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terça-feira, 31 de agosto de 2010

ELEIÇÕES/SP - Vamos para o segundo turno.

DO Blog do Zé Dirceu.

Uma chapa muito boa encabeçada pelo Aloizio Mercadante para governador e a Marta Suplicy para senadora, uma coligação forte que mantém coesos o PT e nada menos que outros nove partidos, uma campanha que já motiva a militância e as propostas dos nossos candidatos reforçam cada vez mais a minha convicção de que vamos para o 2º turno na eleição em São Paulo. Uma crença, aliás, que as pesquisas, como vocês acompanham, atesta: Mercadante cresce nos levantamentos de opinião pública e o adversário tucano Geraldo Alckmin não se mantém no mesmo patamar a cada rodada.

MercadanteUma chapa muito boa encabeçada pelo Aloizio Mercadante para governador e a Marta Suplicy para senadora, uma coligação forte que mantém coesos o PT e nada menos que outros nove partidos, uma campanha que já motiva a militância e as propostas dos nossos candidatos reforçam cada vez mais a minha convicção de que vamos para o 2º turno na eleição em São Paulo.

Uma crença, aliás, que as pesquisas, como vocês acompanham, atesta: Mercadante cresce nos levantamentos de opinião pública e o adversário tucano Geraldo Alckmin não se mantém no mesmo patamar a cada rodada. São dados que somados dão razão à confiança que temos de que vamos manter e superar, no 1º turno, os mais de 30% que tradicionalmente o PT obtém em eleição majoritária no Estado - como candidatos a governador, Mercadante teve 32% em 2006 e José Genoíno 33% em 2002.

Vejam, reunido em almoço do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) com um grupo que representa 44% do PIB privado no Brasil, Mercadante detalhou suas propostas de desoneração fiscal em diversos setores, entre estes os de internet, tecnologia, remédios - genéricos, inclusive - como caminho para fomentar o desenvolvimento no Estado.

Assumiu o compromisso, também, de uma vez eleito investir em transportes público e de massa, reafirmou sua intenção de criar um banco estadual de fomento (nos moldes do BNDES) e de promover a interiorização do desenvolvimento. "O Oeste do Estado só recebeu presídio, pedágio e carga tributária. Vamos estimular a competitividade, reduzir a carga tributária", reiterou nosso candidato.

Mercadante também defendeu a construção de um novo aeroporto para a Grande São Paulo lembrando: "Londres tem 14 aeroportos, por que não podemos ter mais um?" Comparada à inexistência de programa de governo do adversário Alckmin - que só sugere mais do mesmo - estas propostas do Mercadante são o roteiro ideal para dar um impulso e tirar São Paulo desse marasmo administrativo e econômico em que os tucanos mantêm o Estado nestes 16 anos em que o governam. São o passaporte, também, que nos levará ao 2º turno.

MÍDIA - Uma análise do poder midiático na Argentina.

O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.

José Pablo Feinmann - Página/12

A filosofia ocidental dos últimos 45 anos se equivocou gravemente. Para sair de Marx e entrar em Heidegger (como crítico excelente da modernidade, mas a partir de outro lado, que não o de Marx) se viu obrigada a eliminar o sujeito, tal como Heidegger o havia feito com inegável brilho no seu texto A época da imagem do mundo. Também Foucault deu o homem por morto. Barthes, o autor. Ao estilo. Deleuze, a partir de Nietzsche, a negatividade, ou seja: o conflito na história. E a academia norte-americana sistematizou tudo isso incorporando com fervor os heróis da French Theory. O fracasso é terrível e até patético. Enquanto os pós-modernos postulam a morte da totalidade, o Departamento de Estado postula a globalização. Enquanto propõem a morte do sujeito, o império monta brilhantemente o mais poderoso sujeito da filosofia e da história humana: o sujeito comunicacional. E esta – há anos que sustento esta tese que na Europa causa inesperado assombro quando a desenvolvo – é a revolução de nosso tempo.

O sujeito comunicacional é um sujeito centrado e não descentrado, logocêntrico, fonocêntrico, alheio a toda possível disseminação, informático, bélico, mascarador, submetedor de consciências, sujeitador de sujeitos, criador de realidades virtuais, criador de versões interessadas da realidade, da agenda que determina o que se fala nos países, capaz de derrubar governos, encobrir guerras, de criar a realidade, essa realidade que esse sujeito quer que seja, quer que todos acreditem que é, que se submetam a ela e que, submetendo-se, submetam-se a ele, porque aquilo em que o sujeito comunicacional acredita é a verdade, uma verdade na qual todos acabarão crendo e que não é a verdade, mas a verdade que o poder absoluto comunicacional quer que todos aceitem. Em suma, sua verdade.

Impor sua verdade como verdade para todos é o triunfo do sujeito comunicacional. Para isso, deve formar os grupos, os monopólios. Deve apoderar-se do mercado da informação para que só a sua voz seja escutada. Para que só os jornalistas que lhe são fiéis falem. Uma vez se consiga isso, o triunfo é seguro. A arma mais poderosa da supraposmodernidade do século XXI radica no domínio maior possível dos meios de informação. Que já não informam. Que transmitem à população os interesses das empresas que formam o monopólio. Interesses nos quais todas coincidem.

Assombrosamente, nenhum filósofo importante advertiu essa revolução. Foucault passou a vida inteira analisando o poder. Mas não o comunicacional. É claro! Se tinha negado o sujeito como iria analisar os esforços do poder para constituí-lo de acordo com seus interesses?

Ninguém viu – ademais, e isso para mim é imperdoável – o novo monstruoso sujeito que se havia consolidado. Superior ao sujeito absoluto de Hegel. Algo observado por Cornelius Castoriadis. Mas pouco. Relacionou as campanhas eleitorais com as empresas que as financiam. Mas – insisto – aqui o essencial é que o tema do sujeito voltou ao primeiro plano. Colonizemo-nos o sujeito, façamos-lhe crer no que nós cremos, e o poder será nosso. O poder começa pela conquista da subjetividade. Começa pela construção de algo a que darei o nome de sujeito-Outro.

Formulemos – como ponto de partida desta temática essencial – a pergunta obrigatória: o que é o sujeito-Outro? É o Outro do sujeito. Escrevo Outro com esse "O" maiúsculo enorme para marcar o caráter alheio que o Poder consegue instaurar entre o sujeito e o Outro de si. Heidegger transitou bem esta temática. O que eu chamo sujeito-Outro é esse sujeito que – segundo Heidegger – caiu “sob o senhorio dos outros” (Ser e Tempo, parágrafo 27). Ele fez aí uma observação brilhante e precisa: o senhorio dos outros. Heidegger amplia o conceito: quem cai sob esse senhorio (o dos Outros) “não é ele mesmo, os outros lhe hão arrebatado o ser”. “O Poder, ao submeter a subjetividade, elimina meus projetos, meu futuro mais próprio, o que houvera querido fazer com minha vida. Minhas posibilidades (...) são as do Outro; são as do Poder, as que me vêm de fora. Já não sou quem decide, sou decidido” (JPF, La historia desbocada, Capital Intelectual, Buenos Aires, 2009, p. 128). Heidegger no entanto se remete à esfera ontológica: o que se perde é o ser.

Não creio que devamos pôr o acento nisso; o que se perde é a subjetividade, a consciência, a autonomia de pensar por nós mesmos, pois pensamos o que nos fazem pensar, dizemos o que nos fazem dizer e nos convertemos em patéticos, bobos, manipulados defensores de causas alheias.

CFK manejou a temática com precisão e com uma audácia que – eu, ao menos, e já tenho meus anos vivendo sempre neste país – não vi em presidente algum. Quando retoma a frase da capa do Clarín e a da contra-capa é onde revela o que é o Poder. O Clarín tem a manchete: “O Governo avança na Papel Prensa para controlar a palavra impressa”. Por detrás desta frase está toda a campanha “desgastante” (para usar um conceito do revolucionário popular agrário Buzzi, fiel a suas bases até a morte, até a matar a FA, submetendo-a aos interesses da Sociedade Rural, controlada hoje pelo “Tanto” Biolcati, descendente da “chusma ultramarina” que Cané desdenhava e não por Martinez de Hoz ou pelo elegante senhor Miguens) da oposição.

Quer dizer, o governo é autoritário, doente pelo poder e sempre empenhado em silenciar a todos. CFK dá razão ao Clarín:

“O Clarín pensa que quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa. Quero nisto coincidir com o Clarín. Claro, quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa. Por que? Porque a Papel Prensa Sociedad Anónima é a única empresa que produz pasta de celulose para fabricar papel jornal no país; ela fabrica o papel jornal, o distribui e o comercializa no que se conhece em termos econômicos e jurídicos como uma empresa monopólica integrada verticalmente. Por que? Porque vai da matéria prima até o insumo básico, mas não somente produz esse insumo básico como determina a quem vende, por quanto vende e a que preço vende. Por isso coincido com o Clarín em que quem controla a Papel Prensa controla a palavra impressa na República Argentina”.

O Poder – em cada país – tem de formar monopólios para ter unidade de ação. Não se tem todo o poder se se tem só a Papel Prensa, que implica, é verdade, o controle da palavra impressa. Mas há que ter outros controles. Sobretudo – hoje, no século XXI, nesta supraposmodernidade manejada pela imagem – o poder da imagem. E o da voz do rádio, sempre penetrante, omnipresente ao longo do dia. Trata-se da metralhadora midiática. Não deve parar. Por que este governo se complica nesta luta com gigantes sagrados, intocáveis? Ou o faz ou perece a qualquer momento.

Desde a campanha do senhor Blumberg se advertiu que os meios de comunicação podiam armar uma manifestação popular em poucas horas. Toda a cambada de Buenos Aires saiu com sua guarda atrás do engenheiro e impulsionada por Haddad e a ideologia-tacho que – então – era uma criação da Rádio 10. A ideologia-tacho é uma invenção puramente argentina. Como o ônibus, o doce de leite e Maradona. Alguém toma um táxi em qualquer parte do mundo e o taxista não o agride com suas opiniões políticas. Deixa-o viajar tranquilo. Sigamos: o segundo, terrível sinal de alarme foi durante as jornadas “destituintes” e “desgastantes” do “campo”.

Sem o apoio imoderado dos “meios de comunicação” teria sido um problema menor. Mas a fúria midiática chegou aos seus pontos mais estridentes. A “oposição”, não essa essa galeria patética de ambiciosos, torpes e imprestáveis políticos que peleiam melhor entre si do que com seus adversários, são os meios de comunicação. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia.

A análise de CFK foi excessivamente rica para uma só nota. Até aqui temos: Videla convocou La Nación, Clarín e La Razón e os entregou a Papel Prensa. Ao ser o Estado desaparecedor o sócio da sociedade que se formou, esses jornais não só apoiaram ou colaboraram com um regime abominável como foram seus sócios. Para quê? CFK o disse assim:

“Durante esses anos se escutava muito o tema da defesa de nosso estilo de vida. Nunca pude entender exatamente a que se referiam quando se falava de defender nosso estilo de vida. Eu não creio que a desaparição, a tortura, a censura, a falta de liberdade, a supressão da divisão dos poderes possam ter formado em algum momento parte do estilo de vida dos argentinos”.

Sim, no momento em que se constitui a Papel Prensa e Videla pede aos grandes jornais que – agora sim, a morte – defendam a luta em que estão empenhados, o estilo de vida argentino, para ser defendido, requeria os horrores da ESMA. Há um livro de Miguel Angel Cárcano: El estilo de vida argentino. Em suas páginas se traça uma imagem idílica, campestre, cotidiana e senhorial do general Roca. Esse é - para Cárcano– um herói de nosso estilo de vida. É o deles, o da oligarquia que fez este país a sangue quente e a sangue e a fogo sempre o defendeu sempre que se sentiu atacada.

Os herdeiros de Cárcano e Roca ainda o defendem. Se lhes deixa o poder de “formar a opinião pública” como sempre o fizeram, voltaremos ao país que desejam: o do neoliberalismo, o dos gloriosos noventa. Conservarão o poder. Farão o que CFK desenhou assim: “Se há um poder na República Argentina, é um poder que está por sobre quem exerce a Primeira Magistratura, neste caso a Presidenta; também está por sobre o Poder Legislativo e, seja como for, também por sobre o Poder Judiciário (...) é invisível aos olhos”. É o poder que tão impecavelmente um outrora misterioso personagem definiu: “Presidente? Este é um posto menor”.

