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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ANOS DE CHUMBO - Rua Tutóia, 921



Rua Tutóia, 921: de centro de tortura a memorial das vítimas

ImageUm dos maiores centros de tortura no regime militar, o antigo prédio do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operação de Defesa Interna), localizado na rua Tutóia 921, em São Paulo, poderá se transformar em um museu da tortura ou memorial às vítimas da ditadura militar.

Nesta semana (3ª feira), ex-presos políticos e representantes de entidades dos Direitos Humanos, como o Grupo Tortura Nunca Mais, o Comitê pela Memória, Verdade e Justiça e a Comissão dos Direitos Humanos da OAB-SP fizeram uma vistoria na antiga sede da Operação Bandeirantes (OBAN), onde atualmente funciona o 36º Distrito Policial da capital.

O objetivo foi fazer um diagnóstico das condições de preservação com vistas à proposta de transformar o local em museu ou memorial, evitando futuras deteriorações no imóvel, cujo tombamento está sendo estudado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT). A partir de agora, um relatório será elaborado e apresentado ao Comitê Interamericano dos Direitos Humanos e às comissões da Verdade do município.

43 anos depois...



Darci Miyaki e Antonio Carlos Fon em frente ao prédio onde funcionou o DOI-CODI em São Paulo

Pela primeira vez, depois de todos esses anos, ex-presos políticos voltaram ao local. Recomendo a todos que leiam o depoimento do jornalista Antônio Carlos Fon sobre o que considerou um “dia doloroso, mas essencial para entender muita coisa sobre nosso passado, presente e futuro” (leia a íntegra aqui).

Fon conta que sua pressão arterial chegou a 18 ou 19. “Tive de sentar nas escadas para recuperar o fôlego. E consegui, finalmente, entender um detalhe que não conseguia explicar: por que eu não ouvi os gritos do jornalista Celso Horta, torturado na outra câmara de torturas, separada da minha apenas por uma divisória de Eucatex, e ouvi os assassinos do Jonas enquanto o interrogavam? Quem matou a charada foi a Darci [Miyaki], que passou por essa experiência inúmeras vezes: a gente não ouve os gritos das outras pessoas enquanto nós mesmos estamos gritando.”

Ele também destaca a importância desta vistoria: "Pudemos comprovar que foram e estão sendo feitas mudanças para descaracterizar o que foi o maior centro de torturas já instalado neste país”. E conclui trazendo um importante alerta aos brasileiros: “Saí com a impressão de que nós e nossos companheiros continuamos a ser torturados. E que as Forças Armadas precisam decidir se vão continuar, por puro espírito de corpo, a defender e procurar encobrir os crimes desses criminosos ou vão renegá-los para ajudar a construir o Brasil que todos nós queremos”.

Leiam também "Delegacia era fachada do centro de tortura", entrevista com o deputado Adriano Diogo.

(Foto protesto: Marcelo Camargo/ABr; foto DOI-CODI: portal O Vermelho)
Delegacia era fachada do centro de tortura
Publicado em 31-Jan-2013

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Adriano Diogo
Ao lado de outros ex-presos políticos (leia nota acima), o deputado estadual paulista Adriano Diogo (PT) voltou nesta semana (3ª feira) às dependências do antigo DOI-CODI pela primeira vez desde que ali ficou preso 40 anos atrás. Atual presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, ele explica a importância de transformar as antigas dependências do DOI-CODI em um sítio da memória.

Qual o papel do antigo prédio do DOI-CODI, na rua Tutóia, durante a repressão?


Adriano Diogo
 O prédio da OBAN foi a materialização repressiva do AI-5. O mais importante centro de repressão do país e seu grande núcleo clandestino. Ali, pela primeira vez, a ditadura militar juntou agentes federais, militares e polícia de São Paulo na criação de um “pull” de inteligência, logística e repressão à esquerda e aos demais perseguidos pela ditadura militar.

Muitos pensam que só os paulistas foram presos e investigados ali. Em suas dependências morreram Vladimir Herzog, o Manoel Fiel Filho, o Alexandre Vannuchi, o Virgílio Gomes da Silva e tantos outros. Mas, é bom lembrar que as ordens para eliminar as pessoas na Guerrilha do Araguaia, no massacre em Pernambuco que teve colaboração do Cabo Anselmo, ou o David Capistrano na fronteira com a Argentina, e todo o comando repressivo saíam da rua Tutóia. Tudo. Era lá o núcleo pensante albergado no II Exército, comandado durante um longo período pelo atual general Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Por que um museu ou memorial?


Adriano Diogo
 Há nos capítulos das Comissãos da Verdade, no mundo todo, lugares chamados sítios da memória. Os campos de concentração da Alemanha nazista, por exemplo, são sítios da memória. Tratam-se de museus permanentes abertos à visitação pública, onde estão registradas todas as pessoas que lá estiveram presas ou foram mortas e o nome dos seus algozes. Na Argentina, o sítio da memória localiza-se na ESMA – Escola Superior de Militares da Armada, em Buenos Aires.

