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quarta-feira, 31 de julho de 2013

MÍDIA - O cerco informativo ao governo Dilma.

O governo federal está encurralado no cenário político nacional em matéria de estratégias de comunicação e informação, numa situação que pode ter reflexos diretos na campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 2014.
A imagem pública da presidente Dilma Rousseff foi desconstruída ao longo de um processo em que a imprensa teve um papel relevante, e que começou já há bastante tempo. Trata-se de um processo onde a construção ou desconstrução da forma como o público vê um político tem mais a ver com percepções do que com evidências. É como no famoso dito de que, em política, as versões são mais importantes do que os fatos.
Dilma hoje está sendo julgada mais pela imagem que a imprensa, a oposição partidária e os desafetos presidenciais no Poder Judiciário construíram em torno da presidente do que pelos feitos de seu governo. Entre a imagem e os feitos há uma considerável diferença – e os eventuais benefícios factuais capazes de ser capitalizados por Dilma estão sendo pulverizados pelos efeitos devastadores do encurralamento comunicacional e informativo.
O governo federal está claramente na defensiva porque a estratégia comunicacional dos adversários de Dilma logrou associar sua gestão à incerteza econômica ao supervalorizar processos como a inflação, queda do PIB, declínio da atividade econômica e redução do superávit na balança comercial. São todos fenômenos muito condicionados pela situação econômica internacional, mas foram apresentados como exclusivamente domésticos para associá-los a uma imagem de má gestão.
A onda de protestos de rua, em junho, confundiu o panorama político e ameaçou tirar Dilma do clinch político-partidário. [Clinch é o jargão usado no boxe para definir uma situação em que um lutador se abraça ao adversário para impedi-lo de continuar atacando.] Ela até que tentou retomar a iniciativa com a proposta de plebiscito, da reforma política, aumento das verbas para a educação e o envio de médicos para o interior. Mas faltou ousadia para romper com o fantasma da governabilidade. Para concretizar a sua estratégia destinada a encampar o clamor das ruas, a presidente tentou ganhar apoio parlamentar – e foi aí que ela se perdeu.
Negociar com políticos e candidatos em véspera de eleições é a forma mais segura de emascular uma proposta política que altere o status quo, especialmente quando se trata de acabar com privilégios e aberrações da atividade parlamentar. Surgiu uma aliança informal entre políticos e magistrados do Supremo Tribunal Federal com o apoio corporativista dos médicos que transformou em fumaça o projeto emergencial do governo.
Para romper o cerco, a presidente tem as redes sociais na internet como provavelmente a única alternativa para desenvolver uma nova estratégia de comunicação política. Mas essa opção exige uma considerável ousadia porque implica meter-se num ambiente informativo com regras e procedimentos bem diferentes dos usados habitualmente pelos altos escalões do governo.
Uma aposta nas redes sociais virtuais permitiria ao governo prescindir da imprensa como mediadora na relação com os cidadãos. Mas para tentar essa estratégia, a presidente teria que abrir mão da busca da tal governabilidade e da barganha de ministérios com partidos políticos. Poderia governar como pediam os participantes dos protestos de rua, em junho. Seria uma jogada de altíssimo risco.
Os desafetos da presidente não têm muita intimidade com o uso dos mecanismos digitais. Deputados federais, senadores, magistrados e até mesmo a imprensa preferem os métodos tradicionais de comunicação, embora eles se distanciem cada vez mais das ferramentas virtuais adotadas pelos jovens que saíram às ruas para exigir um país diferente.
Os riscos da opção estratégica pelas redes sociais são consideráveis. Primeiro, porque o governo teria que conviver com um forte criticismo de um segmento importante da blogosfera. A internet é muito mais transparente que a imprensa convencional e isso faz com que o debate político siga caminhos bem diferentes dos usuais. A convivência com xingamentos e acusações passa a ser uma necessidade porque o objetivo é o conjunto das opiniões e não a de um indivíduo isolado.
Nem pensar em controlar os comentários porque isso seria imediatamente associado à censura, o que anula qualquer eventual efeito positivo da presença online do governo federal. Além disso, uma estratégia online do Planalto exigiria uma profunda reciclagem comunicacional da cúpula do governo, que é tão conservadora em relação à internet quanto a oposição.
A aposta é arriscadíssima, mas a presidente está na posição de se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

POLÍTICA - E a oposição, como anda?

 
O PSDB está dividido e sem rumo; José Serra deixa claro que será candidato, Aécio Neves já lhe desejou boa sorte publicamente. Em São Paulo, só se salvam ainda pelo apoio da mídia que esconde o escândalo do cartel da Siemens no Metrô. Um escândalo maior que o próprio escândalo tucano, que a revista IstoÉ sozinha tem noticiado, apenas reproduzindo o que expõem as investigações e os documentos da própria Siemens, que colabora com a Justiça.

São denúncias gravíssimas de corrupção durante mais de 20 anos nos governos do PSDB, desde Mario Covas até hoje. Isso sem falar no mensalão, expressão mentirosa e inventada, mineiro que está para ser julgado no Supremo Tribunal Federal.


O PPS vive sua encruzilhada, sem votos. Satélite do tucanato, e agora do serrismo, vê sua fusão casuística, eleitoreira e oportunista com o PMN naufragar, já que esse partido não concorda com a decisão do PPS de aguardar a decisão do STF sobre a consulta do PSB, com medo de perder parlamentares.


A consulta é sobre se o parlamentar pode mudar de partido sem incorrer em infidelidade partidária. Claro que não pode, a não ser que o Supremo queira rasgar suas próprias decisões, como já fez no caso do PSD.


Já a Rede, de Marina Silva, até agora não conseguiu as tão faladas assinaturas para registrar o partido e ainda depende da conferência das assinaturas pela Justiça Eleitoral. Aliás, como todos os outros partidos, nada de novo, mesmo que a Rede queira exigir – isso mesmo – rapidez da Justiça Eleitoral.


Aos poucos, a maioria da direção, chamada de conselho, da organização liderada por Marina Silva vai adotando posições contrárias às da candidata – sobre aborto, drogas, homossexuais, doações de empresas e bancos e por aí vai –, projetando uma candidatura em contraposição a um programa partidário, experiência que já vivemos no Brasil e que nunca acabou bem.


Por fim, temos o PSB e a candidatura de Eduardo Campos entre ser governo e oposição... Ao mesmo tempo
.

SAÚDE - Onde estavam as entidades médicas até agora?




Uma parte dos médicos de 18 Estados e do Distrito Federal interrompeu o atendimento ontem em protesto contra o programa Mais Médicos e os vetos da presidenta Dilma Rousseff ao Ato Médico, que regulamenta o exercício da profissão. Hoje, estão programados atos em 22 Estados, incluindo São Paulo.

Já deixamos claro aqui a importância do Mais Médicos, que vai aumentar o número de profissionais no SUS, além de humanizar sua formação. A insatisfação de parte da classe médica se explica pelo corporativismo, que passa longe dos interesses da população.

Onde estavam essas entidades e médicos grevistas quando a CPMF foi rejeita pela oposição no Senado e quando lutávamos por 10% do Orçamento para a Saúde? Ou quando o SUS era sucateado e terceirizado por governadores? Por que só agora resolvem sair às ruas?

Não saíram às ruas quando, na virada de 2007 para 2008, a CPMF foi derrubada mesmo com toda a receita indo para a saúde, para os Estados e os municípios. E com a redução progressiva da alíquota.

Além disso, a CPMF continuaria como um dos mais eficientes instrumentos de combate à sonegação fiscal já feitos no país. Ela permitia cruzar os dados da movimentação financeira e bancária com a declaração de renda e patrimônio. Esta, aliás, foi a verdadeira causa de a oposição ter ficado contra a CPMF.

E mais: por que se calaram quando o governo FHC privatizou boa parte do atendimento à Saúde, relegando o SUS ao segundo plano? Afinal, lutam pela Saúde ou pela categoria?

MÍDIA - Uso sem pudor da mídia para a luta política.



Escândalo no metrô e o uso sem pudor da mídia para a luta política

Como bem lembra uma reportagem do Brasil 247 , o escândalo da Siemens no metrô de São Paulo indica o mesmo “modus operandi” do escândalo envolvendo a Alstom, cujos executivos confessaram ter distribuído propinas de US$ 6,5 milhões a gente da administração estadual de São Paulo, em troca de um contrato de US$ 45 milhões para a expansão do metro, entre 1998 e 2001.

Na Suíça, nos Estados Unidos e no Zâmbia, já houve punições contra a empresa. No Brasil, nada ainda, apesar das provas já colhidas.

Mas, na grande imprensa, nenhum desses dois casos de corrupção parece chamar atenção. Eles são e foram praticamente ignorados. Omissão da mídia, censura autoimposta pelos donos dos meios, cumplicidade dos jornalistas que se calam? Onde estão os mercais doras e mirians?

Esses casos representam o uso sem pudor da mídia para a luta política e a cumplicidade com a corrupção assumida pelas empresas corruptoras. Onde estão os corruptos nos dois casos? Quem são? Estão nos autos que a imprensa oculta e censura do leitor, do cidadão.

Caso Alstom

O Brasil 247 relata que, na Suíça, a Alstom pagou à Justiça US$ 43,5 milhões para suspender o processo no qual era acusada de corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil.

Nos Estados Unidos, em abril deste ano, um executivo da Alstom foi condenado à prisão por corromper funcionários públicos. Na Zâmbia, a multi teve de devolver US$ 9,5 milhões e ser punida com três anos de exclusão de licitações do Banco Mundial.

A reportagem diz que ambos os escândalos – Alstom e Siemens - indicam um mesmo modus operandi, “pelo tradicional sistema de garantia de vitória em licitação, superfaturamento de preço e sobra para pagamentos às pessoas certas. O primeiro caso remete diretamente para o segundo. Praticados os dois na longa gestão tucana ininterrupta de 18 anos no Estado. Todo o primeiríssimo comando do partido estava cacifado por cargos”.