(*) José Pablo Feinmann é professor de Filosofia, ensaísta, escritor e roteirista.

Tradução: Katarina Peixoto
Fonte:Agência Carta Maior

ANOS DE CHUMBO - Crônica de tempos bicudos.

Enviado por luisnassif.

Por Leilaqdiz

Em 1973, o monstruoso Fleury invadiu nossa casa, só havia minha mãe e meus irmãos.Tudo foi destruído,ninguém podia entrar nem sair.Íamos ao banheiro e a porta tinha que ficar aberta com um soldado de frente.Meu pai preso, ficou 90 dias sem sabermos se estava vivo ou morto.Mamãe tomou de impulso,me puxou pelo braço e resolveu ir ao QG onde possivelmente papi se encontrava.Ficamos mais de um dia sentada na sala de espera com um soldado na nossa frente.

Qdo o coronel resolveu nos atender mame falou: se o senhor não me disser onde está meu marido, eu mato meus filhos e me mato, mas antes deixo uma carta, para quem vou entregar não interessa.Várias discussões se sucederam, mas não me lembro os detalhes pq fiquei horrorizada com que mame tinha resolvido a fazer e fiquei imaginando como ela iria nos matar. Pensei: ela resolveu isso sem nos consultar, mas logo em seguida pensei: mame pode está tentando enganar esse mostro.Lembro que íamos quase todos os dias e ficávamos sentadas por todo um dia.

A foto de nossa casa foi estampada nos jornais e qdo íamos à escola ouvíamos gritos: vc é comunista! sai comunista!Eu tinha 9 anos, minhas irmãs 7 e 6.Mame ficou estranha, pq soube do que fizeram com as esposas dos companheiros de papi.Lembro todas as mulheres da família em prantos.

Minhas avós, minha bisa, minhas tias.Pensava: pq choram tanto? Pai ainda não foi considerado morto.

Mas algum tempo depois fiquei sabendo o pq.

O coronel resolveu nos dar 5 minutos e depois de percorremos alguns corredores sempre com vários soldados a nossa volta armados, vi papi.

Eu pensei de imediato, não é meu querido pai, ele não é assim.....O coronel fez um sinal para que eu ficasse quieta.

Mame chorava aos prantos, beijava-o desesperadamente.

Então com calma perguntava a todos.

O que aconteceu, pq ela estava assim?

Foi então que aos 9 anos fiquei sabendo o que era tortura e o que faz ao seu humano.

Deixei de ser criança naquele momento e tomei uma decisão, se ele foi preso por produzir panfletos, quem vai distribuir sou eu.
Fonte: Luis Nassif

DILMA NUM DOCUMENTÁRIO SOBRE SINDICALISMO MUNDIAl.

Filme sobre sindicalismo mundial filmará campanha de Dilma.


Uma equipe de jornalistas búlgaros já entrou em contato com a comunicação da campanha eleitoral da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, para filmar um documentário sobre sindicalismo.
Uma das partes do filme terá a participação da candidata. Segundo um representante da Bulgária no Brasil, os documentaristas estão acertando com o comitê de campanha da ex-ministra filmagens na última semana da corrida eleitoral, em outubro.

Embora Dilma ainda não tenha confirmado participação direta por entrevista ao filme, esse representante garante que a equipe pelo menos fará imagens da candidata em comícios e da disputa diária dela para comandar o mais alto posto político do país. No entanto, mesmo que seja depois das eleições, será tentada uma entrevista pessoal com a postulante a presidente.

O documentário busca mostrar várias faces do sindicalismo búlgaro e de outras partes do planeta como o Brasil. O filme terá alguma produção de uma TV estatal da Bulgária e pode ter parceria com a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), antiga Radiobras e que mantém a atual TV Brasil (ex-TV Nacional). Os detalhes finais estão sendo articulados.

A título de memória, em 2002 o cineasta João Moreira Salles filmou o documentário Entre Atos, que mostra bastidores da campanha eleitoral do então candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte: Coluna de Guilherme Barros, no IG

MÍDIA - O "poste Dilma" e o jornalismo de pegadinhas.

Blog de Luis Nassif


As perguntas dos apresentadores do Jornal da Globo mostram duas coisas: o único universo de temas que lhes interessa é o virtual, esse mundo à parte criado pela velha mídia ao longo dos últimos anos. Nenhuma pergunta temática, nenhuma discussão sobre propostas de governo, nenhum questionamento à política econômica.

Apenas a peça de teatro que criaram para as eleições e que está sendo desmontada pesquisa após pesquisa.

1. A mudança física de Dilma, seguindo o script de mostrar uma candidata de duas caras.

2. A insistência em tentar colocar José Dirceu no debate.

3. A insistência em falar no fatiamento do governo pelos aliados.

4. Quebra de sigilo dos tucanos.

5. Caso dos presos de Cuba.

6. Narcoguerrilha e Farcs.

Nenhuma pergunta programática, nada que pudesse mostrar a visão ou falta de visão de futuro de Dilma, nenhum questionamento sobre as vulnerabilidades da economia, sobre o novo desenho do governo - social-democrata mas preso ao mercadismo do BC -, sobre as novas formas de governar, com participação popular.

Só a realidade virtual criada pela Globo.

Embarcaram em duas fantasias:

1. Achar que esse mundo virtual criado pela mídia (e que está sendo demolido, dia a dia, pelas pesquisas de opinião e pela exposição pública de Dilma) tivesse o mínimo de eficácia.

2. Acreditar na versão-poste, de que a Ministra mais forte do governo mais popular da história pudesse ser um "poste" que se enredaria com esse nível primário de perguntas. Conseguiram fortalecer mais ainda, junto à sua opinião pública, a percepção de que "o poste" é bastante articulado.

Surpreende, porque Waack é dos mais preparados jornalistas de televisão. Se descesse do pedestal para discutir conceitos com a candidata, poderia ter proporcionado aos seus telespectadores um dos momentos altos do jornalismo nessa campanha.

Venderam a idéia de que, quando exposta à luz, a candidata desmancharia. Ledo engano: exposto à luz do contraditório, quem desmanchou foi esse mundo virtual. A entrevista de ontem mostrou que a auto-suficiência no jornalismo, a arrogância, o tom de verdade absoluta imprimido a qualquer factóide, não resiste a 20 minutos de entrevista quando se dá a palavra à parte atingida.

Do G1

Dilma Rousseff é entrevistada pelo Jornal da Globo

Candidata do PT é a primeira de série com presidenciáveis.
José Serra será ouvido na edição de terça (31); Marina Silva, na de quarta.

Do G1, em São Paulo

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A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, foi entrevistada na edição desta segunda-feira (30) do Jornal da Globo pelos apresentadores William Waack e Christiane Pelajo. O candidato José Serra (PSDB) será o entrevistado da edição de terça (31) e a candidata Marina Silva (PV) estará na de quarta (1º). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio. A entrevista tem duração de 20 minutos e foi dividida em dois blocos. Veja abaixo a íntegra de cada bloco, em vídeo, e leia a transcrição das perguntas e respostas:

William Waack: Boa noite. Bem-vinda ao Jornal da Globo. Candidata, o seu tempo começa a contar a partir de agora. Eu vou formular a primeira pergunta. A senhora passou - até talvez por não ter disputado nenhuma eleição até agora - por uma grande transformação física. Cabelo, roupa, o jeito de falar... Foi difícil?

Dilma Rousseff: Boa noite, William. Boa noite, Christiane. É, eu acho que esse é um processo diferente de ser ministra-chefe da Casa Civil. É, eu sempre digo que, como ministra-chefe da Casa Civil, a gente trabalha muito e tem muito pouco tempo pra você se relacionar com a população porque é um trabalho de bastidor, de construir, de estruturar um governo, de levar ele à frente. Então há uma exigência muito grande. Quando eu passei a ser candidata, eu acho que - vou te falar assim com sinceridade -, acho que é melhor, mais fácil porque implica em você ter contato com as pessoas, conseguir conversar com elas, fazer propostas. E é importante também você cuidar da forma como você aparece em público. Porque você vai, na verdade, aparecer pros 190 milhões de brasileiros, de uma forma ou de outra, ou através da TV aberta ou através do rádio, também, que você vai conversar. E, principalmente, eu acho que no contato pessoal. As pessoas gostam que a gente se cuide pra se aparecer pra elas. Então eu acho que isso foi bom pra mim. E eu acho que é bom também pras pessoas que me assistem, me veem.

Christiane Pelajo: Candidata, a gente tem visto muitos petistas envolvidos em escândalos na campanha da senhora. José Dirceu, por exemplo. Qual é o papel que ele terá num possível governo da senhora?

Dilma Rousseff: Olha, sabe, Christiane, eu não tenho discutido o futuro governo. Por uma questão, eu acho, que de respeito à população. Pra você começar a discutir um governo, eu teria de estar eleita. Eu acho que a questão que se coloca quando você está em campanha eleitoral é respeitar uma das questões mais importantes na democracia que é o voto do povo dia 3 de outubro. Se eu colocar a carroça na frente dos bois, em vez de eu discutir os programas do governo, em vez de eu dizer o que eu quero pras pessoas me escolherem como presidenta do Brasil, eu vou ficar discutindo uma coisa que não aconteceu? Por que, cá entre nós, pesquisa não ganha eleição...

Christiane Pelajo: Mas a senhora...

Dilma Rousseff: O que ganha eleição é voto na urna...

Christiane Pelajo: Mas a senhora...

Dilma Rousseff: Dia 3 de outubro.

Christiane Pelajo: Mas a senhora não vê problemas em trazer de volta à política uma pessoa que teve direitos políticos cassados?

Dilma Rousseff: Eu vou te insistir com isso. Eu não vou discutir nem o Zé Dirceu, não vou discutir quem quer que seja. Outro dia colocaram que o Henrique Meirelles, outro dia colocaram que era o Guido Mantega, outro dia colocaram que era o Palocci. Eu, em princípio, não discuto nenhum nome pro meu governo...

William Waack: A senhora vai deixar...

Dilma Rousseff: É uma questão assim de princípio. Por quê? Porque eu tenho sido acusada também de estar querendo ganhar a eleição antes da hora e que eu quero sentar na cadeira antes. Eu queria dizer, gente, que quem sentou na cadeira antes foi o ex-presidente da República e que... acho, inclusive, por dois motivos eu não sento em cadeira antes. Primeiro porque eu respeito o voto popular. E em segundo lugar porque eu acho que dá azar sentar na cadeira e ficou visível que deu azar.

William Waack: Essa é uma dose de superstição. Uma novidade.

Dilma Rousseff: Como todo brasileiro e brasileira deste país.

William Waack: Agora, a senhora se recusar a discutir cargos e distribuição de cargos, a senhora vai deixar um monte de gente decepcionada. Seus aliados estão discutindo abertamente quem vai ficar com o quê. Não seria a hora de a senhora participar?

Dilma Rousseff: Sabe, é comigo que sou, se eleita, a parte interessada ninguém fez isso até hoje. Todo mundo respeitou o fato de que em processo eleitoral a gente tem de levar em conta o interesse da população no fato de que ela tem de esclarecer. Segundo, tem de respeitar o dia do voto. É que nem futebol: todo mundo pode ficar fazendo prognóstico, mas, se um jogador de futebol sair dizendo que ele vai ganhar de 2 a 0, de 1 a 0, sem ter a bola na rede, é uma baita pretensão. Eu considero que seria pretensão da minha parte discutir qualquer consequência do processo eleitoral de 3 de outubro sem estar o último voto na urna às cinco horas da tarde.

William Waack: Já que a senhora usou o futebol, todo mundo escala o time antes do jogo.

Dilma Rousseff: É. Todo mundo escala o time antes do jogo, mas aí é futebol e eu tô fazendo eleição.

Christiane Pelajo: Candidata, a Receita Federal negou intenção política na quebra de sigilo no vazamento de dados de tucanos na semana passada. Integrantes do seu partido já foram envolvidos em montagem de dossiês contra opositores. Como é que a senhora pode dar garantias pra gente, pra população que isso não vá acontecer num eventual governo da senhora?

