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terça-feira, 30 de junho de 2009

HONDURAS - A lógica do golpe.

Alguns dos argumentos utilizados para justificar o golpe militar em Honduras foram cantados em prosa e verso na nossa mídia brasileira e fora dela, em 1964. É a lógica do "ia":o presidente ia violar a Constituição, ia implantar uma ditadura de esquerda, ia, ia, ia... Fato, nennhum.

Flávio Aguiar

Não sei o que foi pior: ler sobre o golpe em Honduras, ou ler, nas seções de cartas da Folha de S. Paulo (deve haver em outros jornais também) na internete, leitores brasileiros justificando o golpe. Os argumentos centrais eram os mesmos de 1964 no Brasil: o presidente ia violar a Constituição, ia implantar uma ditadura de esquerda (pra esses leitores, ditadura de direita pode), ia virar um novo Hugo Chavez, ia, ia, ia. Só ia. Fato, nenhum. Ainda, de quebra, mais uma acusação, desta vez contra o governo brasileiro, que teria aplicado dois pesos e duas medidas ao não condenar a eleição no Irã e ao condenar o golpe em Honduras, como “mais uma prova” do “esquerdismo” da política externa brasileira.

Conceitualmente, nem vale a pena responder a esses argumentos, porque eles se desmentem por si próprios, pela sua incoerência, pela sua inconsistência, pela sua própria existência, enfim. Mas vale a pena recordar que argumentos desse naipe foram cantados em prosa e verso na nossa mídia brasileira e fora dela, em 1964. É o argumento do “ia”. Só pra recordar um pouco mais: historicamente esse argumento foi usado aqui na Alemanha para atenuar a culpa social-democrata pelo assassinato de Rosa Luxemburgo, de Karl Liebknecht, em 1919 e pela sangrenta repressão contra os trabalhadores exercida pelos para-militares dos Freikorps, que se tornaram um dos berços das futuras SS e SA. Eles (Rosa e Karl) “iam” implantar uma ditadura sangrenta, se eles chegassem ao poder a matança “ia” ser igual, só que para o outro lado, etc. Haja “ia”.

Outra semelhança com o Brasil de 64 foi o argumento do novo “presidente”, Roberto Micheletti, às pressas indicado pelo Congresso para legalizar o golpe. “Manuel Zelaya renunciou, então o cargo ficou vago”. Que argumento! Zelaya desmentiu a renúncia. Mas mesmo que tivesse renunciado, para salvar a própria vida e não virar um novo Allende, o ato seria juridicamente nulo, pois obtido sob evidente coação. É como se Pedro Carmona, o golpista venezuelano de 2002, dissesse: “Pois é, o palácio de Miraflores estava vazio, o presidente Hugo Chavez se fora, aí eu entrei e tomei posse”.

Em 1964 o Congresso, para legalizar o golpe, com o apoio de quase toda a mídia e muito mais, declarou a presidência vaga porque o presidente João Goulart “abandonara” a capital federal “sem autorização” do parlamento, e deu posse interina ao presidente da Câmara, Rainieri Mazzili. Também, que argumento notável! É a lógica do golpe: primeiro se dá o golpe, depois se busca alguma lógica que o justifique, para além de seus sórdidos interesses.

Algumas lembranças sobre Honduras. Na última metade do século XX o país abrigou uma série de operações militares de direita, organizadas/apoiadas/levadas a cabo pela CIA. Nos últimos 30 anos do século essas operações foram particularmente aprofundadas pelos governos republicanos. A partir de 1977 (quando Jimmy Carter era presidente e as operações da CIA estavam “congeladas”) instalou-se no país uma “operação Charly”, sob supervisão de militares argentinos ligados ao “Batalhão 601”, que, por sua vez, era diretamente ligado ao general Leopoldo Galtieri que, em 1981, assumiu a presidência com um “golpe dentro do golpe”. Os membros do “601” treinaram, em Honduras, o Batalhão 316, especializado em seqüestros, torturas, assassinatos e “desaparecimentos”. Honduras tornou-se, sobretudo em seu quartel de Lepaterique, um centro irradiador de ações militares anti-esquerdistas no próprio país e nos vizinhos, como em El Salvador e na Nicarágua. Essas operações também contaram com o apoio do governo de Pinochet, do Chile. A partir da posse de Reagan, em 1981, as operações desse tipo foram retomadas e aprofundadas. Nem mesmo a Guerra das Malvinas, em 1982, interrompeu essa “frutífera cooperação” entre a CIA e militares argentinos, ao que parece, durou pelo menos até 1984, e com as bênçãos do papa João Paulo II e o auxílio do embaixador John Negroponte, nomeado por Reagan para Tegucigalpa, que foi o cabeça-de-ponte de sua administração na América Central e depois foi indicado embaixador na ONU! O que colocou aquela colaboração na estante da história foi a restauração da democracia na Argentina, a partir de 1983.

Portanto, vê-se que o presente golpe em Honduras tem longas raízes. Não sei se os golpistas que invadiram a casa do presidente Zelaya foram ou são remanescentes do famigerado “316”, mas sem dúvida seu espírito ia com eles. O que os militares e os golpistas civis não souberam avaliar é que o mundo ao seu redor mudou bastante. A América Latina, a América Central, a América do Sul não são mais as mesmas. Nem mesmo a OEA e os Estados Unidos são os mesmos do ano passado. Já pensaram, caros leitores e leitoras, no que aconteceria se Bush filho e Rice pianista continuassem na Casa Branca?

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior

MÍDIA - Youtube cria página para ensinar técnicas jornalísticas a internautas.

O portal Youtube lançou na última segunda-feira (29) uma página dedicada ao ensino das práticas jornalísticas aos internautas. A informação é da agência AFP. Organizado pelo Centro de Jornalistas do Youtube Reporters, o endereço eletrônico oferece uma série de vídeos sobre Jornalismo investigativo, Jornalismo cidadão, ética na profissão e como realizar uma matéria.

O vídeo sobre Jornalismo investigativo, com cinco minutos de duração, é apresentado por Bob Woodward, o repórter do Washington Post, - famoso pelo polêmico caso Waltergate, que levou à renúncia do presidente Nixon, nos Estados Unidos.

As lições sobre como realizar uma entrevista são oferecidas pela apresentadora de notícias da rede CBS News, Katie Couric, enquanto Ariana Huffington, co-fundadora do site The Huffington Post, traz dicas sobre Jornalismo cidadão.

De acordo com o Youtube, a página tem por objetivo ajudar os jornalistas a aprenderem como informar o público. A empresa ainda pede aos usuários que criem vídeos para a página, a fim de difundir mais conhecimento entre internautas de todo o mundo.
Fonte:FNDC

DIVINO FUTEBOL.

Ricardo Acampora.

A conquista da terceira Copa das Confederações pela seleção brasileira foi intensamente comemorada pelos jogadores e comissão técnica.

Afinal, o título veio com uma vitória de virada, conquistada com muita determinação por um time que se por um lado não tem o brilhantismo de outras seleções brasileiras, por outro mostra espírito coletivo e grande união.

A vitória do Brasil sobre o esforçado time dos Estados Unidos era esperada e portanto não chegou a surpreender.

O que surpreendeu mesmo foi o fervor religioso demonstrado explicitamente por inúmeros jogadores que aos poucos foram revelando o amor a Jesus em mensagens em inglês estampadas em camisetas que vestiam por baixo da famosa camisa canarinho.

Os comentaristas da BBC que acompanharam a final também não estavam preparados para a reza coletiva, com todos ajoelhados, de mãos dadas, num círculo feito em pleno gramado que incluiu até a comissão técnica.

Um deles disse que o capitão Lúcio parecia um pregador evangélico pela emoção com que proferia cada palavra.

Num lugar como a Grã-Bretanha, onde o povo está acostumado a conviver respeitosamente com diferentes religiões, surpreende o fato de atletas usarem a combinação entre um veículo de grande penetração como a televisão e a enorme capacidade de marketing da seleção brasileira, para divulgar mensagens ligadas a crenças, seitas ou religiões.

Se arriscam a serem confundidos com emissários de pregadores dispostos a aumentar o número de ovelhas de seus rebanhos às custas do escrete canarinho, como emissários evangélicos em missão.

Para os críticos deste tipo de atitude, isso soa oportunismo inadequado e surpreende ver que a Fifa não se opõe a que jogadores se descubram do "manto sagrado" que os consagrou para exibir suas preferências religiosas.

Será que a tolerância da entidade teria sido a mesma se ao final do jogo algum jogador mostrasse uma camiseta dizendo "Eu não acredito em Deus" ? Ou se outro fosse um pouco além e gravasse no peito algo como "Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural"?

É comum ver atletas fazendo sinal da cruz ao entrar em campo, beijando anéis, medalhas de santos, cruzes e patuás que trazem pendurados em cordões e apontando aos céus como a agradecer pelo gol marcado. Ninguém tem nada a ver com manifestações individuais.