CPTM

Ontem, um trem da Linha 7-Rubi descarrilou entre as estações Pirituba e Piqueri, em São Paulo. É um outro caso escondido nas páginas dos jornais e no noticiário. O descalabro da CPTM e a incúria tucana, ineficiência e incompetência juntas no mesmo governo...

  

MPL - Contra o propinoduto tucano.


Passe Livre volta às ruas em 14 de agosto contra propinoduto do tucanato paulista

publicado em 31 de julho de 2013 às 11:13
MPL calcula que passagem custaria R$ 0,90 se dinheiro supostamente desviado em governos do PSDB fosse aplicado no transporte. Foto: Mídia Ninja
por Igor Carvalho, da Revista Fórum, via Brasil de Fato, sugestão de Igor Felippe
O Movimento Passe Livre anuncia que no dia 14 de agosto voltará às ruas. O grupo irá realizar uma manifestação em parceria com o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, por conta do propinoduto esquematizado nos contratos para as obras do Metrô, que pode ter desviado R$ 400 milhões dos cofres públicos. O caso, ocorrido em gestões do PSDB, foi denunciado pela multinacional Siemens.
“Nossa posição é que é um absurdo que o dinheiro público esteja sendo desviado do transporte. São mais de R$ 400 milhões desviados, isso daria para reduzir a tarifa a R$ 0,90”, afirma Matheus Preis, militante do MPL-SP.
A manifestação do dia 14 de agosto ainda não tem um local definido. No dia 6 de agosto, o MPL vai divulgar, em parceria com os metroviários, uma carta à população, informando o local do protesto.
Entenda o caso
A denúncia parte do recente acordo feito pela multinacional alemã Siemens com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no qual, em troca de imunidade civil e criminal, a companhia revelou como ela e outras empresas se articularam para formar cartéis que atuavam nas licitações públicas do setor de transporte sobre trilhos. Mesmo sendo alvo de investigações desde 2008, as empresas envolvidas continuaram a disputar e ganhar licitações.

POLÍTICA - Aécio está nervoso.

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Ok, funcionou.

A falta de clareza do governo Dilma, sua abulia comunicativa e a escolha errada dos canais de contato com a população deixaram terreno para que as manifestações de rua – que começaram com a questão local, o aumento das tarifas de transporte – se generalizassem, com a ajuda luxuosa dos governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral, que mandaram descer o porrete nas pessoas e da mídia, que logo transformou “coxinhas” como o da Veja em heróis da pátria.

E a popularidade de Dilma pagou um preço por isso, seria estúpido negar.


Como pagou um preço pela inapetência de seus auxiliares por qualquer confronto: a Presidenta ligava a tração nas quatro rodas e sua caixa de marchas política – José Eduardo Cardoso, Michel Temer, Aloísio Mercadante e outros – engatavam imediatamente a marcha-à-ré.

Tudo muito bem, tudo muito bom, mas…

Acontece que Aécio Neves continua parado na “Lei Seca” da política, com o porre de Fernando Henrique Cardoso a embaralhar-lhe os movimentos.

Ao ponto de o insuspeito Estadão dizer, sexta-feira, que “o que se mais comentou no mercado financeiro após as últimas pesquisas de opinião foi o fato de o senador Aécio Neves (MG), possível candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, não ter decolado nas intenções de voto após as manifestações populares de junho, ficando bem atrás até da ex-ministra Marina Silva”.

Aécio, considerado o candidato mais “amigável ao mercado” (eles falam market friendly, bacana, né?) está se saindo uma decepção para a “turma da bufunfa”.

Talvez isso explique porque a tucanagem – e ele, especialmente – esteja tão agitada, a ponto de falar asneira sobre asneira.

O que ele usou como argumento para dizer que a presidente Dilma Rousseff “zomba da inteligência dos brasileiros” ao comparar os dados de seu governo com os do ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso é, francamente, coisa de quem faltou às aulas de matemática.

Diz ele, lá no Estadão de hoje:

“Para o tucano, o raciocínio da petista é incorreto porque “trata apenas de números absolutos, ignorando as gigantescas diferenças entre as conjunturas das duas épocas”.

Bom, como a conjuntura mundial é de crise profunda, vamos falar dos números absolutos colocados no pròprio jornal:

“Na entrevista, Dilma afirmou que, em 30 meses de seu governo, foram criados 4,4 milhões de empregos no País, ante 824.394 novos postos de trabalho em todo o primeiro mandato de Fernando Henrique”.

Logo, mesmo desconsiderando que ainda faltam 18 meses para Dilma completar tempo igual, já se criou um número de empregos “apenas” 434% maior.

A segunda comparação feita por Dilma é mais cruel ainda com a falta de raciocínio matemático de Aécio: a presidenta disse que a meta inflacionária será cumprida pelo décimo ano consecutivo e que FHC a “estourou” em três dos quatro anos de seu segundo governo. Como inflação é taxa, é percentagem, não há que falar em “números absolutos”…

O senador mineiro, além do mais, não tem do que reclamar. Quem andou se exibindo pendurado no “estorvo” foi ele mesmo, esquecendo que o povo conhece aquela máxima do “dize-me com quem andas e te direi quem és”…

INTERNET - As tres batalhas da Internet

As três batalhas de internet

por Informação Incorrecta

 Com um número de utilizadores que atinge o total de 2.5 biliões (um terço da população mundial),
internet já não pode ser considerada uma realidade virtual: pelo contrário, é algo bem presente, bem real.

Estaremos no limiar de uma cyber-sociedade global? Provável.

No entanto, ainda existem algumas diferenças entre o mundo real e aquele virtual: no virtual há poucas regras que determinam a atitude e a maneira de agir. E isso causa problemas e até algumas lutas ferozes, como no caso da guerra entre a China e os Estados Unidos sobre a actividade dos hackers ou as revelações feitas por Edward Snowden.

Os EUA têm procurado dominar a opinião pública, aproveitando a extrema complexidade da segurança informática e da imprecisão das suas regras: conhecemos o Programa Prism, as técnicas de controle que têm como alvos potenciais todos os cidadãos.

Então, qual é a verdadeira natureza do mundo virtual?
Não é simples responder: internet continua a ser algo "indefinido", a maioria dos Países não controla a sua própria rede virtual. A sensação é aceder à internet signifique entrar numa espécie de "universo paralelo", onde é possível navegar entre um oceano de informação, dar a volta ao mundo simplesmente com rato e teclado. E na maior parte dos casos é assim, de facto. No entanto, são possíveis algumas distinções.

A guerra da segurança da informação é jogada em três níveis. O primeiro nível é a batalha pela opinião pública, o segundo nível é o mercado das infra-estruturas de Internet, o terceiro nível é constituído pelas informações entre as Nações.

A batalha pela opinião pública

A batalha em volta da opinião pública tem com objectivo ganhar o apoio das pessoas desfrutando as notícias. Os EUA, por exemplo, tiram proveito da posição dominante nos meios de comunicação para descrever a China como um promotor da guerra informática. Argumentam que os ataques virtuais partiram de hackers chineses, que actuam com o apoio do governo de Pequim.

Verdade? Pode ser (e provável também). Mas não deixa de ser curiosa a fonte do alarme: os EUA são o mesmo País que vasculha os e-mails dos seus cidadãos e, ao mesmo tempo, mantém sob-controle as conversas dos seus aliados. Isso sem esquecer o episódio do vírus Stuxnet lançado contra o Irão.

O facto é que governos perceberam rapidamente o potencial de internet para controlar a opinião pública: e implementaram as medidas já utilizadas no âmbito de outros meios de comunicação (televisão, imprensa...).


A batalha para o mercado das infra-estruturas de Internet

As principais infra-estruturas da rede mundial de computadores, como os servers root e root DNS, estão localizadas nos EUA e ficam sob o controle do governo dos EUA. Os principais fornecedores das infra-estruturas de Internet são na maioria empresas norte-americanas como a Cisco, Intel, Microsoft, Apple e Google.

Isso deve obrigar a reflectir. Por exemplo, acerca da informação alternativa: é lícito pensar que os EUA trabalhem para a sua própria destruição, hospedando as mais importantes infra-estruturas utilizadas pelas pessoas que pretendem desvendar as obscuras tramas de Washington?

Aparentemente a resposta é "sim". O que não deixa de ser curioso.


A batalha de informações entre os Países

Os Estados Unidos têm atribuído grande importância ao campo da batalha da informação e são o primeiro País a ter concluído um projecto ao mais alto nível neste sentido. A estratégia da segurança da informação fica directamente sob a orientação do Presidente dos EUA e esta abordagem integrada fortalece ainda mais a posição dos americanos no mundo virtual.

Outras potências, incluindo a China, não têm um projecto semelhante, com a mesma estrutura hierárquica, ou pelo menos ainda não conseguiram implementa-lo na integra.


Washington, portanto, representa até hoje o principal jogador no âmbito virtual. Mas é provável uma mudança no médio e no longo prazo.

Pequim, por exemplo, tenciona desenvolver uma estratégia defensiva de segurança informática e elaborar um plano de alto nível que acompanhe o seu desenvolvimento potencial. Se o controle até a data é praticado no interior dos próprios confins (com a censura que atinge os utilizadores chineses), no futuro é lícito esperar uma atitude mais "ofensiva", que tente influenciar o mainstream global.

No longo prazo, irá emergir como um dos líderes no espaço virtual e constituirá cada vez mais uma ameaça à cyber-hegemonia dos Estados Unidos: a China terá as suas Google, Intel, Microsoft...com relativas infra-estruturas.

A Rússia parece partir duma posição atrasada nesta corrida: isso enquanto não são visíveis outros jogadores "de peso" no horizonte (dado que israel é aqui considerada como parte integrante da estratégia de Washington).

