileira. Abre a oportunidade para a recuperação de noções básicas do sistema republicano, como a separação entre poderes, e o respeito pelos direitos humanos – arranhados de forma sistemática no tratamento dispensado aos réus da Ação Penal 470, inclusive quando eles cumpriam pena de prisão.

Ao aposentar-se, Joaquim Barbosa ficará longe dos grandes constrangimentos que aguardam “o maior julgamento do século,” o que pode ser útil na preservação do do próprio mito.

Para começar, prevê-se, para breve, a absolvição dos principais réus do mensalão PSDB-MG, que sequer foram julgados – em primeira instância - num tribunal de Minas Gerais. Um deles, que embolsou R$ 300 000 do esquema de Marcos Valério - soma jamais registrada na conta de um dirigente do PT - pode até sair candidato ao governo de Estado.

Joaquim deixa o Supremo depois de uma decisão que se transformou em escândalo jurídico. Num gesto que teve como consequência real manter um regime de perseguição permanente aos condenados da AP 470, revogou uma jurisprudência de quinze anos, que permitia a milhares de réus condenados ao regime semi-aberto a trabalhar fora da prisão -- situação que cedo ou tarde iria incluir José Dirceu, hoje um entre tantos outros condenados. Mesmo Carlos Ayres Britto, o principal aliado que Joaquim já fez no STF, fez questão de criticar a decisão. Levada para plenário, essa medida é vista como uma provável derrota de Joaquim para seus pares que, longe de expressar qualquer maquinação política de adversários, apenas reflete o desmonte de sua liderança no STF.

Em outro movimento na mesma direção, o Supremo acaba de modificar as regras para os próximos julgamentos de políticos. Ao contrário do que se fez na AP 470 – e só ali -- eles não serão julgados pelo plenário, mas por turmas em separado do STF. Não haverá câmaras de TV. E, claro: sempre que não se tratar de um réu com direito a foro privilegiado, a lei será cumprida e a ninguém será negado o direito de um julgamento em primeira instância, seguido de pelo menos um novo recurso em caso de condenação. É o desmembramento, aquele recurso negado apenas aos réus da AP 470 e que teria impedido, por exemplo, malabarismos jurídicos como a Teoria do Domínio do Fato, com a qual o Procurador Geral da Republica tentou sustentar uma denúncia sem provas consistentes contra os principais réus.

Hoje retratado como uma autoridade inflexível, incapaz de qualquer gesto inadequado para defender interesses próprios – imagino quantas vezes sua capa negra será exibida nos próximos dias, num previsível efeito dramático – Joaquim chegou ao STF pelo caminho comum da maioria dos mortais. Fez campanha.

Quando duas aguerridas parlamentares da esquerda do PT – Luciana Genro e Heloísa Helena – ameaçaram subir à tribuna do Congresso para denunciar um caso de agressão de Joaquim a sua ex-mulher, ocorrido muitos anos antes da indicação, quando o casal discutia a separação, o presidente do partido José Genoíno (condenado a seis anos na AP 470) correu em defesa do candidato ao Supremo. Argumentou que a indicação representava um avanço importante na vitória contra o preconceito racial e convenceu as duas parlamentares. (Dez anos depois desse gesto, favorável a um cidadão que sequer conhecia, Joaquim formou sucessivas juntas médicas para examinar o cardiopata Genoíno. Uma delas autorizou a suspensão da prisão domiciliar obtida na Justiça).

O diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato (condenado a 12 anos na AP 470) foi procurado para dar apoio, pedindo a Gilberto Carvalho que falasse de seu nome junto a Lula. José Dirceu (condenado a 10 anos e dez meses, reduzidos para sete contra a vontade de Joaquim), também recebeu pedido de apoio. Dezenas – um deputado petista diz que eram centenas – de cartas de movimentos contra o racismo foram enviadas ao gabinete de Lula, em defesa de Joaquim. Assim seu nome atropelou outro juristas negros – inclusive um membro do Tribunal Superior do Trabalho, Carlos Alberto Reis de Paula – que tinha apoio de Nelson Jobim para ficar com a vaga.

