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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

IRÃ - Corta petróleo à UE.

O servilismo da UE aos diktats do governo estado-unidense manifestou-se, mais uma vez, na decisão de 23 de Janeiro de sancionar o Irão. Verifica-se que as pressões do governo Obama encontraram plena aquiescência nas instâncias comunitárias. Mas este tiro poderá sair pela culatra. A mais penalizada por tal decisão será a própria Europa e não o Irão. Não faltam compradores para o petróleo iraniano — mas os países europeus que importavam petróleo do Irão terão agora de ir buscá-lo mais longe e mais caro.
Quanto ao congelamento dos activos do Banco Central do Irão, foi uma mera palhaçada psicológica da UE pois o BCI não tinha nem um cêntimo depositado em bancos europeus. Além disso, tal medida contribuiu para descredibilizar – ainda mais – o já debilitado sistema bancário europeu. Bem fez o Presidente Chávez quando mandou retirar todos os activos venezuelanos depositados na banca europeia.
resistir.info
TEERÃO (FNA) – Membros do Parlamento iraniano concluíram um projecto de lei sobre o corte das exportações de petróleo do país para estados europeus, como retaliação pelo embargo de petróleo da UE contra Teerão, declarou sábado, 28, um deputado iraniano.

"O diploma tem quatro artigos, incluindo um que declara que a República Islâmica do Irão cortará todas as exportações de petróleo para os estados europeus até que estes cessem suas sanções petrolíferas contra o país", disse o vice-presidente da Comissão de Energia do Parlamento, Nasser Soudani.

Por outro lado, acrescentou, outro artigo exige que o governo cesse de importar mercadorias dos países envolvidos nestas sanções contra o Irão.

Após meses de debates, os estados membros da UE, na sua reunião de 23 de Janeiro, alcançaram finalmente um acordo para sancionar importações de petróleo do Irão e congelar os activos do Banco Central do Irão dentro da UE.

A seguir à decisão, a responsável pela política externa da UE, Catherine Ashton, afirmou as sanções destinam-se a pressionar o Irão a retornar às conversações sobre o seu programa nuclear.

Contudo, apesar das afirmações de Ashton, o Irão sempre sublinhou estar preparado para retomar conversações com o Ocidente mas tem enfatizado que nunca aceitará quaisquer pré-condições para as mesmas.

O ministro iraniano do Petróleo, numa declaração segunda-feira passada, minimizou os efeitos das sanções petrolíferas unilaterais dos EUA e da UE contra Teerão, considerando que tais embargos simplesmente prejudicarão as economias europeias.

"A apressada decisão de estados da UE de utilizarem o petróleo como ferramenta política terá um impacto negativo sobre a economia mundial e especialmente sobre a recuperação de economias europeias que estão a combater para ultrapassar a crise financeira global", declarou o ministro. E acrescentou que apenas 18 por cento do petróleo produzido pelo Irão é exportado para países europeus.

O original encontra-se em http://english.farsnews.com/newstext.php?nn=9010172771

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

IRÃ - Carta secreta de Obama.

A Carta Secreta de Obama para Teerão: A Guerra contra o Irão está Suspensa?

– "A Estrada para Teerão passa por Damasco"

por Mahdi Darius Nazemroaya [*]

O New York Times anunciou que a administração Obama tinha enviado uma carta importante aos dirigentes do Irão a 12 de Janeiro de 2012. [1] A 15 de Janeiro de 2012 o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reconheceu que a carta tinha sido entregue a Teerão através de três canais diplomáticos:

1) uma cópia foi entregue ao embaixador iraniano nas Nações Unidas, Mohamed Khazaee, pela sua equivalente norte-americana, Susan Rice, em Nova Iorque;
2) uma segunda cópia da carta foi entregue em Teerão pela embaixadora da Suíça, Livia Leu Agosti; e
3) uma terceira cópia partiu para o Irão através de Jalal Talabani, do Iraque. [2]

Na carta, a Casa Branca expunha a posição dos EUA, ao passo que responsáveis iranianos afirmaram que ela constitui um sinal do real estado das coisas: os EUA não podem dar-se ao luxo duma guerra contra o Irão.

Da carta, escrita pelo presidente Barak Hussein Obama, constava um pedido norte-americano para o início de negociações entre Washington e Teerão visando colocar um termo às respectivas hostilidades.

"Na carta, Obama anunciava a disponibilidade para negociações e a resolução de desacordos mútuos", declarou Ali Motahari, um negociador iraniano, à agência noticiosa Mehr. [3] De acordo com outro negociador iraniano, desta feita o vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Parlamento do Irão, Hussein Ebrahimi (Ibrahimi), a carta prosseguia solicitando a cooperação e negociações do Irão com os EUA baseadas nos respectivos interesses mútuos. [4]

A carta de Obama procurava igualmente assegurar Teerão de que os EUA não se envolveriam em quaisquer acções hostis ao Irão. [5] De facto, em simultâneo o Pentágono cancelou ou adiou grandes exercícios conjuntos com Israel. [6] Para os iranianos, porém, estes gestos são desprovidos de significado, dado que os actos da administração Obama têm sido sempre contrários às respectivas palavras. Mais amplamente, o Irão está persuadido de que os EUA não atacaram apenas porque sabem que os custos de uma guerra com semelhante oponente são demasiado elevados e as respectivas consequências demasiado arriscadas.

Todavia, isto não significa que um conflito aberto Irão-EUA tenha sido evitado ou que não possa acontecer. As correntes podem levar em qualquer direcção, por assim dizer. Nem tão-pouco impede que a administração Obama esteja já a conduzir uma guerra contra o Irão e os respectivos aliados. De facto, os blocos de Teerão e de Washington têm prosseguido uma guerra fantasma que se prolonga da arena digital e das ondas televisivas até aos vales do Afeganistão e às agitadas ruas de Bagdad.

A guerra contra o Irão começou há vários anos

A guerra contra o Irão não começou em 2012 ou sequer em 2011. A revista Newsweek chegou ao ponto de afirmar num título de página em 2010: "Assassínios, ataques cibernéticos, sabotagem ¯ será que a guerra contra o Irão já começou?" A guerra real pode bem ter começado em 2006. Em vez de atacarem o Irão directamente, os EUA iniciaram uma guerra encoberta e através de proxies. As dimensões secretas da guerra têm sido travadas através de agentes infiltrados, ataques cibernéticos, vírus informáticos, unidades militares secretas, espiões, assassinos, agentes provocadores e sabotadores. O rapto e o assassínio de cientistas iranianos que teve início há vários anos é uma parte constituinte desta guerra encoberta. Nesta "guerra sombra" vários diplomatas iranianos em Bagdad têm sido vítimas de sequestros e cidadãos iranianos em visita à Geórgia, à Arábia Saudita e à Turquia foram detidos ou raptados. Vários responsáveis sírios e importantes figuras palestinianas, bem como Imad Fayez Mughniyeh [dirigente do Hezbollah libanês], foram também assassinados.

A guerra por proxies começou em 2006, quando Israel atacou o Líbano com a intenção de expandir a guerra em direcção à Síria. O caminho para Damasco passa por Beirute, do mesmo modo que Damasco está na rota para Teerão. Depois do falhanço de 2006, e compreendendo que a Síria era o ponto fulcral do Bloco de Resistência, dominado pelo Irão, os EUA e os seus aliados passaram os cinco ou seis anos subsequentes a tentarem separar a Síria do Irão.

Os EUA combatem igualmente o Irão e respectivos aliados na frente diplomática e na económica, através da manipulação de organismos internacionais e de estados satélites. No contexto de 2011-12, a crise na Síria constitui ao nível geopolítico uma frente da guerra conta o Irão. Até mesmo os exercícios conjuntos norte-americanos e israelenses "Austere Challenge 2012" e a correspondente deslocação de tropas visaram primordialmente a Síria enquanto forma de combater o Irão.

A Síria no centro da tempestade

O que Washington está a levar a cabo consiste em exercer pressão psicológica sobre o Irão como maneira de o distanciar da Síria, de forma que os EUA e as suas legiões possam desferir o golpe mortal. Até ao começo de Janeiro de 2012 os israelenses têm estado em permanente preparação para o lançamento da invasão da Síria, numa repetição da iniciativa de 2006, enquanto os EUA e a UE têm continuadamente tentado chegar a um arranjo com Damasco, de forma a separá-la do Irão e do Bloco de Resistência. Todavia, os sírios têm persistentemente recusado esses avanços.

Foreign Policy, a revista do Conselho de Relações Externas (Council on Foreign Relations) norte-americano, publicou um artigo em Agosto de 2011 expondo o que era a visão do rei Saudita acerca da Síria no contexto do ataque ao Irão: "O rei sabe que à parte o colapso da própria República Islâmica, nada enfraquecerá mais o Irão do que a perda da Síria". [7]

Tenha esta afirmação sido genuinamente proferida ou não por Abdul Aziz Al-Saud, a respectiva concepção estratégica é representativa das razões para visar a Síria. O próprio conselheiro de segurança de Obama disse a mesma coisa, poucos meses depois de a notícia da Foreign Policy ter sido publicada, em Novembro de 2011. O conselheiro de segurança nacional [Thomas E.] Donilon garantiu num discurso que o "fim do regime de Assad constituiria o maior inconveniente regional para o Irão ¯ um golpe estratégico que alterará o equilíbrio de poder na região contra o Irão." [8]

O Kremlin também produziu afirmações que corroboram a ideia de que Washington pretende separar a Síria do aliado iraniano. Um alto responsável russo para assuntos de segurança anunciou que a Síria está a ser punida pela sua aliança com o Irão. O secretário do Conselho Nacional de Segurança da Federação Russa, Nikolai Platonovich Patrushev, declarou publicamente que a Síria está submetida à pressão de Washington devido aos interesses geoestratégicos apostados na quebra dos seus laços com o Irão, e não em virtude de quaisquer preocupações humanitárias. [9]

O Irão também deu sinais de que, no caso de os sírios serem atacados, não hesitaria em intervir militarmente em seu apoio. Washington não pretende esse curso de eventos. O Pentágono preferiria engolir a Síria primeiro, antes de dirigir a sua atenção plena e indivisa para o Irão. O seu objectivo consiste em superar cada obstáculo à vez. Não obstante a doutrina militar norte-americana acerca da prossecução de guerras simultaneamente em vários teatros de operação, e de toda a correspondente literatura do Pentágono, a verdade é que os EUA não estão preparados para suportarem uma guerra regional convencional simultaneamente contra o Irão e contra a Síria, menos ainda para o risco duma guerra estendida aos aliados russo e chinês do Irão.

O caminho para a guerra, porém, está longe de ter chegado ao fim. Por enquanto, o governo norte-americano terá de continuar com a "guerra sombra" contra o Irão, enquanto intensifica as guerras mediática, diplomática e económica.


20/Janeiro/2012

NOTAS
[1] Elisabeth Bumiller et al., "US sends top Iran leader warning on Hormuz threat," The New York Times, 12/Janeiro/2012.
[2] Mehr News Agency, "Details of Obama's letter to Iran released," 18/Janeiro/2012.
[3] Ibid.
[4] Ibid.
[5] Ibid.
[6] Yakkov Katz, "Israel, US cancel missile defence drill" Jerusalem Post, 15/Janeiro/2012.
[7] John Hannah, "Responding to Syria: The King's Statement, the President's hesitation," Foreign Policy, 9/Agosto/2011.
[8] Natasha Mozgovaya, "Obama Aide: End of Assad regime will serve severe blow to Iran," Haaretz, 22/Novembro/2011.
[9] Ilya Arkhipov e Henry Meyer, "Russia Says NATO, Persian Gulf Nations Plan to Seek No-Fly Zone for Syria," Bloomberg, 12/Janeiro/2012.

Ver também:
Solidariedade com os povos iraniano e sírio!
Petição ao governo português: Parar os preparativos de guerra! Acabar com o embargo!

[*] Sociólogo, autor premiado e investigador associado do Centre for Research on Globalization (CRG), Montreal. Está especializado em questões do Médio Oriente e da Ásia Central. Tem contribuído para discussões relativas ao Grande Médio Oriente em numerosos programas internacionais e em estações televisivas tais como a Al Jazeera, a Press TV e a Russia Today. Escritos seus foram publicados em mais de dez idiomas. Escreve para a Strategic Culture Foundation, SCF, Moscovo.