Os tempos nos quais as guerras eram combatidas só com as espingardas estão cada vez mais afastados.


Ipse dixit.

Fonte: a fonte deste artigo é um aprofundamento de Fang Xingdong, presidente da Internet and Society Research Center da University of Media and Communications de Zhejiang. O original em chinês pode ser encontrado neste link, enquanto a versão traduzida para o inglês está disponível no site China.org.
http://informacaoincorrecta.blogspot.com.br/2013/07/as-tres-batalhas-de-internet.html#more

SAÚDE - O álcool de frutas cítricas usado no tratamento do câncer.

O Álcool de Frutas Cítricas Usado no Tratamento do Câncer
Glioma Blog | Clóvis Orlando da Fonseca e Thereza Quirico-Santos | 26/06/2006

Pesquisadores inovam no tratamento de tumor com álcool de frutas cítricas

“O álcool perílico (AP) é um lipídio presente como óleo essencial nos vegetais, sendo responsável pelo aroma e oleosidade das frutas (cítricas), folhas como couve, hortelã, salsa, aipo, coentro, agrião, alho poró e sementes (ex. cereja).
Essa substância tem propriedades importantes na regulação do ciclo celular (controle de como as células se reproduzem); ativação do sistema de morte celular por um processo conhecido como apoptose, que não é lesivo para as outras células e estruturas vizinhas, e inibição da angiogênese e da migração celular, bloqueando a formação de metástase.
Desde o início da década 90, o álcool perílico vem sendo utilizado nos Estados Unidos, no tratamento de pacientes com câncer em estágio terminal.
Os resultados foram bastante promissores, tanto que foram autorizados estudos clínicos fase II (com seres humanos) mais amplos.
Contudo, como o AP era administrado pela via oral, causava transtorno no metabolismo além de também causar efeitos adversos, como náuseas e um quadro de dislipidemia.
Na administração pela via oral, o AP é metabolizado (absorvido) no fígado, mudando para outra forma química, exigindo utilização de doses elevadíssimas. Trabalhos do nosso grupo mostraram que o AP tinha efeito inibindo o crescimento de células tumorais de origem no sistema nervoso.
Idealizamos então administração pela via inalatória para que o acesso fosse direto no sistema nervoso e com maior difusão nas mucosas (células que revestem a parte interna do nariz), ativando o sistema imune (importante nos tratamentos de câncer) e evitando a metabolização no fígado.
A via inalatória atinge de modo bastante eficiente o sistema imune associado a mucosa e o sistema nervoso inibindo a proliferação de células anormais.
No protocolo de administração do AP pela via inalatória levamos em consideração o ciclo celular.
Nas células normais cada ciclo de proliferação ocorre aproximadamente a cada 12-18hs, enquanto nas alteradas (do tecido tumoral) o tempo é muito curto (6-8hs). Baseado nestes dados foi sugerido a administração do AP 4x ao dia.
Também sugerimos que fosse feito afastado das refeições, adequando o horário às atividades cotidianas, porém levando em consideração o ciclo celular e a distância entre as refeições.
Atualmente sabe-se que o crescimento tumoral é facilitado pela inflamação, oriunda da necrose (morte) das células tumorais.
Com isso há formação de edema (inchaço) no local, ou seja, a retenção de líquido com fatores de crescimento que aumentam a proliferação celular, inibem os genes supressores (que podem ajudar a conter o câncer), ativam a formação de vasos sanguíneos alterados (neoangiogênese) favorecendo o crescimento do tumor e a metástase.
Portanto, uma estratégia de controle do crescimento tumoral desordenado seria reduzir o mais possível a inflamação e o edema.
A prescrição de antiinflamatórios do tipo esteroidal (decadron) corticosteróide, visa diminuir a inflamação e o edema local, só que essa droga é um imunossupressor (deprime a imunidade) muito potente, levando o indivíduo a desenvolver infecções oportunistas geralmente com evolução grave.
Uma proteína plasmática (albumina) presente em concentração alta no plasma e fluidos biológicos (líquidos do organismo) tem como uma função importante regular a distribuição de líquido no organismo, regulando a pressão osmótica e oncótica.
Nos processos com grande proliferação celular (ex: câncer, infecção) a concentração das proteínas plasmáticas e principalmente albumina fica bastante reduzida, sendo este um fator de prognóstico importante.
Neste protocolo de utilização do álcool perílico solicitamos aos pacientes que tenham uma dieta adequada de modo a repor os fatores (nutrientes) que estão sendo consumidos pela proliferação tumoral.
Sugerimos que diariamente seja preparado, pelo menos uma vez ao dia, um suco de frutas, com cenoura ou beterraba e uma folha de couve crua e adicionando uma colher de sobremesa de albumina em pó sem sabor. No almoço ou jantar uma sopa ou caldo de legumes, com uma carne e adicionado antes de bater no liquidificador um dos vegetais que são muito ricos em derivados do álcool perílico: salsa, agrião, hortelã, coentro, aipo, brócolis ou alho poró.
Temos evidências que o AP ativa o sistema imune, especialmente das células citotóxicas naturais que controlam de forma eficiente a proliferação de células alteradas e infectadas por vírus, ou outros parasitas. Gostaríamos de lembrar que o sistema imune é muito sensível às influências dos hormônios do estresse, que inibem atividade das células citotóxicas naturais, muito importantes no controle anti-tumoral.”“.
Para terminar este artigo cito novamente o texto escrito pelo Professor Cid Buarque de Gusmão, cujas opiniões eu partilho e endosso:

“Ainda temos um longo caminho a percorrer no tratamento dos gliomas cerebrais. Porém, qualquer avanço só será alcançado através dos estudos clínicos. Devemos, assim, encorajar nossos pacientes a participar dos estudos em andamento. Como médicos, deveríamos fazer um esforço conjunto, na criação de grupos nacionais de tratamento e pesquisa de patologias como essa, onde o sucesso só será alcançado através do esforço conjunto. Enquanto isso, devemos encorajar e comemorar pequenas vitórias como esta.” (2)
Referências:
(1) Cid Buarque de Gusmão - Diretor do Centro de Oncologia do Hospital 9 de Julho, São Paulo, SP. Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, AmericanSocietyofClinicalOncology, EuropeanSociety for Medical Oncology. Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (1998-2001). Presidente da Sociedade Paulista de Oncologia Clínica (1998-1999).
(2) ArquivosBrasileiros de Oncologia pg 85-92, setembro de 2005.
(3) What progress has been made in surgical management of patients with astrocytoma and oligodendroglioma in Australia over the last two decades? Smith SF, Simpson JM, Sekhon LH. Department of Neurosurgery, Royal North Shore Hospital, St. Leonards, NSW Australia.

ECONOMIA - Globalização e liberalismo


Globalização, liberalismo e a instabilidade mundial



Por Assis Ribeiro
 
Globalização e liberalismo

A instabilidade mundial é fruto da globalização e do liberalismo. Começa com as grandes invasões, que os livros de história preferiram chamar de grandes descobertas, e com a revolução industrial (mesmo com raízes anteriores). As promessas de um mundo melhor, mais justo, equilibrado e democrático não foram alcançadas pelo modelo e as populações começam a se rebelar.
No Brasil

Desde que fomos invadidos pelos portugueses nossas riquezas são remetidas para o exterior, como brilhantemente expõe o escritor Eduardo Galeano no belíssimo livro "As Veias Abertas da América Latina".

Para suprir necessidade, cada vez maior, de se extrair com trabalho árduo as nossas riquezas naturais e frustradas as tentativas de submeter os nossos índios,importamos um enorme leva de escravos.
Assim, se solidifica a famosa "casa grande e senzala", criando uma pequena e poderosíssima elite e uma enorme população de escravos, uma estratificação sólida e que de certa forma se mantém até os dias atuais, dificultando avanços democráticos. 
Com a revolução industrial, continuamos a remeter ao estrangeiro nossas matérias primas sem valor agregado para que alimentasse a indústria de outros países enquanto as matérias processadas retornavam com valores muito mais caros.
A indústria estrangeira precisando de consumidores e trabalhadores em suas fábricas forçam a libertação dos escravos para que se tornem consumidores e trabalhadores nas fábricas. Com o aumento da produção e necessidade maior de consumidores a Inglaterra força o Brasil a libertar os seus escravos, enfim, fomos os últimos a fazê-lo.
Com a saturação dos polos industriais e o desenvolvimento de tecnologias que tornaram as fábricas obsoletas, inicia-se mais fortemente a chamada globalização, onde as indústrias exportavam as suas já vencidas máquinas para os países periféricos.
Fábricas chegam ao Brasil com seus maquinários ultrapassados, e entre os principais objetivos estava a necessidade constante de importação de peças, na realidade recebíamos montadoras, e os lucros remetidos para as matrizes, dificultando o desenvolvimento de uma tecnologia nacional.
Tentativas de quebrar o modelo
Continuamos com uma elite arcaica que visa o lucro pessoal e que pouco se  importa com o desenvolvimento do Brasil, já que o nosso imenso território, as excelentes condições geográficas, proporcionam altos lucros com poucos esforços na procura de avanços tecnológicos.
Enquanto a nossa indústria continua afundada, nos vangloriamos do nosso PIB ser sustentado pelo agronegócio e a indústria de automóvel. Não é possível sermos um pais de grande frota de automóveis sem uma empresa nacional e continuar exportando commodities.
Algumas formas de se modificar esta dependência internacional e o "status quo" da nossa elite foram tentadas, mas terminaram esbarrando no poder que as nossas elites tem, sempre atuando em parceria com a estrangeira, como os parágrafos acima remetem.
Não se mudará esta condição sem reformas estruturais.
A tentativa mais ousada se deu com a tentativa de se implementar as famosas reformas de base  por Goulart, que por propor mudanças radicais na estrutura que sempre beneficiou a elite, brasileira e suas parceiras estrangeiras, e isso em plena guerra fria, não poderia ter consequência diferente da do que ocorreu.
As que mais assustaram os detentores do "status quo":

1) Restringir a remessa de lucros do capital estrangeiro, com o provável objetivo de obrigar que os grupos nacionais e estrangeiros reinvestissem o lucro por aqui.