Quando a nomeação enfim saiu, Lula resolveu convidar Joaquim para acompanha-lo numa viagem presidencial a África. O novo ministro recusou. Não queria ser uma peça de marketing, explicou, numa entrevista a Roberto d'Ávila. Era uma referência desrespeitosa, já que a África foi, efetivamente, um elemento importante da diplomacia brasileira a partir do governo Lula, que ali abriu embaixadas e estabeleceu novas relações comerciais e diplomáticas.

De qualquer modo, se era marketing convidar um ministro negro para ir a África, por que não recusar a mesma assinatura da mesma autoridade que o indicou para o Supremo?

À frente da AP 470, Joaquim Barbosa jamais se colocou na posição equilibrada que se espera de um juiz. Não pesou os dois lados, não comparou argumentos.

Através do inquérito 2474, manteve em sigilo fatos novos que poderiam embaralhar o trabalho da acusação e que sequer chegaram ao conhecimento do plenário do STF – como se fosse correto selecionar elementos de realidade que interessam a denúncia, e desprezar aqueles que poderiam, legitimamente, beneficiar os réus. Assumiu o papel de inquisidor, capaz de tentar destruir, pela via do judiciário, aquilo que os adversários do governo se mostravam incapazes de obter pelas urnas.

Ao verificar que o ministro era capaz de se voltar em fúria absoluta contra as forças políticas que lhe deram sustentação para chegasse a mais alta corte do país, os adversários da véspera esqueceram por um minuto as desconfianças iniciais, as críticas ao sistema de cotas e todas políticas compensatórias baseadas em raça.

Passaram a dizer, como repete Eliane Cantanhede na Folha hoje, que Joaquim rebelou-se contra o papel de “negro dócil e agradecido.” Rebelião contra quem mesmo? Contra o que? A favor de quem?

Já vimos e logo veremos.

Basta prestar atenção nos sorrisos e fotografias da campanha presidencial.

MÍDIA - As calúnias da revista IstoÉ.


As calúnias da revista IstoÉ

Por Renato Rovai, na revista Fórum:


A revista IstoÉ desta semana traz uma suposta reportagem associando a revista Fórum a um bunker petista financiado pela prefeitura de Guarulhos para caluniar e difamar o senador Aécio Neves. A matéria pode ser lida aqui. Começa com um erro crasso de português no título. O jornalismo da revista escreveu “calunia”. Assim mesmo, sem acento. Talvez num ato falho, já que a matéria assinada por Josie Jeronimo e Raul Montenegro é de ponta a ponta caluniosa e difamatória. Uma peça feita sob medida e com dois objetivos claros.

O primeiro, intimidar os anunciantes da Fórum porque a enxerga como uma ameaça. IstoÉ não é hoje nem uma sombra do que foi no passado. Trata-se de uma revista em decadência que, segundo o Alexa, um dos sites que mensura audiência na internet, está simplesmente 12 mil posições atrás da Fórum no ranking global. Ou seja, já faz tempo que IstoÉ não tem prestígio, mas agora também não tem leitores. E por isso mesmo não deveria ter anúncios, mas eles ainda pululam em suas páginas, como o do Banco do Brasil, que joga dinheiro fora ao ter um banner patrocinando, por exemplo, a matéria que atacou a Fórum. Ou seja, com essa matéria, a IstoÉ se associa a O Globo que ligou para todos os nossos anunciantes fazendo perguntas intimidatórias há pouco mais de um mês. O segundo objetivo é criar uma peça jornalística que leve o Ministério Público a investigar as relações da Fórum com a prefeitura de Guarulhos.

Em relação ao primeiro objetivo, como editor e responsável pela publicação, não poderei ajudar o time do Alzugaray. Eles vão ter de se virar sozinhos. Continuaremos fazendo jornalismo relevante e respeitado e por este motivo nossa audiência tende a continuar crescendo. E isso provavelmente nos levará a cada dia a ter mais leitores do que IstoÉ, que certo dia já foi a segunda maior revista do Brasil. Aliás, a única informação correta da matéria da IstoÉ é a de que a Fórum tem aproximadamente 300 mil page views ao dia. É isso mesmo, são de 5 a 6 milhões de page views e mais de 2 milhões de leitores por mês. Algo que Isto É vai ter que comer muita arroz e feijão para ter.