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28736 . Tradução de JCG.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

POLÍTICA - A reforma do ministério e as crises políticas.

Mauro Santayana


(JB) - Getúlio Vargas, que, além de seu reconhecido patriotismo, se associou ao exercício do poder executivo como nenhum outro governante brasileiro, via seus auxiliares com ceticismo sábio. Raramente os elogiava, a não ser em situações pontuais, se isso era de interesse político ou administrativo. Sua máxima é conhecida: todo ministério é um ministério de experiência. Os ministros serviam, enquanto bem serviam ao país, em seu critério de chefe. Quando não serviam, individualmente ou em bloco, substituía-os, sem grandes dramas, a não ser para alguns dos dispensados. Como se sabe, o poder é como o amor: dele ninguém se liberta sem algum sofrimento.
Ninguém consegue governar só, nem mesmo os déspotas mais audazes. Nos sistemas democráticos, ou que assim se identificam, os chefes governam com facções políticas. Essas facções – e sempre foi assim – poucas vezes se formam a partir de escolhas ideológicas sinceras. Organizam-se a partir de razões objetivas, como os interesses econômicos e corporativos, e de sentimentos subjetivos, como os da amizade e do carisma de seus líderes.
Há, no entanto, os casos, freqüentes na História, de psicopatia política. Alguns gravíssimos, como os de Nero, Calígula, Hitler e Franco; outros ridículos, além de criminosos, como os de Mussolini, Berlusconi, Salazar e os vizinhos Somoza, Pinochet, Stroessner e Trujillo. Isso sem falar em nossa própria realidade, com Médici, Collor e Jânio Quadros. Mas, nem mesmo Filippo Maria Visconti - o cruel Duque de Milão, tirano em estado puro, como o definiu Elias Cannetti - governava só. Ele, que exerceu o poder de 1412 a 1447, para manter o ducado íntegro, dependeu de seu chefe militar Francesco Sforza, de quem fez genro e sucessor.
Os historiadores e analistas das causas e razões do poder se dividem na dúvida permanente: governar é ciência ou arte? Mesmo os chefes mais intuitivos dependem de um mínimo de conhecimento para o exercício do poder. Os governantes devem saber mandar. Tancredo recomendava aos seus auxiliares pensar antes de dar uma ordem. Deveriam estar certos de que ela seria cumprida, ou seja, de que o subordinado teria condições de executar bem a missão. Saber mandar é saber escolher – mas nem sempre o chefe de governo tem a possibilidade de nomear a pessoa certa para os cargos. Daí o conselho de Vargas: todo ministro vive uma situação precária em seu cargo, uma vez que são demissíveis ad-nutum.
Discutir, nesse momento de nossa estação histórica, o desconforto da presidente da República em negociar com um parlamento eclético e, em grande parcela, alheio aos interesses do povo brasileiro, é ocioso. Ela só pode administrar a circunstância que seus antecessores lhe legaram. E isso, queiram ou não os seus opositores atropelados pela realidade, ela vem fazendo com êxito, dentro dos limites do possível.
Muitos contestam a substituição de tantos ministros que, acusados de corrupção, não puderam, ou não quiseram, defender-se convincentemente dos erros que lhes atribuíam. Esquecem-se de que, mesmo com os escolhos de uma coligação política quase teratológica, ela construiu o governo mediante as consultas com suas bases parlamentares e líderes políticos aptos a recomendar os titulares do Ministério. Tratava-se, como todos os outros, de um ministério de experiência. Nas últimas semanas, antes da reforma recomendada pelo calendário eleitoral, ela pôde reunir informações e confrontá-las com as razões de Estado e suas próprias razões, a fim de reorganizar o Ministério. Que será, sempre como recomenda a inteligência política, de experiência, passível de ser substituído, no todo ou em parte, e em qualquer momento, de acordo com as circunstâncias.

ANOS DE CHUMBO - Elis Regina, Dom Helder e uma carta para um preso político.

Um dos casos mais famosos em que Elis mostrou seu temperamento ocorreu em 1976, quando a cantora Rita Lee foi presa acusada de porte de maconha. Quando soube do fato, Elis decidiu ir ao Presídio do Hipódromo, na região central de São Paulo, para visitar a companheira de profissão. Em plena ditadura militar, fez um escândalo, pediu para ver a cantora e exigiu que um médico examinasse Rita, que estava grávida.

Mas nem só famosos contavam com o apoio de Elis. Um outro episódio, esquecido e revelado recentemente pela revista Continente, ocorreu no Recife, em 1978 , durante o governo de Ernesto Geisel. Elis estava na cidade para apresentações do show "Transversal do Tempo", que tinha um roteiro com viés político e de forte crítica social. Lá, quis se encontrar com Dom Helder Câmara (1909 –1999), à época arcebispo de Olinda e Recife, conhecido por sua atuação contra as violações de direitos humanos no Brasil, em especial durante a ditadura.

Quem aproximou Elis e Dom Helder foi a atriz e especialista em cultura popular Leda Alves. Elis a procurou por indicação de Frei Betto. Por coincidência, neste mesmo dia, à noite, haveria uma missa em favor da libertação do líder estudantil Edval Nunes da Silva, o Cajá, que havia sido preso em maio de 1978, na capital pernambucana, acusado de tentar reorganizar o Partido Comunista Revolucionário.

Voz da liberdade

Elis decidiu que participaria do ato religioso. E assim o fez. Subiu ao altar da Matriz de São José e entoou os cânticos da celebração. “Estávamos em plena ditadura e, mesmo assim, ela não se intimidou”, diz Leda, que se tornou amiga de Elis. Depois da missa, a Elis foi à sacristia conhecer Dom Helder. “Ela estava muito interessada no trabalho que ele fazia em defesa dos direitos humanos”, afirma Leda.

No dia do primeiro show da temporada que faria em Recife, Elis decidiu dedicar o show ao estudante Edival Nunes da Silva, o Cajá. A homenagem rendeu a Elis uma repreensão da polícia local, que ameaçou impedir suas apresentações seguintes. No segundo show, Elis arrumou um jeito de falar o apelido do líder estudantil.

Segundo o próprio Cajá, o que foi lhe contado depois é que Elis entrou no palco com a banda desfalcada do baterista. Alegando que não poderia começar o show sem um de seus músicos, perguntou por ele. Alguém apontou o músico sentando em uma das poltronas do Teatro Santa Isabel. Elis, marota, teria dito. ‘Vem cá, já. Não posso começar o espetáculo sem você’. “O público logo entendeu o recado e aplaudiu o ato de Elis”, diz Cajá, que hoje é sociólogo e tem 61 anos.

Antes de deixar o Recife, Elis ainda tentou visitar o estudante na prisão. Não conseguiu. Optou por escrever uma carta. Na correspondência, escrita em um papel timbrado do hotel onde Elis se hospedou, o Othon Palace, Elis dizia para Cajá não esmorecer e continuar a lutar pela liberdade. Para Cajá, o ato de Elis foi ‘iluminado’. “Depois de Elis, outros artistas tentaram me visitar, como os atores Bruna Lombardi e Cláudio Cavalcanti”, afirma. “Ela tinha um compromisso com o que há de mais bonito no ser humano: a liberdade”, diz Cajá.

Cerca de três meses após sua saída da prisão, em junho de 1979, Elis voltou ao Recife para uma apresentação e tentou marcar um almoço com Cajá. Ele, que havia acabado de se tornar pai, não pode comparecer, mas disse que, posteriormente, iria a São Paulo se encontrar com a cantora. O encontro dos dois nunca aconteceu . Em 19 de janeiro de 1982, o sociólogo, em meio a uma reunião da União Nacional dos Estudantes, foi surpreendido pela notícia da morte de Elis. No próximo mês de março, quando Elis completaria mais um aniversário, ele pretende realizar um show com artistas locais em homenagem à amiga.

Por Danilo Casaletti, na Revista Época

ECONOMIA - Salvar vidas ou o capital?

Por Frei Betto, no sítio da Adital:

O melhor Papai-Noel do mundo mereceram 523 instituições financeiras europeias quatro dias antes do Natal: 489 bilhões de euros (o equivalente a R$ 1,23 trilhão), emprestados pelo BCE (Banco Central Europeu) a juros de 1% ao ano!


Curiosa a lógica que rege o sistema capitalista: nunca há recursos para salvar vidas, erradicar a fome, reduzir a degradação ambiental, produzir medicamentos e distribuí-los gratuitamente. Em se tratando da saúde dos bancos, o dinheiro aparece num passe de mágica!

Há, contudo, um aspecto preocupante em tamanha generosidade: se tantas instituições financeiras entraram na fila do bolsa-BCE, é sinal de que não andam bem das pernas…

Quais os fundamentos dessa lógica que considera mais importante salvar o Mercado que vidas humanas? Um deles é este mito de nossa cultura: o sacrifício de Isaac por Abraão (Gênesis 22, 1-19).

No relato bíblico, Abraão deve provar a sua fé sacrificando a Javé seu único filho, Isaac. No exato momento em que, no alto da montanha, prepara a faca para matar o filho, o anjo intervém e impede Abraão de consumar o ato. A prova de fé fora dada pela disposição de matar. Em recompensa, Javé cobre Abraão de bênçãos e multiplica-lhe a descendência como as estrelas do céu e as areias do mar.

Essa leitura, pela ótica do poder, aponta a morte como caminho para a vida. Toda grande causa - como a fé em Javé - exige pequenos sacrifícios que acentuem a magnitude dos ideais abraçados. Assim, a morte provocada, fruto do desinteresse do Mercado por vidas humanas, passa a integrar a lógica do poder, como o sacrifício "necessário” do filho Isaac pelo pai Abraão, em obediência à vontade soberana de Deus.

Abraão era o intermediário entre o filho e Deus, assim como o FMI e o BCE fazem a ponte entre os bancos e os ideais de prosperidade capitalista dos governos europeus - que, para escapar da crise, devem promover sacrifícios.

Essa mesma lógica informa o inconsciente do patrão que sonega o salário de seus empregados sob pretexto de capitalizar e multiplicar a prosperidade geral, e criar mais empregos. Também leva o governo a acusar as greves de responsáveis pelo caos econômico, mesmo sabendo que resultam dos baixos salários pagos aos que tanto trabalham sem ao menos a recompensa de uma vida digna.

O deus da razão do Mercado merece, como prova de fidelidade, o sacrifício de todo um povo. Todos os ideais estão prenhes de promessas de vida: a prosperidade dos bancos credores, a capitalização das empresas ou o ajuste fiscal do governo. Salva-se o abstrato em detrimento do concreto, a vida humana.

O espantoso dessa lógica é admitir, como mediação, a morte anunciada. Mata-se cruelmente através do corte de subsídios a programas sociais; da desregulamentação das relações trabalhistas; do incentivo ao desemprego; dos ajustes fiscais draconianos; da recusa de conceder aos aposentados a qualidade de uma velhice decente.

A lógica cotidiana do assassinato é sutil e esmerada. Aqueles que têm admitem como natural a despossessão dos que não têm. Qualquer ameaça à lógica cumulativa do sistema é uma ofensa ao deus da liberdade ocidental ou da livre iniciativa. Exige-se o sacrifício como prova de fidelidade. Não importa que Isaac seja filho único. Abraão deve provar sua fidelidade a Javé. E não há maior prova do que a disposição de matar a vida mais querida.

A lógica da vida encara o relato bíblico pelos olhos de Isaac. Este não sabia que seria assassinado, tanto que indagou ao pai onde se encontrava o cordeiro destinado ao sacrifício. Abraão cumpriu todas as condições para matar o filho. Subjugou-o, amarrou-o, colocou-o sobre a lenha preparada para a fogueira e empunhou a faca para degolá-lo.

No entanto, inspirado pelo anjo, Abraão recuou. Não aceitou a lógica da morte. Subverteu o preceito que obrigava os pais a sacrificarem seus primogênitos. Rejeitou as razões do poder. À lei que exigia a morte, Abraão respondeu com a vida e pôs em risco a sua própria, o que o forçou a mudar de território.