Aqui no Brasil, o único sítio da memória (da resistência pela democracia) preservado é o Memorial da Resistência (antigo sede do DOPS paulista). Já a 19º estrela no site da PM é uma referência ao Golpe Militar, sem falar de escolas e ruas que trazem os nomes do Filinto Muller, Sérgio Paranhos Fleury... Há muitos sítios que continuam com essas loucuras. Agora, o prédio mais significativo (para memória da resistência), obviamente, é o prédio da OBAN (Tutóia), onde hoje funciona uma delegacia.

Como está a preservação deste sítio?


Adriano Diogo Embora eles digam que uma coisa é a delegacia e outra os fundos dela - onde ficavam os centros de tortura -, nada foi feito para preservar esse sítio de memória. Tampouco para resgatar o que ocorreu. E pior: na delegacia onde na ditadura ficavam celas dos prisioneiros políticos, continua funcionando como uma delegacia até hoje. Essa delegacia era uma fachada legal à época para o centro de tortura nos fundos do terreno. Em 1979, o então governador Paulo Maluf, durante a votação da anistia, para dar uma bofetada na dignidade dos brasieiros, cedeu através de um decreto estadual aquele terreno todo ao II Exército.

No decreto está escrito “para o DOI-CODI”, que era o nome regular, legal, da Operação Bandeirantes. Este decreto não foi revogado até hoje e nós da Comissão da Verdade estamos entrando com um pedido para que haja a sua revogação. Os dois prédios estão isolados. Nos fundos, ocorriam os interrogatórios e as sessões de tortura. O que não ficou claro - é importante frisar - é que no prédio onde hoje funciona a delegacia ficavam as celas: a cela forte, uma solitária terrível; e mais seis celas. Todas funcionavam dentro do prédio da atual delegacia, lá embaixo. Ontem, nós não conseguimos acessar essas partes, mas temos as fotos do processo de tombamento destas antigas celas que foram modificadas e hoje são salas.

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Fundos da 36ª Delegacia de Polícia de São Paulo, onde funcionava a OBAN

Como está  o processo de tombamento?


Adriano Diogo
 Está indo bem. Só temos elogios ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), embora exista o problema da morosidade. Mas há uma compreensão da importância deste processo e ele está sendo acompanhado.


Em tempo: aproveito para recomendar, neste 31 de janeiro, a leitura do artigo de Max Altman "Stalingrado salvou a humanidade da sanha nazi-fascista". Há exatos 70 anos, os russos venciam os alemães em uma das mais sangrentas batalhas da história

POLÍTICA - "A elite dos nossos países não gosta de nós"


Do blog Ronaldo - Livreiro.

POLÍTICA - Ato em desagravo ao Zé Dirceu.



Rio: Dirceu participa de ato para contestar julgamento do mensalão

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MÍDIA - Entre a democracia e a guerra midiática global.