Em relação ao segundo objetivo da família Alzugaray, serei generoso. Na segunda-feira, o departamento jurídico da Fórum vai ser acionado para ir ao Ministério Público, localizar se de fato há algum promotor nos investigando e, se houver, vamos entregar a ele o contrato de inserção publicitária com a Prefeitura de Guarulhos. O promotor não terá o trabalho de nos intimar. Mas vamos fazer mais. Fórum desafia publicamente IstoÉ a mostrar todos os contratos que a revista tem e teve nos últimos 11 anos com o governo de Minas Gerais (tempos de gestão tucana) e nós apresentaremos todos os contratos que Fórum teve nos últimos 14 anos (tempo de gestão petista) na prefeitura de Guarulhos. Simples assim.

IstoÉ não procurou ninguém da Fórum
Na matéria assinada por Josie Jeronimo e Raul Montenegro há o seguinte trecho: “ISTOÉ entrou em contato com o blogueiro (Eduardo Guimarães), com a revista “Fórum” e com a prefeitura questionando o montante pago em publicidade, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição”. Não posso responder pela Prefeitura nem por Eduardo Guimarães, mas Fórum não foi procurada pelos repórteres. Seria interessante que em nome da credibilidade que imagino eles devem querer resguardar, que apresentem provas de que me ligaram, enviaram e-mail ou que tentaram me acessar, por exemplo, pelo Facebook.

A revista também diz que Fórum “replicou a opinião de um blogueiro que insinua envolvimento do senador do PSDB com entorpecentes”. O artigo que IstoÉ faz menção é este de Kiko Nogueira, do Diário do Centro do Mundo (DCM). Não há nele nenhuma insinuação ao uso de drogas por Aécio Neves. Quem insinuou isso foi boa parte do Mineirão no jogo Brasil e Argentina, em 2008. E talvez também por isso a jornalista Letícia Duarte, do Zero Hora, tenha tratado do tema numa entrevista coletiva. O artigo de Kiko só faz uma reflexão sobre a oportunidade de se tratar deste tipo de assunto. E diz que perguntas como essa já foram feitas a Obama que as teria respondido de forma civilizada.

Não tem essa de quanto é…
Aécio já resolveu todos os problemas que tinha com a mídia tradicional e sabe que nada mais que lhe atinja será publicado nos jornalões. Mas ele também sabe que não terá espaço para fazer acordo de qualquer espécie com publicações como a revista Fórum. E por isso vai tentar nos calar inflando reportagens caluniosas e difamatórias como a da Isto É e ao mesmo tempo judicializando tudo que estiver ao seu alcance. Aviso ao senador, vai ter trabalho.

Fórum nasceu em 2001, antes de Lula se eleger presidente da República. E viveu duríssimos momentos em sua existência. Mas nem por isso deixou de fazer o jornalismo que acredita e julga necessário. E não será a prática coronelista de quem gosta de uma imprensa sabuja e aos seus pés, como é quase que totalidade da mídia mineira, que vai nos intimidar. Fórum e nem o seu editor tem medo de Aécio Neves. Ao mesmo tempo ele não será atacado (como nunca foi) de forma leviana em nosso veículo. Será criticado pelas suas posições políticas. E pelas ideias e práticas políticas que consideramos um atraso para o país.

Entre estas práticas, e esta reportagem da IstoÉ já deixa claro, é a da intimidação a veículos de imprensa que não lhe batem continência. Senador, não nos conhecemos pessoalmente, mas provavelmente na cobertura desta eleição venhamos a nos trombar. Serei respeitoso como sou com todos aqueles que entrevisto. Mas é bom que o senhor saiba que a Fórum não faz jornalismo na base das negociatas. Até por isso ninguém trata a nossa revista no mercado pelo sugestivo apelido de Quanto é. Com a Fórum, senador, o buraco é mais em cima.

GEOPLÍTICA - Eleições européias.


Eleições europeias: ceticismo ou crítica

Há pois um ceticismo crescente, mas politicamente muito heterogêneo sobre a Europa da austeridade que continua sendo um terreno de intensa disputa política


José Manuel Pureza
Arquivo

A agência de rating Fitch - uma das que, com uma exatidão impressionante, atribuíram notação máxima ao Lehman Brothers dias antes do seu colapso - tornou pública a sua avaliação dos resultados das eleições para o Parlamento Europeu. A conclusão é enfática: não houve uma "grande penalização eleitoral tendo em conta o nível de austeridade". E, como tal, para a rigorosa e desinteressada agência as eleições de domingo vieram "reforçar o mandato dos governos da periferia para as reformas".