Mas uma manifestação coletiva, explícita e organizada como um ritual religioso pode dar margem a críticas ao ser associada a um bem público, a uma instituição tão democrática como a seleção brasileira.

A religiosidade de cada um seja ela qual for merece respeito, da mesma forma como merece ser respeitada a falta de religiosidade daqueles que assim optaram a seguir a vida.

Se a moda pega, a Fifa corre o risco de ter a Copa do Mundo do ano que vem cheia de manifestações religiosas, com missas, cultos e pregações diversas após cada partida.

O povo merece continuar torcendo pelo futebol de sua seleção, independente da reza, sessão espírita, ponto, ritual de sacrifício, sermão ou pregação.

Afinal, futebol é bola na rede, o resto é conversa.
Fonte:BBC BRASIL.

O PALADINO DA MORALIDADE - Arthur Virgílio.

Publicado no blog Por Um Novo Brasil

Irmã de assessor de Virgílio teve nomeação secreta.

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA.

A irmã do subchefe de gabinete do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) foi nomeada por ato secreto na direção geral em 20 de março de 2007.Com salário de R$ 7.484,43, Ana Cristina Nina Ribeiro ingressou no órgão comandado pelo então diretor-geral Agaciel da Silva Maia um mês depois de o irmão dela, Carlos Homero Vieira Nina, começar a trabalhar para o tucano, que é líder do PSDB no Senado.Na tribuna, Virgílio disse que os filhos de Carlos Homero exerceram funções diferentes em seu gabinete. Admitiu ainda que um deles, Carlos Alberto Andrade Neto, foi mantido no gabinete mesmo enquanto estava no exterior por duas vezes para fazer pós-graduação."Retornou e voltou para lá, autorizado por mim e só por mim, responsabilidade minha e apenas minha", disse o tucano. Carlos Alberto ingressou no gabinete da liderança do PSDB em maio de 2003, com salário de R$ 9.979,24. Saiu por causa da súmula do STF.Na tribuna, Virgílio contou que foi Carlos Homero quem pediu a Agaciel um empréstimo em julho de 2005. O tucano não confirmou que a quantia era de US$ 10 mil, mas, ao contrário do que teria dito Agaciel, afirmou que a conta foi paga.Segundo ele, foi feito um rateio por amigos que devolveram o dinheiro a Agaciel. Depois, quando retornou da viagem, Virgílio pagou o grupo.
Não é uma beleza. O filho do cupincha da Perereca amazônica, vai fazer pós graduação no exterior com um modesto salário de R$ 9.979,24, pago com a grana do Senado, grana essa de nós contribuintes que pagamos os impostos, e o Arthur Virgílio ainda posa de paladino da ética. Sobe na tribuna do Senado pula mais que perereca injuriada, esbraveja, xinga quem sempre cumpriu suas ordens, o Agaciel Maia, e quer moralizar o Senado. Essa tática é antiga, tão antiga quanto a invenção da roda. Atacar para se defender. Não sabia quem tinha lhe arrumado a grana, não sabe quem pagou, se é que pagou, não sabia dos atos secretos que nomearam a irmã da subchefe do seu gabinete. Pagou com a grana do Senado, R$780.000,00 pelo tratamento de sua mãe com Alzheimer, e não sabe hoje se isso é correto ou não. A perereca amazônica injuriada pensa que somos idiotas.

HONDURAS - A futilidade do golpe.

por Atilio A. Boron [*]

O povo hondurenho resiste. A história repete-se e, muito provavelmente, conclui-se da mesma maneira. O golpe de estado nas Honduras é uma re-edição do que se perpetrou em Abril de 2002 na Venezuela e daquele que foi abortado na Bolívia no ano passado, após a fulminante reacção de vários governos da região. Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo ao pé da letra o que indica o Manual de Operações da CIA e a Escola das América para os esquadrões da morte; uma carta de renúncia apócrifa que foi divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população — e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia; a reacção do povo que, consciente da manobra, sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército com as mãos limpas e exigir o retorno de Zelaya à presidência; o corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. Tal como na Venezuela, mal encarceraram Hugo Chávez os golpistas instalaram um novo presidente: Pedro Francisco Carmona, rebaptizado pela criatividade popular como "o efémero". Quem desempenha o seu papel nas Honduras é o presidente do Congresso unicameral desse país, Roberto Micheletti, que neste domingo juro como mandatário provisório e só um milagre o impediria de correr a mesma sorte que o seu antecessor venezuelano.

O que aconteceu nas Honduras põe em evidência a resistência que provoca nas estruturas tradicionais de poder qualquer tentativa de aprofundar a vida democrática. Bastou que o presidente Zelaya decidisse convocar uma consulta popular – apoiada com a assinatura de mais de 400 mil cidadãos – sobre uma futura convocatória a uma Assembleia Constitucional para que os diferentes dispositivos institucionais do estado se mobilizassem para impedi-lo, desmentindo desse modo o seu suposto carácter democrático: o Congresso ordenou a destituição do presidente e uma sentença do Tribunal Supremo validou o golpe de estado. Foi nada menos que este tribunal quem emitiu a ordem de sequestro e expulsão do país do presidente Zelaya , perfilhando como fez ao longo de toda a semana a conduta sediciosa das Forças Armadas.

Zelaya não renunciou nem solicitou asilo político na Cosa Rica. Foi sequestrado e expatriado, e o povo saiu às ruas para defender o seu governo. As declarações que conseguem sair de Honduras são claríssimas nesse sentido, especialmente a do líder mundial da Via Campesina, Rafael Alegría. Os governos da região repudiaram o golpismo e no mesmo sentido manifestou-se Barack Obama ao dizer que Zelaya "é o único presidente de Honduras que reconheço e quero deixar isso muito claro". A OEA exprimiu-se nos mesmos termos e na Argentina a presidenta Cristina Fernández declarou que "vamos promover uma reunião da Unasur, ainda que Honduras não faça parte desse organismo, e vamos exigir à OEA o respeito da institucionalidade e a reposião de Zelaya, além de garantias para a sua vida, sua integridade física e da sua família, porque isso é fundamental, porque é um acto de respeito à democracia e a todos os cidadãos".

A brutalidade de toda a operação tem a marca indelével da CIA e da School of Americas: desde o sequestro do presidente, enviado em pijama para a Costa Rica, e o insólito sequestro e as pancadas dadas em três embaixadores de países amigos: Nicarágua, Cuba e Venezuela, que se haviam aproximado da residência da ministra das Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, para exprimir-lhe a solidariedade dos seus países, passando pela ostentatória exibição de força feita pelos militares nas principais cidades do país com a intenção clara de aterrorizar a população. Na ultima hora da tarde impuseram o toque de recolher e existe uma censura estrita da imprensa, apesar do que não se sabe de declaração alguma da Sociedade Interamericana de Prensa (sempre tão atenta perante a situação dos media na Venezuela, Bolívia e Equador) a condenar este atentado contra a liberdade de imprensa.

Cabe recordar que as forças armadas das Honduras foram completamente reestruturadas e "re-educadas" durante os anos oitenta, quando o embaixador dos EUA nas Honduras era nada menos que John Negroponte, cuja carreira "diplomática" conduziu-o a destinos tão distintos como Vietname, Honduras, México, Iraque, para posteriormente encarregar-se do super-organismo de inteligência do seu país chamado Conselho Nacional de Inteligência. A partir de Tegucigalpa monitorou pessoalmente as operações terroristas realizadas contra o governo sandinista e promoveu a criação do esquadrão da morte mais conhecido como o Batalhão 316, que sequestrou, torturou e assassinou centenas de pessoas dentro de Honduras enquanto nos seus relatórios para Washington negava que houvesse violações dos direitos humanos nesse país. Certa vez o senador estado-unidense John Kerry demonstrou que o Departamento de Estado havia pago 800 mil dólares a quatro companhias de aviões de carga pertencentes a grandes narcos colombianos para transportassem armas para os grupos que Negroponte organizava e apoiava nas Honduras. Estes pilotos testemunharam sob juramento, confirmando as declarações de Kerry. A própria imprensa estado-unidense informou que Negroponte esteve ligado ao tráfico de armas e de drogas entre 1981 e 1985 com o objectivo de armar os esquadrões da morte, mas nada interrompeu a sua carreira. Essas forças armadas são as que hoje depuseram Zelaya. Mas a correlação de forças no plano interno e internacional é tão desfavorável que a derrota dos golpistas é só questão de (muito pouco) tempo.
28/Junho/2009
[*] Director do Programa Latino-americano de Educação a Distancia em Ciências Sociais (PLED), Buenos Aires, Argentina

O original encontra-se em http://www.atilioboron.com

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

HONDURAS - O delito imperdoável de perguntar ao povo.

Publicado no Blog do Velho Comunista.

EEUU e UE devem demonstrar que defendem a democracia.

Na América Latina foram muitos os presidentes que chegaram ao cargo com promessas de políticas sociais que deitariam abandonadas para entregar-se a serviço dos setores mais oligarcas, desde empresariais a militares. Por isso, o caso aonde o presidente Manuel Zelaya em Honduras, chegando ao poder como candidato do Partido Liberal, houvesse realizado o caminho contrario, adotando iniciativas sociais e progressistas imprevistas em um candidato neoliberal era em todo um sacrilégio.