Dilma Rousseff: Olha, eu tenho muito tempo de vida pública, Christiane. E jamais compactuei com nenhuma união mal feita. Tenho insistido que a acusação da oposição a mim e à minha campanha é absolutamente sem fundamento. Inclusive, entrei com seis medidas jurídicas contra o candidato, meu opositor - não eu, mas o meu partido -, e também pedi providências à Política.. é, à Polícia Federal pra investigar esse fato. Eu considero que é absolutamente injustificável que uma pessoa acuse outra sem apresentar provas. Nós temos pedido sistematicamente que apresente provas. Aliás, se essa situação for colocada dessa forma, eu queria dizer uma coisa: o partido do candidato meu adversário tem uma trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva. Por exemplo, vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição. Os grampos que existiram no BNDES e também os grampos feitos juntos ao próprio gabinete, o secretário da Presidência da República. Eu jamais usei esses episódios pra tornar o meu adversário suspeito de qualquer coisa porque eu não acho correto. Agora, eu também não concordo e que sem provas me acusem ou acusem a minha campanha. Eu tenho uma trajetória política. Na minha trajetória política, eu tive sempre absoluta respeito pela legalidade e pelo uso do dinheiro público. Então não vejo nenhuma justificativa para as acusações a não ser interesse eleitoral.

William Waack: Candidata, a senhora tem uma longa história política. A senhora foi torturada durante a ditadura militar. Como é que a senhora se sentiu quando ouviu o presidente Lula comparar presos de consciência em Cuba a bandidos em São Paulo?

Dilma Rousseff: Olha, William, eu acho que a trajetória política e de vida do presidente Lula não pode permitir que a gente acredite que o presidente Lula foi uma pessoa que não lutou a vida inteira pelos direitos humanos. Eu, da minha parte, tenho consciência disso e tenho presenciado isso. Acho de forma, muito discreta inclusive, o Brasil é responsável pela soltura dos presos políticos. Eu não digo que ele é responsável, que seria também muita pretensão minha, mas eu acredito que o presidente Lula, o Itamaraty e todas as tratativas feitas de forma discreta - como deve ser feito, até porque, se você não fizer de forma discreta, você não consegue muitas vezes o seu objetivo - responsável pela soltura dos presos políticos em Cuba. Agora, eu da minha parte, tenho uma convicção, William. Sabe qual é? A minha vida pessoal, ela teve um momento muito duro. Eu vivi a minha juventude durante a ditadura e lutei contra ela do primeiro ao último dia. Tenho absoluta solidariedade com presos políticos. Sou contra crimes de opinião, crimes políticos ou crimes por pensar, por querer ou por opor e vou defender isso a minha vida inteira.

William Waack: Ou seja, a senhora jamais faria essa comparação?

Dilma Rousseff: Não, eu não acho correto transformar o presidente e falar que o presidente tomou uma atitude errada nesse episódio. O presidente, eu vou repetir, foi responsável, um dos, pelas tratativas de soltura dos presos políticos cubanos.

Christiane Pelajo: Candidata, é notório que as Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, estão relacionadas ao tráfico de drogas e também ao crime organizado aqui no Brasil. Por que a senhora hesita em chamar as Farc de narcoguerrilha?

Dilma Rousseff: Eu jamais hesitei em chamar, falar que as Farc tem relações com o tráfico. É público e notório.

Christiane Pelajo: Então a senhora está declarando aqui que as Farc são uma narcoguerrilha?

Dilma Rousseff: Não estou declarando, não. O governo do presidente Lula acha as Farc ligadas ao crime, ao crime organizado e ao crime do tráfico de drogas. Nunca escondemos esse fato. Aliás essa história das nossas relações com as Farc foi muito bem respondida pelo próprio presidente, ex-ministro da Defesa da Colômbia, que disse o seguinte: em várias oportunidades, ele, ministro da Defesa, que combateu inequivocamente as Farc na Colômbia, conversou com elas, teve diálogo, porque tem momentos que sem ele ter o diálogo ele não consegue acabar e negociar a paz. Então, no Brasil, a gente tem de perder essa - eu acho assim - essa visão um tanto quanto conspiradora que muitas vezes se coloca. Se não se conversar, você não consegue inclusive a paz. E eu acho que ele foi muito feliz na resposta que ele deu pra uma revista nesse domingo - né?, foi domingo que saiu - em que ele diz: eu e outros políticos colombianos conversamos também.

2º bloco

William Waack: Estamos de volta para a segunda parte da entrevista com a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff. Candidata, o seu tempo volta a contar a partir de agora, mais dez minutos. A senhora fez parte de um governo que tem sido criticado frequentemente por ter colocado na máquina administrativa muitos militantes do seu partido. Essa política prossegue?

Dilma Rousseff: Olha, eu sempre digo uma coisa, viu, William. Eu acho que um governo é composto de políticos que tenham competência técnica. Vai prosseguir sempre... eu vou prosseguir nesse critério. Vou escolher políticos com competência técnica. Aliás, eu sempre conto uma história: acho que os técnicos são muito importantes, mas técnicos que não têm compromisso com o desenvolvimento do seu país, que não têm compromisso com a distribuição de renda do seu país, que não têm compromisso com a inclusão social do seu país, levam o país a situações muito precárias. Eu, por ato do ofício meu como ministra de Minas e Energia, me relacionei com vários ministros da América Latina. E, uma vez, estava em uma reunião, era véspera de Natal, e começou aquela conversa meio social, meio de final de reunião. "Onde você vai passar as férias?". Nós todos... Eu disse: "Na minha casa". Onde você mora? "Em Porto Alegre". Cada um, eram vários ministros. Um deles, que importa, disse: "Ah, eu vou também passar em casa". E aí eu estava em dúvida se ele morava numa de duas cidades daquele país e disse uma delas. Ele falou: "Não". Eu disse a outra, ele falou: "Não". Então onde é? Ele disse para mim: "Eu moro em Miami". A família dele morava em Miami, os filhos dele moravam em Miami, os netos dele moravam em Miami. Eu não acredito que alguém que não crie a sua família no Brasil, que não tenha interesse na educação dos seus filhos de qualidade no Brasil, que não sinta no coração amor pelo seu país a ponto de morar nele, de aguentar as consequências, todas as consequências da vida que você, que um governo vai produzir lá, seja uma pessoa confiável. Então eu sempre vou escolher políticos com competência técnica. E aí todos os do meu partido que foram políticos com competência técnica para cargos específicos ocuparão esses cargos. E isso não vale só para o PT, isso vale para todos que ocuparem cargos no meu governo.

William Waack: Qualquer o partido?

Dilma Rousseff: Qualquer partido.

Christiane Pelajo: Candidata, o Brasil...

Dilma Rousseff: Aliás, sempre disseram que eu era um pouco exigente, não sei se você lembra. Sempre disseram: "Olha, ela é um pouco exigente no que se refere à qualificação para cargos".

William Waack: Ou quis dizer: "Não importa a carteirinha?"

Dilma Rousseff: Olha, eu acho que a carteirinha, já expliquei, importa sim, se a carteirinha for isso que eu disse: o compromisso com o seu país. Política não é sempre uma coisa ruim. Política não é sempre uma coisa suja. A política pode ser responsável por transformar, como o presidente Lula fez nesses últimos oito anos, um país que vivia na desigualdade, na estagnação e vivia também no desemprego, num país que está crescendo, que emprega 14 milhões quando o mundo está desempregando 30 milhões e em um país...

Christiane Pelajo: Candidata....

Dilma Rousseff: Que tem uma, de fato hoje, um resultado social muito impressionante.

Christiane Pelajo: Candidata, vamos mudar um pouco de assunto. O Brasil investe muito pouco em relação ao PIB e os investimentos dependem basicamente de Petrobrás e setor privado. Por que o governo Lula não conseguiu investir?

Dilma Rousseff: Eu não concordo com a afirmação. Acho que houve um esforço extraordinário do governo Lula para investimento. E isso ficou, isso é visível hoje nos números. Nós aumentamos bastante o investimento público - óbvio que a Petrobrás aumentou o seu investimento, que a Eletrobrás aumentou investimento. Agora, os investimentos privados, por exemplo, na área de infraestrutura foram demandados por leilões do governo...

Christiane Pelajo: Já que a senhora está falando de números, eu gostaria de dar alguns números aqui. Quarenta por cento da riqueza nacional do país vão para o governo e o governo só é responsável por dois por cento dos investimentos do país.

Dilma Rousseff: Veja bem. É o tipo do dado que ele não tem precisão econômica, ele não tem precisão orçamentária. Porque é o seguinte: o governo, ele, infraestrutura, nós passamos mais de 25 anos sem investir. Hoje nós estamos fazendo as seguintes obras: interligação da bacia do São Francisco, seis bilhões de reais. Para levar o quê? Para levar água para 12 milhões de pessoas no semi-árido nordestino. Acabamos com a história do racionamento de oito meses que aconteceu no Brasil. Hoje, vocês não veem mais alguém dizendo que o Brasil corre risco de racionamento, porque não tem risco de racionamento. Você vê Jirau e Santo Antônio. Vou te dar outro exemplo....

Christiane Pelajo: A senhora está satisfeita então com os investimentos no Brasil.

Dilma Rousseff: Não. Eu não. Eu sou uma pessoa que jamais vou ficar satisfeita. Quando eu falo que o Brasil voltou a investir, eu tô dizendo o seguinte: nós estamos em uma longa trajetória. Vamos precisar investir muito mais. Por exemplo, em casa própria para as pessoas, voltamos a investir, saneamento. Saneamento, hoje, eu estava dando um exemplo aqui em São Paulo, que nós botamos em saneamento aqui em São Paulo 8,6 bilhões.

William Waack: Candidata, parece haver um consenso, a senhora é economista, e parece haver um consenso entre os economistas. Primeiro: porque a nossa taxa de investimento é muito baixa em relação ao PIB....

Dilma Rousseff: Eu concordo...

William Waack: A senhora faz parte desse consenso.

Dilma Rousseff: Concordo...

William Waack: Há um outro consenso ainda....

Dilma Rousseff: Chegamos a 19, né, William...

William Waack: É, onde estamos mais ou menos....

Dilma Rousseff: Não, nós queríamos ter chegado a 21...

William Waack: A 24, 25...

Dilma Rousseff: Não, a 21. Nós íamos chegar a 21, em 2009... houve a crise e nós caímos outra vez.

William Waack: Eu quero chamar a atenção da senhora para outro consenso...

Dilma Rousseff: Nós vamos retomar este ano.

William Waack: Eu quero saber se a senhora faz parte desse consenso também, já que o primeiro a senhora admite que os investimento são mais baixos do que poderiam ser. Como é que o Brasil vai continuar crescendo, e não vamos crescer a mesma coisa que crescemos no primeiro semestre, o Ministro da Fazenda estava comentando isso agora, um pouco antes, à noite. Como é que nós vamos conseguir manter o mesmo ritmo sem fazer um severo ajuste fiscal. A senhora já está pensando nisso?

Dilma Rousseff: Eu acho, eu sou, hoje, contra que se faça ajuste fiscal agora no Brasil.

William Waack: Por causa de eleição? Ou porque a senhora não quer dizer ainda agora?

Dilma Rousseff: Não, não, não, não. O Brasil teve de fazer ajuste fiscal porque precisou fazer. O que é ajuste fiscal? Ajuste fiscal é regime de caixa. Caracteriza-se pelo fato que na despesa você sai cortando: aumento de salário mínimo, aumento de salário. Você sai cortando qualquer despesa passível de corte. Ou seja, aquelas que não estão vinculadas. Investimento, saneamento, nem pensar. Ela caracteriza primeiro por isso. Como é regime de caixa, tem um lado da receita que todo mundo esquece. Sabe o que você faz? Você aumenta imposto.

William Waack: Não tem jeito.