Se não mudarmos de território – sobretudo no modo de encarar a realidade -, como Abraão, continuaremos a prestar culto e adoração a Mamom. Continuaremos empenhados em salvar o capital, não vidas, e muito menos a saúde do planeta.
Postado por Miro

POLÍTICA - A oposição indo garbosa pro brejo.

Blog Sr. Com

É inacreditável que tantos políticos veteranos, com o apoio de todos os grandes veículos de comunicação do Brasil, não conseguem conquistar votos. Ou melhor, só sabem procurar defeitos no governo e nenhuma virtude neles mesmos!

E o pior: fazem isso com ar de soberba, como se fossem professores de Deus, ou criadores Dele.

Os representantes do governo federal também não são lá essas coisas em comunicação, mas como a mídia não lhes dá espaço essa fraqueza não aparece. E como eles sabem que se derem entrevistas a esses veículos o que for dito será editado de maneira que os prejudique, eles também evitam.







Charge do grande Paixão.

Então, ficamos assim: você não me telefona e eu não atendo.

E nesse trote a oposição vai garbosa pro brejo. Só a incompetência dela aparece. Diariamente em todas as TVs, rádios, jornais, revistas e blogs.

Existe uma lei em marketing que diz: Quanto mais eficiente for a publicidade, mais rápida é a falência do mau produto.

Seus eleitores desesperados procuram reverter a situação enviando emails piores do que aqueles jornalecos sensacionalistas de antigamente, com o mesmo tipo de escândalos e com aquele mesmo carnaval gráfico. Só pioram o baixo nível da oposição.

Preciso falar mais alguma coisa?

POLÍTICA - FHC se livra do carma do Serra.

Do blog "Luis Nassif on line"


Dias antes da entrevista que concedeu ao The Economist – na qual dizia que Aécio Neves deveria ser o próximo candidato do PSDB à presidência e responsabilizava José Serra pela derrota de 2010 – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve uma conversa com diplomatas.

Segundo o Correio Braziliense, nessa conversa ele disse que sua “cota de Serra já deu”. Dias depois da entrevista, segundo Jorge Bastos Moreno, de O Globo, Serra teria dito que “Fernando Henrique está gagá”.

Chega ao fim o maior erro político de FHC.

A relação entre ambos foi alimentada por dona Ruth Cardoso que, em dezembro de 1994 convenceu o marido a nomear Serra Ministro do Planejamento. FHC já conhecia suficientemente o parceiro para identificar suas fraquezas. Mas cedeu ao apelo da esposa.

Serra sempre foi um ministro desleal. Para fora passava a ideia de que era um resistente contra os erros do câmbio, os excesso da privatização. Jamais dava uma declaração pública. Na medida em que o quadro foi se completando, com relatos de dentro do governo, emergia de Serra o perfil de um sujeito pusilânime, que se inibia intelectualmente ante o maior preparo dos economistas do Real e que estava mais empenhado em fazer acordos sigilosos com protagonistas da privatização do que em gerir a pasta.

Esse jogo de dubiedades sempre permeou a vida política e pessoal de Serra. No domingo foi colocado no Youtube um vídeo bastante significativo (http://youtu.be/BkVzB9Nbrcs). Nele, Serra diz que pode ser acusado de muitas coisas, “menos de ser desonesto e de ser privatizante”. Em seguida, uma entrevista de FHC dizendo que Serra foi o que mais lutou pela privatização dentro do seu governo, tendo papel decisivo na Vale e na Light.

O livro de Amaury Ribeiro Jr – revelando os ganhos pessoais de Serra com a privatização, fecham o ciclo.

Aliás, foi o livro o principal fator a dar a FHC energia para romper emocionalmente com Serra. O que segurava era a lembrança de dona Ruth e a impressão de que, apesar de cabeçudo, Serra tinha uma vida limpa.

Foi por isso que, depois de ter apoiado a indicação de Serra como candidato do PSDB em 2002, FHC teve paciência para suportar os ataques (por trás) que lhe foram desferidos. Serra dizia a quem quisesse ouvir que FHC o boicotara nas eleições porque sabia que ele, Serra, faria um governo melhor que o dele.

Pura jactância.

Em São Paulo, Serra provavelmente entrará para a história como o mais inoperante governo que o estado já teve. Não se envolveu com a gestão, não comandava uma reunião conjunta sequer do seu secretariado, fugiu nos momentos decisivos (greve da Policia Civil, crise de 2008, enchentes na cidade).

O coroamento de sua carreira veio com a campanha de 2010 e, agora, com as revelações de que enriqueceu usando os diversos cargos públicos.

Serra acabou; FHC permanecerá como uma referência para o partido. Mas o PSDB vive seu pior momento, sem quadros de expressão nacional, sem ideias claras sobre o que pretende ser, sem renovação.

Depois do tormento Serra, parece que nem grama nasce mais nos campos do partido.

POLÍTICA - Marco Antônio Villa, o maquiavel mequetrefe.

Blog do Xico Graziano

Um artigo esdrúxulo artigo foi publicado pelo historiador Marco Antonio Villa no Estadão deste sábado (28/01). Para argumentar que a oposição está sem rumo, inicia por dizer que FHC faz uma análise “absolutamente equivocada da conjuntura brasileira”. Não é que o professor discorda disso ou daquilo, contrapondo opiniões, o que seria normal. Não. Ele acha que FHC não entende “absolutamente” nada da política nacional. Que empáfia!

Eu li e fiquei pensando: mas que pretensão exagerada. Quem é esse iluminado, um fenômeno acadêmico, um sabichão, que simplesmente zera a capacidade de análise política de FHC, coisa que nem seus maiores adversários ousam fazer?

Para provar que FHC nunca foi bom na política, o vaidoso professor arrola 6 episódios históricos. Pois eu estive presente, ao lado de FHC, em todos eles. E posso afirmar, e provar com documentos e depoimentos, que todas as interpretações oferecidas no artigo estão maldosamente equivocadas. Eu desafio o professor Villa para um debate público sobre aqueles episódios para ver se ele sustenta as bobagens que escreveu.

Ao criticar a oposição, e especialmente o PSDB, o pedante professor enfrenta a situação, taxada por ele como uma “cruel associação do grande capital com os setores miseráveis”, que periga se perpetuar no poder. Quer dizer, o homem é contra o governo do PT. Conclusão: mais que o famoso “fogo amigo” da política, o arrogante historiador se coloca acima do bem e do mal, posa de conselheiro do rei.

Essa espécie de Maquiavel mequetrefe não percebe, em seus delírios intelectuais, que sua mente está impregnada das velhas idéias da política, formuladas no século passado sob o dogma da dualidade que opõe a esquerda com a direita, a situação contra oposição, o povo contra as elites, utilizadas até hoje, é verdade, pelos últimos populistas, ou autoritários, que vivem de iludir e mandar no povo. Mas eles desaparecerão.

Tal referencial de análise está ultrapassado pelo fim das ideologias totalizantes, pela globalização da economia, pela crise ambiental, pela luta em favor da diversidade humana, pela defesa da paz e da tolerância, contra a violência e as drogas, pela ascensão das classes sociais, pelas modernas formas de comunicação determinadas nas redes sociais via internet. A democracia e o sistema republicano, incluindo os partidos, precisam se renovar, se abrir, para capturar a demanda que brota da juventude na era digital.

É por aqui, pelos caminhos dessa nova agenda imposta à reflexão na civilização humana, que perpassa o pensamento de FHC, mesmo quando analisa a realidade política brasileira. Por isso que o professor Marco Antonio Villa, contaminado pelos vícios do passado, não consegue entender nada, e escreve besteira. Paciência.

POLÍTICA - Villa, o PSTU da direita.

Do blog "Luis Nassif online"

Por Sebastião

Pelo jeito a coisa tá braba!!!!!

Não sei como colocar o link, mas alguém leu a coluna do filósofo, historiador, astrólogo, etc, da UFSCAR( Villa), no Estadão de ontem? Acho que nem o analista mais radical do PSTU conseguiria desconstruir a imagem do FHC como ele...

Por Luís Nassif

Há uma característica comum aos artigos de Marco Antonio Villa, critique Lula ou FHC: a mediocridade absoluta, indecorosa, ofensiva a qualquer forma de inteligência.

O debate público brasileiro já contou com radicais terríveis, como Olavo de Carvalho. O radicalismo entranhado necessita de brilho para ser digerido. E Olavo dá esse brilho. Outros intelectuais aproveitaram a demanda por radicais da velha mídia para emprestarem seu nome a afirmações oportunistas. Mas recheavam as declarações com um mínimo de embasamento.

Mas Villa é um acinte pela mediocridade tosca, vazia. Só conseguiu o espaço que tem pela reduzida oferta de intelectuais dispostos a falar para o Homer Simpson perseguido pela mídia. De quem dá espaço para ele, só resta a mesma avaliação de Chico Buarque para o intelectual que dirigia a Veja (após ler o seu livro): bem feito!

Oposição sem rumo

MARCO ANTONIO VILLA - O Estado de S.Paulo

Nesta semana fomos surpreendidos por uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso. Não pela entrevista, claro, mas pela análise absolutamente equivocada da conjuntura brasileira. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte. Basta recordar alguns fatos.

Em 1985 iniciou a campanha para a Prefeitura paulistana tendo como aliados o governador Franco Montoro e o governo central, que era controlado pelo PMDB, além da própria Prefeitura, sob o comando de Mário Covas. Enfrentava Jânio Quadros, um candidato sem estrutura partidária, sem programa e que entrou na campanha como livre atirador. Fernando Henrique achou que ganharia fácil. Perdeu.

No ano seguinte, três meses após a eleição municipal, propôs, em entrevista, que o PMDB abandonasse o governo, dias antes da implementação do Plano Cruzado, que permitiu aos candidatos da Aliança Democrática vencer as eleições em todos os Estados. Ele, aliás, só foi eleito senador graças ao Cruzado.

Passados seis anos, lutou para que o PSDB fizesse parte do governo Fernando Collor. Ele seria o ministro das Relações Exteriores (e o PSDB receberia mais duas pastas). Graças à intransigência de Covas, o partido não aderiu. Meses depois, foi aprovado o impeachment de Collor.

Em 1993, contra a sua vontade, foi nomeado ministro da Fazenda por Itamar Franco. Não queria, de forma alguma, aceitar o cargo. Só concordou quando soube que a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial (estava no exterior quando da designação). E chegou à Presidência justamente por esse fato - e por causa do Plano Real, claro.

Em 2005, no auge da crise do mensalão, capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na nossa História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu, como sabemos.

Agora resolveu defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial, com uma antecedência de dois anos e meio do início efetivo do processo eleitoral. É caso único na nossa História. Nem sequer na República Velha alguém chegou a propor tal antecipação. É uma espécie de dedazo, como ocorria no México sob o domínio do PRI. Apontou o dedo e determinou que o candidato tem de ser Aécio Neves. Não apresentou nenhuma ideia, uma proposta de governo, nada. Disse, singelamente, que Aécio estaria mais de acordo com a tradição política brasileira. Convenhamos que é um argumento pobre. Ao menos deveria ter apresentado alguma proposta defendida por Aécio para poder justificar a escolha.

A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.

Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.

Sem apresentar nenhuma proposta ideológica, a "estratégia" apresentada por Fernando Henrique é de buscar alianças. Presume-se que seja ao estilo petista, tendo a máquina estatal como prêmio. Pois se não são apresentadas ideias, ainda que vagas, sobre o País, a aliança vai se dar com base em qual programa? E com quais partidos? Diz que pretende dividir a base parlamentar oficialista. Como? Quem pretende sair do governo? Não será mais uma das suas análises de conjuntura fadadas ao fracasso?

O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.

O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder. É uma cruel associação do grande capital - apoiado pelo governo e dependente dele - com os setores miseráveis sustentados pelos programas assistencialistas. Ou seja, o grande capital se fortalece com o apoio financeiro do Estado, que o brinda com generosos empréstimos, concessões e obras públicas. É a privatização em larga escala dos recursos e bens públicos. Já na base da pirâmide a estratégia é manter milhões de famílias como dependentes de programas que eternizam a disparidade social. Deixam de ser miseráveis. Passam para a categoria da extrema pobreza, para gáudio de alguns pesquisadores. E tudo temperado pelo sufrágio universal sem política.

Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB. Para romper este impasse é necessário discutir abertamente uma proposta para o País, não temer o debate, o questionamento interno, a polêmica, além de buscar alianças programáticas. É preciso saber o que pensam as principais lideranças. Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas ideias.

MARCO ANTONIO VILLA, HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR)

MÍDIA - Mais uma da Veja.

DO blog "Com texto livre".


VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio...


...e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MAC

Estudante “colocada” na foto não mora no Crusp (outro erro do colunista) e, classificada de “burguesota” por Azevedo, é moradora de Guaianases


A cena do secretário estadual de Cultura e pré-candidato a prefeito do PSDB Andrea Matarazzo com o dedo na cara de uma manifestante foi pras homes dos principais portais de notícias do país no sábado à tarde, logo após a inauguração parcial da nova sede do MAC, no prédio do antigo Detran, em São Paulo. No domingo, a foto de autoria de Paulo Liebert, reproduzida acima, estava na capa da edição impressa do Estadão. No mesmo dia, a revista Veja, através de seu colunista Reinaldo Azevedo, revelava a suposta identidade da manifestante: “Quem é aquela mulher (…) cordata, suave, pronta para o diálogo? (…) É Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está”. Acontece que a estudante em questão não é Rafaela. A revista Veja errou. Trata-se de Arielli Tavares Moreira, 22 anos, estudante do quinto ano do curso de letras da USP. E há mais incorreções. O colunista também chama os manifestantes de “burguesotes”. Arielli é de família classe média-baixa da pequena cidade de Tatuí. E Rafaela, exposta e atacada pela revista de maior circulação do Brasil sem sequer aparecer na foto, é moradora de Guaianases, zone leste paulistana –e não vive no Crusp, conforme disse Veja. Para completar, mais um erro: nem Rafaela nem Arielli são filiadas ao Partido dos Trabalhadores, acusação feita por Azevedo, Andrea Matarazzo e pelo vereador Floriano Pesaro. Pelo contrário, as meninas são críticas ao governo Dilma Roussef e ao PT. A seguir os principais trechos da conversa com Arielli (que está de fato na foto) e Rafaela (que Veja “colocou” na foto):
ARIELLI, Você pode por gentileza descrever como foi aquele momento da discussão com Andrea Matarazzo?

No momento da foto estávamos cantando o refrão “Alckimin, seu matador! Assassinando o povo trabalhador!”. Isso tem sido cantado por ativistas do movimento social do país inteiro, que estão organizando atos exigindo que o PSDB pague pelo sofrimento que tem causado, como no caso do Pinheirinho. [O secretário] apontou o dedo pra mim e me chamou de “mal-educada”. De fato, para a ideologia burguesa, hipocrisia é sinônimo de educação, e dizer a verdade sem meia palavras não é de bom tom. Tomado pelo ímpeto professoral de quem insiste em dar “aulas de democracia”, ele continuou se aproximando e me chamando de mal-educada. Em seguida um de seus assessores conseguiu convencê-lo a entrar no carro, e ele foi embora.

Ele diz que você cuspiu na cara dele, isso é verdade?

Não. Depois que a foto foi veiculada para todo canto, vi que ele me acusou de ter cuspido nele. Não me surpreende nada que uma pessoa que está de mãos dadas com a especulação imobiliária há tanto tempo tenha que inventar uma mentira dessas para justificar a postura truculenta. Afinal não pega bem uma foto com o dedo na cara de uma manifestante em ano de eleição. Andrea Matarazzo é filho da elite paulistana e tem uma história no PSDB. Ele é o responsável pela elaboração do projeto “Nova Luz”, que visa “revitalizar” o Centro à moda tucana, ou seja, expulsando e eliminando a população em situação de rua. Também foi ele quem assinou o projeto de calçada “anti-mendigo”.

[Abaixo o vídeo do momento da discussão, em que se ouve que outra frase repetida diversas vezes pelo secretário: “Estraguem meu carro”, dita em tom desafiador]

Por que você resolveu ir ao MAC?

Enquanto a elite paulistana finge ser educada inaugurando seus museus, sujam as mãos de sangue no massacre do Pinheirinho. A cada dia que passa se desfaz o mito de uma operação de desocupação pacífica. Há relatos de feridos e desaparecidos que ainda não localizados depois da ação da PM. Fui então na inauguração do MAC porque vi na internet que Alckmin e Rodas [João Grandino Rodas, reitor da USP] estariam lá. Fomos protestar contra a ação da PM na USP, na Cracolândia e no Pinheirinho. Tanto Rodas quanto Alckmin defendem um projeto de sociedade contrário ao meu e de centenas de ativistas do movimento social. E é contra esse projeto que precisamos lutar, não apenas dentro dos muros da universidade. Não me surpreende que ambos tenham mostrado o quanto são covardes ao não comparecer a inauguração.


O que você achou de aparecer na capa de jornais e em grandes portais com o secretário?
A exposição assusta um pouco, mas não estou ali expondo apenas minha individualidade, o clique registra não apenas a minha indignação, mas a de minha geração, junto comigo tinham vários estudantes, poderiam ter fotografado qualquer um de nós. A repercussão está relacionada também ao fato de que as pessoas estão tomando conhecimento do que aconteceu no Pinheirinho e está ficando difícil para mídia esconder os fatos, como faz normalmente.

O que você diria às pessoas que afirmam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?

Na minha opinião ser estudante de uma universidade pública é mais do que assistir as aulas e conseguir um diploma. Temos a responsabilidade de ter uma visão crítica sobre o que acontece ao nosso redor. Quando a mídia tenta colocar rótulos sobre os estudantes ela não está fazendo nada além de reduzir a opinião das pessoas, com o objetivo de impedir que elas se expressem. Não é à toa que nunca vimos uma entrevista completa de um estudante sobre uma pauta do movimento social veiculada pela grande mídia.

O que você acha do Reinado Azevedo? E da mídia convencional em geral?

Infelizmente Reinaldo Azevedo não tem sua licença de jornalista cassada, então segue cumprindo um desfavor para a comunicação, sem qualquer tipo de compromisso ético. Ao invés de argumentar sobre a nossa atitude, reduziu o protesto a mim e tentou me desmoralizar com fotos e piadinhas de mau gosto. O mais preocupante é vê-lo incitando a violência contra os manifestantes e apoiando a atitude truculenta do secretário, fazendo coro com o fascismo e com o nazismo. Vendo o que significam esses momentos na história do mundo acredito que não se deve incitar esse tipo de ação como esse “jornalista” faz usualmente.

O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, classificou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?

Se fôssemos inocentes diríamos que o vereador está mal informado. Mas, sabendo de quem se trata, diria que ele tenta fazer as pessoas acreditarem que estamos fazendo isso porque é ano de eleição. Minha militância é ativa independente desses períodos. Sou militante do PSTU e milito contra as injustiças sociais que estes senhores seguem perpetuando. Mas é claro que eles não podem compreender o que isso significa. Para eles a situação dos trabalhadores brasileiros que passam fome e não tem onde morar não passam de números em seus relatórios.

Você é filiada ao PT? O que você acha do Partidos dos Trabalhadores, de Lula e de Dilma?

Assim como Lula, a Presidente Dilma tem a confiança da maioria dos trabalhadores do país e tem o poder do Estado. Se ela quiser pode resolver a vida de todos os moradores do Pinheirinho desapropriando o terreno e o transformando em área de interesse social. Não é possível que ela se omita enquanto um massacre segue acontecendo. Quem de fato está ao lado dos trabalhadores não pode ficar apenas na torcida.

O que você acha dessa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Só petistas ou filiados a outros partidos de esquerda desaprovam o governo e protestam contra eles?

É claro que não. Eles fazem essas acusações rasas – para dizer o mínimo – para perpetuar a visão maniqueísta deles. Essa polarização entre o PT e o PSDB é falsa. As pessoas se mobilizam quando as contradições entre a vida e nossa consciência se tornam tão agudas que se torna impossível suportar calado, e isso não depende de nenhum partido ou tampouco de quantos livros marxistas você leu na vida.


Por fim, Reinaldo Azevedo chamou-a de “burguesote”. Você é de família rica?
Durante o ato alguns dos presentes também nos acusaram de “burguesinhos” ou “filhinhos de papai”. Eu sou de uma família de classe média baixa do interior (Tatuí-SP), e acredito que não importa da onde você veio, mas sim ao lado de quem você quer estar.

AGORA FALA RAFAELA MARTINELLI, TAMBÉM ESTUDANTE DE LETRAS DA USP, E QUE FOI “COLOCADA” NA FOTO POR VEJA

RAFAELA, o que você achou de ser identificada erroneamente como a “garota da foto” Por Reinaldo Azevedo no site da Veja?

Eu não tenho paciência pro jornalismo de quinta categoria da Veja. Eles não fazem nem questão de disfarçar a parcialidade deles. Como um texto tão chulo – independente da posição que defenda – pode ser considerado jornalismo? É nojento.

Você estava no protesto do MAC? Se sim, por favor fale um pouco como foi lá.

Sim. Quando vi que teríamos em SP um evento que juntaria Matarazzo, Alckmin e Rodas no mesmo lugar pensei que não poderíamos deixar passar. Aí criei um evento no Facebook. Não imaginava que daria certo, mas felizmente deu. O governador não apareceu, e aí já temos um problema: um governador que esconde a cara da população não é digno de confiança nenhuma. E não tinha motivo pra se esconder. Ninguém lá, além da PM, estava armado ou coisa parecida. O reitor da USP viu os manifestantes de dentro do carro e foi embora. Ainda lá no evento conseguimos cercar o Maluf e o Matarazzo. Fizemos algumas perguntas desconfortáveis pro Maluf até que ele foi embora. Depois fizemos o mesmo com o Matarazzo, mas ele e os homens que o acompanhavam foram bem mais agressivos. Um dos manifestantes revidou e foi imobilizado pela PM. O que eu achava mais bizarro é que esses engravatados é que vinham pra cima dos manifestantes e era a nós que a polícia repreendia. É só olhar as fotos! Tem um homem de camisa rosa que aparece em várias delas, claramente exaltado, que veio pra cima de vários de nós. Eu tentei impedi-lo de bater num manifestante e tomei um soco no braço e um empurrão. A maior agressão que partiu dos manifestantes foi uma ovada e, francamente, diante de toda a repressão policial que temos presenciado ultimamente, chamar uma ovada de “violência” é risível.

[Abaixo o vídeo do rapaz de camisa rosa que estava com Andrea Matarzzo e o vereador Floriano Pesaro e partiu pra cima dos manifestantes]

O que você diria às pessoas que pensam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?

Infelizmente essa é uma reação normal. As pessoas falam que há certas formas de manifestação que não são corretas. Concordo, mas em 2009 na USP atiramos flores nos policiais e fomos chamados de vândalos. Acho que chegamos ao ponto crítico em que qualquer movimento mínimo que ouse nos tirar da “normalidade” será chamado de vandalismo. Depois da manifestação, uma senhora me abordou e disse que deveríamos estar protestando contra a corrupção. Disse a ela que demonstrar repúdio a um governo que subsidia canalhas como o Naji Nahas e o João Grandino Rodas é uma forma muito concreta de se manifestar contra a corrupção, que não adianta achar que “corrupção” é só uma questão de caráter: há um sistema por trás. Batemos um papo lá e ela até apertou minha mão depois. Quer dizer, no fim das contas, acho que o caminho é esse: tirar as pessoas da zona de conforto, do diletantismo e da indignação inócua e fazê-las tomar um posicionamento. Para isso servem as manifestações.

O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, chamou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?

Qual é o critério para se definir quem são “pseudo-manifestantes” ou manifestantes “de verdade”? E nazista pra mim é quem promove políticas de extermínio como no Pinheirinho e na Cracolândia.

Você é filiada ao PT?

Não sou filiada a nenhum partido.

Reinaldo disse que você é da comunidade Marxismo e PT, isso é verdade? Você está em alguma comunidade do tipo no Facebook?

Eu sigo no Facebook uma corrente do PT que se chama “Esquerda Marxista”, assim como também sigo muitos outros partidos, correntes e movimentos sociais.