Chegava-nos a falsa interpretação de um presidente populista

Não esqueçamos que se trata do país utilizado pelos setores mais reacionários e direitistas da região para sua política de agressividade contra qualquer princípio de avanço na América Central. Em Honduras se treinava na década de oitenta os Contra nicaragüenses financiados mediante a trama denominada rede Irã-Contras que combateria contra o sandinismo e se coordenavam os esquadrões da morte que assassinavam a líderes progressistas e tentavam dinamitar o processo de paz em El Salvador.

Na madrugada de domingo, um comando militar seqüestrava ao presidente e o tirava do país para levá-lo a Costa Rica. O Exército hondurenho revivia assim os tempos mais escuros da guerra fria, quando cumpria fielmente com o papel de desfazer qualquer iniciativa ou movimento social que pudesse pretender um mínimo avanço dos setores mais empobrecidos do país.

Zelaya havia decretado um importante aumento para o salário mínimo e estreitado relações com os setores populares. Na política internacional se somou à onda de governos progressistas que renegavam as políticas neoliberais que dominaram os anos noventa, se integrou na Alternativa Bolivariana para as Américas, um projeto de cooperação e integração latino-americana sugerido por Hugo Chávez, e restaurou as relações diplomáticas com Cuba.

EEUU e a UE devem demonstrar que defendem a democracia

Para este domingo cometeu o delito imperdoável de "perguntar ao povo". Convocadas eleições legislativas e municipais idealizou a proposta de instalar uma urna mais onde os cidadãos se pudessem pronunciar sobre a convocatória de uma Assembléia Constituinte para o próximo ano. Uma iniciativa apoiada pela assinatura de 400.000 cidadãos hondurenhos, as três centrais de trabalhadores, o Bloco Popular de Honduras e toda uma serie de organizações sociais, mas não pelos setores empresariais que temem mudanças em seus privilégios fiscais e na política de espólio dos recursos naturais do país.

A grande maioria de países da região, assim como a Organização dos Estados Americanos (OEA), condenou imediatamente o golpe de Estado. Tudo isso contrasta com o silencio inicial dos governos europeus, instituições da União e políticos e analistas de opinião.

Os paralelismos com a cumplicidade com o golpe de Estado na Venezuela, em abril de 2002, são evidentes. Também agora nos chegava a tendenciosa e falsa interpretação de um presidente populista que desejava mudar a Constituição para pressionar o cargo só porque tentou consultar aos cidadãos.

Curiosa União Européia, que adota resoluções condenando quando não se renova um canal de televisão na Venezuela e que seguia sem pronunciar-se horas depois de que os militares seqüestraram a um presidente latino-americano.

É nestes momentos quando Estados Unidos e a União Européia devem demonstrar que defendem a democracia e as instituições. Sua mera passividade mostraria uma convivência com o golpismo que terminaria com o pouco prestigio que lhes possa restar entre os latino-americanos.

Original em Público.es

HONDURAS - Um golpe anunciado.

Ricardo Zúniga García *

Adital

Um golpe militar anunciado, realizado com violência; porém, os tempos e a consciência dos povos estão mudando.

Antes do amanhecer, na penumbra da madrugada do domingo 28 de junho uns 200 soldados das tropas de elite do exército de Honduras invadiram na residência do Presidente Manuel Zelaya, renderam a guarda presidencial; encapuzados, ameaçaram-no com armas, e sem permitir-lhe sequer que trocasse de roupa e nem recolhesse nada, o sequestraram, levando-o a um avião que partiu de uma base militar de Tegucigalpa sem comunicar-lhe seu destino.

Na passada quarta-feira, o presidente Zelaya destituiu o chefe de Estado Maior conjunto, General Romero Vázquez, por desacatar a ordem de distribuir papeis e o material necessário para realizar uma consulta popular, não vinculante, ou seja, uma pesquisa massiva, para consultar a população sobre a conveniência de convocar uma assembleia constituinte. A solicitação de consultar sobre uma constituinte foi feita pelo movimento social hondurenho e entregue ao presidente com o respaldo de mais de 400 mil assinaturas de cidadãos. Sendo um país com população de um pouco mais de 6 milhões de habitantes, esse respaldo foi altamente significativo, além de se considerar também o ceticismo sobre a democracia representativa que se vive no país.

A oligarquia hondurenha havia manifestado seu desacordo quanto à realização da consulta, o que reafirmou por meio da proibição da mesma, por parte do Tribunal Supremo Eleitoral e da Corte Suprema de Justiça. O presidente reafirmou seu direito a fazer uma consulta "não vinculante", que estava sendo solicitada por uma grande quantidade de cidadãos. É óbvio que legalmente nenhuma autoridade pode proibir a realização de uma consulta popular não vinculante. Portanto, qual é o sentido do conflito que estourou de forma tão violenta?

O governo de Honduras, nos últimos dois anos, vem avançando na busca de superar a pobreza e as grandes desigualdades em que vive o país. Ante o aumento do custo do petróleo, buscou a forma de reduzir a taxa de comercialização cobrada pelas transnacionais petroleiras, buscando comprar o petróleo pelo menor preço possível no mercado. Seguindo essa dinâmica, primeiro incorporou-se ao Petrocaribe, um mecanismo de ajuda desenhado pelo governo Bolivariano de Chávez para garantir o abastecimento petroleiro dos países pobres da América Latina e Caribe, com facilidades de pagamento. Posteriormente, em agosto de 2008, incorporou-se a Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos da América). A partir da entrada do país na Alba, abriram-se maiores espaços para o movimento social hondurenho, na busca por uma sociedade mais justa. A partir de sua incorporação a Alba, Honduras tem exercido uma política exterior digna e independente, em função dos interesses de seu povo e trabalhando pela integração latinoamericana bolivariana.

A cerrada oposição dos partidos com representação majoritária na Assembleia Legislativa e dos grêmios dos grandes empresários à consulta popular nos parece indicativo das grandes possibilidades de uma clara aprovação da consulta por uma Nova Constituição. Ainda sem ter força vinculante (por não ter sido aprovada como uma lei do país), a consulta popular e seus resultados teriam uma inquestionável força mora; uma legitimidade clara se a maioria dos hondurenhos/as estão aprovando a ideia da constituinte. Por essa razão, o presidente Zelaya, à frente de uma marcha dos movimentos populares, foi resgatar os materiais da consulta retidos pelo exército; e os mandos militares viram-se obrigados a entregar o material. Por essa razão também, diante da firmeza de Zelaya e dos previsíveis resultados da consulta, a oligarquia hondurenha, fazendo uso legal da Assembleia Legislativa e do exército, fez o país retroceder mais de trinta anos, com um golpe militar.

Os métodos têm sido a força bruta, a mentira e a censura. Sequestraram e deportaram o presidente e deportaram também a Chanceler Patricia Rodas. Inventaram uma carta de renúncia que o presidente nunca assinou, cortaram a energia elétrica, silenciaram as rádios e TVs e finalmente decretaram um toque de recolher por quarenta e oito horas, com o propósito de frear e impedir o crescimento da mobilização popular.

Porém, felizmente os tempos estão mudando. Como sabemos, o último golpe militar efetuado na América foi o primeiro do século XXI, na Venezuela (2002); foi frustrado devido a resposta contundente do povo organizado e de um setor do exército que não aderiu ao golpe contra Chávez. O povo mobilizado e organizado restituiu o presidente ao seu cargo antes que se cumprissem 50 horas de seu sequestro.

Hoje, boa parte do povo hondurenho está mobilizada em torno à casa presidencial e em outros pontos do país, declarando-se em resistência popular ativa e pacífica, demandando a restituição do presidente. As principais organizações sindicais e populares estão convocando a uma greve geral com os mesmos objetivos, a partir de hoje, 29 de junho.

Praticamente todos os governos da América Latina se pronunciaram demandando respeito à ordem constitucional e a restituição do Presidente Zelaya. Nos mesmos termos pronunciou-se a União Europeia. O governo estadunidense tem sido menos categórico. Obama declarou que reconhece somente a Zelaya como presidente; porém, chamou as partes em conflito a buscar um acordo, dando certa legitimidade aos golpistas.

A OEA demandou o respeito à ordem constitucional e à carta democrática que proscreve os golpes de estado.

Hoje estão reunidos em Manágua os presidentes dos países integrantes da Alba e, posteriormente, se reunirão os presidentes do SICA (Sistema de Integração Centroamericano). Espera-se também uma convocação de urgência dos chanceleres do Grupo do Rio, que reúne praticamente a todos os países da América Latina e Caribe. Pelas declarações prévias de todos os chanceleres, espera-se uma posição bem firme de todas estas instâncias, exigindo a restituição incondicional do presidente hondurenho.

Os movimentos sociais centroamericanos estão se pronunciando também unanimemente pelo respeito à vontade do povo hondurenho e pela restituição do presidente constitucional de Honduras.