2) Reforma agrária, provavelmente visando diminuir os grandes latifúndios, origem da nossa "casa grande e senzala", e para mim motivo principal da baixa industrialização do país pelos motivos expostos nos parágrafos anteriores.

Esses dois pontos são debatidos até hoje, a reforma agrária internamente pois somos um dos poucos países democráticos que não a implementamos de maneira mais efetiva.

A restrição de remessas de lucros, e similares,  ganha foro internacional na atualidade pela forma extremamente  volátil do capital que se transfere a qualquer momento de um lugar para outro, provocando dificuldades, inclusive em países "players". O próprio debate sobre protecionismo tão em moda pós quebradeira de 2008, e a dificuldade de crescimento das economias provavelmente trará uma reorganização do setor.

Outras propostas por Goulart foram implementadas desde os governos militares, como, por exemplo, o direito de votos para os analfabetos, a igualdade de direitos dos trabalhadores rurais com o urbano.

Nos governos militares, o Brasil teve altos índices de crescimento do PIB, mas, de forma continuada à dependência externa, aumentou mais ainda o nosso endividamento, trazendo empresas estrangeiras, capital externo, ao invés de se incentivar a criação de tecnologias e parque industrial próprio. A convergência dos governos militares aos princípios da globalização e do liberalismo desmonta as nossas escolas públicas, e a forma desordenada de crescimento faz aumentar a desigualdade social.

Com dívidas paralisantes e altíssima inflação herdada, nada fizeram os governos Sarney e Collor/Itamar, no entanto, neste último, começou-se a corrigir o problema da inflação que corroía o salário do trabalhador e a produção já que o dinheiro migrava fortemente para a especulação, com a elaboração do plano real que veio a ser implantado no governo seguinte, a era FHC.

Com a inflação controlada, restava os altíssimos índices de endividamento que levou o Brasil a "quebrar" três vezes e o caminho encontrado foi a venda de lucrativas empresas públicas, em processos até hoje questionados, a famosa privatização do Brasil.

Essas ações, atendendo à determinação da globalização e do liberalismo, principalmente representados pelo FMI e Banco Mundial, terminaram por aumentar mais ainda a nossa dependência ao capital externo, que remetem os seus lucros para as matrizes, imobilizando o nosso desenvolvimento tecnológico.

Sem desenvolvimento a condição "casa grande e senzala" permanece em nossa sociedade.
Os governos Lula/Dilma são eleitos pela promessa de se quebrar a condição da "casa grande e senzala", com propostas de aumento real de salário mínimo, criar empregos, implementar o fome zero, romper com o neoliberalismo que além de concentrar riqueza, provoca a continuidade da dependência ao capital externo e remessas de lucros para fora do país.
Alguns avanços são conseguidos, tendo o Brasil batido recordes de desemprego, vem realizando o aumento real do salário mínimo, mas, ao mesmo tempo, e nas palavras do próprio Lula; "nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro como no meu governo, remete à ideia de que a "casa grande e senzala" permanece intacta, com sua concentração de riqueza, manutenção da elite que com seu conservadorismo é avesso à inovação, e aqui está incluída a tecnológica.
As dificuldades do governo trazer o empresariado nacional para o jogo produtivo também é algo preocupante, abrindo a possibilidade que o capital estrangeiro mais uma vez entre no pais, agora em outras áreas estratégicas e de necessidade urgente de investimentos para o avanço da produção como os portos, aeroportos e estradas.
A nossa dependência  e submissão ao capital externo parece se solidificar ainda mais, e realizar as reformas estruturais para trazer a nossa independência se torna algo cada vez mais difícil.

POLÍTICA - Serra a procura de um partido.


Partidos dizem a Serra que não podem garantir apoio em 2014



Do O Globo

Partidos dizem que não podem garantir a Serra apoio em 2014
Ex-governador procurou PV e PSD; PPS se queixa de indefinição
A dois meses do prazo final para o ex-governador José Serra (PSDB) decidir se troca de partido, as legendas procuradas para construir uma aliança em torno do nome dele para a eleição presidencial em 2014 já dizem que dificilmente o tucano terá um compromisso de apoio por parte delas até outubro. Uma das condições para Serra tentar uma candidatura à Presidência fora do PSDB é ter aliados de peso, que garantam a ele competitividade, cenário cada vez mais distante.
Lideranças do PV, PSD e PTB alegam que não há como definir questões como essa um ano antes da disputa eleitoral. O partido que mais se aproxima do tucano hoje é o PPS. Serra foi convidado em abril a se filiar à sigla. Mas o PPS tem menos de um minuto no horário eleitoral, o que inviabilizaria uma candidatura solteira sem apoio de outros partidos. Por isso, o ex-governador tem passado as últimas semanas em conversas com dirigentes partidários para avaliar as chances de alianças.
Serra tem até 5 de outubro para decidir se fica ou sai do PSDB, onde, com o avanço do senador Aécio Neves, não deverá haver espaço para ele na próxima corrida presidencial. Se permanecer no PSDB, Serra terá como opção se candidatar ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Na primeira alternativa, é possível que tenha de brigar pela vaga. No caso de disputar uma cadeira de deputado federal, o ex-governador já ouviu a proposta de aliados, mas rechaçou prontamente. A avaliação de dirigentes tucanos é que Serra só deverá se filiar ao PPS se tiver a certeza do apoio, ao menos, do PSD.
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, que fez o convite a Serra para se filiar à sigla, diz que a situação do amigo não é fácil.
No máximo, o que pode haver são alguns encaminhamentos (com os potenciais partidos aliados), mas nenhuma grande definição sobre alianças é tomada um ano antes da eleição afirmou.
Freire disse que renovou o convite a Serra após a fusão entre o PPS e o PMN fracassar. O ex-governador já esteve com outros dirigentes do PPS para tratar do cenário eleitoral de 2014. Mas a indefinição dele tem gerado reclamações. Um grupo alinhado a Marina Silva, liderado pelo secretário de comunicação do PPS de São Paulo, Maurício Huertas, encaminhou na semana passada uma carta ao dirigentes nacional do PPS cobrando prazo de 15 dias para que Serra dê uma resposta. Freire descartou essa possibilidade.
Tendência do PSD é apoio a Dilma
Segundo o ex-líder do PSD na Câmara, Guilherme Campos, o partido não deverá tomar nenhuma decisão sobre esse assunto este ano.
O José Serra sempre é um grande nome, tem consistência e representatividade e deve ser levado em consideração. Não existe, contudo, neste momento, nada fechado. O partido ainda não se definiu e há uma tendência de apoiar Dilma Rousseff. A decisão deve ser tomada apenas no início do que vem, que é o timing correto de definição de apoios afirmou.
Em conversas reservadas, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem lembrado a aliados que, ao ter ocupado uma pasta no governo federal, a sigla assumiu um compromisso com a reeleição de Dilma, mas não tem descartado o apoio a Serra caso a presidente não recupere a popularidade perdida nos últimos meses. O ex-governador tem mantido contato com Kassab e, segundo aliados, encontrou-o no Hospital Sírio-Libanês, na semana passada, onde fui submetido a um cateterismo.
No PV, a situação é parecida. Com o anúncio do ex-deputado federal Fernando Gabeira de não disputar a sucessão presidencial, o partido também decidiu que só tomará uma decisão sobre quem apoiará na disputa presidencial no início de 2014, quando o quadro eleitoral estiver mais claro. Serra almoçou com o presidente nacional da sigla, José Luiz Penna, há cerca de duas semanas na capital paulista. Segundo Penna, o tucano estava animado com as possibilidades para 2014, mas disse ainda não ter um horizonte definido. Além de Serra, o PV tem sido sondado por lideranças da Rede Sustentabilidade, partido da ex-senadora Marina Silva.
A decisão do partido será tomada ano que vem. Não fomos nós que antecipamos o quadro eleitoral. Faremos a nossa agenda de conversas conforme o tempo eleitoral afirmou Penna.
O PTB, assim como as outras siglas, só deve definir o seu apoio em 2014. Presidente nacional do partido, Benito Gama ressalta que a legenda caminha para o apoio a Dilma. É aguardado um encontro entre o tucano e lideranças do PTB para os próximos dias.
Nós temos um compromisso com o governo federal e caminhamos para essa direção. Não há data certa para a definição de apoio, mas eu acredito que será no ano que vem disse Gama.

SAÚDE - Medicina cubana.