O que você acha desa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Você acredita que só petistas desaprovam e protestam contra eles?

O PT é a maior oposição ao PSDB na grande política, então é natural que associem qualquer tipo de oposição ao PT. Mas acreditar nisso é um tanto absurdo

IRÃ - E se a ONU não achar armas nucleares no Irã?

Paulo Moreira Leite


O desembarque de inspetores da ONU em Teerã, onde irão investigar as pesquisas nucleares do país, coloca uma pergunta política: o que vai acontecer com a diplomacia dos Estados Unidos, União Europeia e Israel se não surgirem provas de que o Irã prepara sua bomba atômica?

Este é um problema sério.

A maioria dos serviços de inteligência do Ocidente, inclusive dos EUA, considera que apesar de seus avanços recentes, as pesquisas nucleares do Irã ainda tem alguns anos pela frente antes de deixar o país em condições de produzir armas atômicas. O único país que enxerga avanços maiores é seu rival regional, Israel. Não surpreende. A diplomacia israelense tem interesse em manter o Irã numa permanente defensiva.

Atribuidos com um grau cada vez maior de certeza ao serivço secreto israelense, atentados contra cientistas iranianos são uma forma óbvia de elevar a tensão. Claro que, diante de uma avaliação desfavorável, é sempre possível lançar uma campanha de denúncias e insinuações contra a ONU, como George W. Bush ao tentar justificar a guerra contra o Iraque. Ainda assim, uma avaliação da Agência Internacional de Energia Atômica não é coisa que se derrube na gritaria. Até porque o mundo não vive, hoje, o ambiente de assombro e perplexidade gerado pelos ataques de 11 de setembro, que contribuiram para diminuir o espírito critico de muitas consciências, favorecendo a mentira e a manipulação.

Se essa visão do programa iraniano for confirmada, ficará mais difícil justificar tecnicamente as sanções duríssimas de Washington e Bruxelas. Não é preciso chegar às questões humanitárias. Vários especialistas alertam que o embargo às vendas de petróleo do Irã talvez seja mais prejudicial aos países importadores do que aos próprios iranianos. O risco é uma provável alta no preço do petróleo, num processo capaz de acabar com a recuperação econômica americana — bastante frágil — e afundar a Europa ainda mais. Enquanto isso, o Irã pode compensar a perda de clientes na Europa com um aumento nas vendas para a China e a Índia.

E aí vem a pergunta: em nome de que?

Numa campanha presidencial onde tenta compensar a decepção do eleitorado democrata com a conquista de eleitores republicanos pouco empolgados com os candidatos lamentáveis que o partido apresentou até o momento, Barack Obama tem interesse de manter o Irã sob pressão. Mas sabe que não irá ganhar votos caso o preço da gasolina comece a pesar no bolso dos eleitores. O mesmo vale para governos franceses e alemães, que em breve terão de passar pelo teste das urnas. Sempre atenta para definir aonde estão os verdadeiros interesses de seus leitores, que formam a elite financeira dos países desenvolvidos, a revista The Economist alerta, em seu último número, que, em vez de tratar o Irã com porrete, também é hora do Ocidente oferecer cenouras.

É uma opinião sensata. A menos, claro, que se queira ir para a guerra de qualquer maneira. O que você acha?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MÍDIA - Graça não está para gracinhas.

Do blog Tijolaço.

Postado por Fernando Brito

Ao escrever o post anterior, sobre o machismo da nossa imprensa, ainda não havia tomado conhecimento das insinuações feitas pela revista Época de que a futura presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, teria recebido vantagens indevidas na empresa por conta de uma nomeação retroativa.

E, acintosamente, apesar de ser ela reconhecida por todos como pessoa que construiu uma história de competência desde que entrou há quase 30 anos, por concurso na empresa, depois de ter sido estagiária, diz que ela só ascendeu na carreira por “ter ficado amiga de Dilma Rousseff”.

Já na primeira, provocação, Graça mostrou que não está para brincadeiras.

Além das explicações oficiais da empresa, a nova presidente desafiou a Época a examinar seus contracheques e ver se ela recebeu algo indevido.

Fez muito bem.

E fará muito bem se não se enganar pela boataria que os jornais – especialmente O Globo, que nutre um especial ódio pela Petrobras – andam fazendo sobre possíveis (e naturais) troca de ocupantes de cargos de direção, como tratou ontem o blog do Zé Dirceu. Embora a armação já de início não se sustente, porque tanto Graça quanto o ex-presidente do PT, José Eduardo Dutra são servidores de carreira da empresa, é bom estar atento a isso o tempo todo.

Porque O Globo não se pejou de dizer que “estava sendo criada uma diretoria” só para abrigar o petista, embora tivesse a função tivesse sido anunciada publicamente antes mesmo da eleição de Dilma Rousseff.

Hoje, no finalzinho da resposta de Dutra, o jornal se comporta como o lobo da fábula, ao reconhecer que a decisão é antiga, mas emendar dizendo que “está sendo efetivada apenas agora”.

Sabem como é: se não foi você foi seu pai, ou seu avô…

POLÍTICA - FHC perde a paciência.

Do Blog de Magno Martins

FHC perde a paciência: "Minha cota de Serra já deu"



"A minha cota de Serra deu. Ele foi duas vezes meu ministro, duas vezes candidato a presidente, candidato a governador e a prefeito. Chega, não tenho mais paciência com ele". O desabafo do ex-presidene Fernando Henrique, segundo o jornal Correio Braziliense de ontem, foi feito a pelo menos dois interlocutores, semanas antes da famosa entrevista à revista The Economist, na qual aponta Aécio Neves como candidato natural do PSDB à campanha presidencial de 2014. Serra é pressionado pelos tucanos para ser candidato do partido à prefeitura da São Paulo, mas recusa terminantemente, com a obsessão de enfrentar Dilma novamente em 2014. Fora Serra, o PSDB não tem um nome 'decisivo' para disputar e vencer em S.Paulo.

Visão estreita - O que impacienta o PSDB não é apenas o fato de o comando do partido em São Paulo estar concentrado apenas em duas mãos. Irrita profundamente os filiados a constatação de que nem Alckmin nem Serra podem ser considerados lideranças empolgantes. O primeiro é visto como um governador provinciano e caipira. Faz questão de ligar pessoalmente para prefeitos e discutir convênios firmados pelo governo estadual. “Ele não saiu de Pindamonhangaba ainda (terra onde começou a carreira política). Quando foi deputado federal, parecia um vereador”, provocou um aliado de José Serra.

PETROBRÁS - Graça Foster, de catadora de papel à presidente da Petrobrás.

Por Gustavo Belic Cherubine

Da Carta Maior

'PINHEIRINHO' E A NOVA PRESIDENTA DA PETROBRÁS

A nova presidenta da Petrobrás, Graça Foster, cresceu num favela. Sua infância foi vivida no Morro do Adeus, no Rio de Janeiro, que hoje integra o Complexo do Alemão. Até os 12 anos, ela catou papel e lata na rua para custear os estudos, como narrou recentemente em entrevista ao jornal Valor. Há mais de três década na Petrobrás, Graça sucederá a José Sérgio Gabrielli, que dirigiu a estatal no ciclo mais importante desde sua criação, nos anos 50. O saldo mais reluzente desse período foi a descoberta das reservas pré-sal, mas, sobretudo, a regulação soberana dessa riqueza pelo Presidente Lula.

Em 2009, a contrapelo da coalizão demotucana e do candidato da derrota conservadora, José Serra, o governo brasileiro transformou a principal descoberta mundial de petróleo dos últimos 30 anos numa poupança do povo brasileiro. Recusou-se a reduzí-la a uma commodity para o repasto dos mercados. Serra, na campanha de 2010, prometeu: vitorioso, decretaria a 'reintegração de posse do pré-sal' às petroleiras internacionais. A mulher que assume esse patrimônio histórico sabe onde o Brasil grita e precisa ser ouvido.
p>O Brasil pobre hoje grita em 'Pinheirinho', por exemplo, a ocupação de 1660 famílias, violentamente despejadas neste domingo em São José dos Campos (SP). No momento em que a truculência do dinheiro grosso e o menosprezo conservador pelos excluídos produz uma tríplice aliança entre o poder judicial paulista, o governo do Estado e a administração tucana de São José dos Campos, é valioso saber que na esfera federal existem olhos e ouvidos que sabem onde o Brasil grita. Reverter o arrasa-terra em 'Pinheirinho' seria a melhor forma de o governo Dilma transformar a nomeação de Graça Foster mais do que numa boa notícia: um símbolo de seu mandato, em defesa das meninas pobres que ainda catam papel e lata nas ruas do país.

(Carta Maior).

Do Valor Econômico

Foster: Ela cultiva o rigor e a ternura

"A Dilma do Petróleo". A frase é quase inevitável quando se conversa com alguém que convive ou conviveu profissionalmente com Maria das Graças Silva Foster, 58 anos, ou simplesmente Graça Foster, indicada pela presidente Dilma Rousseff para substituir José Sérgio Gabrielli na presidência da Petrobras, a estatal que é a maior empresa do país e uma das maiores do mundo no setor.

Depois que a notícia foi confirmada em um comunicado da estatal informando que o nome de Graça Foster será indicado na próxima reunião do conselho da empresa, marcada para o dia 9 de fevereiro, as ações da Petrobras subiram no pregão da BM&FBovespa: as ordinárias, 3,6%, e as preferenciais, 3,94%.

Graça Foster é uma mineira que cresceu em favela do Rio de Janeiro nos anos 50, o Morro do Adeus (zona norte), que hoje faz parte do Complexo do Alemão, ocupado pela polícia em 2010. Foi lá que viveu até os 12 anos de idade, quando a família mudou-se para a Ilha do Governador (zona norte). No morro, começou a trabalhar, aos 8 anos, como catadora de papel, garrafas e latas que vendia para comprar material escolar.

Mineira, Graça cresceu em favela do Rio, foi catadora de papéis e depois se formou em engenharia

Ao contar sem pieguice a infância dificílima em entrevista no ano passado, Graça protestou quando ouviu a repórter concluir que era estudiosa para chegar onde chegou. Afinal, é uma tarefa e tanto formar-se em engenharia química, ter mestrado em engenharia de fluidos, pós-graduação em engenharia nuclear e MBA em economia saindo de uma infância com tão poucos recursos. Ela discordou.

"Eu sempre estudei porque precisava estudar, precisava sobreviver e cuidar da minha mãe", corrige. Essa trajetória, sem dúvida, ajudou a moldar sua personalidade adulta. "A necessidade que eu tive de superar a mim mesma tantas vezes desde a minha infância me trouxe muita força, muita coragem e muita confiança. Tive que comprar minha borracha, minha caneta e acho que começou aí a necessidade de cuidar de mim e o entendimento que eu tinha também que cuidar dos meus pais", contou.

Ainda na faculdade, Graça teve a filha Flávia, que lhe deu a neta Priscila. As três são virginianas. Do terceiro casamento, nasceu o filho Colin Foster, que tem o mesmo nome do pai.

A comparação da engenheira com a presidente da República, avalista da ascensão profissional recente, é feita pelos observadores sob dois pontos de vista que se relacionam: a fama de eficiência técnica e de dureza no trato profissional que ambas ostentam e que, no caso da futura presidente da Petrobras, lhe rendeu um impressionante histórico de admiração mesclada com temor.

A indicação de Graça era esperada há mais de um ano e por isso não causou surpresa no mercado. Fontes ligadas à indústria não acreditam que a mudança na Petrobras ficará apenas na presidência. A primeira grande pergunta é quem vai substituir Graça na diretoria de gás e energia. O nome mais lembrado pelo mercado é o de José Lima de Andrade Neto, funcionário de carreira da estatal, ex-secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia e atual presidente da BR Distribuidora, cargo que assumiu substituindo Graça. Mas a executiva também pode ter negociado sua substituição por um de seus gerentes-executivos.

Os nomes mais cotados são o de Richard Olms (responsável por logística e participações em Gás Natural) e o de Antonio de Castro (marketing e comercialização de gás e energia). Também são grandes as expectativas de mudança em outras diretorias, como a de exploração e produção (com Guilherme Estrella) e da área internacional, que hoje é dirigida por Jorge Zelada por indicação do PMDB do Rio de Janeiro.