Dilma Rousseff: Aumenta o imposto. Além de aumentar imposto, sentam no caixa. Então vamos supor que você seja um empresário. E aí você tem um crédito tributário, um crédito devido a você. O Fisco te deve e vai ter de pagar. Sabe o que é o regime de caixa? Te devolvem em 48 meses. Em vez de devolver automaticamente te devolvem em 48 meses. O Brasil não precisa passar por isso mais. Sabe por quê? Primeiro: a inflação está sob controle visivelmente. Nós estamos com US$ 260 bilhões de reserva. E a relação dívida líquida sobre PIB está caindo inquestionavelmente, está em 41 por cento. Nós inclusive tivemos que ter um aumentozinho em 2009, mas foi a única vez. Fizemos superávit todos os anos. Então, o pessoal que está defendendo ajuste fiscal está errado. O que nós temos de defender é outra coisa. O Brasil tem de crescer e tem de controlar os seus gastos, não pode sair crescendo e gastando dinheiro a roldão. Um governo que não controle direito os seus gastos, que não pegue o seu dinheiro e olhe se ele está devidamente aplicado não é o governo que eu defendo. Agora, defender ajuste fiscal como foi praticado no Brasil é um crime hoje.

Christiane Pelajo: Candidata...

Dilma Rousseff: Hoje nós estamos na fase do investimento, do planejamento, do controle e da fiscalização do gasto público, mas não estamos na fase do ajuste fiscal.

William Waack: Contas externas... elas estão piorando. Como é que a senhora pretende inverter esse quadro?

Dilma Rousseff: Olha, nós estávamos falando há pouco na taxa de investimento. Eu sou a favor da taxa de investimento ser cada vez maior. Como o Brasil começou um processo de investimento virtuoso, nós estamos tendo um desequilíbrio devido a uma discrepância entre nós e o resto do mundo. Enquanto as exportações nossas não têm mercado porque os Estados Unidos e a União Europeia, a OCDE toda está com um problema sério de crise ainda...

William Waack: Nós temos mais 15 segundos, candidata.

Dilma Rousseff: Tá. Nós hoje somos mais importadores de bens de capital e bens intermediários que elevam a taxa de investimento. Eu acredito que o Brasil está convergindo para taxas de juros internacionais, porque eu acredito....

Christiane Pelajo: Candidata, o nosso tempo encerrou...

Dilma Rousseff: Que nós vamos reduzir a dívida. E aí o Brasil cresce.

Christiane Pelajo: Candidata, muito obrigada pela presença da senhora aqui com a gente no Jornal da Globo.

William Waack: Obrigado.

Christiane Pelajo: Amanhã a gente volta com mais um candidato à Presidência da República, José Serra, do PSDB

Fonte: Luis Nassif

MÍDIA - Diretor do Datafolha fala ao Cidadania.

Do Blog da Cidadania.


Na noite de ontem (30/08), este blogueiro participou de palestra que o diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino, proferiu em um auditório do campus da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) no bairro da Liberdade, em São Paulo. Ao fim de sua exposição, o palestrante se dispôs a responder a perguntas da platéia. Este blogueiro fez as suas em público e, ao fim do evento, conversou com Paulino em particular. Este post contém um relato que faço de cabeça, pois não fiz anotações, mas que garanto ser fiel ao que ocorreu.

Antes de prosseguir, porém, cumpre-me relatar que o diretor do Datafolha foi bastante gentil, sereno e democrático nas respostas que me deu. Durante a pergunta que lhe fiz ao microfone diante de uma platéia com algumas dezenas de estudantes, revelou que é leitor deste blog. Depois da palestra, quando conversamos em particular, ainda me disse que fica “emocionado” com minha “história de vida”, em alusão ao caso da minha filha Victoria.

Quero esclarecer, também, que nada tenho contra os profissionais da Folha de São Paulo, individualmente. O que me incomoda é o conjunto da obra do jornal, conforme explicação que dei ao palestrante. E como lhe prometi fazer uma matéria correta daquilo que vi e ouvi – e sabendo, agora, que ele me lê –, coloco este blog à sua disposição para que contradiga qualquer impropriedade que julgue que cometi ao relatar o que conversamos.

O auditório em que o diretor do Datafolha palestrou teve ocupação de menos da metade de sua capacidade. Estimo que o evento reuniu cerca de cem pessoas, se tanto. Um público composto, essencialmente, por estudantes de jornalismo. De pessoas maduras, eu, paulino, uma professora da universidade, que fez a abertura e o encerramento da palestra, e um professor da instituição de ensino que estava na platéia e que ao se manifestar ao microfone para perguntar a Paulino também se disse leitor deste blog, cumprimentando-me.

A exposição de Paulino, em minha opinião, foi promovida com um viés de demonstrar coerência do trabalho do instituto que dirige diante do que descreveu como uma onda de difamações contra ele.

O diretor do Datafolha reiterou insinuações sobre um caso de erro no registro de pesquisa do instituto Sensus em abril e fez insinuações sobre este e sobre a metodologia do instituto Vox Populi, repetindo matérias da Folha de São Paulo publicadas em abril que inclusive geraram a representação do Movimento dos Sem Mídia à Procuradoria Geral Eleitoral pedindo investigação do próprio Datafolha e dos outros três grandes institutos de pesquisa.

Também enumerou princípios do Datafolha como o de não trabalhar para partidos ou sindicatos e que supostamente o tornariam superior a outros institutos em termos de lisura do seu trabalho. Ao fim de sua exposição, fiz o questionamento que tinha a fazer e que foi o que me levou ao evento.

A seguir, reproduzo, de cabeça, os questionamentos públicos e particulares que fiz ao diretor do instituto de pesquisa da Folha.

– Em 6, 10 e 26 de abril, o jornal Folha de São Paulo publicou matérias que aludiram a metodologias e outros procedimentos dos institutos Sensus e Vox Populi de forma a insinuar que haveria favorecimento deles à candidatura de Dilma Rousseff. Por outro lado, a blogosfera – os ditos “blogs sujos” a que fez menção o candidato José Serra – passaram a levantar suspeitas sobre as sondagens dos institutos Datafolha e Ibope.

– Diante desses fatos, a Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia ingressou com representação na Procuradoria Geral Eleitoral pedindo investigação dos quatro grandes institutos de pesquisa – Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi. A Procuradoria, através da vice-procuradora-geral-eleitoral, doutora Sandra Cureau, acolheu a representação da ONG e oficiou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília para que abrisse inquérito policial a fim de investigar os institutos representados.

– Por que o jornal Folha de São Paulo, dono do Datafolha, não informou ao seu público que seu instituto de pesquisa está sendo investigado assim como fez no âmbito de seus questionamentos à metodologia dos institutos Sensus e Vox Populi? O jornal não estaria furtando informação do seu público e decidindo o que ele deve ou não saber?

Paulino respondeu que o Datafolha ainda não foi formalmente informado do inquérito da Polícia Federal e que eu deveria questionar a Folha por não informar aos seus leitores os fatos que apresentei.

Questionado por mim sobre que institutos achava que acertaram mais levando em conta que, em abril deste ano, Sensus e Vox Populi já davam empate técnico entre Dilma Rousseff e José Serra enquanto que o Datafolha dava uma vantagem de até 12 pontos percentuais para o tucano, Paulino explicou que como o seu instituto não dá informações aos entrevistados que podem materializar a decisão que ainda irá tomar quando souber que candidato é de que partido ou qual deles é apoiado por Lula, os institutos concorrentes podem ter captado antes o que ocorreria porque deram esses dados aos entrevistados. E explicou, ainda, que o Datafolha prefere obter um “instantâneo do momento” ao pesquisar as pessoas sem lhes dar informações que esclareçam melhor quem é quem entre os candidatos.

O diretor do Datafolha ainda criticou duramente a “difamação” do Datafolha e assegurou que as acusações ao instituto são improcedentes. Para mostrar acertos usou como exemplo a eleição de 1994, quando Mário Covas quase perdeu para Marta Suplicy a vaga no segundo turno da eleição para governador de São Paulo. Contudo, não fez maiores comparações sobre o presente, sobretudo sobre as recentes – e amplas – diferenças entre os números de seu instituto e os de Sensus e Vox Populi.

Diante disso, disse a ele que as acusações e críticas da blogosfera não poderiam ser tão improcedentes porque a Procuradoria Geral Eleitoral acolheu a representação do Movimento dos Sem Mídia e mandou a Polícia Federal investigar, também, o Datafolha. Ao que respondeu que não se admirava por a representação ter sido aceita devido ao grande burburinho que se produziu contra as pesquisas. Contudo, não considerou que as matérias da Folha acusando os institutos concorrentes do seu tiveram algum papel no que considerou estardalhaço imotivado.

Ao fim do evento, a professora da FMU que abriu os trabalhos encerrou-os fazendo duras críticas a estudantes que também questionaram o Datafolha em suas perguntas ao palestrante e que, no entender dela, foram até lá para fazer “campanha política” com suas “bandeiras” e que tal não seria correto porque, sempre em seu entender, jovens ainda não deveriam ter opiniões políticas e certezas tão plenas. Vale ressaltar que estava visivelmente nervosa e com a voz bastante trêmula.
Fonte: Blog da Cidadania.

POLÍTICA - Presidente do PT responde a editorial do "Estadão"

Do Blog Democracia&Política

A FALSIDADE CONTINUADA CONTRA O PT

Resposta ao editorial do Estadão publicado na sexta-feira, 27 de agosto:

“O Partido dos Trabalhadores se constituiu na luta pela redemocratização do país, tendo como primado a vigência do Estado de Direito. Foi o exercício contínuo da democracia, com liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que conduziu o PT à Presidência da República, em eleições que expressaram a vontade soberana da maioria da população.

Foi a Democracia que nos trouxe até aqui e dela não vamos nos afastar jamais. Ao longo de sua existência, o PT esteve à frente de todas as iniciativas destinadas a aperfeiçoar e consolidar as práticas democráticas entre nós – desde a luta pelo restabelecimento do direito de greve e da liberdade de organização sindical e política, passando pela campanha das Diretas, a convocação da Assembléia Constituinte, até o aperfeiçoamento da legislação eleitoral.

O governo do presidente Lula vem atuando de forma republicana na reconstituição de instituições públicas essenciais que haviam sido esvaziadas, de maneira irresponsável, em governos passados. Por meio de concursos públicos e de investimentos submetidos à fiscalização do Congresso e do Ministério Público, o governo do PT está reconstituindo a capacidade do Estado para atender às demandas do país por saúde, educação, infraestrutura, segurança, desenvolvimento científico e tecnológico e proteção ambiental, dentre outras.

Compreendemos que outros partidos e setores da sociedade tenham visão distinta sobre a melhor maneira de colocar o Estado a serviço do desenvolvimento econômico e social do país. Mas não podemos aceitar que o legítimo debate político desborde para a agressão, a injúria e a calúnia, como faz o editorial do Estado de S. Paulo de 27 de agosto.

Não é verdade que o PT ou a campanha da nossa candidata, Dilma Rousseff, tenham buscado ou recebido, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas, como diz o editorial.

Se a Folha de S. Paulo, em quem se socorre o editorial para repetir a afirmação infamante, teve acesso a dados sigilosos de quem quer que seja, cabe a ela apontar sua origem, antes de acusar o PT e a campanha. Repetir sistematicamente que tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É antiético. É uma continuada falsidade.

O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. Diante da notícia de vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, fomos nós, do PT, que solicitamos a abertura de inquérito na Polícia Federal para esclarecer o fato. Buscamos a verdade.

Tomamos essa iniciativa porque consideramos incompatível com o Estado de Direito democrático a violação de direitos protegidos pela Constituição, não importando a motivação nem a preferência partidária de quem perpetra esse crime.

Agimos assim, à luz do dia e da lei, para que não se repitam episódios como a violação das dívidas com o Banco do Brasil de nove deputados do antigo PPB, que à época (1996) eram constrangidos a apoiar a emenda da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Agimos assim para que não se repita a manipulação da Polícia Federal em benefício de intrigas palacianas, como ocorreu em 1995, quando um embaixador da confiança do ex-presidente teve seu telefone grampeado e suas conversas expostas.

Agimos assim em defesa das instituições em que acreditamos e dos cidadãos que representamos. Para que crimes como esses não fiquem impunes, como não deverá ficar impune a violação do sigilo fiscal dos diretores da Petrobras, devassado em junho do ano passado.