Os médicos brasileiros formados em Cuba



Sugerido por Ricardo Cavalcanti-Schiel

Do MST

“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”, afirma militante
Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

A saúde no Brasil tem sido tema de grandes debates nas últimas semanas, provocados tanto pelas manifestações das ruas, que exigem melhoras e mais investimentos na área, quanto pelas propostas recentes do governo em trazer médicos de outros países para trabalhar em regiões mais carentes.
Essas propostas, assim como a obrigação dos estudantes de universidades públicas em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido alvo de fortes críticas das associações de médicos, que afirmam que essas não seriam as soluções para os problemas.
A Página do MST conversou com Augusto César e Andreia Campigotto, ambos militantes do Movimento e formados em medicina em Cuba, sobre o tema.
Nascido em Chapecó e com 25 anos de vida, Augusto César ainda não exerce a profissão. Está estudando para fazer a prova de revalidação do diploma cubano e, assim, poder atuar no Brasil. Quando conseguir seu registro, pretende trabalhar na área rural, atendendo os Sem Terra e os assentados da Reforma Agrária.
Andreia Campigotto tem 28 anos e nasceu em Nova Ronda Alta (RS). Trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano, como residente em medicina da família em uma unidade básica de saúde, que atende uma comunidade de 4 mil pessoas.
Formato
O curso de medicina cubano dura seis anos. Para estudantes de outros países, ele se inicia na Escola Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Depois de um período inicial de dois anos, os estudantes são enviados para as diversas universidades do país. Augusto e Andreia foram para a universidade da província de Camagüey.
O curso de medicina cubano não se difere muito do brasileiro, do ponto de vista curricular.
“Os dois primeiros anos trabalham com as ciências médicas. Estudamos fisiologia humana, anatomia humana e desde o primeiro ano temos contato com os postos de saúde. Quando somos distribuídos para as universidades, vivenciamos o sistema público de saúde. Comparado com o Brasil, o nível teórico é igual, mas o nível de prática é maior", afirma Augusto.
“Um estudo do governo federal mostra a compatibilidade curricular dos cursos de medicina de 90% entre Brasil e Cuba. Então, não há grandes diferenças teóricas", conta Andreia.
A diferença principal entre os dois cursos está na concepção de medicina e de saúde na formação dos médicos. “O curso brasileiro é voltado para as altas especialidades. Tem essa lógica de que você faz medicina, entra numa residência e se especializa. Já em Cuba o curso se volta à atenção primária de saúde, para entendermos a lógica de prevenção das doenças e o tratamento das enfermidades que as comunidades possam vir a ter”, diz Augusto.
Em contrapartida, “saúde” e “medicina” no Brasil são sinônimos de pedidos de exames e tratamento com diversos medicamentos, calcados em sua maioria na alta tecnologia. Com isso, a medicina preventiva fica em segundo plano, alimentando uma indústria baseada na exigência destes procedimentos.
“No Brasil, temos uma limitação na formação do profissional, pois ela é voltada ao modelo hospitalacêntrico, que pensa só na doença e no tratamento. Em Cuba isso já foi superado. Lá eles formam profissionais para tratar e cuidar com qualidade, humanismo e amor cada paciente; aprendemos de verdade a lidar com a saúde do ser humano”, analisa Andreia.
Ela destaca que os médicos formados na ilha são capazes de atender a população sem utilizar somente a alta tecnologia, condição que não necessariamente limita um atendimento com qualidade à população que mais carece.
“É mais barato fazer promoção e prevenção de saúde. No entanto, isso rompe com a ditadura do dinheiro. Com isso, os médicos aguardam o paciente ficar doente para pedir um monte de exames e dar um monte de medicamentos”, afirma Augusto
De acordo com ele, essa estrutura fortalece o complexo médico-industrial, que se favorece sempre que há alguém internado ou que precise tomar algum medicamento.
“Não negamos a necessidade de medicamentos e equipamentos, porque precisamos dar atenção a esse tipo de paciente. Mas não precisamos esperar que todas as pessoas fiquem doentes para começar a trabalhar a questão da saúde”, acredita Augusto.
Nesta série de reportagens, os dois relatam as diferenças entre os cursos e a concepção de medicina em Cuba e no Brasil, opinam sobre os problemas brasileiros em relação à saúde e defendem uma medicina que sirva para atender com qualidade o povo brasileiro. Na quarta-feira (29/07), Andreia e Augusto contam como é a prova de revalidação dos diplomas estrangeiros, e analisam a elitização da medicina nas universidades brasileiras.

POR QUE SERÁ QUE NINGUÉM FALA EM SONEGAÇÃO?


Sugerido por Henrique

Da BBC Brasil

Ricos brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais

Rodrigo Pinto
Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do país em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.
A informação foi revelada este domingo por um estudo inédito, que pela primeira vez chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore, sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos. 
O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais.
O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.
Em 2010, o Produto Interno Bruto Brasileiro somou cerca de R$ 3,6 trilhões.
'Enorme buraco negro'
O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais.
Henry estima que desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a "riqueza offshore não registrada" para fins de tributação.
A riqueza privada offshore representa "um enorme buraco negro na economia mundial", disse o autor do estudo.
Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como México, Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.
John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, pára enviarem seus recursos ao exterior.
"Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros", afirma.
"Isso aumentou muito nos anos 70, durante as ditaduras", observa.
Quem envia
Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.
"As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos", afirma Christensen. "No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo".
Chistensen afirma que no caso de México, Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora "este seja um fenômeno de mais de meio século".
O diretor da Tax Justice Network destaca ainda que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.
alexis e seu comentário

Os ricos brasileiros não são tão brasileiros assim.
O andar de cima tem outros valores e outra bandeira, e não acreditam que aqui possa surgir uma grande nação para todos. “O capital não tem pátria”, é a frase da turma do capital. Enquanto brasileiros mais pobres sobem para a classe média, essa turminha de cima não que fazer fila em aeroporto ao lado deles.
Faltam solidariedade e civismo nas classes mais abastadas, como agora vemos com a categoria dos médicos, lutando pela reserva de mercado. Estes doentes são meus!

PROPINODUTO TUCANO - MP pede ajuda para justiças alemã e suiça.

MP pede ajuda para justiças alemã e suíça no caso Siemens



Sugerido por implacavel

Do Estadão

MP pede ajuda a países no caso Siemens

Objetivo é que Justiças da Suíça e da Alemanha enviem documentos com indícios de supostos pagamentos de propina em São Paulo
Adriana Ferraz, Marcelo Godoy
O Ministério Público Estadual (MPE) vai pedir às Justiças suíça e alemã cópias de depoimentos e de documentos bancários com indícios de supostos pagamentos de propina feitos por executivos da Siemens para "agentes públicos" que trabalharam no governo de São Paulo.
A empresa e seis de seus executivos fizeram, em 22 de maio, um acordo por meio do qual concordaram em delatar a existência de um cartel que fraudou concorrências em São Paulo - do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) - e em Brasília.
Na semana passada, quatro promotores paulistas se encontraram com seis advogados da Siemens. Os promotores sabem da existência de uma conta bancária na Suíça e de depoimentos nos quais são relatados pagamentos a dirigentes da CPTM e do Metrô. Buscam agora a cooperação da empresa e de seus executivos para investigar supostos pagamentos de propina durante as administrações de Mário Covas (1995-2001), Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007 a 2010).
Os promotores também suspeitam de lavagem de dinheiro. No acordo de leniência - em que o delator fica isento de punições -, os executivos da empresa delataram a participação de 15 empresas nacionais e multinacionais que teriam formado o cartel. O caso é investigado pela Procuradoria da República.
Histórico. O cartel, segundo apontam as investigações, surgiu na etapa de pré-qualificação de empresas habilitadas para participar da licitação do primeiro trecho da Linha 5-Lilás do Metrô, em 1998, e há indícios de que o esquema tenha sido repetido até 2007.
A investigação sobre o suposto esquema de corrupção teve início após um acordo de leniência, assinado entre o Cade, o Ministério Público Estadual de São Paulo e a Siemens.
Em 2008, a empresta teve de firmar acordos com as Justiças da Alemanha e dos Estados Unidos por causa do pagamento de propina para agentes públicos em diversos países. A promotoria de Munique, na Alemanha, por exemplo, detectou pagamentos para dois brasileiros. Os acordos incluíram a delação de esquemas de corrupção nos países em que a multinacional alemã atua.
O próprio Cade investigou denúncias que partiram dessas investigações naquele ano. Em 2011, a empresa chegou a demitir seu presidente no Brasil - no mundo, entre 2008 e 2011, foram cem executivos demitidos. Após a divulgação do suposto esquema de corrupção, a empresa tem afirmado que colabora com as investigações.
Desde o início das denúncias, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que é o principal interessado em elucidar o caso e ressarcir os cofres públicos. A punição dos envolvidos por improbidade administrativa pode ser comprometida pelo fato de o delito prescrever em cinco anos, vencidos em 2012.
Mas as autoridades devem buscar ressarcimento dos valores superfaturados apresentados pelo cartel. Ao fazer a delação, a Siemens se livrou de punições pelo cartel e do pagamento de multa.

MÍDIA - "Liberdade de empresa", "liberdade de imprensa".

Fábio de Oliveira Ribeiro

Quando o governo tenta regular o negócio da imprensa, os jornalistas gritam dizendo que isto ofende a "liberdade de imprensa" como se esta fosse igual à "liberdade de conservar monopólios midiáticos" e "capitanias hereditárias jornalísticas". A confusão conceitual entre "liberdade de imprensa" e "liberdade de empresa" já foi desfeita por um grande teórico do jornalismo brasileiro http://www.midiaindependente.org/pt/red/2010/08/475561.shtml, mas segue beneficiando os barões da mídia. Eles tem voz publica e o Estado não publica uma linha de notícias porque está desprovido de mídia própria.

A "liberdade de imprensa" permite ao dono da empresa de comunicação escolher a enfase e o enfoque que dará às notícias, bem como o direito de perseguir aquelas que estão sendo escondidas do público. Mas a imprensa não pode e não deve deliberadamente esconder notícias, principalmente quando as mesmas se referem a crimes. Afinal, quem favorece  criminosos pode ser considerado co-autor dos crimes cometidos.


Há duas semanas uma parte da mídia escrita noticia a ROUBALHEIRA TUCANA no Metrô de São Paulo 
http://www.viomundo.com.br/denuncias/istoe-assalto-tucano-em-sao-paulo-foi-de-r-425-milhoes.html. Mas nenhum telejornal repercutiu os fatos apurados e discutidos na imprensa escrita. Isto é de se estranhar, principalmente se considerarmos a eterna dobradinha entre Veja e Jornal Nacional, que permitiu a Rede Globo divulgar e amplificar todas as denuncias da Abril Cultural contra o governo petista divulgados nos finais de semana fossem as mesmas verdadeiras ou absolutamente mentirosas. Quando as denuncias graves de crimes são contra o "tucanato paulista" a dobradinha revistas/TV não funcionou. Por que?