Se a resistência organizada do povo hondurenho se mantém, como até agora, somada à força das gestões diplomáticas latinoamericanas, podemos esperar o retorno de Zelaya ao cargo para o qual foi eleito por seu povo. E o avanço do movimento popular hondurenho em direção a novas conquistas de justiça social e maior democracia participativa.

* Colaborador de Adital. Educador nicaraguense. Analista político

segunda-feira, 29 de junho de 2009

RECEITA ANTI-GRIPE.

A maneira mais correta e saudável de enfrentar essa Influenza A (erroneamente chamada de gripe suína).

O melhor que vc pode fazer é reforçar o seu sistema imunológico através de uma alimentação correta e saudável, no sentido de manipular sua imunidade, preparando suas células brancas do sangue (neutrófilos) e os linfócitos (células T) as células B e células matadoras naturais. Essas células B produzem anticorpos importantes que correm para destruir os invasores estranhos, como vírus, bactérias e células de tumores.
As células T controlam inúmeras atividades imunólogicas e produzem duas substâncias químicas chamadas Interferon e Interleucina, essenciais ao combate de infecções e de tumores.
Bem vamos ao que interessa, ou seja quais alimentos são importantes (estimulam a ação do sistema imunológico e potencializam seu funcionamento).

* Antes de mais nada, tome pelo menos um litro e meio de água por dia, pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e manter suas vias aéreas úmidas desestimulam os vírus. Não a tome gelada, sempre preferindo água natural e de preferência água mineral de boa qualidade.
* Não tome leite, principalmente se estiver resfriado ou com sinusite, pois produz muito muco e dificulta a cura.
* Use e abuse do Iogurte natural, um excelente alimento do sistema imunológico.
* Coloque bastante cebola na sua alimentação.
* Use e abuse do alho que é excelente para o seu sistema imunológico.
* Coloque na sua alimentação alimentos ricos em caroteno (cenoura, damasco seco, beterraba, batata doce cozida, espinafre cru, couve) e alimentos ricos em zinco (fígado de boi e semente de abóbora).
* Faça uma dieta vegetariana (vegetais e frutas).
* Coloque na sua alimentação salmão, bacalhau e sardinha, excelentes para o seu sistema imunológico.
* O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o chá de gengibre que destrói o vírus da gripe.
* Evite ao máximo alimentos ricos em gordura (deprimem o sistema imunológico), tais como carnes vermelhas e derivados.
* Evite óleo de milho, de girassol ou de soja que são óleos vegetais poli-insaturados.

Importante: mantenha suas mãos sempre bem limpas e use fio dental para limpar os dentes, antes da escovação.
Com esses cuidados acima e essa alimentação... os vírus nem chegarão perto de vc.
Abraços
6 de maio de 2009
(uma pequena contribuição para vc enfrentar essa e qualquer gripe que porventura apareça no seu caminho). Se achar útil por favor repasse aos seus amigos...


Prof. Dr. Odair Alfredo Gomes
Laboratório Morfofuncional
Faculdade de Medicina - Unaerp
Fone: 36036744 ou 36036795

HONDURAS - Obama disse que o golpe poderia abrir um "precedente terrível.

BBC

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou nesta segunda-feira o golpe de Estado em Honduras e disse que a deposição do presidente Manuel Zelaya é ilegal.

As declarações de Obama foram feitas em Washington após uma reunião do presidente com o líder da Colômbia, Álvaro Uribe.

Segundo Obama, caso Zelaya não volte à Presidência, o golpe estabeleceria um "terrível precedente".

O presidente americano afirmou ainda que trabalhará com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para restituir o presidente.

Zelaya foi detido no último domingo, data marcada para um plebiscito sobre a ideia de uma consulta sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.

Depois do golpe, o então presidente do Congresso, Roberto Michelleti, assumiu o cargo interinamente.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Presidente interino de Honduras declara toque de recolher

Zelaya foi convidado pela ONU para fazer um discurso na sede da organização e deve realizar o pronunciamento na terça-feira.

Nesta segunda-feira, centenas de manifestantes protestam pela volta do presidente Zelaya em frente ao palácio presidencial na capital, Tegucigalpa. Eles desafiam o toque de recolher imposto por Michelleti no país.

Segundo o correspondente da BBC em Tegucigalpa Stephen Gibbs, os manifestantes estão insultando soldados enviados para a residência presidencial e acusam os militares de “um golpe criminoso”.

Gibbs afirmou ainda que eles estão sendo avisados que o Zelaya voltará nas próximas horas.

Apesar dos protestos, o correspondente disse que grande parte do país parece ignorar os eventos históricos que estão acontecendo. Muitos afirmam que têm pouca informação sobre os eventos e continuam seguindo a vida normal.

Segundo Gibbs, o desenvolvimento da crise dependerá dos eventos que acontecerem fora de Honduras.

Isso porque a comunidade internacional continua a considerar Manuel Zelaya como o líder legítimo do país. Em contrapartida, em Honduras, a maioria das instituições parece contra o presidente, inclusive o Exército, a Suprema Corte e o Congresso.

Para o correspondente, o retorno do presidente de qualquer maneira não será uma tarefa fácil.

ESSE SERRA É UM BRINCALHÃO - Serra ataca "loteamento" ao lado de Roberto Freire.

Ricardo Kotscho

O governador José Serra saiu dos seus cuidados neste final de semana e compareceu ao 16º Congresso Estadual do PPS (antigo Partido Comunista Brasileiro, hoje linha auxiliar da aliança PSDB-DEM), em Jaguariúna, no interior de São Paulo, a 134 quilômetros da capital.

Foi e voltou de helicóptero e ficou lá apenas 45 minutos, o suficiente para atacar o governo federal e o PT:

“O PT usa o governo como se fosse propriedade privada. Quando o PT foi para o governo, incorporou esse patrimonialismo do partido. Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do federal”.

Não existe? Serra esqueceu-se que estava ao lado do presidente do PPS, Roberto Freire, suplente do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), atualmente ganhando a vida como membro de dois conselhos municipais em São Paulo, embora seja do Recife e more em Brasília.

Ex-candidato a presidente da República, hoje Freire não se elege nem síndico em sua cidade, mas fatura R$ 12 mil por mes para participar de uma reunião mensal e assinar as atas da Emurb (Empresa Municipal de Urbanismo) e da SP-Turismo.

Quem lhe arrumou esta boquinha foi o próprio governador José Serra, em 2005, quando era prefeito de São Paulo. Mantida pelo seu sucessor Gilberto Kassab, a sinecura abriga hoje 58 conselheiros, que custam R$ 4 milhões por ano à Prefeitura.

Quem fez a denúncia, em janeiro deste ano, foi o repórter Fabio Leite, do Jornal da Tarde. Mas, ao contrário do que acontece no plano federal, não mereceu nenhuma repercussão na chamada grande imprensa. Em seu texto, Leite escreveu que esta “bondade administrativa visa acolher aliados e engordar os salários dos secretários municipais”.

Até hoje esta informação não foi desmentida nem se tem notícia de que Roberto Freire, fiel à sua cruzada de paladino da moralidade alheia, tenha aberto mão da bem remunerada boquinha.

Em Jaguariúna, como anfitrião do governador, ele aproveitou para atacar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, que “não anda no país, o que anda é a corrupção”, segundo noticiário da Folha.

Antes de pegar o helicóptero de volta para São Paulo, Serra, que não foi perguntado sobre a aparente contradição entre o que falou sobre “loteamento” e a condição do conselheiro Freire, ainda garantiu aos ex-comunistas que fará “o possível para atender aos pedidos dos prefeitos do PPS”.
Fonte:Balaio do Kotscho

HONDURAS - Resposta de um presidente deposto a um jornalista pró-golpe.

Do blog Onipresente

O golpe militar deste domingo (28) em Honduras proporcionou novos e tocantes exemplos de como funciona a mídia ''criolla'', especialmente em momentos de tensão. Como esta passagem da coletiva do presidente Manuel Zelaya no aeroporto de San José da Costa Rica, depois de ser sequestrado e levado a força para fora do país pelos golpistas.
Zelaya estava de pijama. Tivera sua residência em Tegucigalpa invadida, durante a madrugada, por soldados armados, disparando tiros. No entanto, o foco dos jornalistas - na maioria centro-americanos - era o dos golpistas.

Um dos repórteres quis saber por que o presidente ''não desistiu da consulta eleitoral que fora catalogada como inconstitucional pela Corte Suprema de Justiça e o Ministério Público''. Outro perguntou: ''Esta situação política não deriva do desacato pelo senhor de uma ordem emanada pela Corte Suprema de Justiça?''

A resposta de Zelaya entrará para o longo anedotário dos golpes militares latino-americanos:.

''Se a realização de uma consulta [eleitoral] não vinculante é motivo para se arrancar um presidente de sua moradia na ponta de fuzis, colocá-lo em um avião e tirá-lo do país, e isso é democracia, de que democracia estamos falando?''