Graça Foster conheceu a presidente Dilma Rousseff em 1998, quando trabalhava na TBG, empresa controlada pela Petrobras responsável pela construção e operação do trecho brasileiro do Gasoduto Bolívia-Brasil. "Ela era secretária de energia do Rio Grande do Sul. Começamos a trabalhar juntas e estamos juntas trabalhando, assim como os outros diretores estão juntos trabalhando com a presidenta. O governo é o controlador e ela representa o controlador", explicou Graça em entrevista no ano passado.

Uma das mudanças que a executiva deve fazer no comando da Petrobras é a adoção de um sistema de gerenciamento em todas as área da empresa com os projetos catalogados e com sua base orçamentária anexada. A executiva é extremamente organizada e toda a carteira de projetos da área de gás e energia segue esse padrão. Trabalhadora compulsiva, Graça é uma chefe exigente com prazos e metas. Atrás de sua mesa ela tem um calendário de "marcos" que detalha datas das diferentes fases de todas obras da sua área. Em um dia de novembro do ano passado estava marcado o vencimento do prazo de autorização para construção e montagem da estação de compressão de Pilar. O quadro com os marcos de 2011 foi arquivado em novembro e substituído pelo de 2012, onde já estão previstos todos os projetos da área de gás e energia que fazem parte do Plano Estratégico da Petrobras até 2016.

"É a forma mais primitiva de gestão, a mais simples, você saber o que tem que fazer. Todos os gerentes sabem o que precisam fazer, e os coordenadores dos projetos sabem todos os marcos", explicou Graça em uma entrevista ao Valor no final do ano passado.

É possível perceber por aí que não deve ser fácil ter como chefe um "trator" como esses. Nos corredores da Petrobras, muitas histórias, com os exageros da transmissão oral, ilustram essa fama. Uma delas conta que, já como diretora de Gás e Energia da empresa, Graça pediu a uma pessoa da sua equipe um determinado trabalho. Conhecedora do estilo explosivo da chefe quando alguma coisa não saía como ela desejava, essa pessoa decidiu gravar o pedido para não cometer erros.

Dito e feito: na hora que recebeu o trabalho solicitado, na frente de várias pessoas, a diretora disse que estava tudo errado e que não fora aquilo que ela pedira. Como o célebre cacique Juruna, a pessoa recorreu ao gravadorzinho com o objetivo de mostrar que agira de acordo com a ordem recebida. Em um acesso de fúria, Graça então arremessou o equipamento que se espatifou contra a parede.

Dias depois, a pessoa ofendida recebeu um pequeno presente: ao abrir, verificou que era um gravador igual ao que perdera. Junto, havia um pedido de desculpas. Essa segunda parte evidencia outra face do temperamento da nova indicada para presidir a Petrobras: um misto de dureza extrema com ternura, ao melhor estilo de Ernesto Che Guevara, que, passado o rompante, a faz admitir seus excessos e se desculpar.

Por essas e outras é que um profundo conhecedor da Petrobras e do setor como um todo deu seu diagnóstico acompanhado de um pedido de discrição quanto ao seu nome: "Na média geral, a troca (de Gabrielli por Graça) é positiva para a empresa, só não sei se também para o subordinados".

Para esse observador, a futura presidente da estatal tem pulso firme e conhecimento do setor suficientes para corrigir problemas que a empresa vem enfrentando nos últimos anos. Um deles, a insistente desconfiança do mercado quanto à sua capacidade de gerar receita suficiente para remunerar consistentemente seus acionistas.

Graça chega cedo ao escritório, trabalha muito -há cinco anos não tira férias- e cobra mais ainda. Às vezes, prefere ouvir os técnicos de campo a seus pares de diretoria, deixando esses últimos um tanto constrangidos.

Mas a seu crédito consta o esforço recente para aumentar a disponibilidade de gás natural no mercado, seja com geração o própria ou com importação, minimizando a insegurança quanto ao abastecimento, especialmente para fins de geração elétrica. No comando da BR Distribuidora teria, entre outros, o mérito de combater incansavelmente os fraudadores de combustíveis que colocaram em cheque os mercados de distribuição e de revenda.

O físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), afirmou que discutiu muito com Graça no tempo do apagão elétrico brasileiro (em 2001), a criação de um programa específico para destinação do gás para a geração elétrica.

Para ele, ficou uma imagem de eficiência e trabalho. Quanto à fama de durona, o também polêmico diretor da Coppe tem um ponto de vista simples: "A gente não precisa de moleza".

O analista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), conhecido como um ferrenho adversário de Pinguelli, concorda com o diretor da Coppe quanto a Graça Foster. Pires vê na futura presidente da estatal a imagem de profunda conhecedora da empresa, onde está desde 1978, e o nome mais acertado para substituir Gabrielli.

Permanentemente preocupado com a rentabilidade da estatal para os acionistas privados, o técnico vê na relação estreita da presidente da República com a futura presidente da Petrobras a chance de a empresa ter uma gestão mais técnica e menos política que corrija as distorções há muito apontadas pelo mercado como causa da baixa rentabilidade da empresa.

A fama de durona e de íntegra não evitou que fossem levantadas suspeitas de favorecimento pela Petrobras da empresa C. Foster, pertencente a Colin Foster, atual marido de Graça. As suspeitas referem-se a 42 contratos, sendo 20 sem licitação, que a estatal teria assinado com a C. Foster para a compra de componentes eletrônicos desde que a futura presidente assumiu a diretoria de Gás e Energia da empresa. Segundo a Petrobras, nenhum contrato foi assinado com a área dirigida por Graça.
Fonte: Luis Nassif online

MÍDIA - Fernando Morais versus Yoani Sánches.

Por Altamiro Borges do Blog do Miro.

Conhecido defensor de Cuba e um dos jornalistas mais renomados do Brasil, autor do clássico “A Ilha” e do recém-lançado “Os últimos soldados da guerra fria”, Fernando Morais não se curva diante do endeusamento midiático da dissidente Yoani Sánchez. De Porto Alegre, onde participou do Fórum Social Temático, ele foi taxativo: “Não mexerei um palito pela blogueira cubana”.

O motivo é simples. Para ele, toda a campanha midiática em defesa de Yoani Sánchez e as críticas à revolução cubana “só ajudam o inimigo” – os Estados Unidos, que mantêm um criminoso bloqueio à ilha. “Sou defensor da liberdade de expressão. Mas, em primeiro lugar, defendo o direito de 11 milhões de cubanos que estão sendo espezinhados pelos americanos”.

Sem inocência diante dos EUA

Fernando Morais participou de um debate na sexta-feira (27) sobre o seu novo livro, “Os últimos soldados da guerra fria”, que trata da prisão e condenação nos EUA dos cinco cubanos que investigavam as ações terroristas da máfia de Miami. Ele conhece a fundo as provocações patrocinadas e financiadas pelo império contra a revolução cubana e não se ilude com o alarde midiático.

“Já perdi a inocência com os Estados Unidos. Na política externa, não faz a menor diferença se é democrata ou republicano. Quem meteu os americanos nas piores aventuras externas foram os democratas”, argumentou. Para ele, o governo Obama “não mudou absolutamente nada” nas relações com Cuba e mantém o bloqueio, as provocações e os subsídios à conspiração na ilha.

Em defesa da soberania cubana

“Em nome das minhas convicções, não posso apoiar uma moça que vem dedicando sua vida a combater a revolução. Eu não vou mexer um palito para que essa moça venha ao Brasil”, concluiu. Fernando Morais reconhece que há erros e limitações em Cuba, mas afirma que isto não justifica as tentativas do império para derrubar o regime cubano, ferindo sua soberania e independência.

POLÍTICA - A presidenta Dilma e Paulinho da viola.

Urariano Mota no Direto da Redação.


Recife (PE) - Um dia desses notei que a história política do Brasil poderia ser contada pela história da sua música popular. E como sempre acontece em qualquer descoberta, essa conclusão geral me chegou pela persistência de alguns casos individuais, que traziam em si um dom universal. Assim foi, por exemplo, em páginas de “Soledad no Recife”, quando a ressurreição dos malditos anos da ditadura se fez sob a canção dos tropicalistas. Assim foi quando escrevi sobre Geraldo Vandré, sobre Chico Buarque, sobre Roberto Carlos... assim tem sido em textos mais ambiciosos, escritos sob a música íntima que me acompanha ao narrar o mundo submerso da infância. Que nos acompanha a todos quando recuperamos vidas, melhor dizendo.

Escrevo isso agora a partir de uma revelação do livro “A vida quer é coragem”, de Ricardo Batista, conforme artigo de Alberto Villas:

“...a uruguaia Maria Cristina Uslendi conta que em outubro de 1971, toda vez que voltava das sessões de tortura encontrava Dilma de braços abertos ‘me amparando, me ajudando a usar a latrina quando não tinha forças, me dando sopinhas de colher na boca, me cedendo a parte de baixo do beliche e pondo na vitrolinha de pilhas as melhores músicas da MPB’. Cristina conta que Dilma sempre pedia a ela que prestasse muita atenção à letra de "Para um amor no Recife", uma canção de Paulinho”.

O quanto isso é verdadeiro. O quanto a música popular foi remédio, cura e perdição da maioria dos brasileiros que estiveram contra a ditadura. O quanto devemos a esses artistas da canção, numa dívida que eles próprios não alcançam o tamanho, mas que é, ao mesmo tempo, motivo de sufoco e prisão para eles, em razão do papel que ganharam à sua revelia. No entanto, importa mais aqui, para não me distanciar do objeto destas linhas, falar alguma coisa sobre o Paulinho da Viola daqueles anos.

Quando “Foi um rio que passou em minha vida” apareceu no Brasil, éramos estudantes numa sexta-feira à noite, numa serenata em Maria Farinha. Achávamos então que a revolução socialista seria a coisa mais natural do mundo. E por ser assim tão natural, nada demais também que ouvíssemos, não se espantem, 41 vezes, seguidas, contínua e incansavelmente foi um rio, foi um rio, foi um rio em uma vitrolinha de pilha. Naquele ano, e por que não ainda? , todos nós éramos Paulinho, nessa estranha empatia, mistura de identidades que a verdadeira arte produz. Todos nós repetíamos, e repetimos, e repetimos... que “meu coração tem mania de amor, e amor não é fácil de achar”. À maneira de cantar, gritávamos esses versos então.

Depois, morando na Pensão Princesa Isabel, no centro do Recife, Paulinho era "Simplesmente Maria". “Na cidade, é a vida cheia de surpresa, é a ida e a vinda, simplesmente, Maria, Maria, teu filho está sorrindo, faz dele a tua ida, teu consolo e teu destino, Maria...”. Nesse tempo, sempre compreendíamos o “faz dele a tua ida” como um “faz dele a tua ira”. Enquanto subíamos a escada para um quartinho isolado no alto, da televisão da sala vinha a música, tema de uma novela. Ela nos lembrava sempre que estávamos sozinhos e sem mãe, cujo nome também era Maria. À hora dessa música sempre esperávamos algum golpe traiçoeiro da polícia que queria nos matar. Sem Maria que nos velasse.

Então houve Para um amor no Recife. Diziam então que Paulinho fizera essa música para a secretária de Dom Hélder Câmara. As boas, e as más línguas principalmente, acrescentavam que a dedicada senhora vinha a ser a namorada secreta do arcebispo. Entre o sussurro e a maledicência, entre a repressão da ditadura Médici e a resistência serena erguia-se um poema belo, quase autônomo da melodia: “A razão por que mando um sorriso e não corro, é que andei levando a vida quase morto. Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue, e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor. Meu amor, eu não esqueço, não se esqueça, por favor, que voltarei depressa, tão logo acabe a noite, tão logo este tempo passe, para beijar você ”. Esta é uma canção que só fez melhorar ao longo de todos esses anos. A ditadura não existe mais, o seu motivo imediato não mais existe, mas a composição só vem crescendo, apesar da degradação do Recife, que entra quase incidentalmente no título.

domingo, 29 de janeiro de 2012

MÍDIA - Ferramentas digitais potencializam os movimentos sociais.