A deliberada ocultação pelos telejornais de uma rede criminosa que "tungou" recursos públicos por mais de uma década é evidente. Evidente e suspeita, pois São Paulo gastou e gasta centenas de milhões de reais em propaganda nas redes de TV que mantém telejornais. Se foram pagos para sonegar informações da quadrilha tucana, os donos das redes de TV são co-autores dos crimes cometidos pelos tucanos. Não dúvida quanto a isto, pois é o que consta do Código Penal. Onde está o MP que não denuncia os barões da mídia televisada como co-autores dos desmandos cometidos pelos tucanos ladrões do Metrô?


Ironia, ironia... na pior das hipóteses os donos das redes de TV estão cometendo o crime de ocultação de cadáver. O defunto neste caso é político e pode ser um ex-governador (José Serra), um governador em exercício (Geraldo Alckimin) e mesmo o próprio PSDB. Ha, ha, ha...

A VIDA DO PAPA ESTARIA EM PERIGO?


Opção por reformas poria em perigo a vida do Papa

Essa avaliação é do teólogo e filósofo Fermino Luís dos Santos Neto, um atento observador dos rumos da Igreja. Segundo ele, ameaças vêm da máfia internacional, que atua na máquina do Vaticano para lavar dinheiro da corrupção e do contrabando. Por Dermi Azevedo



A decisão do papa Francisco de realizar reformas em profundidade na estrutura e na prática da Igreja Católica Romana "pode representar ameaças à vida" do pontífice, por parte da máfia internacional e de outros grupos criminosos que atuam nos bastidores do Vaticano.

Essa avaliação é do teólogo e filósofo Fermino Luís dos Santos Neto, um atento observador dos rumos da Igreja. Em entrevista à Carta Maior, ele, que é graduado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas/SP, afirmou que essas ameaças explicam os seguidos pedidos de oração feitos pelo papa em vários momentos de sua visita ao Brasil.

Segundo Santos Neto, o esquema de corrupção na máquina do Vaticano inclui lavagem de dinheiro, a partir de dirigentes de governos corruptos e de empresas privadas, vinculadas inclusive à indústria armamentista dos Estados Unidos e da Suíça, além de lucros obtidos na rede internacional de contrabando. Esses "negócios" foram feitos durante os pontificados de João Paulo II e de Bento XVI, totalmente à revelia desses papas.

Fermino traçou depois um paralelo entre os objetivos de João Paulo II, Bento XVI e Francisco, observando que os parâmetros de governo entre o atual papa e seus antecessores "são profundamente diferentes".

Explicou que Wojtyla e Ratzinger defendiam um modelo "ainda piramidal e monárquico" de governo da Igreja, enquanto Bergoglio segue o modelo de Igreja Povo de Deus, aprovado pelo Concílio Vaticano II e seguido, por exemplo, pela Teologia da Libertação.

Destacou que o apoio às reformas na Igreja Católica Romana "só pode vir das massas católicas e cristãs de todo o mundo", observou que, até agora, grandes mudanças no catolicismo foram feitas apenas pelo Concílio Vaticano II, e que só foi possível aprová-las por causa do carisma do papa João XXIII e também pelo clima de mudanças vivido pela Igreja no início da década de 60.

Destacou que hoje "o papa se apresenta como bispo de Roma, revelando que não se julga o dono do poder, lembrando-se de que esse conceito sempre foi escamoteado antes”. “Isso fortalece a unidade na igreja. A colegialidade dos bispos hoje está mais fortalecida, isso é um bom sinal", concluiu.

ECONOMIA - Brasil muito mais complexo.


Brasil muito mais complexo

O crescimento da economia brasileira nos últimos 10 anos incorporou 40 milhões de brasileiros para o mercado consumidor. Isso provocou muitas mudanças, em todos os sentidos. O país tem mais de sete milhões de micro e pequenas empresas, corresponde a 25% do PIB. Cada vez mais os brasileiros querem trabalhar por conta própria.
Como diz o dicionário: abrange e encerra muitos elementos ou partes. Que não deixou de ser o país de contrastes, ainda carrega sinais de miséria, e cada vez mais foge do complexo de vira-lata. Resolvi buscar uns números para apoiar a ideia. Não consigo entender muito sobre o crescimento da economia brasileira, baseada nos dados do PIB. Principalmente depois de ler sobre as diferenças de metodologia para cálculo, por exemplo, do setor de serviços. Metodologia que o IBGE está a caminho de alterar. Assim como os dados definitivos do PIB só sairão em 2014. Desde 2010 os dados são provisórios. Mas a ideia também envolve definir algumas características dos brasileiros, sempre baseadas em números gerais. Por exemplo: ser o segundo maior mercado mundial de produtos pet, atrás dos EUA. Ou ser o terceiro maior mercado na área de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, atrás dos EUA e do Japão. E ser o quarto maior mercado de automóveis do mundo.

O crescimento da economia brasileira nos últimos 10 anos incorporou 40 milhões de brasileiros para o mercado consumidor. Isso provocou muitas mudanças, em todos os sentidos. O país tem mais de sete milhões de micro e pequenas empresas, corresponde a 25% do PIB. Cada vez mais os brasileiros querem trabalhar por conta própria. E pretendem ganhar dinheiro com CNPJ, facilitado por um programa do governo federal, que exige menos burocracia, menos impostos e cobertura da previdência social aos que faturam até R$36 mil por ano. O último número que consegui do SEBRAE indicava 1,5 milhão de empreendedores formalizados. Em primeiro lugar na área do vestuário (11%) e em segundo, na área de beleza e estética.

Mulheres com carteira assinada
O número de salões de beleza no país cresceu 78% em cinco anos, período que vai de 2005 a 2010, saindo de 309 mil para 550.590. O número de trabalhadores deste segmento cresceu de 1.237.680 (2005) para 2.202.360 (2010) e os gastos com higiene pessoal, perfumaria e cosméticos evoluíram de R$8,9 bilhões em 2002, para R$43,4 bilhões em 2010. O Euromonitor, que faz pesquisa nessa área em todo o mundo, diz que o mercado no Brasil nos segmentos citados abrange US$43 bilhões, daí a justificativa do terceiro lugar. Tem uma informação fundamental para entender estes números. Segundo Renato Meirelles, do Instituto Data Popular, no período de 2002 a 2011 o número de mulheres com carteira assinada aumentou de 9,5 milhões para 14,7 milhões.

“- De item de desejo, a beleza passou a fazer parte da cesta de consumo básico das pessoas e é um mercado que não depende de crédito, pois vive da própria renda dos brasileiros”, diz a diretora da Beauty Fair, maior feira de cosméticos do país, realizada em São Paulo, que na edição do ano passado faturou mais de R$500 milhões.

Grande parte desse crescimento do setor de higiene e beleza alcança índices de quase 20% ao ano, está ligado a uma prática comum aos brasileiros – a venda porta a porta. São em torno de 2,7 milhões de revendedoras, que as empresas rebatizaram de consultoras. Entretanto, trata-se do terceiro canal de comercialização usado no Brasil, atrás dos supermercados e das mercearias. Sem contar que em 2011 o porta a porta vendeu 25 milhões de livros. E que uma empresa do Guarujá está vendendo botijões de gás, usando as consultoras da Avon. Até o Boticário, que tem três mil lojas e é a maior rede brasileira, adotou a prática.

Sete milhões de micro e pequenas empresas
Para encerrar esta sessão, os dados do Pet Shop. O Brasil tem 28 milhões de cães e 10 milhões de felinos e conta com 25 mil lojas pet, um mercado que deverá faturar em 2013 R$15,4 bilhões com uma expansão de 8,3% - a média mundial é de 8,5% para um mercado de US$102 bilhões. Quase 70% dos gastos são relativos à alimentação, segmento que crescerá 4,9%.

Os dados retratam o consumo dos brasileiros, porque justamente é o objetivo do texto. O mercado consumidor que sustenta a economia, e que os analistas da mídia e os agentes do sistema financeiro vivem falando aos quatro ventos que tem limites. E que vai travar. Porém, os brasileiros além de obterem mais renda nos últimos 10 anos, também se reorganizaram. Não querem trabalhar apenas com carteira assinada e ter patrão, mesmo que seja a multi globalizada. Por isso, micro e pequenas empresas se expandiram e chegaram a mais de sete milhões e são responsáveis por 25% do PIB – significa cinco vezes mais o percentual da indústria automobilística no PIB total, que é de 5% - no setor industrial as montadoras representam 22%. E mais: os pequenos negócios são responsáveis por 40% da massa salarial. Os dados são do SEBRAE.

55,2% dos empreendedores da classe C
Em abril, por exemplo, foram criados 140,2 mil empregos, sendo 87 mil gerados pelas micro e pequenas empresas. Entre abril de 2012 e abril de 2013 foram gerados 948,7 mil empregos, 99% gerados por micro e pequenas empresas. Fundamental: 55,2% desses pequenos negócios são de empreendedores da classe C, e 37,5% das classes A e B, apenas 7,3 % das classes D e E.

“- O entendimento, diz o presidente do SEBRAE, Luiz Barreto, é de que negócio próprio mais do que um emprego permitirá a elevação dos padrões econômicos”. É o sonho dos brasileiros, segundo uma pesquisa do Global Entrepremeur Ship Monitor (GEM), realizada em 2012, onde 44% apontavam esta aspiração.

Agora, vamos aumentar a escala. Chegamos ao paraíso do consumo, o templo do capitalismo globalizado, ao shopping center. Me sinto um marciano dento de um shopping. Recentemente entrei num deles em Porto Alegre, para ir ao cinema. É duro suportar aquele cheiro de gordura hidrogenada, das pipocas estouradas com margarina. Pior é o preço. Mas a questão são os números, o tamanho desse negócio no Brasil. Em 2004 eram 325. Em dezembro de 2013 serão 503 – crescimento desse ano é de 41 novos shoppings, o maior número em 14 anos. No ano passado as vendas nas lojas subiram 10,65%, quase o dobro das vendas de supermercados, que registraram 5,3%. A previsão das vendas de 2013 é uma elevação de 12%. Em 2003 as vendas totalizaram R$36 bilhões e 10 anos depois saltaram para R$120 bilhões.