O comportamento da maioria dos sites dos jornais brasileiros acompanhou essa postura hostil à democracia. O do Estado de S. Paulo não usou uma só vez a palavra golpe. O da Folha de S.Paulo recorreu a um estratagema ainda mais hipócrita, referindo-se a um ''aparente golpe de Estado''. Dos maiores jornais, apenas O Globo, justiça se faça, usou sem rodeios a palavra proibida.

Ficou explícito o posicionamento da mídia mercantil ''criolla'' na extremidade direita do espectro político latino-americano. Entre os governos, todos condenaram a quartelada, até o do presidente colombiano Alvaro Uribe. Entre os órgãos de imprensa, prevaleceu a linha de argumentação dos golpistas.

www.vermelho.org.br

REFLEXÕES DE FIDEL - Um erro suicida.

NA reflexão escrita na noite da quinta-feira 25, há três dias, disse: "Ignoramos o que acontecerá esta noite ou amanhã em Honduras, mas o comportamento valoroso de Zelaya passará à história".

Dois parágrafos antes tinha assinalado: "… Aquilo que lá acontecer será uma prova para a OEA e para a atual administração dos Estados Unidos".

A pré-histórica instituição interamericana se tinha reunido no dia seguinte em Washington, e numa apagada e fraca resolução prometeu realizar as gestões pertinentes imediatamente para procurar uma harmonia entre as partes em conflito. Quer dizer, uma negociação entre os golpistas e o presidente constitucional de Honduras.

O alto chefe militar, que continuava comandando as Forças Armadas Hondurenhas, fazia pronunciamentos públicos em discrepância com as posições do presidente, enquanto só de um modo meramente formal reconhecia a sua autoridade.

Não precisavam os golpistas outra coisa da OEA. Não lhes importou nada à presença de um grande número de observadores internacionais que viajaram a esse país para dar fé de uma consulta popular, aos quais Zelaya falou até altas horas da noite. Antes do amanhecer de hoje eles lançaram ao redor de 200 soldados profissionais bem treinados e armados contra a residência do presidente, os que separando brutalmente a esquadra de Guarda de Honra seqüestraram Zelaya, quem dormia nesse momento, foi conduzido à base aérea, foi montado pela força num avião e o transportam a um aeroporto na Costa Rica.

Às 8h30 da manhã, conhecemos por Telesul a notícia do assalto à casa presidencial e o seqüestro. O presidente não pôde assistir ao ato inicial da consulta popular que aconteceria neste domingo. Era desconhecido o que tinham feito com ele.

A emissora da televisão oficial foi silenciada. Desejavam impedir a divulgação prematura da traiçoeira ação através de Telesul e Cubavisión Internacional, que informavam dos fatos. Suspenderam por isso os centros de retransmissão e acabaram cortando a eletricidade a todo o país. Ainda o Congresso e os altos tribunais envolvidos na conspiração não tinham publicado as decisões que justificavam o conluio. Primeiro levaram a cabo o inqualificável golpe militar e depois o legalizaram.

O povo acordou com os fatos consumados e começou a reagir com grande indignação.

Não se conhecia o destino de Zelaya. Três horas depois, a reação popular era tal que foi visto mulheres batendo com o punho aos soldados, cujos fuzis quase caiam das suas mãos por puro desconcerto e nervosismo. Inicialmente os seus movimentos pareciam os de um estranho combate contra fantasmas, depois tentavam cobrir com as mãos as câmaras de Telesul, apontavam tremendo os fuzis contra os repórteres, e às vezes, quando as pessoas avançavam, os soldados recuavam. Enviaram transportadores blindados com canhões e metralhadoras. A população discutia sem medo com os soldados dos blindados; a reação popular era surpreendente.

Ao redor das duas horas da tarde, em coordenação com os golpistas, uma maioria domesticada do Congresso depôs Zelaya, presidente cnstitucional de Honduras, e designou um novo chefe de Estado, afirmando ao mundo que aquele tinha renunciado, apresentando uma falsificada assinatura. Minutos depois, Zelaya, desde um aeroporto na Costa Rica, informou tudo o acontecido e desmentiu categoricamente a notícia da sua renúncia. Os conspiradores fizeram o ridículo perante o mundo.

Muitas coisas aconteceram hoje. Cubavisión dedicou-se completamente a desmascarar o golpe, informando o tempo todo a nossa população.

Houve fatos de carácter totalmente fascista que não por esperados deixam de surpreender.

A ministra das Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, foi depois de Zelaya o objetivo fundamental dos golpistas. Outro destacamento foi enviado a sua residência. Ela, valente e decidida, agiu rapidamente, não perdeu um minuto em denunciar por todos os meios o golpe. O nosso embaixador tinha estabelecido contato com Patrícia para conhecer a situação, como o fizeram outros embaixadores. Num momento determinado pediu aos representantes diplomáticos da Venezuela, Nicarágua e Cuba reunir-se com ela, que, ferozmente acossada, precisava de proteção diplomática. O nosso embaixador, que desde o primeiro instante estava autorizado a oferecer o máximo apoio à ministra constitucional e legal, partiu para visitá-la na sua própria residência.

Quando estavam já na sua casa, o comando golpista enviou o major Oceguera para prendê-la. Eles se colocaram diante da mulher e lhe dizeram que está sob a proteção diplomática, e só podia mover-se em companhia dos embaixadores. Oceguera discutiu com eles e o fez de maneira respeitosa. Minutos depois penetraram na casa entre 12 e 15 homens uniformizados e encapuzados. Os três embaixadores se abraçaram a Patrícia; os mascarados agiram de forma brutal e conseguiram separar os embaixadores da Venezuela e da Nicarágua; Hernández a pegou tão fortemente por um dos braços, que os mascarados arrastaram a ambos até um furgão ; levaram-nos à base aérea onde conseguiram separá-los, e levaram-na com eles. Estando ali detido, Bruno que tinha notícias do sequestro, se comunicou com ele através do celular; um mascarado tentou arrebatar-lhe rudemente o telefone, o embaixador cubano que já tinha sido batido em casa de Patrícia, grita-lhe: "Não me empurre, Porra!" Não me lembro se a palavra que pronunciou fosse alguma vez usada por Cervantes, mas sem dúvida o embaixador Juan Carlos Hernández enriqueceu a nossa língua.

Depois o deixaram numa estrada longe da missão e antes de abandoná-lo lhe disseram que, se falava, poderia acontecer-lhe alguma coisa pior. "Nada é pior do que a morte!", respondeu-lhes com dignidade, "e não por isso sinto medo de vocês". Os moradores da área o ajudaram a voltar à embaixada, desde onde imediatamente comunicou-se mais uma vez com Bruno.

Com esse alto comando golpista que não se pode negociar, é necessário exigir-lhe a renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo "do povo, pelo povo e para o

Povo" em Honduras.

O golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível se o problema se encara com firmeza.

Até a senhora Clinton declarou já em horas da tarde que Zelaya é o único presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos.

De pijamas até há algumas horas, Zelaya será reconhecido pelo mundo como o único presidente constitucional de Honduras.
Fonte:Granma Internacional.

MÍDIA - Transparência Brasil e a cilada da Globo News.

Claudio Weber Abramo deve tomar cuidado com a imagem da ong Trasnsparência Brasil. Um dos trunfos desta organização é seu apartidarismo e sua isenção, na tentativa de prestar um serviço ao país, disponibilizando, analisando e explicando dados sobre o funcionamento do Estado, nem sempre fáceis de serem conseguidos e compreendidos pelo cidadão comum.

Se Abramo rever o programa Globo News Painel levado ao ar ontem (sábado, 27 de junho) perceberá por exemplo que uma das suas falas foi cortada, de forma tão grosseira que uma frase ficou pela metade.

E por que fariam isso? Pelo simples fato de que ele cometeu o pecado de sugerir a relativização de algumas acusações feitas contra Lula pelos convidados, e levantadas pelo jornalista.

Um roteiro viciado

No programa, mediado pelo pouco imparcial Willian Waack (que geralmente vocaliza as posições de Ali Kamel no Jornal da Globo), estavam, além de Abramo, o sociólogo e cientista político Bolivar Lamounier, ligado ao PSDB, e o historiador "do" governo de São Paulo, Marco Antonio Villa, da Ufscar (que a legenda insistiu em transformar em "Uniscar"), que, ao lado de Demétrio Magnoli, vem sendo "o especialista" usado para legitimação das posições políticas da grande mídia.

Quem assistiu ao programa viu algumas teses fabulosas serem levantadas:

1. Lula é o culpado pelo aumento da violência escolar.

2. Lula é o culpado pelo aumento do uso de drogas.

Sempre direcionado por Willian Waack, o debate montado para discutir "a crise ética na política brasileira" ou, numa paráfrase constantemente repetida pelo jornalista, "a crise de valores da sociedade", foi um espetáculo de propaganda anti-lulista.

Ora, não é preciso dizer que a política precisa de melhorias urgentes, mas nunca foi diferente do que é hoje, e a complexidade do teatro político não pode ser avaliada a partir de considerações simplistas.