No Observatório da Imprensa

Não apenas as urnas dizem respeito ao Estado de direito, mas o que ocorre entre cada eleição, isto é, igualdade social, justiça e participação popular nos assuntos do país. Em cada um desses pontos, segundo dados oficiais considerados também por diversos organismos internacionais, a Venezuela sob o governo democrático de Hugo Chávez vem alcançando níveis sociais e democráticos como nunca antes em sua conturbada história marcada por golpes (sobretudo patrocinados pela CIA), sabotagens e corrupção, e como poucas nações latino-americanas atualmente.
Hugo Chávez também tem questionado seriamente a política externa norte-americana desde que assumiu a presidência em 1999, especialmente no que diz respeito à chamada Guerra ao Terror, condenando as invasões que desrespeitam a soberania de Estados, ferem todas as leis internacionais e agridem gravemente civis inocentes. Além disso, a República Bolivariana da Venezuela é o país mais rico em petróleo da América Latina, este o grande “interesse” histórico dos EUA naquele país que, desde que Chávez assumiu a presidência, tem nacionalizado as reservas petrolíferas.
Para profundo desgosto das elites da região e de Washington, o presidente Chávez não apenas está vivo no hospital em La Habana, Cuba, como se recupera e também o adiamento de sua posse, prevista para 10 de janeiro, é absolutamente constitucional ao contrário da nova ofensiva internacional àquele que governa o Estado mais abundante em petróleo da região.
Ao longo destes 14 anos de governo, reeleito presidente em 12 de outubro passado pela quarta vez, Hugo Chávez tem sofrido uma suja guerra midiática praticada pela grande mídia internacional, e no Brasil não tem sido diferente, retratando uma realidade venezuelana muito diferente da condizente com a verdade, sobretudo envolvendo o presidente e o ser humano Hugo Chávez em particular, especialmente agora, distorcendo as implicações de sua reeleição, a enfermidade, sua subsequente internação e a consequente prorrogação de sua posse à presidência como é o caso do jornal O Estado de S. Paulo, conforme veremos adiante.
Em meio a tudo isso, poucos veículos internacionais divulgaram as evidências de que a criminosa tentativa de golpe de Estado em 11 de abril de 2002 na Venezuela contou com amplos setores das elites e da grande imprensa local, todos subordinados à administração de George Bush e da CIA. O diário britânico The Guardian foi um dos poucos que noticiou a questão, conforme veremos aqui. Nada disso difere da também suja guerra midiática, patrocinada por Washington, que sofrem os países latino-americanos, inclusive o Brasil.
Leitura de O Estado de S. Paulo
Em 20 de janeiro, Celso Lafer escreveu sobre o adiamento da posse do presidente Chávez no diário O Estado de S. Paulo, um dos mesmos veículos de comunicação que além de estar quase que totalmente sem credibilidade perante a sociedade brasileira hoje, apoiou o Golpe Militar de 1º de abril de 1964 autodenominado à época de “Revolução Democrática” (patrocínio este que o jornalão nega até a morte hoje), faz atualmente sistemática perseguição ao Partido dos Trabalhadores e à pessoa do ex-presidente Lula (a que pesem todas as divergências que se possa ter com este operário originário da roça nordestina, e com seu partido), cuja emblemática prática antijornalística e até criminosa foram as implicações do Mensalão antecipando culpados e aplicando sentenças (sem provas):
“Essa fórmula [do adiamento da posse], que teve o respaldo do Legislativo e do Judiciário, afastou a via constitucional contemplada para uma situação dessa natureza: a realização de nova eleição em 30 dias”. Este artigo já se inicia com título bastante sugestivo, que se torna mais claro ao longo do texto, “Reflexões sobre a Situação da Venezuela”, com o termo “situação” denotando conturbação, crise, instabilidade, algo totalmente distante da realidade venezuelana mas que a grande mídia internacional insiste em criar envolvendo a Venezuela.
Em um texto superficial no caso específico, muito argumentativo mas sem nenhum efeito prático sobre o que trata, Lafer, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, ainda afirmou conclusivamente:
“É por obra da natureza monocrática do regime político da Venezuela que a fórmula encontrada para manter, no momento, ainda que indiretamente, o mando do presidente Chávez se fez per leges, ou seja, por meio da lei, mas não sob o império do governo das leis. É por isso que ela é democraticamente discutível e juridicamente frágil. A evolução da conjuntura dirá se a democracia vai ou não enfraquecer-se ainda mais [grifo nosso] na Venezuela e se vai ou não contribuir para aumentar a heterogeneidade não democrática da região.”
Pois é: a histeria justiceira da mídia comercial e dos setores mais conservadores deste país, conforme temos abordados neste Observatório apegados de tal maneira ao cumprimento de um tipo de jurisprudência bem peculiar, sempre pende ao mesmo lado e agora, no caso da posse de Hugo Chávez, não difere em nada das práticas às quais estamos pateticamente acostumados no Brasil – não por coincidência, tem sido esse mesmo tom o da grande mídia internacional: Reuters, The New York Times e El País da Espanha, por exemplo, desde o início transformaram a internação do presidente eleito da Venezuela em um grande entrave democrático, muitas vezes dando-o como morto discutindo sistematicamente a sucessão presidencial enquanto porta-vozes do governo, o vice-presidente Nicolás Maduro e o ministro de Comunicação, Ernesto Villegas, garantiam constantemente que o presidente estava vivo, em recuperação.
Garantia constitucional para adiamento da posse do presidente Chávez
Antes de mais nada, a Constituição venezuelana, em seu artigo 231:
“O candidato eleito ou candidata eleita assumirá o cargo de presidente da República em dez de Janeiro do primeiro ano de seu período constitucional, por meio de juramento diante da Assembleia Nacional. Se por qualquer motivo sobrevindo [grifo nosso] o presidente da República não puder tomar posse perante a Assembleia Nacional, o fará diante do Supremo Tribunal de Justiça.”
Com base neste artigo, que não foi elaborado nas últimas semanas, evidentemente, o Poder Legislativo democraticamente eleito aprovou o adiamento da posse de Hugo Chávez para o período presidencial 2013-2019 sob amplo apoio popular, solicitação esta acatada pelo Poder Judiciário.