Certas vozes que hoje apontam, sem qualquer fundamento, uma suposta manipulação de setores do Estado no caso da Delegacia da Receita de Mauá, foram as primeiras a fazer exploração política do crime cometido contra os diretores da Petrobras. É uma seletividade que desqualifica a indignação.

Oferecemos esse artigo para publicação em respeito aos leitores, em defesa da verdade e em consonância com o equilíbrio editorial que notabilizou o Estado de S. Paulo ao longo de sua história. A seção de editoriais do jornal – que em outros tempos foi exemplo de independência e coragem política – recusou-se a fazê-lo, interditando o debate de argumentos no mesmo espaço em que fomos caluniados.

Como diriam os editorialistas que sabiam polemizar sem recorrer ao sofisma e à desfaçatez: Sic transit gloria mundi ["Assim passa a glória do mundo”; ou, também: "Coisas mundanas são passageiras"].

FONTE: escrito por José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT” . Publicado no portal do PT (http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/eleicoes-2010-11/presidente-do-pt-responde-a-editorial-do-estadao-leia-o-texto-aqui-17951.html) [foto e entre colchetes, ao final, colocados por este blog].
Fonte:Democracia&Política

FIDEL - " A humanidade deve se preservar para viver milhares de anos".

(Extraído do CubaDebate)

“A humanidade deve se preservar para viver milhares de anos”, respondeu Fidel ao escritor russo Daniel Estulin, autor da trilogia sobre o Clube Bilderberg, de visita em Havana. Disse isso a propósito da opinião do visitante de que para resolver muitos de seus problemas, a humanidade deverá emigrar a outros planetas.


Fidel foi enfático ao afirmar que por mais que nos entusiasme a sobrevivência noutros espaços do sistema solar, é melhor que não percamos a que está na Terra, que é ainda a única maneira de não perder tudo o outro que está fora dela.

A um alto custo o ser humano chegou à Lua, um satélite inóspito. Mais além estão Júpiter, Marte, Neptuno, Vênus e os outros planetas, que é o mesmo que dizer poeiras, fornos incandescentes ou gelo.

Acerca destas profundezas versou a conversa do líder da Revolução com o escritor, um diálogo fascinante, que durou algo mais de hora e meia, e na qual cada minuto foi de uma espantosa intensidade.

A SOBREVIVÊNCIA DA ESPÉCIE HUMANA

“A obrigação de todos os seres humanos é assegurar a sobrevivência de toda a espécie humana. O Clube Bilderberg quer assegurar exclusivamente a sobrevivência de sua espécie, uma autêntica minoria”, estimou Daniel Estulin, depois das apresentações de rigor.

“Você escreveu coisas muito bonitas de seu avô”, comentou-lhe Fidel. “Eu amava muito meu avô. Era um homem bem especial. Foi um médico famoso, cirurgião, na Lituânia. Meu avô era da Crimeia e durante a Segunda Guerra Mundial os nazistas mataram num dia 11 irmãos dele, além da mãe, o pai e o avô de 104 anos. Imagine ter uma família numerosa, e no dia seguinte ser um órfão”.

Ele viveu a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa de 1917, a Guerra Civil e a Segunda Guerra Mundial. “Nalgum momento, no caos da Guerra, perdeu o rumo da família. Uma mãe e três crianças de oito, cinco e três anos, capturados pelos nazistas, enviados a um campo de concentração e exterminados”, lembrou.

Estulin contou a Fidel em detalhe a história de sua família, que emigrou na década de 1980 ao Canadá — nesse país se produziu o reencontro com o avô —, de sua peregrinação por vários países do mundo, de sua esposa sevilhana. Mora na Espanha há 17 anos. Embora ele tenha nascido na Lituânia, sua identidade é russa, tal como sua língua materna.

O comandante ficou impressiondo pela fluidez com que fala o espanhol. “Escrevo em inglês, por conforto. Porque quase todos os editores falam essa língua. Meus livros estão em mais de 50 países. Disseram-me que o senhor lê em inglês...”.

“Leu o espanhol com trabalho...”, respondeu Fidel, sorrindo. Mas lê muitos textos escritos originalmente em inglês, traduzidos ao castelhano. Comentou-lhe, por exemplo, Lincoln: “Uma biografia, escrita pelo escritor norte-americano Gore Vidal. É incrível como um homem pode reconstruir todo o ambiente daquela época e compará-lo com o que é hoje”.

BASES MILITARES NA AMÉRICA LATINA

“Declaram guerra a Chávez porque, a qualquer custo, a Venezuela continua sendo dos poucos países do mundo onde não há bases militares norte-americanas. E odeiam Cuba pela mesma razão, por sua independência. Em Cuba não podem destruir o conceito ‘Estado-nação’, em minha opinião o mais importante nos últimos 600 anos”, afirmou Estulin.

“Faltou-lhe o Equador, que tinha uma base em Manta por dez anos e conseguiram retirá-la. Em muitos outros países há bases. Em questão de horas põem tropas em qualquer nação”, reagiu Fidel. “Como se fossem McDonalds”, ironizou Estulin.

“Quanto às bases diretas, têm a de Guantánamo, a das Malvinas... E nos outros não as têm aparentemente, mas na verdade, sim. Fazem práticas e exercícios. Na Venezuela não têm. A Colômbia é um país convertido em base. Em Honduras têm. Na Costa Rica não têm, mas têm ali 40 navios com porta-aviões e porta-helicópteros, ajudando ‘nobremente’ à luta contra a droga. E dum cinismo total...”, acrescentou Fidel.

Para Estulin, a próxima eleição na Venezuela é crucial. Não são duas tendências ideológicas exclusivamente as que se enfrentam nas urnas. Fontes ligadas ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, asseguraram-lhe que, após a satanização de Hugo Chávez e do processo bolivariano, há um projeto de instalação de bases militares nesse país, que se torna impossível com a política soberana e latino-americanista do líder venezuelano.

A conversa se estendeu nesse tema e os desafios da nova Assembleia Nacional que nascerá das eleições de 26 de setembro, à qual retorna uma oposição que perdeu treinamento no exercício de legislar pelos anos em que se manteve fora dela, na tentativa de boicotar o poder bolivariano.

Chávez, que acabou de estar em Havana, é otimista, assegurou Fidel, e trabalha no processo de paz com a Colômbia, sem descansar. “Dorme um pouco de dia e trabalha a noite toda”.

Mas o mundo que Fidel está visualizando — e o disse — não é este, das contendas eleitorais. “Minha opinião é que o Império vai cair. Se há guerra, cai o mundo todo. A luta nossa é porque não haja guerra, mas não a qualquer preço. Não se trata de pôr condições. A guerra não ocorrerá se alguém não puxar o gatilho, agora nas mãos de Obama, que não é guerreirista. Como diz o jornalista israelense Jeffrey Goldberg, analisando Bush: ‘não espero que Obama seja mais Bush que Bush’”.

AL QAEDA

Comentaram acerca da onda de atentados que tiveram lugar na quarta-feira, dia 25 de agosto, no Iraque. Mataram 62 pessoas, no mesmo dia em que, oficialmente, as tropas norte-americanas saíram de Bagdá. “Quem domina aí? — perguntou-se Fidel —. Está também a situação no Afeganistão; há coisas muito interessantes que se associam ao que você conta do Bali — o ataque a uma boate, em 2002 —. Atribuíram à Al Qaeda a autoria daquele atentado. Al Qaeda é outro mistério que se está diluindo”.

O comandante-em-chefe assegurou que sempre teve grandes suspeitas com respeito à Al Qaeda e a Bin Laden. “Cada vez que Bush ia amedrontar e proferir o grande discurso, aparecia Bin Laden fazendo a história do que ia fazer e ameaçando. Nunca faltou a Bush o apoio de Bin Laden. Parecia um quadro, e quem demonstrou que efetivamente era um agente da CIA foi Wikileaks. Demonstrou isso com documentos”.

Estulin comentou que funcionários de alto nível norte-americano e dos serviços de inteligência de outros países reconheceram que a última vez que se escutou a voz de Bin Laden foi em 21 de dezembro de 2001. “A partir dessa data sumiu. A partir dessa data foi substituído por um péssimo ator, que se viste como ele, mas nem é parecido com ele”.

RÚSSIA NO ALVO

Mais uma vez, como em sua conferência da véspera perante colegas locais, Estulin retomou o centro da tese de suas denúncias: “O objetivo dos Bilderbergs é destroçar a Rússia como potência militar e à China como potência econômica”. E agradeceu novamente a Fidel a inclusão de excertos de seus textos em suas Reflexões mais recentes, porque disse: “O que o senhor diz eles não podem silenciá-lo”. “Nem sempre foi assim”, esclareceu o líder da Revolução.

O jornalista advertiu que os poderes mundiais estão cientes de que o único Estado capaz de enfrentar militarmente os Estados Unidos e destruí-lo é a Rússia e insistiu em que existe uma terceira operação “Barbarroja” — como foi conhecida a invasão nazista à URSS — contra a Rússia atual.

O escritor russo reiterou que o objetivo final de toda esta montagem, inclusive a possível guerra nuclear, é destruir a Rússia, o grande inimigo militar dos Estados Unidos. “A Rússia tem potência para apagar os EUA da face da terra, tem armas muito mais potentes que o que possa ter agora mesmo o arsenal norte-americano. Por exemplo, o P-700 Granito, um míssil balístico intercontinental com uma cabeça nuclear de 500 quilotons. É lançado de um submarino. Voa a uma velocidade de 2.983 km/h. Não há nada no mundo mais rápido. O avião mais veloz dos EUA voa a uns 2.600 km/h”.

“Disso não se falou”, comentou Fidel. “Temem muito disso — disse Estulin —. De fato, o submarino nuclear Kursk — afundado no Mar de Barents em 12 de agosto de 2000 —, levava estas armas”.

Esse é um elemento a levar em conta para considerar que “meu país, a Rússia, é o inimigo militar número um dos Estados Unidos. Agora mesmo estão construindo no Afeganistão 13 bases, supersecretas, e cada uma destas é maior do que qualquer outra base americana no mundo, e já são mais de 700. Não foi construída para atacar o Irã, mas o flanco sul da Rússia”.

Estulin tem informação documentada sobre as armas estratégicas que apontam contra seu país, os planos no Afeganistão, os antecedentes históricos, a queda da URSS.

Fidel escutou-o com muita atenção. “Acumular mais de 25 mil armas nucleares — disse —, não é de gente lúcida. Tudo isto me passava pela mente enquanto você falava, e me perguntava aonde vai parar tudo isto. Era exatamente o que queria intercambiar com você. Dediquei muito tempo para ler e recopilar informação. Dedicamos todo o tempo a informar-nos, enquanto os que tomam decisões que podem decidir a vida de milhões de pessoas estão desinformados”.

AS MINIBOMBAS ATÔMICAS

A história das armas atômicas de formato pequeno data de fim dos 50 ou início dos 60 do século passado, com um uso pacífico. “Os engenheiros — relatou Estulin —, quando queriam abrir uma passagem através duma montanha para construir um túnel, por exemplo, perceberam que não havia suficiente quantidade de dinamite que pudesse fazê-lo. Então, começaram a utilizar a energia atômica controlada. A indústria militar percebeu que também serviria para matar pessoas. Daí saíram as armas de terceira e quarta geração”.

Algumas destas armas podem ser do tamanho duma bola de beisebol. Mas há duas formas de construir uma bomba atômica: com urânio ou com plutônio. A diferença é a massa crítica: a de urânio necessita pelo menos de 50 a 52 quilos de massa crítica, enquanto a de plutônio muito menos. A bomba de Hiroshima foi de urânio, e a de Nagasaki, de plutônio.

Segundo Estulin, os terroristas nunca tiveram acesso a bombas de urânio, porque “desde 1945 não temos visto uma explosão como a de Hiroshima. Os terroristas não têm a tecnologia para produzir as minibombas nucleares. Só podem fazê-lo os Estados Unidos, a Rússia, a França e Israel”.

NA SERRA MAESTRA

As bombas que jogavam os aviões de Batista, Fidel lembrou, eram às vezes de 500 quilos, e abriam um buraco grande, mas não destruíam muitas casas. “Caíam, enterravam-se e explodiam”, acrescentou Fidel. “No caso das bombas atômicas, o a nuvem em forma de cogumelo e o fogo são dois sinais inconfundíveis que as acompanham. Eu não lembro que isso tenha acontecido na Serra Maestra”.