Não se aprofundou, por exemplo, a questão levantada por Abramo de que o Executivo Federal pode negociar 30 mil indicações e governos de estados como São Paulo trabalham com uma margem de manobra na ordem de 20 mil "contratados". O que, segundo o próprio Abramo, é um campo amplo para "negociações" pouco afeitas ao espírito público.

Mas o pecado de Abramo para ver seu tema abortado foi ter levantado uma questão que atinge ao país como um todo e que é "interessadamente" ignorado por todos os partidos. Enfatizemos: "todos".

Há uma diferença entre a crítica moralista e a análise crítica. A moralista faz julgamento de caráter, geralmente ocultando o que há de podre nos que criticam (por exemplo, no tema citado acima, as denúncias sobre "aparelhamento", praticado tambem pelos que denunciam). A boa análise leva em consideração a tal complexidade e propõe medidas efetivas.

Abramo propôs um tema sério. Os outros preferiram brincar de moralistas.

O historiador e o sociólogo estabeleceram inúmeros rodeios para dizer que "o chefe do Executivo" é o grande culpado pela "crise" do país. Especialistas que teriam capacidade suficiente, se o emocionalismo partidário não lhes confiscasse a razão teórica, de saber os fundamentos históricos e sociológicos dos processos políticos, que a mídia chama de "crise".

É evidente que as críticas são sempre bem-vindas, a qualquer que seja a esfera de poder. Lula não é inimputável e comete erros lamentáveis para quem esperava dele maior rigor ético. Isso não deixou de ser ressaltado por Abramo, de forma precisa.

Mas as simplificações são um desserviço para o país. A população merece debates sérios, com avaliações técnicas, conceituais e imparciais.

É a isso que a Transparência Brasil se propõe. Mas não era esta a proposta do programa, conduzido por Willian Waack, que não faz questão, inclusive, de esconder seu preconceito de classe.

Preconceito e falta de rigor

Numa das perguntas, ele sugere que "eleitores mais pobres" (traduzindo: para ele, a "os eleitores de Lula") são mais carentes de rigor ético, atribuindo a questão a um "tema clássico da ciência política".

Ora, poderiamos perguntar a ele porque os eleitores da classe média elegem figuras como Quércia, Maluf e etc (ou será que alguém acredita que só a periferia paulista gosta destes dois personagens?); e porque países com alto grau de educação formal são capazes de eleger Berlusconi ou com alta renda, capazes de conduzir por duas vezes Bush ao poder.

Neste tema, o que não se sustenta na realidade é apenas expressão preconceituosa, e por sê-la, daninha para a sociedade. Não se espera de um jornalista que seja um reprodutor de preconceitos.

Depois de propor a subtemática "qual a participação do chefe do Executivo nisso", Waak faz duas associações estarrecedoras para quem exige um mínimo de racionalidade de jornalista que conduz um programa como este: pergunta - para receber a resposta afirmativa, lógico - se "a crise ética atual" e "a perda dos valores" (leia-se: cujo fator preponderante seria evidentemente o governo Lula) não é uma possível causa do aumento da violência escolar...

Alerte-se ao leitor que a violência escolar é tema de estudos detidos, boa parte deles levando em consideração o fato de que é um fenômeno que transcende a sociedade brasileira, e que tem a ver com a crise institucional diante de novos modos de sociabilidade.

Vincular - ainda que apenas em forma de "afirmação sugerida" - "violência escolar" com "frouxidão do Executivo em assegurar os valores" é simplesmente uma brincadeira de fazer jornalismo, comprometedora para qualquer iniciante na carreira.

Como se não bastasse, num outro momento, o mesmo Waack sugeriria que o resultado das pesquisas da ONU que mostram o aumento de uso de drogas no país, nos últimos três anos, poderia ser "um sintoma da crise de valores" (leia-se "do resultado da política praticada por Lula").

Willian Waack brinca com temas delicados; é pouco sensível ao fato de que seus telespectadores não são idiotas (os "Romer Simpsons" de William Bonner); transforma seu jornalismo em assessoria de imprensa partidária; faz-se um agregado de Ali Kamel na Globo para assuntos especiais; coloca em dúvida seu rigor deontológico de não viciar discussões; e prejudica a sociedade na medida em que simplifica assuntos que mereceriam ser tratados com sensibilidade e rigor.

Claudio Abramo participou deste teatro. Não era sua intenção, possivelmente, dar voz a um roteiro tão viciado. Viveu, como naquele programa de tevê, um dia de Bruno Mazzeo.

Deve pensar melhor na próxima vez, para não acabar pondo a seriíssima Transparência Brasil a serviço de interesses um tanto quanto opacos.

E de preferência deve tentar recuperar e divulgar no seu site a parte censurada de sua intervenção. Censura que jamais esperaríamos de mestres jornalistas, como o velho Abramo, pai dele.
Fonte:Luis Nassif online

HONDURAS - Pecado foi querer dar voz ao povo.

Candidato independente a presidente, o sindicalista Carlos Reyes é uma das lideranças da pouco representativa esquerda hondurenha que passaram a apoiar Manuel Zelaya após a sua aproximação com o presidente Hugo Chávez.

A entrevista é de Fabiano Maisonnave e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 29-06-2009.

Eis a entrevista.

Por que houve a deposição de Zelaya?

Porque haveria uma consulta para ver se o povo se pronunciasse a favor de uma nova Constituição. Este foi o pecado que o povo cometeu: querer se pronunciar. E a oligarquia estava tremendo de medo e queria impedir a consulta. Hoje, chegaram ao máximo, mas isso lhes custará caro.

Por que o sr. apoia Zelaya, do Partido Liberal, um dos mais tradicionais do país?

Apoiamos a necessidade de uma nova Constituição. Não se trata de ser de esquerda ou direita. Ele foi um neoliberal, mas tem tomado posições corretas, que coincidem com o movimento popular.

Há influência de Chávez no governo?

O Congresso aprovou a entrada de Honduras na Alba. A adesão à Alba é uma decisão do Estado de Honduras. Aqui se diz que Chávez rouba as crianças, que rouba as casas das pessoas. E depois que mostram Chávez como um diabo dizem que Chávez está aliado com Zelaya. Essa é a fórmula usada pela ultradireita.
Fonte:IHU

MÍDIA - Fundação Ford pensa que engana.

Mário Augusto Jakobskind

A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), marcada para os dias 1, 2 e 3 de dezembro, em Brasília, está sob ameaça. Em vez de se tornar um marco histórico na área midiática, como ainda esperam os movimentos sociais, poderá se transformar numa arena dominada por forças que defendem interesses econômicos poderosos.

Disputam espaço os grandes proprietários de veículos de comunicação agrupados na Associação Nacional de Jornais (ANJ) e na Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV, a Fundação Ford (FF), que dissimulada procura de todas as formas estar presente inclusive ofertando verba para a Comissão Pró-Confecom. Pior, dinheiro aceito de bom grado, mas não por unanimidade como em outras questões, por entidades representativas dos movimentos sociais.

E como se deu o avanço da FF na Confecom? Quando o governo federal decidiu reduzir em sete milhões o orçamento da Conferencia, a FF não perdeu tempo e ofereceu “generosamente”, por enquanto, 68 mil reais para a comissão organizadora, que pretende elaborar uma cartilha de comunicação.

Nos bastidores, grupos e representantes de ONGs vinham defendendo e justificando a “generosidade” da FF em financiamentos de entidades. Até mesmo alguns veteranos destacados militantes na área de comunicação vinham considerando a FF como uma espécie de “nova entidade”, ou seja, diferente da que atuava no período da Guerra Fria. Como num passe de mágica, representantes de entidades financiadas pela Fundação a apresentavam como se ela nada tivesse a ver com o passado recente em que atuava em conjunto com a CIA, conforme comprova investigação do Congresso estadunidense.

Os mais radicais ingênuos defensores da FF chegaram a afirmar que ela só manteve o nome antigo porque a mudança seria problemática e poderia até obrigá-la a sair do zero, o que acarretaria um atraso em suas atividades.

Como se isso não bastasse, entusiastas da “generosidade da nova Ford” garantem que ao financiar algumas entidades, a FF não exige nenhuma contrapartida, a não ser a prestação de contas dos gastos para os quais o dinheiro foi liberado. Tal afirmação não resiste a menor análise.

Neste momento, o interesse da FF na Confecom, ao contrário do que dizem os defensores da Fundação, tem um objetivo institucional pré-determinado, qual seja o de promover os valores dos Estados Unidos através da “livre circulação da informação. A FF se coloca como defensora incondicional dos “valores democráticos” e, como afirma em sua página na Internet, tem por objetivo “levar a democracia ao mundo, algo muito parecido com a filosofia colonialista do Ocidente no século XIX que dizia que tinha como missão “levar a civilização aos povos tribais africanos.

E com essa filosofia, no caso específico da Confecom, a FF pretende que em um novo marco regulatório da área midiática seja permitida a entrada sem restrições dos gigantes internacionais do setor e ainda por cima tenta neutralizar o Estado como propulsor da mídia pública.