Antes disso, o próprio Hugo Chávez fora eleito presidente em 7 de outubro de 2012 com 54,84% dos votos, contra 44,55% de seu principal oponente, Henrique Capriles. A participação popular na referida eleição, em um país que o voto não é obrigatório, foi o maior da história: 80.85%, o que demonstra amadurecimento democrático e politização entre a sociedade, em uma eleição totalmente limpa, fato este reconhecido até pelo arquirrival de Chávez antes mesmo dos resultados oficiais terem sido definitivamente divulgados.
A sociedade que reelegeu o presidente há poucos meses para continuar no Palácio de Miraflores é a mesma que apoia sua recuperação agora, bem como a jurisprudência cristalinamente aplicada a fim de garantir, digna e democraticamente, a posse de Hugo Rafael Chávez Frías.
Para desalento dessas mesmas elites perfeitamente representadas por suas respectivas mídias, o presidente Chávez, ao menos neste momento, apresenta recuperação – jamais perdeu o maciço apoio da população local. Onde se observa fragilidade democrática crescente na Venezuela perante tal quadro, conforme afirmou o professor Lafer no jornalão do Golpe?
Lamentavelmente para a sede democrática das pretensiosas elites e da grande mídia latina e norte-americana, do Alasca à Terra do Fogo curiosamente sob novos ataques de esquizofrenia justiceira, democracia que tanto dizem defender funciona exatamente assim conforme se tem avançado na Venezuela, nação soberana.
Nem só de urnas vive uma democracia
Democracia, no entanto, não se resume a frequentes sufrágios universais, mas o que ocorre entre esses períodos. Pois também neste caso, a Venezuela sob Hugo Chávez vive uma democracia jamais vista antes em toda sua história, em diversos pontos elogiada pela Organizações das Nações Unidas (ONU).
Além de declarado Estado livre do analfabetismo segundo a Unesco em 2005, após alfabetizar 1,5 milhões de pessoas inclusive nas línguas indígenas, a Venezuela possui o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América Latina hoje, fruto das políticas sociais de Hugo Chávez (tais índices são bastante relativos, mas no caso venezuelano é bastante significativo comparando sua situação anterior ao governo Chávez, especialmente tomando tais números dentro do contexto atual, que veremos resumidamente a seguir).
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sob a presidência de Chávez a Venezuela reduziu em 50% a proporção de pessoas em pobreza extrema, atingiu uma das metas do milênio estabelecidas pela organização (o prazo para alcançar tal meta era 2015).
Segundo o Instituto Sofi (Estado da insegurança alimentar no mundo 2012, na sigla em inglês), em 2012 a porcentagem de pessoas subnutridas foi inferior a 5% da população total – de 1990 e 1992, a porcentagem foi de 13,5%.
Entre 2002 e 2010, a pobreza extrema apresentou queda livre como em nenhum outro país da região: de 48,6%, despencou para 27,8% da sociedade, reduzindo-se assim de 22,2% para 11,5%.
Segundo a professora da Universidade Central da Venezuela, Mariclein Stelling para a revista Caros Amigos (novembro de 2012, pág. 12), “[a sociedade local hoje] têm direitos a ter direitos. Não somos mas uma sociedade submissa, esperando um favor de uma escola.
“Aqui já existe um processo de pró-atividade política. Antes não era assim, o pobre era sempre pobre e não tinha vontade de crescer. As pessoas sabem o que é controle social, o que é poder popular, já estão organizadas em coletivo.”
Outro fator positivo, e que traduz muito bem a manipulação midiática e a guerra oculta de Washington, é que hoje a Colômbia, sob a presidência de Juan Manuel Santos, menos submisso aos ditames norte-americanos (pero no mucho), agradece a colaboração do vizinho e homólogo Hugo Chávez pela eficiente colaboração no tráfico de drogas e terrorismo em suas fronteiras (seu antecessor, Álvare Uribe, que escancarou o país às bases militares norte-americanas, tido por George Bush como seu grande aliado na região, Chávez era constante e fortemente acusado de apoio ao narcotráfico e de apoio a atos de terror, sem nenhuma substância).
Ponto negativo da administração de Chávez é a violência: tais índices chegaram a 19.133 assassinadas em seu país em 2009, o que significa a assustadora taxa de 75 homicídios por 100 mil habitantes.
O presidente Chávez é questionado, ou “acusado”, melhor colocado, por não ter podido ou nem sequer tentado gerar um líder que possa substituí-lo. Há em seu governo pessoas da mais alta capacidade e idoneidade, tais como os próprios vice-presidente Nicolás Maduro e o ministro de Comunicação, Ernesto Villegas.
Contudo, deve-se recordar que a Venezuela, assim como os demais países da região, sofreu por mais de um século até a posse do presidente Chávez, fortes intervenções, golpes e regimes autoritários, de maneira que não se pode resolver o problema e produzir estadistas em alguns poucos anos.
Leitura de El País
No último dia 24/1, o diário espanhol El País publicou uma imagem falsa que indicava Hugo Chávez entubado, no que o jornal dizia se tratar de sua atual recuperação no hospital de La Habana. O título da reportagem fantasia era “O segredo da enfermidade de Chávez”, dando uma séria conotação de gravidade do estado de saúde do governante venezuelano.
A imagem fora retirada de um vídeo do Youtube, de um paciente sob tratamento em 2008. No mesmo dia, foi constatada a falsidade da imagem, a direção de El País retirou os exemplares impressos das bancas, a “reportagem” do seu sítio na Internet e desculpou-se com seus leitores, porém não se retratou perante a sociedade venezuelana nem como Hugo Chávez e com seus familiares por mais uma tentativa histericamente irresponsável em gerar crise no governo bolivariano.
Leitura do The Guardian
Nada disso é divulgado no Brasil, nem nos grandes meios de comunicação globais, nem menos o que ocorreu em abril de 2002, quando o mesmo Hugo Chávez sofreu o golpe que o tirou da presidência por 48 horas. Sob isso, vale recordar, perante todo esse cenário venezuelano entre o avanço democrático e a guerra midiática, o que reportou o jornal The Guardian em ”Golpe na Venezuela Ligado à Equipe de Bush“ (tradução livre):
“Especialistas em 'guerras sujas' dos anos 80 incentivaram os golpistas que tentaram derrubar o presidente Chávez.
“O fracassado golpe na Venezuela esteve intimamente ligada aos altos funcionários do governo dos EUA, The Observer comprovou. Eles têm uma longa história na “guerra suja” dos anos 1980, e as ligações aos esquadrões da morte na América Central, trabalhando naquela época.