Destruía, sem dúvida, mas não nessas dimensões apocalípticas da bomba nuclear. “Uma vez nos atiraram duas de 500 kg, e eu fui vê-las: tinham prejudicado um pouco mais de meio hectare, mas nada de fogo. Nós estávamos a pouco de 100 metros do lugar onde bombardearam. Sabiam mais ou menos onde estávamos, porque tínhamos a tropa inimiga rodeada. Não houve nunca fogo. E nos jogaram bombas! Era o primeiro que ocorria, aos 20 minutos de começar qualquer combate”.

O Exército de Batista utilizava bastante bem aquelas armas, porque tinha sido treinado pelos Estados Unidos. “Usavam aviões B-26, e também um tipo de avião-caça com 8 metralhadoras e tinham alguns jatos, três em total, dois deles os utilizamos depois para defender-nos, durante o ataque mercenário pela Baía dos Porcos (1961). Estes jatos foram tripulados por pilotos que estavam presos por negar-se a cumprir ordens de Batista e tinham sido julgados e sancionados por isso”.

O comandante-em-chefe relatou que toda a dinamite que utilizou o Exército Rebelde na guerra era das bombas que não explodiam. “Nossa gente aprendeu a escavar e extrai-la. Fazíamos minas de contato, com uma bateria de lanterna… Às vezes, púnhamos 20 quilos de TNT, e púnhamos de boca para cima um tanque leve; podia destruir até os tanques pesados”.

As lembranças do comandante viajaram aos métodos de luta do Exército Rebelde, baseados no respeito à dignidade, o tratamento humano aos prisioneiros, a ética no enfrentamento a um adversário que carecia totalmente desse valor. “Nenhum soldado se rende se sabe que vão matá-lo. O mais simples do mundo para nós foi inutilizar um exército treinado pelos ianques, que chegou a ser considerado invencível”.

Sem abrir mão do tema, Fidel perguntou a Estulin com qual argumento ele respondia àqueles que impugnavam suas pesquisas, especificamente quanto ao efeito das radiações ali onde supostamente tiveram lugar explosões de minibombas nucleares.

Segundo o jornalista, até na linguagem de quem escreve sobre as explosões se podem encontrar sinais de que estas se produziram, apesar de que se ocultem as evidências mais conhecidas como pode ser o efeito das radiações nas pessoas prejudicadas em curto, médio ou longo prazo.

“A quem interessaria, por exemplo, a explosão de Oklahoma?”, insistiu Fidel. A resposta do escritor o levou a retomar interesses mais além da própria presidência norte-americana à qual, disse, não chega ninguém que não tenha sido aprovado por eles.

Estulin acredita que os planos da elite mundial são exterminar o excesso humano, num planeta cuja população cresce a um ritmo superior à disponibilidade de recursos em muitas regiões.

Fidel apenas apontou: “A Humanidade terá que resolver a energia renovável...” e logo depois de comentar o drama provocado pelos incêndios florestais na Rússia recomendou ao jornalista ver o documentário “Home”, centrado nos desafios da sobrevivência humana.

A LUTA É POR ESTE PLANETA

Estulin perguntou se a humanidade poderia estar neste planeta nos próximos 50 ou 100 mil anos. Para ele a resposta é: Não. “Seremos gente demais. A única alternativa é que através do progresso e do desenvolvimento colonizemos a Lua, Marte, o espaço e nos asseguremos de que os milhares de milhões de humanos sobrevivam, e isto é para mim a imortalidade”.

“É correto o que você diz do progresso humano — respondeu Fidel —, mas, em minha opinião, a vida vai se desenvolver aqui, neste planeta. Em Marte, na Lua e no resto dos planetas do Sistema Solar, não há atmosfera. Sua teoria é absolutamente correta no sentido de que a humanidade deve preservar-se para viver milhares de anos, graças ao progresso”.

Mas é preciso lutar contra as forças que impedem esse progresso. E Fidel coloca um exemplo: “Desde que começou a vida neste planeta, acrescentou, se calcula que foi há aproximadamente 4 bilhões de anos. O petróleo começou a formar-se há mais ou menos 400 milhões de anos. O homem está gastando em menos de 200 anos o petróleo acumulado em mais de 400 milhões de anos... A atmosfera não resiste esse consumo”.
Concordo com isso, reagiu Estulin. “Acho que devemos lutar todos, tanto como Fidel, pela sobrevivência da espécie...”, acrescentou.

Muitas pessoas, disse o escritor, acreditam que chegamos ao ponto de não retorno, e que é preciso parar em seco. “Os perigos são enormes”, acrescentou Fidel.

Estulin presenteou seus livros ao comandante e escreveu na dedicatória: “Ganharemos a guerra quando o poder do amor supere o amor ao poder”.

Fidel a leu em silêncio e disse a viva voz: “Ganharemos a guerra se não a travarmos”.

MEIO AMBIENTE - Brasil precisa quebrar a "cultura de que ônibus é para pobre".

Ao contrário da Europa, Ásia e América do Norte, o uso do transporte público no Brasil se vincula à falta de dinheiro. Quem tem carro dificilmente troca o conforto e, sobretudo, a segurança do transporte individual pelo ônibus. Isso acontece pelo fato de os benefícios ofertados pelo transporte coletivo ainda não compensarem a mudança.

A reportagem é de Vinicius Boreki e publicada pela Gazeta do Povo, 30-10-2010.

Em Nova Iorque, Tóquio ou Paris, os deslocamentos levam menos tempo. Especificamente em Curitiba, os sistemas não convencem a deixar o carro em casa: são lentos e não oferecem segurança. Para mudar o panorama, cabe aos gestores municipais inverter a lógica de investimento: mais para ônibus e menos para carros. Na avaliação do superintendente da Associação Nacional dos Transportes Públicos, Marcos Pimentel Bicalho, os gestores públicos temem encarar a pressão da sociedade caso deem preferência aos ônibus. “Existe muita resistência, porque os formadoras de opinião usam automóveis”, afirma. Por esse motivo, a lógica equivocada na aplicação de recursos das prefeituras persiste. “O prefeito acredita que vai se sair bem se melhorar as condições para os carros, asfaltando as ruas ou ampliando as avenidas”, opina o professor do Departamento de Transportes da UFPR, Garrone Reck.

Incentivo federal

Não existe cultura estadual e federal de incentivo ao transporte público, na avaliação de Bicalho. Durante a crise econômica, o governo federal baixou o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), multiplicando o número de carros nas ruas. Para Reck, a medida era necessária à época para manter a economia estável. Agora, no entanto, é o momento de “mudar a chave”. “No curso normal da economia, não pode haver privilégio para a indústria automobilística. A infraestrutura deve ser pensada para privilegiar o transporte público, em todas as esferas”, diz o professor da UFPR.

SAÚDE - Alimentação Mediterânea.

Site: O Mundo no Seu Dia-a-Dia.

Com índices de mortalidade por câncer e doenças cardiovasculares inferiores à média mundial e menor incidência de doenças como Parkinson e Alzheimer, os países da costa do mar Mediterrâneo têm muita coisa a ensinar sobre saúde aos demais.

A opinião é de Elliot Berry, professor do Departamento de Nutrição e Metabolismo da Escola de Medicina Hadassah da Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, que proferiu no dia 27 palestra na 25ª Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Águas de Lindoia (SP).

Segundo Berry, a boa saúde dos povos mediterrâneos se explica em parte pela alimentação. Mesmo culturalmente diferentes, os países da região partilham alguns ingredientes em comum, entre os quais sete se destacam: trigo, cevada, uva, figo, tâmara, romã e azeitona.

“São alimentos antigos e citados na Bíblia. Dois deles – romã e azeite de oliva – são especialmente bons para a saúde. O azeite reduz o risco de doenças cardíacas e a romã possui alto teor de antioxidantes e diminui riscos de aterosclerose na veia carótida”, disse.

Outro diferencial está no próprio modo de se alimentar, com pequenas porções, refeições bem distribuídas ao longo do dia e aproveitamento de alimentos da época e cultivados nas proximidades, o que garante frescor.

Para Berry, o Mediterrâneo ensina que a alimentação é um componente importante da qualidade de vida de cada país e deve ser quantificada. Pensando nisso, ele e mais dois colegas – Joshua Rosenbloom e Dorin Nitzan-Kaluski – elaboraram em 2008 o Índice de Nutrição Global (GNI, na sigla em inglês).

O GNI é formado por três itens com peso igual. O primeiro é a taxa de deficiência nutricional, que analisa a qualidade da alimentação e se há deficiência de nutrientes – esse número é calculado pela iniciativa Global Burden of Disease.

Outro componente é o excesso nutricional, que mede o porcentual de obesos com mais de 15 anos – dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O terceiro indicador é o de segurança alimentar, que representa a porcentagem da população desnutrida – dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O GNI divide os países em desenvolvidos e em desenvolvimento. O Japão é quem está melhor na primeira lista, com índice de 0,930. Três países mediterrâneos estão entre os dez primeiros: França (2º), Itália (9º) e Espanha (10º).

Berry explica que há diferenças entre países ricos e em desenvolvimento ao abordar problemas nutricionais iguais. “A obesidade, por exemplo, é mais prevalente na população pobre dos países desenvolvidos, enquanto que nos países em desenvolvimento ela aparece mais nos estratos sociais mais altos”, disse.

O Brasil é o décimo entre os países em desenvolvimento, com um GNI de 0,834, próximo à Argentina (em 7º, com 0,849) e ao Chile (8º, com 0,848). A lista é liderada pela Coreia do Sul (0,930), seguida pelo Uruguai (0,892).

Altos e baixos

“Os dados ficam muito interessantes ao cruzarmos o GNI com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): verificamos que boa nutrição e desenvolvimento econômico não são necessariamente sinônimos”, destacou.

Ao sobrepor os rankings IDH-GNI, Berry encontrou resultados curiosos. Países com altos índices de desenvolvimento humano apresentaram índice nutricional baixo, como foi o caso dos Estados Unidos, Austrália e Canadá. Também houve exemplos reversos, como China e Indonésia, com bons GNIs e IDH abaixo da média mundial.

Por isso, Berry defende a incorporação do GNI ao IDH. “As duas informações juntas poderiam subsidiar políticas públicas que ajudariam inclusive os países ricos com problemas de nutrição”, afirmou.

No entanto, a nutrição somente não explica a boa saúde encontrada no Mediterrâneo. Berry apresentou uma pesquisa realizada durante dois anos e que acompanhou 811 pessoas, comparando a perda de peso por meio de diferentes dietas. Dietas ricas em gordura, proteínas e carboidratos foram comparadas a outras com baixos teores desses componentes.

“A nossa tendência é dizer que os que receberam baixos índices de gordura, proteínas e carboidratos emagreceram mais. Porém, o resultado foi indiferente, mostrando que para a perda de peso a quantidade de alimentos é mais importante do que a qualidade”, disse.

Além da alimentação, a qualidade de vida é um item importante a se destacar nos países do Mediterrâneo. “O horário das refeições, como você come e até com quem você come podem influenciar na saúde”, disse.

Berry também destacou a importância da prática de exercícios físicos. “Toda vez que pegamos um elevador em vez de usar escadas estamos perdendo uma oportunidade preciosa para queimar calorias”, disse.

Segundo o cientista, a quantidade de alimentos ingerida deve estar diretamente ligada ao nível de atividade física executada. “Somos como uma usina de energia, o combustível que consumimos deve ser compatível com o trabalho gerado”, apontou.
Os dez mandamentos do estilo de vida Mediterrâneo segundo Elliot Berry:


* O que fazer:

1) Consumir mais óleo/azeite de oliva, abacate e amêndoas;
2) Consumir cinco porções diárias de frutas e vegetais;
3) Consumir peixe duas vezes por semana para adquirir ômega 3;
4) Fazer exercícios de 30 minutos pelo menos três vezes por semana;
5) Ter um dia de descanso com a família e os amigos.


* O que não fazer:

1) Fumar;
2) Comer demais;
3) Adicionar sal à comida já preparada;
4) Exagerar no consumo do álcool (limite de 20 a 30 gramas por dia);
5) Dirigir em alta velocidade.