Rumo ao interior
São quase três mil lojas nesses estabelecimentos e o setor emprega 887 mil funcionários, em termos nacionais o varejo emprega 6,7 milhões. Em 2012, os shoppings receberam a visita de 398 milhões de pessoas, é como se cada brasileiro fosse duas vezes ao mês no templo. Os números são da Associação Brasileira de Shopping Center, que adianta os números de 2014– mais 32 empreendimentos. A meta agora são cidades de porte médio entre 80 e 300 mil habitantes. A ABRASCE junto com o IBGE compilou o potencial econômico dessas cidades. Reúnem uma população de 40,6 milhões de habitantes e tem crescido 4% ao ano em média. Elas têm uma renda de R$31,6 bilhões ao mês e R$10,4 bilhões disponíveis para gastar no varejo por mês

Atualmente as cidades do interior abrigam o maior número de shoppings (234), comparado com as capitais (228), sem contar os de 2013, somente 15 ficarão nas capitais. Além da renda, da facilidade de terrenos, menos burocracia, facilidade de construção, custos menores, são os motivos da transferência. Por exemplo, Porto Feliz, 130 km de São Paulo, com 240 mil habitantes na região de influência, vai ter um shopping, porque a Toyota construiu uma fábrica em Sorocaba, emprega 1.500 funcionários, e construirá uma de motores em Porto Feliz, com investimento de R$1 bilhão até 2015. Rio Grande (RS) está na mesma posição, a cidade do polo naval. E assim vai ampliando a base do consumo, também registrando a descentralização das indústrias. Para encerrar: no primeiro quadrimestre de 2013 as três maiores donas de shopping center – Multiplan, Iguatemi e BR Malls – captaram R$2 bilhões no mercado financeiro, em “plena crise”.

Maio bateu recorde na venda de carros
Último capítulo: a indústria automobilística. Pois em maio de 2013 foram vendidos 348,1 mil veículos, incluindo carros, utilitários, caminhões e ônibus. É o maior volume da história da indústria, e que deve fechar o ano com vendas acima de 3,7 milhões. A capacidade industrial brasileira vai sair de 4,5 milhões/ano para 5,4 milhões/ano, contando com a instalação das fábricas da Nissan, Chery, Jac Motors e BMW. O aumento reflete o novo regime automotivo brasileiro, que concede isenções e incentivos às indústrias instaladas aqui e restringe os importados. Contou com a produção de duas novas fábricas – da Toyota em Sorocaba e da Hyundai em Piracicaba -, com a ampliação da GM em Gravataí (RS), passou de 230 mil para 380 mil e é a quarta maior fábrica da multi no mundo. Além disso, a Fiat contratou mais 600 trabalhadores e aumentou a produção em 150 carros/dia em Betim. A Honda, em Sumaré, prolongou a jornada mais duas horas, porque os modelos da empresa venderam 24% mais.

A Renaut terminou a expansão da fábrica no Paraná, agora vai produzir 100 mil veículos por ano. A Hyundai, com a produção do HB20, quarto mais vendido no mercado, em setembro criará o terceiro turno, porque as vendas aumentaram 99%. A Toyota, com o modelo Ethios cresceu 51%, e trabalha com capacidade total – 70 mil veículos. A Mitsubishi, em Catalão, sul de Goiás vai dobrar a produção até 2015 para 100 mil e está instalando os fornecedores na área industrial – cerca de 10 a 15 empresas. O mercado de caminhões, que no ano passado caiu 20%, pela implantação do Euro5, motor que emite menos gases estufa, e o diesel usado emprega menos enxofre, mas custa mais caro, agora já voltou a crescer, deverá aumentar de 7 a 9%, em 2013.

O aumento na produção de veículos no primeiro semestres do ano foi de 18,3%. Na área agrícola aconteceu o mesmo, com a esperada de outra safra recorde – de 220 milhões de toneladas. O primeiro semestre fechou com a venda de 32.500 tratores e 3.929 colheitadeiras, respectivamente, aumentos de 27% e 69% comparado com 2012, ano de seca. A expectativa da indústria de máquinas agrícolas são vendas de 36 mil unidades, batendo recorde de 2010 quando atingiram 35 mil.

Sem trilho para ferrovias
As vendas de ônibus, no primeiro trimestre, aumentaram 56,8% totalizando 9.933, ante os 6.333 do ano passado. A produção maior foi de ônibus urbano – 8.191, 58,2%maior – comparado com 5.178 no mesmo período de 2012.

“- Diz um analista do setor de transporte: além dos eventos como copa do mundo e olimpíadas e do PAC da Mobilidade estendido para outras cidades, motivo do crescimento, outros programas do governo federal como PAC Equipamentos, Programa Caminho da Escola, além de ações como prolongamento do FINAME, para financiamento de ônibus a juros competitivos, desenham um bom quadro para os fabricantes de veículos de transporte coletivo, inclui ainda os corredores para ônibus articulados e biarticulados, os chamados BRTs, que estão sendo concluídos”.

No tema transporte coletivo incluí a produção de trens, afinal, para aumentar a oferta de transporte público, precisa da fábrica que produza os equipamentos ou importaremos tudo? Trilho, por exemplo, somente importado. Dizem os industriais que não há demanda no país, que compense instalar uma laminadora. Resultado: 11 mil novos quilômetros de ferrovias que estão sendo construídas, com trilhos da Ásia, da Europa dos EUA. O Brasil tem uma malha de 29 mil km e durante a década de 1990 produziu 111 locomotivas. Em 2011, foram produzidas 113. A última vez que o país fabricou mais de 100 locomotivas num ano foi em 1977. Agora a indústria, reforçada pela implantação de novas fábricas, como da canadense Bombardier e da Hitachi pretende vender 100 locomotivas ao ano. As ferrovias em construção: Transnordestina, Norte-Sul, Ferrovia da Integração Oeste-Leste e Ferrovia da Integração Centro-Oeste.

Num país desse tamanho construir dez locomotivas por ano entre 1990 a 1999 é demais para minha cabeça. Fica fácil de entender a crise do transporte público.


(*) Najar Tubino é jornalista

LEONARDO BOFF - " Não seria a refundação do Brasil?"

| 29/07/2013 | Copyleft

O sentido das manifestações não seria a refundação do Brasil?

Efetivamente, até hoje o Brasil foi e continua sendo um apêndice do grande jogo econômico e político do mundo. Mesmo politicamente libertados, continuamos sendo reconolizados, pois as potências centrais, antes colonizadoras, nos querem manter ao que sempre nos condenaram: a ser uma grande empresa neocolonial que exporta commodities. Por Leonardo Boff



O que o povo que estava na rua no mês de junho queria, em último término, de forma consciente ou inconsciente? Para responder me apoio em três citações inspiradoras.

A primeira é de Darcy Ribeiro no prefácio ao meu livro O caminhar da Igreja com os oprimidos((1998):”Nós brasileiros surgimos de um empreendimento colonial que não tinha nenhum propósito de fundar um povo. Queria tão somente gerar lucros empresariais exportáveis com pródigo desgaste de gentes”.

A segunda é de Luiz Gonzaga de Souza Lima na mais recente e criativa interpretação do Brasil: ”A refundação do Brasil: Rumo à sociedade biocentrada (São Carlos, 2011): ”Quando se chega ao fim, lá onde acabam os caminhos, é porque chegou a hora de inventar outros rumos; é hora de outra procura; é hora de o Brasil se refundar; a Refundação é o caminho novo e, de todos os possíveis, é aquele que mais vale a pena, já que é próprio do ser humano não economizar sonhos e esperanças; o Brasil foi fundado como empresa. É hora de se refundar como sociedade” (contracapa).

A terceira é do escritor francês François-René de Chateaubriand (1768-1848): ”Nada é mais forte do que uma ideia quando chegou o momento de sua realização”.

Minha impressão é que as multitudinárias manifestações de rua que se fizeram sem siglas, sem cartazes dos movimentos e dos partidos conhecidos e sem carro de som, mas irrompendo espontaneamente, queriam dizer: estamos cansados do tipo de Brasil que temos e herdamos — corrupto, com democracia de baixa intensidade, que faz políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres, no qual as grandes maiorias não contam e pequenos grupos extremamente opulentos controlam o poder social e político; queremos outro Brasil que esteja à altura da consciência que desenvolvemos como cidadãos e sobre a nossa importância para o mundo, com a biodiversidade de nossa natureza, com a criatividade de nossa cultura e com o maior patrimônio que temos que é o nosso povo, misturado, alegre, sincrético, tolerante e místico.

Efetivamente, até hoje o Brasil foi e continua sendo um apêndice do grande jogo econômico e político do mundo. Mesmo politicamente libertados, continuamos sendo reconolizados, pois as potências centrais, antes colonizadoras, nos querem manter ao que sempre nos condenaram: a ser uma grande empresa neocolonial que exporta commodities, grãos, carnes, minérios, como o mostra em detalhe Luiz Gonzaga de Souza Lima e o reafirmou Darcy Ribeiro citado acima. Desta forma nos impedem de realizarmos nosso projeto de nação independente e aberta ao mundo.

Diz com fina sensibilidade social Souza Lima: ”Ainda que nunca tenha existido na realidade, há um Brasil no imaginário e no sonho do povo brasileiro. O Brasil vivido dentro de cada um é uma produção cultural. A sociedade construíu um Brasil diferente do real histórico, o tal país do futuro, soberano, livre, justo, forte mas sobretudo alegre e feliz” (pág. 235). Nos movimentos de rua irrompeu este sonho exuberante de Brasil.