“(...) Além disso, também aprofunda as dúvidas sobre a política na região a serem consideradas por pessoas nomeadas para a administração Bush, as quais construíram suas carreiras ao serviço das guerras sujas do presidente Reagan.
“Um deles, Elliot Abrams, que acenou à tentativa de golpe na Venezuela, condenado na Justiça por enganar o Congresso sobre o infame caso Irã-Contras.
“(...) Imediatamente, aprovou no novo governo [da Venezuela, grifo nosso] o empresário Pedro Carmona.
“Agora, os funcionários da Organização dos Estados Americanos e de outras fontes diplomáticas, conversando com The Observer, afirmam que o governo dos EUA não estava somente ciente do golpe prestes a acontecer, mas havia sancionado-o presumindo que obteria sucesso.
“As visitas de venezuelanos para planejar um golpe, incluindo Carmona mesmo, começou, segundo fontes, ‘há vários meses’ e continuou até semanas antes do golpe final, na semana passada. Os visitantes foram recebidos na Casa Branca pelo homem chave do presidente George Bush, encarregado de para a formulação de políticas para a América Latina, Otto Reich.
“Reich é extremo-direitista cubano-norte-americano que, no governo Reagan, dirigiu o Instituto de Diplomacia Pública. Órgão que fazia relatos, em tese, ao Departamento de Estado, mas foi provado, por investigações do Congresso, que Reich se reportava diretamente ao Apoio de Segurança Nacional de Reagan, o coronel Oliver North, na Casa Branca.
“North foi condenado e humilhado por seu papel no escândalo Irã-Contras, onde armas compradas pelas vergonhosas sanções dos EUA no Irã, foram vendidos aos guerrilheiros Contra e esquadrões da morte, em revolta contra o governo marxista da Nicarágua.
“(...) Reich, segundo fontes da OEA, participou de ‘uma série de reuniões com Carmona e outros líderes do golpe de Estado’, durante vários meses. O golpe foi discutido em detalhes, até sua época e as chances de sucesso, que foram consideradas excelentes.
“'Os setores mais reacionários dos Estados Unidos também estiveram envolvidos na conspiração', disse [Guillermo García Ponce, diretor da Comissão Política do Comando Revolucionário].”
[Para ler o artigo traduzido ao português na integra, além de dois videodocumentários, um deles da rede TV Telesur da Venezuela da série intitulada IngerenCIA, sobre a tentativa de golpe criando cenários com apoio manipulador da mídia, aqui (http://edumontesanti.skyrock.com/6.html) (role a tela).]
História sem fim
A América Latina vive, e não é de hoje, um bombardeio midiático conforme abordamos no início, através do qual até pessoas razoavelmente bem informadas e com boas intenções acabam distorcendo realidades. Tais campanhas não possuem nenhum caráter justiceiro, evidentemente, nem defendem interesses populares, ao contrário do que aparentam. É o caso da Venezuela desde que Hugo Chávez assumiu a presidência, em 1999: no Brasil, onde Hugo Chávez é sinônimo de golpismo, trata-se de grande surpresa a realidade venezuelana exposta aqui, o que pode ser assistido nos videodocumentários recomendados mais acima sobre o golpe de 2002, bem como a administração de Chávez, sua própria figura humana e todos os golpes midiáticos que tem sofrido nestes anos.
Sobre a guerra midiática promovida pela CIA na América Latina, com diversas reportagens e documentos secretos originais revelados por WikiLeaks podem ser lidos em português aqui (http://edumontesanti.skyrock.com/30.html) – esta guerra não morreu junto com as ditaduras militares regionais, nem em 2002 na tentativa de derrubar Chávez ao contrário do que muitos imaginam: mudaram-se apenas as escusas e tornou-se mais sutil, sob determinados aspectos.
No caso particular da Venezuela, as mentiras e manipulações dos jornalões brasileiros vêm “cobrando” daquele país transparência e democracia plena, o que eles mesmos sempre se opuseram tal como se deu em 1º de abril de 1964, o dia da mentira que desgraçadamente insiste em se perpetuar no Brasil.
À CNN em espanhol, Hugo Chávez já concedeu duas entrevistas ao vivo, uma para a jornalista Carmen Aristegui, em novembro passado, e outra para a jornalista Patricia Janiot, podendo falar abertamente sobre seu governo, algo jamais ocorrido no “libertário” jornalismo brasileiro que se opõe ferrenhamente ao marco regulatório na imprensa, supostamente em nome da liberdade de expressão porém, na prática, justamente para poder seguir praticando as mesmas manipulações de sempre tendo garantida não a liberdade de expressão, mas a de imprensa e seus interesses comerciais.
Conforme argumentamos no livro Mentiras e Crimes da “Guerra ao Terror” (citando sérias ocorrências jornalísticas no Brasil, EUA e outras partes do globo), o jornalismo brasileiro é mais submisso aos ditames de Washington que a própria Imprensa norte-americana, por incrível que possa parecer. Pois está aí, mais uma vez pateticamente evidenciado que os meios de comunicação do Brasil estão completamente prostrados de joelhos diante do Império, como sempre estiveram.
Assim, semana após semana, ela e suas distorções e espetáculos: a irregenerável mídia brasileira, manipulando a opinião pública sem nenhum constrangimento – “coincidentemente”, sempre contra os avanços sociais e a favor dos usurpadores do poder.
Conforme afirmou Cláudio Guerra, ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e autor do livro Memórias de uma Guerra Suja (sobre a ditadura militar brasileira, na qual ele mesmo confessa, arrependido, ter executado vários cidadãos inocentes apenas por questões ideológicas) em entrevista ao Observatório da Imprensa em junho de 2012, a ideologia ditatorial, conservadora e regressiva, segue muito viva no Brasil, estando apenas adormecida.
De nossa parte, não temos dúvidas de que tal regime está na iminência de despertar; trabalha-se arduamente nos porões da política, do alto empresariado e da Imprensa predominante, nacional e latino-americana, a favor do retrocesso aos piores momentos da história da América Latina, tudo isso sob apoio sujo, muitas vezes histericamente irresponsável das grandes potências e seus porta-vozes da mídia. Cada semana, temos diversas e irrefutáveis evidências dessa orquestra contra o avanço das políticas sociais e da democracia na região mais rica em biodiversidade do planeta.
***
[Eduardo Montesanti Goldoni é escritor e professor de Inglês e Português para Estrangeiros da Yellow English School]