Democracia para a FF é isso. A FF, que nunca em sua história deixou de pregar prego sem estopa, tenta assim possibilitar liberdade total para que empresários como Rupert Murdoph com a sua Fox News e outros barões internacionais da mídia tenham garantida por lei a atuação sem limites no Brasil. Mas essa filosofia precisa ficar dissimulada, pois se mostrasse o verdadeiro objetivo a Fundação não conseguiria arregimentar defensores.

Como em outros tempos a FF estava com a imagem queimada, para se tornar mais palatável decidiu adotar outro tipo de estratégia, aproximando-se inclusive de entidades e ONGs com discursos progressistas. Nesse sentido, ela encontrou um caldo de cultura bastante fértil numa certa esquerda fascinada pelo neoliberalismo.

No caso da Conferência Nacional de Comunicação, embora possa não ser percebido por muitos militantes bem intencionados, o pano de fundo da FF é mesmo a redução do Estado e facilidades para a “livre concorrência” dos gigantes oligopólios internacionais. Se conseguirem, no panorama midiático do Brasil ficará ainda mais forte o esquema do pensamento único. E o País remará contra a corrente na América Latina, onde em outros países o Estado tem sido o principal propulsor do fortalecimento da mídia pública.

Por estas e muitas outras, é preciso que por aqui os movimentos sociais rediscutam a questão da aceitação de ajuda da FF e se mobilizem intensamente no sentido de evitar que os barões midiáticos nacionais e internacionais se tornem os proprietários eternos dos espaços midiáticos. E afastar os tentáculos da Fundação Ford, até porque não tem sentido uma conferência que discutirá e deliberará sobre a mídia no Brasil tenha verbas de entidades estrangeiras. O Poder Público não pode se ausentar e diminuir o orçamento destinado à Confecom.
Fonte:Direto da Redação

HONDURAS - Presidente de Honduras denuncia golpe de "elite voraz".

SAN JOSÉ, 28 JUN (ANSA) - O presidente hondurenho, Manuel Zelaya, afirmou hoje na Costa Rica, onde foi levado por militares de seu país, que foi vítima de um complô orquestrado por uma "elite voraz", cujo objetivo é manter Honduras no isolamento e na extrema pobreza.
Em declarações à imprensa, já na Costa Rica, o mandatário revelou como se deu sua prisão, realizada por oficiais das Forças Armadas, e confirmou que está em San José, capital costarriquense. "Fui vítima de um sequestro realizado por um grupo de militares. Fui traído, enganado e ultrajado pela cúpula das Forças Armadas", disse.
"Acordei com tiros e gritos da minha guarda presidencial. [Os militares] invadiram minha casa a tiros. Fui empurrado e ameaçado com armas de fogo. Isto é um sequestro brutal, que não tem justificativa", relatou o presidente. "Saí com a roupa que usava para dormir, e assim estou aqui, na Costa Rica."
O mandatário disse que tentou dialogar com os oficiais que o renderam. "Avisei que estavam cumprindo ordens ilegais. Eram oito ou dez soldados com capacete e máscara. Apontaram suas armas e mandaram que eu caminhasse."
"Não me assassinaram porque os soldados vêm do povo e estavam tremendo quando me ameaçavam, eles sabem que estão recebendo ordens de uma elite voraz", que "deseja manter o país isolado e na extrema da pobreza", continuou.
Zelaya pediu ainda à embaixada dos Estados Unidos que se posicione sobre o ocorrido. "Se os Estados Unidos não estiverem por trás disso, a situação não se manterá por mais de 48 horas. Mas os Estados Unidos podem evitar este terrível golpe que estão dando ao nosso povo e à nossa democracia", considerou.
O mandatário voltou ainda a defender a realização da consulta, que ocorreria hoje no país, motivo da crise política desatada nos últimos dias. "Queríamos fazer bem a Honduras, instaurando um processo participativo. Era apenas uma pesquisa, e não se pode justificar a interrupção da democracia e um golpe por causa de uma pesquisa".
Dirigindo-se aos cidadãos hondurenhos, Zelaya pediu que seus apoiadores saiam às ruas para protestar contra o golpe, mas que o faça "pacificamente, sem violência".
"Não podemos permitir que interrompam a vontade do povo por uma grosseria de uma elite voraz que está dominando o país e que não tem limites. Honduras vai retroceder 40 anos", disse ele, reiterando que setores da sociedade civil, entre eles a Igreja Católica, devem se pronunciar sobre o golpe que o tirou do poder.
"Vou a Manágua [Nicarágua] como presidente de Honduras, meu mandato continua até 2010, os que estão traindo Honduras não têm legitimidade para nomear um presidente. Esta é a voz de um ou dois militares, não é a voz das Forças Armadas hondurenhas. Acredito que o contingente das Forças Armadas no fundo está do meu lado", disse o presidente.
No momento, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) discute a crise em Honduras, onde o presidente do país foi vítima de um golpe de Estado.
Carlos Sosa, embaixador hondurenho ante a OEA, pediu à entidade uma condenação enérgica. "Honduras pede a vocês uma condenação enfática" ao golpe "cometido por um grupo de maus filhos de Honduras, escondidos sob um uniforme que outrora foi glorioso", disse.
Cerca de 22 soldados armados ingressaram na casa de Zelaya, localizada em Tres Caminos, leste de Tegucigalpa, por volta das 5h45 locais (8h45 no horário de Brasília). O governante foi levado à Base Aérea Militar, de onde deixou o país. (ANSA)

HONDURAS - Os golpistas não são autodidatas.

É fato que o embaixador dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, afirmou que seu país só reconhece Manuel Zelaya como único presidente legítimo do país e condena o golpe. Mas nunca devemos esquecer que os golpistas latino-americanos podem ser qualquer coisa, menos autodidatas.

Gilson Caroni Filho

"Exijo do TSE que deixe de artimanhas e comece a contar os votos. Se este Tribunal não começar a contar os votos, marcharemos até ele para exigir isto". Foi com essas palavras que o então candidato do Partido Nacional, Porfírio Lobo, reagiu às projeções do presidente do Supremo Tribunal Eleitoral, Aristides Mejia, que apontava Manuel Zelaya como virtual vencedor das eleições presidenciais de 2005. O tom de inconformismo não escondia o víés golpista que seria adotado pela oposição hondurenha, culminando na quartelada de domingo que expulsou Zelaya do país.

A insurgência militar é uma velha tradição da América Central, onde há uma extensa história de rebeliões, golpes e intervenções estrangeiras. Nesse momento, o que ocorre é a repetição de um filme cujo roteiro é conhecido por todos. A burguesia local combina seu estilo de exercício de poder com as formas tradicionais de dominação herdadas de tradições coloniais, elitistas e autoritárias.

Vivendo sucessivas conjunturas de instabilidade, o processo político hondurenho sempre foi fortemente marcado pela ininterrupta sucessão de golpes de Estado, a maioria patrocinada pelos interesses conjuntos da oligarquia nativa e das empresas bananeiras estadunidenses. A fragilidade institucional decorre, como em outros países do continente, da incapacidade política e cultural das classes dominantes em identificar e universalizar valores próprios que representem uma forma de vontade geral aceita por todos os segmentos sociais. Somando a isso sua conhecida subalternidade externa, a otimização de seus ganhos está na raiz da impossibilidade de se tornarem grandes fiadores de uma democracia estável e real.

A rapidez dos poderes Legislativo e Judiciário de Honduras em legitimar o golpe, contando com a boa vontade da grande imprensa, é a demonstração cabal da estreiteza do “Estado de Direito” na América Central. Projetar novas concepções de organização econômica, social e política capazes de amalgamar os interesses e aspirações das grandes maiorias continua sendo, para as elites encasteladas em quartéis, parlamentos e redações, o que deputados hondurenhos definiram como “uma explícita condução irregular".

Realizar uma consulta popular para abrir caminho a uma futura Assembléia Constituinte pode ser classificado como "reiterada violação à Constituição e às leis bem como a inobservância das resoluções e sentenças dos órgãos institucionais”. Essa é a semântica aceita pela gramática política da região.

O golpe em Honduras não diz respeito apenas ao povo hondurenho. Interpela diretamente todos aqueles que reconhecem que a única garantia possível de uma de instauração de uma verdadeira ordem democrática é a qualificação de agentes sociais e políticos para os quais esse regime seja uma condição e uma exigência.

O formalismo dos golpistas não pode deixar algumas perguntas sem resposta. Como fica a cláusula democrática da OEA? Qual será o tipo de sanção imposto a Honduras? Até quando os povos centro-americanos continuarão submetidos a uma espécie de castigo histórico, um eterno retorno do beco sem saída das ações repressivas ilegais? Não é mais admissível que nossa história continue sendo escrita como contínua experiência de mutilação e desintegração disfarçada de desenvolvimento.