A rua que atravessa o edifício da Casa de Cultura Mario Quintana, a Travessa dos Cataventos, no Centro Histórico de Porto Alegre, foi tomada na tarde desta quinta-feira por ativistas digitais. A conferência que abriu o segundo dia do Conexões Globais 2.0, evento paralelo ao Fórum Social Temático, reuniu representantes e defensores dos movimentos que se organizaram nas redes sociais na internet em 2011 e tomaram forma em espaços públicos, em diferentes países e contextos, para reivindicar a participação da sociedade na construção política.

A reportagem é de Bibiana Borba e publicada pelo Jornal do Comércio, 27-01-2012.

O debate Ferramentas Sociais para Ativismo e Militância Política teve a participação do sociólogo Sérgio Amadeu, do gestor do Circuito Fora do Eixo Pablo Capilé, e dos espanhois Javier Toret, organizador do movimento 15M, Vicente Jurado, desenvolvedor de ferramentas de colaboração, e Bernardo Gutiérrez, jornalista e consultor de mídias radicado em São Paulo. Marcelo Branco, representante da Associação SoftwareLivre.org, organizadora do evento, mediou a discussão que, segundo ele, foi um dos exemplos do "hackeamento" proposto pelas novas formas de ativismo. "Hackear é entrar nos espaços, é penetrar dentro das estruturas para construir as nossas propostas", esclareceu.

O novo ativismo que ganhou repercussão com as revoluções da chamada Primavera Árabe e chegou até o berço do capitalismo com o movimento Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, para Sérgio Amadeu, é algo que já vinha sendo organizado pontualmente e ganhou força com o poder de disseminação da internet. O sociólogo chamou a atenção para as manifestações que ocorreram nos dias 18 e 19 deste mês, quando hackers se uniram a ativistas para paralisar websites de grandes corporações, em protesto contra propostas de leis de restrição à informação na rede. Para Amadeu, são exemplos do que é possível quando a inteligência coletiva atua junto aos movimentos sociais já organizados. "Precisamos trazer os movimentos sociais tradicionais para esse novo ativismo, digitalizar o mundo sindical", sugeriu.

Javier Toret explicou como foi organizado o movimento 15M, que culminou no dia 15 de maio do ano passado com passeatas de milhares de pessoas em mais de 50 cidades da Espanha, insatisfeitas com a corrupção na política e o desemprego juvenil de mais de 50%. Além das redes sociais mais populares na internet, como Twitter, Facebook e YouTube, o grupo utilizou ferramentas de software livre, como o OurProject.org, criado por Vicente Jurado. O objetivo dessas plataformas é o desprendimento da utilização de intermediários privados para a comunicação, por comprometerem a privacidade dos usuários ao visarem o lucro.

Na lógica desse ativismo do século XXI, que busca a independência dos cidadãos perante as instituições, Pablo Capilé atua junto a outros produtores culturais espalhados pelo Brasil para promover a cultura livre. O Circuito Fora do Eixo é uma espécie de economia colaborativa que visa sustentar iniciativas culturais independentes. O estabelecimento de conexões entre esses produtores através da internet possibilita, na definição de Capilé, que as iniciativas sejam "downloadeadas" para fora da rede.

Bernardo Gutiérrez vê a atual implicação do mundo virtual no território como uma reapropriação do conceito grego de "pólis", a cidade formada pelos cidadãos políticos. O jornalista sugere que o termo P2P, originalmente "peer to peer", esteja adquirindo o significado de "peer to polis", no retorno do cidadão às praças para reivindicar seus direitos. "Nós precisamos abrir o código fonte do poder", propôs Sérgio Amadeu.

O Conexões Globais 2.0 continuou a debater os movimentos sociais potencializados pela internet no final da tarde desta quinta-feira, com um debate dedicado apenas ao movimento Occupy Wall Street. O evento segue até sábado (28) na Casa de Cultura Mario Quintana, com outras conferências, oficinas e paineis sobre a cultura livre. A programação completa pode ser conferida no site www.conexoesglobais.com.br.
Fonte: IHU

MÍDIA - A deterioração editorial da Época e o caso Irma Passoni.

Luis Nassif online

Outro dia o Miguel do Rosário fez um xiste sobre o padrão de ilação do jornalismo atual: a mídia descobriu que o sobrinho do fulano de tal andou na garupa da moto do primo do sujeito que foi amigo de beltrano que foi apanhado pelo TCU. Época ainda chega lá.

Confira a denúncia desta semana.

Tempos atrás houve uma discussão interna na Globo sobre o posicionamento editorial da revista. Durante certo período, Época praticou um belo jornalismo.Conversei uma vez com um correspondente da revista no nordeste: ele mandava a reportagem, era editada; depois recebi a versão final em PDF para conferir se não houve nenhuma alteração no conteúdo. Fontes da revista eram consultadas depois da entrevista, para conferir se as declarações aproveitadas refletiam o conteúdo. Se persistisse, poderia se tornar uma alternativa à falta de conteúdo da Veja.

Internamente, jornalistas defenderam a tese de que a Época deveria se posicionar mercadologicamente em uma centro-esquerda civilizada, sem criminalizar movimentos sociais, sem se submeter ao papel sórdido de assassinar reputações de adversários e, principalmente, praticando jornalismo.

Venceu a tese de Helio Gurowitz de que, para combater a Veja, a Época deveria ficar mais à direita ainda e potencializar mais ainda o estilo esgoto do concorrnete.

De fato, está se tornando uma Veja sem os leitores da Veja, conforme se pode conferir na matéria do repórter Murilo Ramos, sobre Irma Passoni e Gilberto Carvalho.

O motivo da matéria é simples. Na semana passada Carvalho investiu contra o governo de São Paulo, no caso Pinheirinho, e externou críticas à ideologia da mídia. Pronto: precisava ser abatido a tiros.

Aí encontram uma cobrança de contas do MCT para uma ONG dirigida pela deputada Irma Passoni. Ex-freira, só pode ser apadrinhada de um ex-seminarista: Gilberto Carvalho. Aliás, dia desses saiu um documento mostrando que a Fundação Roberto Marinho não cumpriu metas acordadas com o governo em projetos que usavam recursos públicos.

Confira a lógica de como utilizar Irma Passoni para atingir Carvalho:
1.Sem especificar qual o “crime” cometido, começa a esmiuçar as relações entre Carvalho e Joe Valle (que, no MCT, autorizou verbas para a ONG de Irma), como se habitassem o mundo dos delitos. Descobre que Carvalho prestigiou a posse de Joe na presidência da Emater de Brasilia. E, na posse, estavam presentes o governador do DF Arruda e o empresário Paulo Otávio, abatidos pela Operação Caixa de Pandora. Ou seja, prato cheio para o Miguel do Rosário.
2.Depois descobre outros pontos de contato entre eles: ambos compartilham o mesmo interesse comum por agricultura orgânica. Aí diz que tem um documento de posse dela que afirma que Valle é pau mandado de Carvalho.
3.Depois descobre com seu faro fino que Carvalho é ex-seminarista, Irma ex-freira e ambos são fundadores do PT. Pronto, todos os elos mapeados permitindo montar o mapa final rumo ao tesouro escondido na caverna do ridículo. (No final entra no jogo até dom Mauro Morelli).

O crime

A ex-deputada Irma Passoni tem um histórico na área de tecnologia e movimentos sociais. Nos anos 90 dirigiu um instituto similar ao ITS, ligado à Unicamp e bastante respeitado. Desde aquele período, em pleno governo FHC, seu trabalho seja na Câmara ou na ONG – sempre ligado aos temas de telecomunicações e inserção social – era respeitado por todos, de empresas a governo.

Na matéria da Época, desconsiderou-se totalmente os antecedentes. Transformou Irma em uma picareta de ONG para poder atingir Carvalho.

Todo o texto da matéria visa escandalizar os aspectos mais comezinhos da ONG.

Trata os objetivos da ONG – “promover a geração, o desenvolvimento e o aproveitamento de tecnologias voltadas para o interesse social e reunir as condições de mobilização do conhecimento, a fim de que se atendam às demandas da população” – como “vaga missão”.

Sustenta que o sucesso da ONG se deve a um padrinho forte, Gilberto Carvalho. Dona Ruth Cardoso tinha uma ONG que recebeu verbas milionárias, porque tinha padrinhos fortes e porque era uma pessoa tão respeitável quanto Irma.

E aí?

Aí se entra no “crime” propriamente dito. Um dos convênios, “patrocinado pela dupla Carvalho-Valle” (faltou dizer que reunidas sigilosamente embaixo de um pé de amoreira orgânica) recebeu uma cobrança do ordenador de despesas do Ministério de Ciência e Tecnologia. Cobram-se os comprovantes de uma despesa em um convênio de R$ 1,5 milhão. Toda a matéria gira em torno desse episódio. Parece o edifício que caiu na Cinelândia: vários andares em cima de um estrutura pífia.

O repórter destaca na relação de eventos uma discussão sobre a “Carta do Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha; e outra sobre a “arqueologia dos movimentos sociais”. Da maneira como coloca, fica parecendo que foram as duas únicas atividades do convênio. E fica parecendo que discutir um dos documentos fundadores e as origens dos movimentos sociais é algo tão estranho quanto a existência de outras galáxias no universo. Se esse pessoal se deparar com um livro do Sérgio Buarque de Hollanda é capaz de sair correndo achando que é uma cascavel perigosa.

No fim do parágrafo, bem perdida, a informação de que “em nota, o ITS disse ter enviado todos os documentos previstos na prestação de contas e que está à disposição para esclarecimentos”. E não colocam os esclarecimentos, para não estragar a matéria.

A matéria termina com outra “denúncia”: Carvalho teria apresentado a Valle outra ONGs perigosíssima, a Harpia Harpyia, dirigida por Dom Mauro Morelli. E encerra com aquela lição de moral digna dos melhores momentos de Veja: “O melhor seria se as ONGs dos amigos de Carvalho conseguissem dinheiro apenas por sua competência e eficiência, sem a necessidade dos pistolões do Planalto”.

O mesmo poderia ser aplicado à ONG de Mônica Serra (que não cumpriu as metas acordadas com a Lei Rouanet e teve o prazo prorrogado), de dona Ruth, à Fundação Roberto Marinho entre o universo geral de ONGs

POLÍTICA - disputa pela prefeitura de São Paulo.

Pesquisa Datafolha coloca o pré-candidato do PRB, Celso Russomanno, na liderança pela Prefeitura de São Paulo, se Serra não for candidato.

A pesquisa Datafolha mostra que, em quatro dos cinco cenários consultados, Celso Russomanno só não venceria a eleição, se ela ocorresse hoje, em caso de disputa contra o ex-governador José Serra (PSDB), que tem dito ao seu partido que não concorrerá à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

O maior porcentual de intenção de voto conseguido por Russomanno ocorre quando o deputado federal Ricardo Tripoli é colocado como o candidato tucano na corrida eleitoral (21%), e o menor (17%) é quando Serra aparece como o nome do PSDB. Nesse cenário, o ex-governador recebeu 21% das intenções de voto. Exceto Serra, os demais nomes do PSDB variam entre 2% e 6%.

Nos cinco cenários pesquisados – cada um com um nome diferente do PSDB – o pré-candidato do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, vai de 4% a 5%. Gabriel Chalita (PMDB) recebeu entre 6% e 9% das intenções de voto e Netinho de Paula, do PCdoB, aparece com porcentual que vai de 11% a 13%, sendo que em todos os cenários ele apresentou queda em relação à sondagem anterior (ainda que dentro da margem de erro).

José Serra tem, de acordo com o Datafolha, rejeição de 33% dos eleitores consultados, atrás apenas de Netinho de Paula, com 35%. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT), tem rejeição de 20% dos pesquisados, enquanto Russomanno aparece com 12% e Chalita com 11%, o mesmo porcentual verificado para Haddad (11%).

A pesquisa DataFolha foi realizada nos dias 26 e 27 de janeiro com 1.090 eleitores da capital paulista. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

Traduzindo tudo isso: o ex-presidente Lula vai ter muito trabalho pela frente para conseguir plantar o poste Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

POLÍTICA - Tolerância social zero.

Kennedy Alencar – na Folha

A vocação do PSDB para se distanciar do povo parece não ter limite. No seu partido, os tucanos paulistas são os campeões de insensibilidade social.