MÍDIA - Jornalismo da mentira.


Capa do El País (com a foto falsa) e Tommaso De Benedetti

Publicado em 29/01/2013 por Mário Augusto Jakobskind*

O jornal El País realmente bateu o recorde em matéria de barriga (termo utilizado por jornalistas para designar divulgação de notícias erradas) ao publicar uma foto de um suposto presidente Hugo Chávez entubado na cama de um hospital. Os primeiros exemplares impressos foram rodados e distribuídos, bem como a foto divulgada no site ficou no ar algum tempo.

Tudo começou quando o jornalista italiano Tommaso De Benedetti enviou a foto, capturada doYouTube, para três agências de notícias, que não divulgaram nada. Estranhamente, a imagem acabou aparecendo no jornal El País, cujos editores, sem nenhum tipo de checagem, publicaram.

De Benedetti alega que ao divulgar a falsa foto de Chávez queria apenas testar o jornalismo que vem sendo exercido atualmente. Será? Então, por que ao enviar a imagem se fez passar pelo Ministro venezuelano da Cultura, Pedro Calzadilla?

O jornalista italiano não é confiável. Tem antecedentes negativos como autor dos rumores sobre a morte do líder da Revolução cubana Fidel Castro, do escritor colombiano Gabriel García Márquez e se apresentou no Facebook e Twitter como personagens famosos, entre os quais Mário Vargas Llosa, Umberto Eco e até o Papa Bento XVI.

Na verdade, não é de hoje que a mídia de mercado tem publicado falsas informações sobre a saúde do presidente venezuelano. Aqui neste espaço já se comentou o desejo de algumas publicações em ver Chávez morto. A Rede Globo que o diga, bem como colunistas vinculados ao famigerado Instituto Millenium, já conhecidos e cujos nomes nem vale a pena citar.

O El País pediu desculpas aos seus leitores e teve de admitir publicamente o erro grosseiro. Se não o fizesse perderia de vez a credibilidade até mesmo entre os leitores que o consideram o melhor dos melhores.

Mas o governo venezuelano entendeu que não bastam as desculpas e decidiu entrar com uma ação judicial contra o jornal espanhol, conforme anunciou o Ministro da Comunicação e Informação, Ernesto Villegas.

Há muitos mitos sobre os meios de comunicação pelo mundo a fora. O El País, por exemplo, é citado por outros jornais, como “o consagrado jornal espanhol”. A BBC de Londres é considerada pelos acadêmicos de plantão como o exemplo de mídia pública a ser seguido. Mas nem todos pensam assim.

Dias desses, ativistas sociais fizeram manifestação em frente a sede da emissora britânica denunciando a parcialidade na cobertura dos acontecimentos no Oriente Médio. Os palestinos, segundo os manifestantes, são tratados de forma discriminada.