Caio Prado Júnior em sua A revolução brasileira (Brasiliense, 1966) profeticamente escreveu: ”O Brasil se encontra num daqueles momentos em que se impõem de pronto reformas e transformações capazes de reestruturarem a vida do país de maneira consentânea, com suas necessidades mais gerais e profundas e as espirações da grande massa de sua população que, no estado atual, não são devidamente atendidas” (pág. 2). Chateaubriand confirma que esta ideia acima exposta madurou e chegou ao momento de sua realização. Não seria sentido básico dos reclamos dos que estavam, aos milhares, na rua? Querem um outro Brasil.

Sobre que bases se fará a Refundação do Brasil? Souza Lima diz que é sobre aquilo que de mais fecundo e original temos: a cultura brasileira. ”É através de nossa cultura que o povo brasileiro passará a ver suas infinitas possibilidades históricas. É como se a cultura, impulsionada por um poderoso fluxo criativo, tivesse se constituído o suficente para escapar dos constrangimentos estruturais da dependência, da subordinação e dos limites acanhados da estrutura socioeconômica e política da empresa Brasil e do Estado que ela criou só para si. A cultura brasileira então escapa da mediocridade da condição periférica e se propõe a si mesma com pari dignidade em relação a todas as culturas, apresentando ao mundo seus conteúdos e suas valências universais” (pág. 127).

Não há espaço aqui para detalhar esta tese original. Remeto o leitor/a a este livro, que está na linha dos grandes intérpretes do Brasil, a exemplo de Gilberto Freyre, de Sérgio Buarque de Hollanda, de Caio Prado Jr, de Celso Furtado e de outros. A maioria destes clássicos intérpretes olhou para trás e tentou mostrar como se construíu o Brasil que temos. Souza Lima olha para a frente e tenta mostrar como podemos refundar um Brasil na nova fase planetária, ecozoica, rumo ao que ele chama de “uma sociedade biocentrada”.

Não serão estes milhares de manifestantes os protagonistas antecipadores do ancestral e popular sonho brasileiro? Assim o queira Deus e o permita a história.

*Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é também escritor. É dele o livro ‘Proteger a Terra e cuidar da vida: Como evitar o fim do mundo (Record, 2010).

ECONOMIA - "E se o mundo ainda não estiver pronto.......


E se o mundo ainda não estiver pronto antes da chegada do nosso olhar?

Em um ‘Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá’ (2006), de Sílvio Tendler, descobrimos que há três mundos em um só. Tese: o 1º é a imagem idílica que dele desponta do mundo – a globalização como fábula. Antítese: o 2º é o mundo como ele é – a globalização como perversidade. Síntese: o 3º é o mundo como ele pode ser – uma outra globalização. Por Por Flávio Ricardo Vassoler



Moscou, 2008. Em uma aula de língua russa na RUDN, a Universidade Russa da Amizade dos Povos, há um tanzaniano, uma francesa, um americano, uma mongol, dois turcos, um chinês e dois brasileiros, entre os quais o autor deste texto. Como um estudante ocidental, sempre observei o mapa do mundo com a proeminência da região atlântica. Eis que Li Cheng, o simpático chinês ao meu lado, abre uma agenda multiuso de cuja contracapa desponta uma ordem mundial outra. No mapa de Li, a China desponta como o coração do mundo. Ainda que eu pudesse compreender as implicações geopolíticas de tais construções diferenciais, confesso que meu olhar forjado pelo Ocidente me acostumou a ver e a naturalizar o Atlântico como o eixo do mundo.

“O centro do mundo está em todo lugar. O mundo é o que se vê de onde se está”. Assim falou Milton Santos (1926-2001), o geógrafo brasileiro que refletiu profundamente sobre o processo de globalização capitalista como uma tensão dialética. Em um ‘Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá’ (2006), documentário dirigido por Sílvio Tendler, descobrimos que há três mundos em um só. Tese: o primeiro é a imagem idílica que dele desponta do mundo – a globalização como fábula. Antítese: o segundo é o mundo como ele é – a globalização como perversidade. Síntese (há muito inviabilizada pelos donos do poder): o terceiro é o mundo como ele pode ser – uma outra globalização.

“Nunca na história da humanidade houve condições técnicas e científicas tão adequadas para construir o mundo da dignidade humana. Ocorre que essas condições foram expropriadas por um punhado de empresas que decidiram construir um mundo perverso. Cabe a nós fazer dessas condições materiais a condição material da produção de uma outra política”. O professor Milton Santos entrevê a discrepância entre os Estados nacionais que, como os Estados Unidos, vaticinam o arrefecimento do Estado-Nação, mas, ao mesmo tempo, exponencializam seus gastos militares e fortalecem as próprias demandas a despeito dos países combalidos. A circulação de capitais e mercadorias não poderia ser mais intensa e global, ao passo que a circulação das pessoas esbarra nas fronteiras farpadas e, no limite, na introjeção da própria lógica do escravo. “Aquele não é o meu lugar, eu devo ficar aceitar minha condição”. Mas Milton Santos entrevê o surgimento da antítese contestatória quando o torpor e a inércia mais parecem consolidados. “Penso sempre em meio ao processo contraditório. Tenho muito medo da ortodoxia, do marxismo ortodoxo, do pensamento que não se renova, que não se historiciza. É quando há o risco da religião e do dogma. Assim, num sentido heterodoxo, eu me considero um marxista e um marxizante. Pois se tudo se torna capitalista, obrigatoriamente a contradição se instala”.

Sílvio Tendler cita um fragmento de ‘Geopolítica da Fome’, de Josué de Castro, para ilustrar a tensão contraditória que contrapõe a tese das grandes corporações à antítese do miseralato. “A humanidade se divide em dois grupos: o grupo dos que não comem e o grupo dos que não dormem com receio da revolta do que não comem”. Porque a inanição historicamente (re)produzida, como bem ensina Milton Santos, não se refere a uma restrição das forças produtivas, mas à distribuição da riqueza social que os donos do poder insistem em chamar de “recursos escassos”. Assim, o desemprego e a pobreza atuam como forças da natureza; trata-se, segundo os porta-vozes da opressão, de fenômenos cíclicos contra os quais somente se pode proteger atrás dos muros altivos e farpados dos condomínios-bunkeres. No mais, se os sindicatos e as entidades de classe protestam pela manutenção e expansão dos direitos trabalhistas, as grandes corporações podem globalizar a produção e particularizar os salários. Socialização das perdas, privatização dos lucros. A jaqueta cujo tecido foi costurado no Bom Retiro, o zíper foi fabricado na Malásia e os botões, na China, custa menos para o consumidor final por conta dos centavos que mal forram os pratos daqueles agora rebaixados a subproletários. Pois é preciso orar financeiramente diante do altar do consumo, “este sim o verdadeiro fundamentalismo da contemporaneidade”.

Mas mesmo com o poder mundial das grandes corporações e de seus Estados nacionais fortemente armados, Milton Santos entrevê importantes possibilidades de resistência justamente no conceito contraditório de humanidade. Quando dos primórdios da globalização, com as grandes navegações primeiramente capitaneadas pelos portugueses, a expansão territorial significou a submissão colonial e a chacina dos povos nativos. O outro era visto como escravo. A globalização de nossos tempos comporta um fator de dominação ainda mais brutal e cínico, pois a pobreza é fomentada e explorada a despeito da possibilidade de erradicá-la. Mas, agora, as distâncias planetárias se tornam contíguas não apenas para as grandes corporações e os aparelhos de repressão, mas também para os movimentos de contestação. As causas sociais deixam de ser meramente locais para se articularem mundialmente. Se a exploração é global, o desenvolvimento tecnológico passa a ser alvo de disputa, pois suas benesses são impessoais e dependem de quem delas se apropria – as grandes corporações e sua lógica instrumental de exclusão e maximização dos lucros ou a grande maioria da humanidade representada pelos movimentos de resistência que pretendem reconstruir o mundo sobre novas bases.

Milton Santos, que se considerava um intelectual outsider por não pertencer a nenhum partido político, por não ter credo, por não fazer parte de nenhum grupo intelectual, estruturou seu pensamento sobre a dialética que diagnostica a desestruturação do presente para, em meio aos escombros entre os quais os oprimidos precisam se esgueirar, projetar o reordenamento futuro do real. Algo como uma retomada do ímpeto do marxista italiano Antonio Gramsci, que, acossado pelo cárcere do ditador fascista Benito Mussolini, propugnou pelo pessimismo do intelecto para que o otimismo da vontade e da resistência se tornasse libertador. “É preciso explicar por que o mundo de hoje, que é horrível, é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e insurreições. Eu ainda sinto a esperança como minha concepção de futuro”. (Jean-Paulo Sartre, no prefácio de Os condenados da terra, de Frantz Fanon.)

Há 10 anos, quando eu começava a caminhar pelo corredor polonês da dialética, as várias leituras que Milton Santos me propiciava me levaram a um livro de homenagens ao grande intelectual brasileiro e universal – o local como momento indissociável da configuração histórica universal, mas sem perder suas características de identidade e resistência. Cheguei a um fragmento que falava sobre a juventude do escritor russo Liev Tolstói. Quando criança, o menino Tolstói, trêmulo, tinha medo de olhar para trás. “E se o mundo ainda não estiver pronto antes da chegada do meu olhar?” Se tivesse lecionado para o jovem Tolstói, o geógrafo baiano de Brotas de Macaúbas teria ensinado ao autor de Guerra e Paz que novo ainda desconhecido pressupõe não apenas o temor da expectativa incerta, mas o ímpeto da descoberta e da transformação.

*Flávio Ricardo Vassoler é escritor e professor universitário. Mestre e doutorando em Teoria Literária e Literatura Comparada pela FFLCH-USP, é autor de O Evangelho segundo Talião (Editora nVersos) e organizador de Dostoiévski e Bergman: o niilismo da modernidade (Editora Intermeios). Periodicamente, atualiza o Subsolo das Memórias, www.subsolodasmemorias.blogspot.com, página em que posta fragmentos de seus textos literários e fotonarrativas de suas viagens pelo mundo.