ELEIÇÕES - Quem perde com a eleição.

Do Direto da Redação.

Três de outubro se aproxima e a se confirmarem os resultados das pesquisas indicando uma vitória avassaladora de Dilma Roussef já no primeiro turno, as análises a serem feitas devem transcender o aspecto político partidário propriamente dito e o significado do fenômeno Lula na história brasileira.
O Presidente da República, segundo indicam as pesquisas, em termos de popularidade ultrapassou Getúlio Vargas em sua época. O então líder trabalhista, além de se eleger em 1950 enfrentando os ancestrais do PSDB e Demo, poucos anos antes elegeu quem parecia inelegível, ou seja, o seu ex-ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, que acabou se tornando um dos piores presidentes que o Brasil já teve, comparável a FHC, inclusive traindo compromissos assumidos durante a campanha.
Tais fatos pertencem à história, mas o principal neste momento é analisar a derrota acachapante que vem sofrendo a mídia de mercado tipo Veja, O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, TV Globo e outros veículos de imprensa que diariamente se opõem a Lula e a sua candidata. Ou seja, apesar disso, Lula está transferindo praticamente cem por cento dos seus votos para Dilma Roussef, o que os analistas de plantão diziam que jamais aconteceria.
Tanto a mídia de mercado quanto o candidato de oposição de direita, José Serra, esgotaram o estoque de acusações infundadas contra a candidata Dilma Roussef. A aliança PSDB-Dem-PPS desencavou até o emergente da Barra de sobrenome da Costa como vice, para caluniar com base em mentiras. Não satisfeito com as baixarias, encampadas por Serra, da Costa gratuitamente passou a fazer críticas grosseiras a Leonel Brizola, o governador do Estado do Rio de Janeiro por duas vezes, falecido em junho de 2004.
Da Costa e Serra são exemplos típicos da baixa política. Serão julgados pelos mais de 135 milhões de eleitores aptos a votar em 3 de outubro. Da Costa foi indicado para vice por ordem de Cesar Maia, numa estratégia para lançá-lo candidato a Prefeito do Rio de Janeiro em 2012. Para aparecer nas páginas e na TV, o vice de Serra baixou tanto o nível que acabou tirando votos do próprio cabeça de chapa.
O Rio de Janeiro daqui a dois anos terá de dar um novo recado nas urnas para a escolha do Prefeito e o quadro que se apresenta, pelo menos até agora, chega a ser vergonhoso. Da Costa de um lado e Eduardo Paes de outro, cujos projetos, apesar das rivalidades eleitorais, não estão tão distantes assim.
Para se ter uma ideia, basta comparar o que Paes vem fazendo atualmente na área da educação, repetindo o receituário do Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do Dem. Tendo como titular da pasta a senhora Claudia Costin, egressa do PSDB, e prestadora de serviços ao governo FHC na reforma administrativa, a atual secretária de Educação do município do Rio de Janeiro tenta executar um projeto que tem a chancela do Banco Mundial e que terá reflexos negativos não só para os professores, como também para todos os servidores municipais.
Em troca de um empréstimo de 1,9 bilhão de dólares para o Rio, o Banco Mundial exigiu, e Paes está tentando colocar em execução com a ajuda de sua bancada na Câmara dos Vereadores, uma reforma da previdência municipal que prevê a quebra da paridade e diminuição nos vencimentos de aposentados e pensionistas. Ou seja, Paes está querendo ir até as últimas consequências com o receituário neoliberal, que sempre defendeu desde os tempos em que militava no PSDB, o mesmo partido que durante muitos anos abrigou o atual governador Sergio Cabral.
Leitores e telespectadores desconhecem também o que vem acontecendo no Rio de Janeiro, como, por exemplo, que a senhora Costin está tentando incrementar uma formula para os professores do município do Rio idêntico ao existente em São Paulo: a chamada meritocracia em que os trabalhadores no setor de educação serão avaliados por uma comissão que dirá quem vai ganhar mais ou não, graças a vários critérios, inclusive a nota dos alunos. Em função disso, em São Paulo os professores foram divididos em sete categorias. E assim vai, no fundo, o objetivo maior é a competição desenfreada em que a qualidade do ensino propriamente dito é o último a contar, embora Costin diga ao contrário nas páginas da mídia de mercado.
Em recente entrevista a um jornal de São Paulo, Diane Ravitch, ex-secretária adjunta de Educação do governo Bill Clinton criticou com veemência a política de meritocracia, por ela seguida. Segundo Ravitch, o ensino não melhorou e foram detectadas fraudes no processo de avaliação do desempenho dos professores. Quer dizer, Costin copiou um esquema que sabidamente não deu certo nos Estados Unidos e insiste em algo que não resultará em melhora para o ensino, muito pelo contrário.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

FIDEL CASTRO - " Cheguei a estar morto, mas ressuscitei".

Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da morte, mas ressuscitou.

Por Carmen Lira Saade para La Jornada

E fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".

Ele esteve quatro anos debatendo-se entre a vida e a morte. Um entra e sai da sala de cirurgia, entubado, recebendo alimentos através de veias e cateteres e com perdas frequentes de consciência. Minha enfermidade não é nenhum segredo de Estado, teria dito pouco antes que ela se tornasse crise e o obrigasse a fazer o que tinha que fazer: delegar suas funções como presidente do Conselho de Estado e, consequentemente, como comandante em chefe das forças armadas de Cuba. Não posso seguir mais, admitiu então - segundo revela nesta sua primeira entrevista a uma publicação impressa estrangeira desde então. Fez a transmissão do cargo e entregou-se aos médicos.

A comoção sacudiu a nação inteira, aos amigos de outras partes, despertou esperanças revanchistas em seus detratores e colocou em estado de alerta o poderoso vizinho do Norte. Era o dia 31 de julho de 2006 quando foi divulgada, de modo oficial, a carta de renúncia do líder máximo da Revolução Cubana. O que seu inimigo mais feroz (bloqueios, guerras, atentados) não conseguiu em 50 anos foi alcançado por uma enfermidade sobre a qual ninguém sabia nada e se especulava tudo. Uma enfermidade que para o regime, quisesse ou não, iria se converter em um segredo de Estado.

Penso em Raúl, no Raúl Castro daqueles momentos. Não era apenas o pacote que lhe tinham confiado há muito tempo; era a delicada saúde de sua companheira Vilma Espin – que pouco depois faleceria vítima de câncer – e a muito provável desaparição de seu irmão mais velho e chefe único nos âmbitos militar, político e familiar”.

Hoje faz 40 dias que Fidel Castro reapareceu em público de maneira definitiva, ao menos sem perigo aparente de recaída. Em um clima tranquilo e dando a entender que a tempestade passou, o homem mais importante da Revolução Cubana ressurge orgulhoso e com vitalidade, ainda que não domine totalmente os movimentos de suas pernas.

Durante as quase cinco horas que durou a entrevista ao La Jornada – incluindo o almoço – Fidel aborda os mais diversos temas, ainda que mostre uma obsessão por alguns em particular. Permite perguntas sobre tudo – ainda que quem mais interrogue seja ele – e repassa pela primeira vez e com dolorosa franqueza alguns momentos da crise de saúde que sofreu nos últimos quatro anos. Cheguei a estar morto, revela com uma tranqüilidade assombrosa. Não menciona pelo nome a diverticulite da qual padeceu nem se refere às hemorragias que levaram os especialistas de sua equipe médica a intervir em muitas ocasiões, sempre com risco de perder a vida. Mas no que ele se estende é no relato do sofrimento vivido. E não mostra inibição alguma em qualificar a dolorosa etapa como um calvário.

Eu já não aspirava a viver, nem muito menos...Perguntei-me várias vezes se essa gente (seus médicos) iriam deixar-me viver nestas condições ou iriam permitir que eu morresse. E sobrevivi, mas em condições físicas muito ruins. Cheguei a pesar cinquenta e poucos quilos. Sessenta e seis quilos, precisa Dália, sua inseparável companheira que assiste a conversa. Só ela, dois de seus médicos e dois de seus colaboradores mais próximos estão presentes.

- Imagine: um tipo da minha estatura pesando 66 quilos. Hoje já estou entre 85 e 86 quilos e esta manhã consegui dar 600 passos sozinho, sem muleta nem ajuda.

Quero dizer-te que estás diante de uma espécie de ressuscitado, afirma com certo orgulho. Sabe que, além da magnífica equipe médica que o assistiu durante todos estes anos, que pôs à prova a qualidade da medicina cubana, contou muito a sua vontade e essa disciplina de aço que se impõe sempre que se empenha em algo.

Não cometo nunca mais a mínima violação – assegura. Tornei-me médico com a cooperação dos médicos. Com eles discuto, pergunto (pergunta muito), aprendo (e obedece)... Conhece muito bem as razões de seus acidentes e quedas, ainda que insista que não necessariamente umas levem às outras. A primeira fez foi porque não fez o aquecimento devido, antes de jogar basquete. Depois veio o de Santa Clara: Fidel descia da estátua do Che, onde havia presidido uma homenagem, e caiu de cabeça. Aí influiu também, afirma, que aqueles que deveriam cuidar dele também estão ficando velhos, perdem habilidades e não conseguiram cuidar direito. A seguir veio a queda de Holguín. Todos esses acidentes ocorreram antes que a outra enfermidade se tornasse crítica e o deixasse por longo tempo no hospital.

- Estendido naquela cama, só olhava ao meu redor, ignorante de todos esses aparatos. Não sabia quanto tempo ia durar esse tormento e a única esperança que alimentava é que o mundo parasse para que eu não perdesse nada. Mas ressuscitei, disse satisfeito.

- E quando ressuscitou, comandante, o que encontrou? – perguntei

- Um mundo de loucos... Um mundo que aparece todos os dias na televisão, nos jornais, e que não há quem entenda, mas que eu não queria perder por nada deste mundo – sorri, divertido.

Com uma energia surpreendente em um ser humano que acabou de levantar-se da tumba, como ele mesmo diz, e com a mesmíssima curiosidade intelectual de antes, Fidel Castro vai se atualizando. Aqueles que o conhecem bem dizem que não há um projeto, colossal ou milimétrico, no qual ele não se empenhe com uma paixão encarniçada, em especial se em situação de adversidade, como era o caso. Nunca, então, parece de melhor humor. Alguém que pretende conhecê-lo bem resumiu: “as coisas devem andar muito mal, porque você está radiante”.

A tarefa de acúmulo informativo cotidiano deste sobrevivente começa desde que ele acorda. Com uma velocidade de leitura, cujo método ninguém conhece, devora livros, lê entre 200 e 300 notas informativas por dia, está debruçado sobre as novas tecnologias da comunicação, e fascina com o Wikileaks, a garganta profunda da internet, famosa pela revelação da existência de 90 mil documentos militares sobre o Afeganistão, nos quais esse novo internauta já está trabalhando.

Você se dá conta, companheira, do que isso significa? – pergunta-me. A Internet colocou em nossas mãos a possibilidade de nos comunicarmos com o mundo. Não contávamos com nada disso antes – comenta, ao mesmo tempo em que se deleita vendo e selecionando informes e textos baixados da rede, que tem sobre a mesa do escritório: um pequeno móvel, demasiado pequeno para o tamanho (mesmo que diminuído pela enfermidade) de seu ocupante.

Acabaram-se os segredo, ou ao menos parece isso. Estamos diante de um jornalismo de investigação de alta tecnologia, como o chama o New York Times, e ao alcance de todo o mundo. Estamos diante da arma mais poderosa que já existiu, que é a comunicação – resume. O poder da comunicação tem estado, e está, nas mãos do império e de ambiciosos grupos privados que fazem uso e abuso dele. Por isso os meios de comunicação fabricaram o poder que hoje ostentam.

Escuto-o e penso em Chomsky: qualquer das fraudes que o Império tente executar deve contar antes com o apoio dos meios de comunicação, principalmente jornais e televisão, e hoje, naturalmente, com todos os instrumentos que a Internet oferece. São os meios que, antes de qualquer ação, criam o consenso. Preparam a cama, diríamos... Formatam o teatro de operações. No entanto, diz Fidel, ainda que pretendessem manter intacto esse poder, não conseguiram. E estão perdendo-o dia a dia. Enquanto outros, muitos, muitíssimos, emergem a cada momento...