Na época da invasão e ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e com o apoio do Reino Unido, a BBC foi acusada de apenas defender os interesses do Estado britânico, ou seja, estadunidenses, nas coberturas sobre os acontecimentos.

Se analisarmos as coberturas jornalísticas de outras mídias eletrônicas no Brasil, não há como silenciar diante das barbaridades que estão sendo cometidas.

Para ficarmos em um exemplo mais recente, já comentado na reflexão da semana passada, a intervenção francesa no Mali teve a unanimidade favorável ao que determinou o presidente François Hollande.

Em décadas passadas, por exemplo, antes da derrota dos franceses no Vietnã, substituídos em seguida pelos estadunidenses, vale uma consulta aos meios de comunicação para constatar a unanimidade em torno da defesa da ação colonial contra os “bárbaros nacionalistas comunistas” comandados pelo General Giap. Era um tempo em que comunistas eram acusados de “comer criancinhas” .

Na África de décadas passadas, o esquema era semelhante. Para se ter uma ideia, há 52 anos a CIA e os serviços de inteligência belga assassinaram Patrice Lumumba, líder da luta de libertação nacional no Congo.

Vale também uma consulta sobre o noticiário da mídia de mercado. Aliás, praticamente nenhum meio de comunicação brasileiro concedeu agora espaço para analisar a figura de Lumumba, assassinado em 17 de janeiro de 1960.

Nem é preciso recuar muito no tempo para constatar a parcialidade da mídia de mercado em relação a fatos históricos recentes. Meios de comunicação que hoje posam de democratas desde sempre, apoiaram a ditadura chilena de Augusto Pinochet. Silenciaram sobre as atrocidades que ocorriam no Uruguai depois de 1973 e assim sucessivamente. Alguns chegaram a defender a invasão do Uruguai pelos “democratas” militares brasileiros para coibir os tupamaros. E assim sucessivamente.

Para citar um caso mais recente, já lembrado neste espaço, o atual presidente da CBF e do Comitê Organizador para a Copa do Mundo, José Maria Marin, um dos responsáveis pelo assassinato de Valdimir Herzog, ao discursar como deputado estadual da Arena pedindo “rigor das autoridades para enfrentar a infiltração na TV Cultura”, nunca foi questionado pelos grandes veículos de comunicação.

Tem aparecido muito em função dos cargos que ocupa, mas poucos foram informados sobre o seu passado de extrema direita e até defensor do famigerado delegado Sergio Fleury.

A exceção fica por conta de O Estado de S. Paulo que na semana passada, pelo menos, editou declaração de Igor Herzog pedindo a exoneração de Marin por considerá-lo um dos responsáveis pelo que aconteceu com o seu pai, Vladimir Herzog em outubro de 1975.
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Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.

Via Casthor  

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

MÍDIA - O coelho da cartola de Dilma.

Contraponto 10.373 - Franklin Martins - o coelho da cartola de Dilma Roussef

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Franklin Martins - o coelho da cartola de Dilma Roussef


TUBARÕES DA MÍDIA CATUCAM A PRESIDENTE COM VARA CURTA

Do 007 BONDeblog - quarta-feira, 30 de janeiro de 2013



A oposição e a mídia estão em ALERTA MÁXIMO com a "visita" que o jornalista Franklin Martins faz no dia de hoje ao Palácio do Planalto para uma "conversa de pé de ouvido" com a presidente Dilma Rousseff.

Ex-ministro (Comunicação Social) do governo Lula, Franklin conhece tudo sobre o comportamento (mau comportamento) das famílias que controlam as comunicações no BRASIL, e tem algumas "propostas" para que a DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO passe a vigorar no nosso país, ao invés da DITADURA DA DESINFORMAÇÃO que hoje, a MÍDIA controlada pelo GAFE, impõe.

Eu ouvi dizer não sei onde, e não lembro quem foi que me disse, que Franklin Martins GOSTOU MUITO do pronunciamento da presidente, feito em cadeia de rádio e televisão, para comunicar a redução das tarifas de energia e desmentir a boataria da Mídia sobre a possibilidade de APAGÃO. Me disseram ainda, que talvez venha por aí um CHÁ COM A PRESIDENTA, nos moldes do CAFÉ COM A PRESIDENTA. O CHÁ seria as 5 h. da tarde, e pela TV. É possível ainda que Franklin Martins volte.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA - Compra de tablets.


A Procuradoria Geral da República (PGR) realizou licitação no final de 2012 para a compra de 1226 tablets — 1200 para a PGR e 25 para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Não se discute a importância dos aparelhos para o exercício da função dos procuradores, o interessante foi como o edital para compra pelo órgão comandado pelo senhor Roberto Gurgel foi produzido para que a vitoriosa no processo fosse a Apple.
A Lei de Licitações determina que marcas não podem ser citadas em editais de compras públicas, mas o edital da licitação da PGR (141/2012) cita a Apple ao menos duas vezes e exige tecnologias que só a empresa detém, o que inviabiliza a participação de qualquer outra fabricante. Ou seja, como se diz no universo das concorrências, a licitação foi dirigida.
Nas especificações técnicas para os tablets licitados, o edital determina que o aparelho precisa possuir a tecnologia  “Tela Retina”, que é exclusiva da Apple e que venha equipado com o chip Apple A5X dual core, fabricado apenas para produtos da marca. Veja nas imagens.
 