FHC chegou aonde chegou porque resolveu um problema concreto do povo: a alta inflação. Os mais pobres eram os que mais sofriam. O reconhecimento aconteceu em duas eleições presidenciais vencidas no primeiro turno.

No governo, porém, FHC deu espaço tímido aos que lhe pediam programas sociais mais amplos, como Vilmar Faria e Ruth Cardoso. Com muito esforço, nasceram programas de assistência social que se tornaram o embrião do projeto que seria massificado na gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

Faz pouco tempo que o PSDB e seus aliados tradicionais abandonaram o discurso contra o Bolsa Família. Os tucanos entenderam que valia muito mais a pena brigar pela paternidade de programas sociais hoje elogiados no mundo inteiro.

O governo de São Paulo tem entendido bons resultados na segurança pública como uma aval para praticar a tolerância social zero. Na administração do cordial Geraldo Alckmin, houve violência policial exagerada contra estudantes, ação desastrada da PM na cracolândia paulistana, dirigente da CDHU culpando moradores pelos defeitos de habitações populares e um atentado contra os direitos humanos no Pinheirinho.

Não são casos isolados. Refletem uma visão conservadora, de direita, que enxerga a questão social como caso de polícia. O Brasil até precisa de uma partido de direita, desde que não seja uma direita obscurantista, golpista e autoritária como tivemos antes e durante a ditadura militar de 1964. Para ser uma alternativa de poder competitiva, o PSDB precisa de um banho de povo.

Para quem tem praticado a tolerância social zero, a visita do governador Alckmin ao ex-presidente Lula veio bem a calhar. *

O maior problema do Brasil

A desocupação do Pinheirinho é um desses casos que fazem a gente ficar desanimado com o Brasil. Desde a redemocratização, em 1985, o país vem avançando em muitas áreas. Mas ainda persistem muitos problemas.

O episódio Pinheirinho nos lembra que a desigualdade social continua a ser o nosso maior problema. De longe, supera a má qualidade da educação, a carência de bons serviços de saúde e a violência nos grandes centros urbanos.

É hipócrita tratar a desocupação de Pinheirinho como um questão de obediência e respeito à lei. Houve ali uma clara violação dos direitos humanos pela Justiça e pelo governo paulista.
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sábado, 28 de janeiro de 2012

POLÍTICA - Dilma enfrenta o surrealismo crítico.

Paulo Moreira Leite


O sucesso de Dilma nas pesquisas começa a produzir comentários surrealistas por parte de seus críticos. Como se sabe, entre todos os presidentes eleitos por voto direto, Dilma conseguiu os maiores índices de popularidade para os primeiros doze meses de mandato. Eu acho isso normal. Ela herdou uma economia em boa situação, soube dar respostas necessárias para solavancos do meio do caminho e evitou medidas excessivamente recessivas sugeridas pela oposição. Teve grande firmeza para reduzir os juros enquanto adversários caiam no ridículo ao denunciar um suposto aparelhamento do Banco Central.

Basicamente, Dilma manteve a opção que herdou de Lula, de manter o país no ritmo de crescimento possível. Lula não para de elogiar seu governo e isso também pesa. Em seu devido tempo, Lula não tinha outro Lula com igual popularidade para apoiá-lo, certo?

Jânio de Freitas faz uma observação lúcida:

A aprovação de Dilma Rousseff é a negação do marquetismo como fator básico e decisivo para o êxito na opinião pública. A conduta de Dilma Rousseff ficou aquém, em tudo, do mínimo recomendável pelo marketing político. Nada de artifícios para criar eventos e situações que levem a demoradas e comentadas aparições nos telejornais, com bis nas primeiras páginas do dia seguinte.”

Mas há reações estranhas. Leia uma crítica em tom de lamento: “a presidente não anunciou medidas de impacto, não patrocinou reformas, não apresentou um plano de governo.”

É engraçado ler, em tom próximo ao desânimo, o que deveria ter sido uma observação em tom elogioso: ”Medidas de estímulo à economia evitaram reflexos mais graves no consumo e na taxa de desemprego.” Lamenta-se ainda que, depois da posse, Dilma “precisou apenas corrigir rumos. Beneficiou-se do crescimento econômico acumulado nos anos anteriores e da ligação estreita com o padrinho eleitoral.”

Por fim, uma observação final: a boa avaliação era “previsível”. Como é?

Não sou advogado de Dilma e tenho críticas ao primeiro ano de governo. A principal é que o Planalto perdeu uma grande oportunidade para encontrar uma solução definitiva para o financiamento da saúde pública, o que teria sido possível com a maioria que possui no Congresso e aquele sopro de tolerância que acompanha todo mandato O km.

Considero que, como regra geral, o espírito crítico e a independência são recursos indispensáveis para toda avaliação política séria.
Mas eu acho que os analistas deveriam ter aprendido uma boa lição dos cursos básicos de Ciência Política — a disposição para não perder contato com a realidade, única forma de evitar que ela seja confundida com nossos desejos. A critica exagerada, muitas vezes, transforma-se em pedantismo.

O espírito crítico inclui a capacidade de autocrítica, também. E independência deve valer para todo tipo de pressão que pode desviar um trabalho honesto de avaliação e julgamento.

Se uma presidente consegue ter a maior aprovação da história “sem medidas de impacto,” sem patrocinar “reformas,” sem apresentar “um plano de governo” é porque, talvez, quem sabe, não houvesse necessidade tão urgente assim de “medidas de impacto”, nem de “reformas” nem de um “plano de governo”.

Quem fala que a presidente apenas “corrigiu rumos” e assim mesmo chegou aos 59% de aprovação parece admitir, sem perceber, que talvez não houvesse necessidade de inventar muita coisa no primeiro ano de governo.

Minha impressão é que Dilma fez um governo do tamanho certo para ela, para o país e para a herança que recebeu. Num capítulo em que muitos anunciavam uma postura desastrosa, deu as respostas necessárias ao afastar ministros que não podiam permanecer no governo.

A julgar pelo que se disse e se pensou sobre Dilma, há um ano, talvez fosse o caso de constatar que, para seus críticos, seu governo é uma decepção positiva. Concorda?

MÍDIA - A fúria da população contra a Globo.

Do Blog do Mello.
Globo mente, manipula, distorce e joga seus jornalistas na rua expostos à fúria da população

Não é de hoje que O Globo tem um lado: aquele diametralmente oposto aos anseios do povo. Desde a época de Getúlio, quando jornal e rádio Globo fizeram intensa campanha contra o presidente que criou o salário mínimo, a jornada semanal e a carteira de trabalho.

Quando o povo tomou conhecimento do suicídio de Getúlio, soube muito bem quem levou o presidente àquele desfecho:

"Nas horas seguintes os jornais confirmaram o que o rádio anunciara [o suicídio de Getúlio] através de edições, também extraordinárias, provocando uma comoção popular, sem precedentes, desde a morte de João Pessoa, em 1930. Populares atacaram O Globo e a rádio Globo, (...). O povo voltava-se contra a mídia que julgava culpada pela dimensão que os fatos tomaram. [Fonte]"

Nos dias de hoje, nada mudou. O Globo esteve à frente do golpe de 1964, que apoiou (e do qual se aproveitou) desde o início. Ocultou as gigantescas manifestações a favor das Diretas-Já. Manipulou a eleição presidencial de 1989, que elegeu Collor.

Recentemente, combate furiosa e incessantemente os governos populares dos presidentes Lula e Dilma (contra quem fez oposição sistemática no período eleitoral e nos governos).

Por isso, repórteres da emissora têm enfrentado nas ruas ataques da população. "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" é o que mais se ouve em qualquer manifestação popular.

Agora, na violenta ação da PM do tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, contra os seis mil moradores do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, uma viatura da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo na região, foi incendiada.

Enquanto donos, diretores e seus prepostos continuam a manipular as notícias, protegidos em seus escritórios e carros blindados, motoristas, iluminadores, câmeras, repórteres das Organizações Globo têm que enfrentar a fúria de uma população, que admira novelas e programas da Rede Globo, mas abomina sua cobertura jornalística antipopular.

ECONOMIA - Os bilhões de dólares de brasileiros no exterior.

O Banco Central e os bilhões de dólares brasileiros no exterior.

Pedro do Coutto

O Diário Oficial de 26 de Janeiro publica, página 13, a circular 3574 do Banco Central que dá prazo até 5 de abril para os brasileiros e os estrangeiros residentes no país apresentem as relações de bens e valores que possuem no exterior. É para efeito do Imposto de Renda. Os valores e bens, incluindo depósitos em moeda, são os existentes nas contas do dia 31 de dezembro de 2011. O formulário a ser preenchido encontra-se – acentua a circular – disponível no site www.bcb.gov.br.

Assinam o comunicado os diretores Carlos Hamilton Vasconcelos e Altamir Lopes. Vamos ver o que acontece. É fundamental saber a quanto montam tais depósitos, aplicações e recebimentos. Inclusive porque, em alguns casos, como confessou o publicitário Duda Mendonça, é para escapar do peso do leão.

Não se trata de quebrar o sigilo bancário dos titulares das contas, se bem que em alguns casos o segredo foi quebrado pelos próprios bancos, como nos de Paulo Maluf e Rodrigo Silveirinha. Trata-se de saber, o que é de interesse do país, qual o montante da economia nacional transferido para o exterior. E também – aí o problema – de que forma se desenrola e desenvolve tal processo.

O Citibank da Suiça, anos atrás, revelou internacionalmente que Maluf é detentor de uma conta de 442 milhões de dólares. Primeiro estava naquele país. Por uma insatisfação qualquer, o ex-prefeito de São Paulo a transferiu para Cayman. Talvez, por coincidência, no momento em que tal fato aconteceu, a Suiça divulgou a movimentação. Publicou até o nome das empresas depositantes: Mendes Junior, OAS, Andrade Gutierrez, entre outras.

Provavelmente – penso eu – o sistema de Genebra resolveu suspender o pagamento de juros, na escala de 2% ao ano, já que a inflação lá não chega à taxa anual de um ponto. Além do mais, a origem dos depósitos é sombria.De um lado, a UBS (União de Bancos Suiços) informou espontaneamente o valor da conta que o Subsecretário da Fazenda, governo Anthony Garotinho e Rosinha Mateus, possuia nos Alpes. Muito pequena em relação à de Paulo Maluf. Mas de 34 milhões de dólares.

O juiz Lafredo Lisboa, que condenou Rodrigo Silveirinha e os outros integrantes do bando, foi a Genebra certificar-se concretamente. Certificou-se. Propôs ao governo do RJ que promovesse a repatriação do dinheiro. Tomou a iniciativa há dez anos. O governador Sérgio Cabral tomou alguma providência? Não.

O Ministério das Relações Exteriores não conseguiu traduzir para a língua portuguesa a revelação escrita originalmente em francês. Na Suiça fala-se tanto francês quanto alemão. Um estudo da ONU, relativamente recente, admitiu existirem no exterior depósitos particulares (não os oficiais que são de 352 bilhões de dólares) em montante aproximado de 100 bilhões (de dólares). As procedências são as mais diversas. Muitas ilegais, a maioria, outra, digamos, extralegais, uma figura aliás do Direito.

Quando me refiro a ilegais, não estou falando só de corrupção, embora suas usinas estejam permanentemente ligadas, como as das siderúrgicas.Não. Estou me referindo à violação da lei de remessa de lucros, lei 4131, de 1962, João Goulart, projeto de Sergio Magalhães alterada pela lei 4390, Castelo Branco, projeto de Roberto Campos.

A primeira, que teve origem num estudo do economista Gilberto Paim, limitou as remessas a 10% anuais. A de Roberto Campos elevou esse limite para 12%. Mas ambas determinam que o capital nacional tem de receber o mesmo tratamento aplicado ao capital estrangeiro. Isso não acontece mais. O governo FHC concedeu isenção de Imposto de Renda às aplicações estrangeiras na compra de títulos do Tesouro que lastreiam a dívida interna que se encontra no Everest de 2,2 trilhões (de reais). Este favorecimento, portanto, é ilegal. Decisões do BC não podem se sobrepor à lei. O privilégio é tão ilegal quanto a corrupção.
Fonte: Tribuna da Internet