Numa análise mais fina, a Fitch pronuncia-se sobre os casos de Portugal e da Grécia para afirmar que no caso português "a coligação PSD/CDS-PP (...) recebeu 28% dos votos, o que, para os notadores, é sinal de que a direita governamental não está "fora da corrida". E no caso da Grécia a Fitch sublinha que os 8% da coligação liderada pelo PASOK "deverá garantir alguma estabilidade à coligação governativa no curto prazo".

Justiça seja feita à agência de rating: diz ao que vem. E mostra lealdade aos seus peões no terreno da governação europeia. Para estes suportes da política de austeridade que tem devastado a Europa, tudo deve ser feito para dar suporte político, por agora ao centro, à continuação da política de transferência de rendimento do trabalho para o capital. Estão pois confirmados os encarregados de conduzir as próximas fases da liberalização econômica e da implosão social na Europa: serão os liberais e os sociais-democratas, em combinações de geometrias diversas.

É essa definição que faz as lideranças de Bruxelas ensaiar o discurso em que a vitória do Syriza na Grécia ou da Frente Nacional em França são "vitórias dos extremos". Tudo quanto não é centro é extremista, truque simples: a política conduzida pelo centro é ela mesma extremista e causadora consciente de uma hecatombe económica e social sem precedentes na história da União Europeia.

Esta estratégia da confusão, que mistura o que é politicamente oposto para traçar uma fronteira de um centro mais pequeno e mais entrincheirado, recorre à qualificação retórica de "eurocéticas" de todas as forças que não se reveem no caminho seguido pela integração europeia desde Maastricht e da criação da moeda única nos termos que são conhecidos. A terminologia não é ingénua: o rótulo de eurocético traz consigo a acusação implícita de se ser contra a Europa porque, num outro implícito mais subtil, só haverá um modo de se ser verdadeiramente amigo da Europa: alinhar com as políticas de austeridade determinadas por uma União Económica e Monetária deliberadamente assente em regras de destruição do modelo social europeu.

O que as eleições de domingo disseram foi que, na verdade, a crítica a este modo de ser político e económico da União Europeia cresceu. Mas cresceu com sentidos politicamente muito diversos. A vitória do Syriza na Grécia é uma vitória de uma esquerda que luta tenazmente contra a austeridade e, em simultâneo, por uma solidariedade europeia contra o uso das dívidas como armas de punição das periferias internas da União. Está nos antípodas da ascensão de forças que fazem da xenofobia ou da nostalgia nacionalista o seu suporte discursivo essencial.

Há pois um ceticismo crescente, mas politicamente muito heterogêneo sobre a Europa da austeridade. Que as agências de rating e as instituições europeias não queiram saber das suas causas e anunciem a perpetuação do centrão como seu desígnio político principal e insistam em dar-lhe como mandato essencial o cumprimento do tratado orçamental é algo que faz antecipar turbulência acrescida na política europeia. A Europa continua a ser um terreno de intensa disputa política, em todas as escalas que ela inclui, agora mais que antes. Esse é um desafio irrecusável.

 
(*) Artigo publicado originalmente no Diário de Notícias, de Portugal.

POLÍTICA - Que saudade da era FHC!

Filme (mudo) de horror. Vão censurar?

  Autor: Fernando Brito
comercial
O João de Andrade Neto, editor do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, deveria cobrar um chope do marqueteiro do PT, João Santana.
É que ele deixou pronto o roteiro de imagens – não é preciso palavras – para um “comercial” do PT que eu gostaria de ver a Ministra Laurita Vaz, do TSE, censurar.
É uma “recortagem” fotográfica da mídia.
Um filme de terror.
Para proibir este, só se o PSDB apelar para a censura etária, exigindo que só seja passado de madrugada, sem as crianças na sala.
Porque, de fato, é imoral.
Esse, sim, deveria exigir o carimbo de “avisado” que tanta polêmica causou.
Carimbado no título eleitoral…




PRIVATARIA










QUALIDADE DE VIDA







ESCÂNDALOS



FMI




ECONOMIA






POLÍTICA - "Eduardo Campos é uma farsa perigosa"