E mais, as dimensões exigidas no edital são exatamente as mesmas do Ipad. Veja o comparativo entre o site da Apple e o texto da licitação.
Dimensões informadas no site da Apple, na imagem da esquerda, e dimensões exigidas na licitação da PGR, na imagem da direita (Foto: Reprodução)
Exige-se ainda uma capa para tablet, fabricada pela Apple e desenvolvida especificamente para o Ipad. Veja nas imagens abaixo onde a marca foi citada no edital.
O repórter Felipe Rousselet entrevistou Cláudio Weber Abramo, executivo da ONG Transparência Brasil, indagando-o sobre a legalidade de uma licitação feita nestes moldes. A resposta foi curta e direta: “Essa licitação é ilegal”. “As dimensões já direcionam. É difícil, mesmo pela Apple, conseguir este tipo de precisão. Não nas dimensões, mas no peso é aceitável que exista uma diferença de uma ou duas gramas”, comentou.
Evidente que a vencedora da concorrência em pregão eletrônico foi a Apple, conforme resultado publicado abaixo.
O repórter Felipe Rousselet entrou em contato com a assessoria de imprensa da PGR, do CNMP e da Apple., mas  até a publicação deste post, apenas o CNMP  se posicionou sobre o caso. Através da sua assessoria, o órgão afirmou que não participou da elaboração do edital para a compra dos tablets e do processo de fiscalização, apesar de ser beneficiado com algumas unidades do equipamento. O CNMP disse ainda que o dinheiro ainda não foi empenhado. Ou seja, a empresa vencedora já foi escolhida, mas o pagamento e a entrega dos tablets ainda não foram feitos.
Roberto Gurgel que abusou dos holofotes da mídia para discursar sobre o “mensalão”, agora prefere se calar sob a suspeita  de licitação dirigida envovendo R$ 2.940.990,10  no órgão que preside. Só para constar, o que em tese não é algo ilicito, mas pode explicar muita coisa. Esse pregão eletrônico ocorreu no dia 31 de dezembro à tarde, quando o órgão já estava em recesso. Dia 31 de dezembro à tarde, você não leu errado. E mesmo assim o órgão comandado por Gurgel acredita que não tem nenhuma explicação a dar à sociedade brasileira. Alvíssaras.
Atualizando: Por Sugestão do leitor Eric, acrescento mais uma questão a este post. Por que a vencedora do certame foi a empresa A.A. de Araújo M.E. Uma microempresa vencou uma licitação de aproximadamente 3 milhões de reais na venda de um produto de uma multinacional. Por que isso?

POLÍTICA - Dilminha "bondade".

image 1 1024x577 Dilminha bondade vai pagar promessas de 2010
A redução das tarifas de energia e o anúncio de que vai liberar R$ 66,8 bilhões para os novos prefeitos eleitos investirem em saneamento, pavimentação e mobilidade urbana constituem apenas o início da ofensiva programada pela presidente Dilma Rousseff para distribuir seus "pacotes de bondades".
"Dilminha bondade", como já é chamada no Palácio do Planalto, vai priorizar o nordeste, região que lhe deu a maior vantagem sobre José Serra em 2010 e principal reduto de um possível concorrente em 2014, o governador pernambucano Eduardo Campos.
Depois de ir ao Piauí na semana passada para entregar obras, nesta terça-feira Dilma esteve no Sergipe, onde inaugurou uma ponte e um parque eólico (energia produzida pelos ventos).
As próximas viagens ao nordeste para cumprir promessas que fez em 2010 serão a Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.
No encontro de segunda-feira, em Brasília, com milhares de novos prefeitos eleitos em 72% dos municípios em outubro,  que terão papel importante nos dois últimos anos do governo Dilma, a presidente prometeu a ampliação do programa "Minha Casa Minha Vida", mais recursos para o Bolsa Família e a construção de creches.
Aliar-se aos prefeitos será fundamental para Dilma na sua campanha pela reeleição, pois eles são responsáveis pelos cadastros dos beneficiários dos programas sociais e importantes parceiros na construção de creches.
Entre outros benefícios, a presidente também prometeu entregar retroescavadeiras e motoniveladoras compradas pelo governo federal aos prefeitos de municípíos com menos de 50 mil habitantes _ ou seja, a grande maioria das 5.500 cidades brasileiras.
Dilma sabe que só distribuir verbas não basta. Por isso, chamou os prefeitos a Brasília para que aprendessem o caminho das pedras da burocracia da Esplanada dos Ministérios, ou seja, onde e como conseguir recursos da União para os seus projetos, além de oferecer assistência técnica para a sua implantação.
Antes arredia, parece que agora "Dilminha bondade" pegou gosto em fazer política.
Blog do Ricardo Kotscho.