Faz-se necessário, então, um reconhecimento aos esforços de alguns sites e meios, além do Wikileaks: pelo lado latinoamericano, a Telesur da Venezuela, a televisão cultural da Argentina, o Canal Encontro, e todos aqueles meios, públicos ou privados, que enfrentam poderosos consórcios particulares da região e transnacionais da informação, da cultura e do entretenimento.

Informes sobre a manipulação dos grupos empresariais locais ou regionais poderosos, seus complôs para introduzir ou eliminar governos ou personagens da política, ou sobre a tirania que o império exerce, através das transnacionais, estão agora ao alcance de todos os mortais.

Mas não em Cuba, que dispõe apenas de uma entrada de Internet para todo o país, comparável a que o Hotel Hilton ou o Sheraton têm. Essa é a razão por que conectar-se em Cuba é desesperador. A navegação é como se fosse em câmara lenta.

Por que isso ocorre? - pergunto.

- Pela rotunda negativa dos Estados Unidos em nos dar acesso à Internet na ilha, através de um dos cabos submarinos de fibra ótica que passam próximo às costas. Cuba se vê obrigada, em troca, a baixar o sinal de um satélite, o que encarece muito mais o serviço do que o governo cubano pode pagar, e impede que se disponha de uma banda maior, que permita dar acesso a muito mais usuários e na velocidade que é normal em todo o mundo, com a banda larga.

Por essas razões o governo cubano dá prioridade para conectar-se não a quem pode pagar pelo custo do serviço, mas para quem mais necessita, como médicos, acadêmicos, jornalistas, professores, quadros do governo e clubes de internet de uso social. Não se pode fazer mais.

Penso nos descomunais esforços do site cubano Cubadebate para alimentar seu conteúdo e levar ao exterior a informação sobre o país, nas condições existentes. Mas, segundo Fidel, Cuba em breve poderá solucionar esta situação.

Ele se refere à conclusão das obras de cabo submarino que se estende do porto de La Guaira, na Venezuela, até as proximidades de Santiago de Cuba. Com estas obras, levadas adiante pelo governo Hugo Chávez, a ilha poderá dispor de banda larga e de possibilidades de conceder uma grande ampliação do serviço.

- Muitas vezes se acusa Cuba e em particular a você de manter uma posição antiestadunidense rigorosa; chegaram até a acusá-lo de ter ódio dessa nação - digo-lhe.

— Não é nada disso – esclarece: Por que odiar os Estados Unidos, se é apenas um produto da história?

Mas, com efeito, há uns 40 dias, apenas, quando ainda não tinha terminado de ressucitar, ocupou-se – para variar -, em suas novas Reflexiones, de seu poderoso vizinho.

“É que comecei a ver muito claramente os problemas da tirania mundial crescente – e se apresentou à luz de toda a informação que tinha, a iminência de um ataque nuclear que desataria a conflagração mundial".

Mas não podia sair a falar, a fazer o que está fazendo agora, indica-me. Apenas podia escrever com certa fluidez, pois não só teve que aprender a caminhar, mas também, em seus 84 anos, teve de voltar a aprender a escrever.

“Saí do hospital, fui para casa, mas caminhei, excedi-me. Depois tive de fazer reabilitação dos pés, para então conseguir começar a escrever de novo. O salto qualitativo se deu quando pude dominar todos os elementos que me permitiam tornar possível tudo o que estou fazendo agora. Mas posso e devo melhorar... Posso chegar a caminhar bem. Hoje, já te disse, caminhei 600 passos só, sem bengala, sem nada; e devo conciliar isso com o que subo e desço, com as horas que durmo, com o trabalho".

- O que há por trás desse frenesi no trabalho? O que mais que, depois de uma reabilitação, pode conduzi-lo a uma recaída?

Fidel se concentra, fecha os olhos como para começar a dormir, mas não... volta à carga: "não quero estar ausente nestes dias. O mundo está numa fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que venha a acontecer. Tenho coisas a fazer, ainda".

- Como o quê?

– Como a conformação de todo um movimento antiguerra nuclear – é a o que vem se dedicando desde a sua reaparição.

Criar uma força de persuasão internacional, para evitar que essa ameaça global se concretize representa um rumo, e Fidel nunca pôde resistir aos rumos.

“No princípio pensei que o ataque nuclear iria se dar sobre a Coréia do Norte, mas logo retifiquei, porque a China vetaria isso no Conselho de Segurança [da ONU]...

Mas o do Irã ninguém o fará, porque não há veto nem chinês nem russo. Depois veio a resolução (das Nações Unidas), e embora Brasil, Turquia e Líbano tenham votado, o Líbano não o fez e então se tomou a decisão.

Fidel convoca cientistas, economistas, comunicadores, etc, a que dêem sua opinião sobre qual pode ser o mecanismo mediante o qual se vai desatar o horror, e a forma que se pode evitá-lo. Até a exercícios de ficção científica os conduziu.

“Pensem, pensem!”, anima as discussões. “Raciocinem, imaginem”, exclama o entusiasta professor em que se converteu, nestes dias.

Nem todo mundo compreendeu sua inquietude. Não são poucos os que viram catastrofismo e até delírio em sua nova campanha. A tudo isso tinha de acrescentar o temor que assaltava a muitos, de que sua saúde sofra uma recaída.

Fidel não pára, e ninguém é capaz de sequer freá-lo. Ele necessita, o mais rápido possível, CONVENCER, para assim DETER a conflagração nuclear que –insiste– ameaça com o desaparecimento de uma boa parte da humanidade. Teremos que mobilizar o mundo para persuadir Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, para que ele evite a guerra nuclear. Ele é o único que pode, ou não, impedir o botão de ser apertado.

Com os dados que ele já detém como um expert e os documentos que avalizam o que diz, Fidel questiona e faz uma exposição arrepiante:

– Tu sabes o poder nuclear que alguns países do mundo têm, na atualidade, em comparação com a época de Hiroshima e Nagazaki?

Quatrocentas e setenta mil vezes o poder explosivo que qualquer dessas bombas que os Estados Unidos jogou sobre essas duas cidades japonesas tinha. Quatrocentas e setenta mil vezes mais! Sublinha, escandalizado.

Essa é a potência de cada uma das mais de 20 mil armas nucleares que – se calcula – há hoje em dia no mundo.

Com muito menos do que essa potência – com tão só 100 – já se pode produzir um inverno nuclear que obscureça o mundo em sua totalidade.

Esta barbaridade pode se produzir em uma questão de dias; para sermos mais precisos, no próximo 9 de setembro, que é quando vencem os 90 dias concedidos pelo Conselho de Segurança da ONU para que se comece a inspeção dos barcos do Irã.

– Acredita que os iranianos vão retroceder? O que imagina? Homens valentes, religiosos que vêem na morte quase um prêmio...Bem, os iranianos não vão ceder, isso é certo. Vão ceder aos ianques? E o que ocorrerá se nem um nem outro ceder? E isto pode ocorrer no próximo 9 de setembro.

Um minuto depois da explosão, mais da metade dos seres humanos terão morrido, a poeira e a fumaça dos continentes em chamas derrotarão a luz solar e as trevas absolutas voltarão a reinar no mundo, escreveu Gabriel García Máquez por ocasião do 41 aniversário de Hiroshima. Um inverno de chuvas alaranjadas e furacões gelados inverterão o tempo dos oceanos e voltarão o curso dos rios, cujas espécies terão morrido de sede em águas ardentes...A era do rock e dos corações transplantados estará de volta a sua infância glacial...

Tradução: Katarina Peixoto

ELEIÇÕES - Mercadante e o futuro do PT e PSDB.

Do Blog do Rovai.

A questão é que o jogo que se joga nesses estados na atual eleição vai determinar em boa medida as duas ou três próximas disputas presidenciais.

Aécio Neves tem tudo para se tornar o herdeiro do PSDB. Seu candidato a governador já teria ultrapassado Hélio Costa, segundo a última pesquisa Ibope. Isso numa eleição que dificilmente terá segundo turno, já que os outros concorrentes são eleitoralmente inexpressivos.

Ou seja, Aécio pode eleger seu poste já em 3 de outubro. E ainda se eleger senador, levando a tiracolo para o Senado seu companheiro de chapa, o ex-presidente Itamar Franco.

Se isso vier a ocorrer, Lula poderá ter cometido seu grande erro político dessas eleições em Minas Gerais. Com dois candidatos da base no estado, muito provavelmente haveria segundo turno.

Mas talvez o nome do jogo para o futuro das próximas eleições, por incrível que pareça, não seja o de Aécio Neves, mas o de Aloísio Mercadante.

Mercadante tem chances reais de derrotar Alckmin em São Paulo. Pela última pesquisa Ibope está com 23%. Nessa mesma época, contra Serra, em 2006, tinha 16%. Terminou a eleição com 32%. Com aloprados e tudo o mais.

Fazer esse tipo de conta é algo meio amalucado, mas, noves fora, em 35 dias Mercadante dobrou de tamanho há quatro anos. Se isso acontecer agora, poderia chegar a 46%.

Não precisa de tudo isso para ir bem posicionado para o segundo turno. Batendo em 40%, a disputa será pau a pau com Alckmin.

A eleição de Mercadante em São Paulo mexeria com todas as cartas das futuras eleições presidenciais. Entre outras coisas, por exemplo, porque poderia levar Aécio a rumar com a sua turma para o PMDB, já que a aliança demo-tucana se tornaria algo inexpressivo para quem deseja ser presidente da República.

A eleição que definirá o futuro de tucanos e petistas para os próximos anos não é mais a presidencial. É a disputa estadual, fundamentalmente as que acontecem em São Paulo e Minas Gerais. E a mídia tucana já se apercebeu disso. E mudou seu foco.

Serra foi cristianizado, mas não em detrimento de outro candidato que dispute o mesmo cargo que o seu. Foi cristianizado para que projetos estaduais não sejam tsunamisados pela onda vermelha. O que ainda pode vir a acontecer. Transformando Mercadante no maior beneficiário desse fenômeno.

ELEIÇÕES - O desespero da oposição e a pregação golpista.

Carlos Dória.

Tem gente que tem mêdo do processo democrático.‏


A oposição está desesperada com a acachopante derrota que o Serra terá apesar do apoio de toda a imprensa golpista, a Veja à frente. Já que vai perder no voto, quer ganhar no tapetão.Na quer aceitar a vontade popular Quer arrumar um meio para denegrir o resultado das eleições. Antigamente, existiam as " vivandeiras dos quartéis" que usavam os militares para dar o golpe. Agora, como isso é mais difícil, está fazendo essas campanhas ridículas de estimular a anulação do voto ou dizer que as urnas serão ou foram manipuladas.Isso que venho recebendo, via e-mail, faz parte da campanha golpista em marcha. Ficam espalhando esses factóides na esperança que isso tenha algum resultado prático. Torço para que anulem o voto pois isso só favorece que está à frente das pesquisas. São burros que não conhecem a legislação eleitoral. Tenho pena dessas pessoas que fazem isso e se acham grandes patriotas e democratas . Devem ser filhas ou esposas de militares saudosas da ditadura. O mundo mudou, o Brasil mudou e elas não perceberam. Ficam só lendo a Veja e vendo o JN e não percebem que o Brasil real é muito diferente dos que eles mostram. Por isso ficam surpresos que o Lula, em final de governo, tenha um índice de aprovação de quase 80%.
Como a maioria dessas pessoas se deixa pautar pela mídia golpista e agem como verdadeiros "homer simpsons", que foi como o William Bonner qualificou os ouvintes do JN, não percebe o Brasil real, que não é o Brasil dessas elites retrógadas e preconceituosas, das quais o JN é o mais lídimo representante. O JN ainda pensa que é "formador de opinião". Se esquece que o crescimento exponencial dos blogs, a famosa blogosfera permite o contraditório, a possibilidade das pessoas recorrerem à outras fontes de informação, para avaliar se o que o JN divulga é realmente a informação correta. Se esse contraditório fosse permitido pelos grandes meios de comunicação, eles não estariam perdendo sua credibilidade, que é a coisa mais importante para um órgão de comunicação.