Janio de Freitas: Eduardo Campos é uma “farsa perigosa”

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Reproduzo o texto do Fernando, publicado no Tijolaço, apenas para ter a oportunidade de dar um título mais forte, porém mais condizente com o texto de Janio de Freitas, que não tem papas na língua ao acusar a candidatura de Campos de ser uma farsa. Uma “farsa perigosa”.
De fato, é incrível que Campos, tendo o avô que teve, e sendo presidente de um partido “socialista”, chancele o argumento de que a anistia valeu para “ambos os lados”. Ora, ele poderia ter dito apenas que não é o momento de “reabrir feridas”, ou qualquer desculpa esfarrapada, porém, decente. Ao mencionar “ambos os lados”, Campos usou um argumento da extrema-direita, e isso não é desculpável num neto de Miguel Arraes!
*
Janio a Eduardo Campos: “qual foi o crime de seu avô?”
Por Fernando Brito, no Tijolaço.
A pergunta cortante é do mestre Janio de Freitas, sobre a prática contumaz da hipocrisia em que vem se especializando o candidato do PSB, Eduardo Campos, que danou a dizer só o que agrada o conservadorismo.
Poderia, sem dificuldade, ter dito que essa é uma decisão que a Justiça terá de tomar, sobretudo agora que lhe são apresentados, concretamente, casos escabrosos como o da tortura, morte e ocultação do cadáver do deputado Rubens Paiva e do atentado do Riocentro.
Mas preferiu se lambuzar dizendo que é contra o reexame das responsabilidades por crimes de lesa-humanidade.
O discurso do “revanchismo” é apenas dos que o usam para ocultar, também, a verdade.
Atividade na qual Campos vem se mostrando dedicado aprendiz.

Muito à vontade

Janio de Freitas
A definição de Eduardo Campos contra qualquer mudança na Lei da Anistia, para possível punição legal de criminosos da repressão, divide-se em duas partes bem distintas. Na primeira, o pré-candidato à Presidência adota o chavão dos militares acusados de tortura, assassinatos e desaparecimentos: “Acho que a Lei da Anistia foi para todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche”. Na segunda, Eduardo Campos reforça, por um dado pessoal, a sua identificação com aqueles militares: “Falo isso muito à vontade porque a minha família foi vítima do arbítrio”.
Uma das maiores vítimas imediatas do golpe em 1964 foi Miguel Arraes, então governador de Pernambuco. Retirado do palácio sob a mira de armas, Arraes foi preso e, depois dos maus-tratos esperáveis, deportado para a ilha de Fernando Noronha como prisioneiro sem condenação e sem prazo. Quando, afinal, pôde voltar ao continente e à vida civil, a iminência de nova prisão levou-o a asilar-se e daí ao exílio.
Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes. Por isso diz estar “muito à vontade” quando subscreve o pretexto da “anistia para os dois lados”. Nas duas condições, está, portanto, desafiado a indicar os crimes de que seu avô foi anistiado. Os crimes cuja anistia justifica, no que lhe cabe, a anistia do lado dos que o prenderam depois de o derrubarem do governo conquistado pelo voto e exercido com o que sempre se achou ser impecável dignidade.
No exterior, residente na Argélia e depois na França, Arraes integrou a oposição ativa à ditadura brasileira. É possível que, do ponto de vista de Eduardo Campos, oposição ao regime dos generais ditadores fosse prática criminosa, como os próprios consideraram. A identificação de Eduardo Campos com o pretexto usado pelos militares reforça tal hipótese. A ser assim, porém, sua pretensão a concorrer à Presidência de um regime democrático não poderia ser vista senão como farsa. Farsa perigosa, como sugerem as identificações que exibe.
Não menos sugestivo é que esse mesmo Eduardo Campos integra, com os seus conceitos, o Partido Socialista Brasileiro. Vê-se que aprecia essa coisa de “para todos os lados”. Mas, se não tem fatos a narrar que justifiquem a anista de Arraes como compensação para a anistia do “outro lado”, então Eduardo Campos está manchando a história de um homem honrado. Da qual e do qual até agora só tirou proveito: sem ambas, não se sabe o que seria, mas por certo não teria sido o que já foi e não seria o que é.
Marina Silva + Eduardo Campos = Direita ao quadrado
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