É fato que o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens, afirmou que “seu país só reconhece Manuel Zelaya como único presidente legítimo do país e condena o golpe em andamento". O isolamento internacional também parece não conspirar a favor da extrema-direita hondurenha. Mas em nome da verdade histórica nunca devemos esquecer que os golpistas latino-americanos podem ser qualquer coisa, menos autodidatas. Valeria a pena Mr. Lorens consultar os compêndios. Até bem recentemente a regra era apóio incondicional a regimes liberticidas.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.
Fonte:República Vermelha

domingo, 28 de junho de 2009

MÍDIA - Novas mídias na internet têm acesso recorde.

A morte de Michael Jackson causou um impacto tão grande nas chamadas novas mídias da internet — Facebook, MySpace, Wikipedia, Twitter — que muitos já encaram o episódio como um dos mais importantes acontecimentos das redes sociais virtuais neste século. Os acessos foram recordes e conseguiram bater outros eventos marcantes, como as eleições americanas, que deram a vitória a Barack Obama.

A reportagem é de Gilberto Scofield Jr. e publicada pelo jornal O Globo, 28-06-2009.

Nas horas seguintes ao anúncio oficial da morte do cantor, redes sociais como Facebook e MySpace, bem com sites de busca e de entretenimento, como Google ou YouTube, bateram picos históricos de acessos ao repercutirem a notícia. Gabriel Stricker, porta-voz do gigante de buscas e notícias Google afirmou que, na tarde de quinta-feira, o fluxo de buscas chegou a subir tanto que os administradores desconfiaram que o site pudesse estar sendo atacado por hackers. Por mais de 30 minutos, o site operou erraticamente, sendo incapaz de atender à demanda dos fãs que buscavam informações.

No Twitter, o volume de mensagens trocadas após a morte do cantor chegou a cem mil por hora e nos últimos dias representou 15% de todas as mensagens emitidas por usuários, em média, um número bem acima do volume gerado por tópicos considerados “quentes” pelo serviço, como os protestos no Irã ou a epidemia de gripe suína, segundo Ethan Zuckerman, pesquisador do Centro Berkman para Internet e Sociedade, da Universidade de Harvard.

“O scrip da minha busca no Twitter mostra 15% das mensagens sobre Michael Jackson”, disse ele em uma mensagem no próprio Twitter. “Nunca vi os protestos no Irã ou a gripe suína irem além de 5%.” Segundo o site de buscas e notícias Yahoo, o número de usuários do site na quinta-feira bateu seu recorde histórico: 16,4 milhões de visitantes, maior do que o recorde anterior, no dia das eleições americanas, quando o tráfego atingiu 15,1 milhões de visitantes.

Nos dez primeiros minutos após a notícia da hospitalização foram registrados 800 mil acessos. Na Wikipedia, a página de Michael Jackson ganhou 1,8 milhão de visitantes na quinta-feira somente, bem acima da média diária de 20 mil visitas. Além disso, 650 pessoas aproveitaram o momento para atualizar o perfil com informações sobre a morte ou acrescentando informações antigas que ainda não constavam da página.

Mas poucos sites ganharam mais destaque nos últimos dias na mídia do que o site de fofocas de celebridades TMZ, que se antecipou a todos os outros sites de notícias ou redes de TV não apenas sobre a morte de Michael Jackson como sobre a sua anterior internação no Centro Médico da Universidade da Califórnia por parada cardíaca. O blog pertence ao conglomerado Time Warner e parece ter fontes em todos os lugares quando o tema é a tragédia de Jackson, a ponto de ser citado pela gigante CNN, que é do mesmo grupo, em suas matérias ao vivo na TV a cabo. Até hoje, é o site que lidera as informações mais recentes sobre o caso.
Fonte:IHU

A VOLTA AOS VELHOS TEMPOS - Golpe de Estado em Honduras.

Quando a gente pensa que essa de general derrubar presidente é coisa do passado, eis que isto acontece em Honduras.
Carlos Dória

Golpe militar da direita em Honduras; condenação geral

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi preso pelo Exército do país na madrugada deste domingo (28), pouco antes da realização do referendo sobre um processo constituinte. Um secretário do presidente disse que ele foi levado para uma base aérea fora da capital, Tegucigalpa. Segundo a imprensa local, o presidente foi retirado ''à força'' de sua casa no início da manhã.

Zelaya, deposto pelo exército como nos anos 70 O líder sindical e aliado de Zelaya, Rafael Alegria, classificou a ação de ''golpe de Estado''. ''É lamentável'', disse ele à rádio hondurenha Cadena de Noticias. Segundo Alegria, tiros foram disparados durante a prisão de Zelaya, mas ''não se sabe exatamente o que aconteceu''.

Tanques nas ruas como nos velhos tempos

Carros blindados e tanques saíram hoje às ruas de Tegucigalpa, horas depois do alto escalão das Forças Armadas prender o presidente de Honduras. Os veículos militares tomaram as ruas que dão acesso à residência presidencial, segundo a Agência Efe, enquanto aviões caça sobrevoam a capital hondurenha.

Zelaya havia prometido realizar uma consulta popular para decidir se a Constituição pode ser alterada, o que poderia permitir a reeleição presidencial. O plano do presidente foi considerado ilegal pelo Congresso e pela Justiça do país, enfrenta a oposição também do Exército.

Protestos de vários lados

Começou às 12 horas (de Brasília), em Washington, reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos OEA) para analisar a situação.

Em Caracas, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, condenou hoje o ''golpe de Estado troglodita'' cometido contra seu colega de Honduras, Manuel Zelaya, e destacou que ''chegou a hora do povo'' e dos movimentos sociais desse país. Chávez também pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ''que se pronuncie'', já que, disse, ''o império tem muito a ver'' com o que acontece em Honduras.

Em La Paz, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu hoje aos organismos internacionais, aos seus colegas da América Latina e aos líderes de movimentos sociais que ''condenem e repudiem o golpe de Estado militar em Honduras''. Em declarações no Palácio do Governo, Morales disse que neste momento há uma ''emergência internacional'' em Honduras, onde o presidente Manuel Zelaya foi detido pelos militares e levado para uma base da Força Aérea.

Porém a condenação não se circunscreve à esquerda latino-americana, da qual Zelaya se aproximou em busca de mudanças de fundo em seu país. A União Europeia (UE), dominada por conservadores, já condenou o golpe militar. Comunicado divulgado pelos 27 chanceleres da UE classificou a deposição de ''inaceitável violação da ordem constitucional em Honduras''. A UE exigiu ainda a imediata libertação de Zelaya e ''a volta à normalidade constitucional''.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também se declarou "profundamente consternado com os informes que chegam de Honduras sobre a detenção e expulsão do presidente Zelaya". Obama disse que as disputas no país "devem ser resolvidas pacificamente através de diálogo livre de qualquer interferência externa".

Centenas de soldados tomam a capital

Zelaya foi eleito em 2006 e, sob a atual Constituição hondurenha, não pode disputar a reeleição. Ele queria realizar uma consulta popular para decidir se uma Assembléia Constituinte deve ser convocada para fazer mudanças constitucionais junto com as eleições, marcadas para novembro. O presidente disse que não tem intenção de concorrer novamente ao cargo, mas que quer apenas que presidentes futuros tenham essa chance.

Na terça-feira, o Congresso aprovou uma lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, feita sob medida para impossibilitar os planos do presidente. Em seguida, o chefe do Exército disse que não ajudaria na organização do referendo para não desrespeitar a lei.

Na quinta-feira, o presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas que estavam guardadas lá. ''Nós não vamos obedecer a Suprema Corte'', disse o presidente a uma multidão de simpatizantes em frente à sede do governo. ''A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia.''

No sábado, o presidente ignorou uma decisão da Suprema Corte para devolver o cargo ao chefe do Exército, general Romeo Vasquez, que foi demitido após se negar a ajudar na preparação do referendo.

Líderes militares se recusaram a entregar urnas para a votação, uma decisão que levou à demissão do general Vasquez e à renúncia do ministro da Defesa, Edmundo Orellana. Os chefes da Marinha e da Aeronáutica também renunciaram em protesto. O Exército, por sua vez, colocou centenas de soldados nas ruas da capital, dizendo que quer prevenir que os aliados do presidente causem confusão.

Da redação, com agências/Site O Vermelho.

ANOS DE CHUMBO - Arquivos de uma tragédia brasileira.

Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)

Demolidos emocionalmente pela longa espera da notícia que não chega, há entre os parentes dos desaparecidos quem desconfie que as surpreendentes e polêmicas revelações do major Curió na entrevista ao "Estadão" esta semana, sobre a Guerrilha do Araguaia, tenham mais o propósito de confundir do que o desejo sincero de esclarecer este episódio tenebroso da história recente do País. Segundo o oficial da reserva do Exército, 41 guerrilheiros foram executados, depois de presos e amarrados.

Teorias de conspirações à parte, tudo é possível, inclusive algo exatamente assim, ou parecido, em uma terra de absurdos. Principalmente quando se desliza sobre terreno alagadiço, mais coberto de sombras que as causas da morte do astro pop, Michael Jackson, quinta-feira (25), pois não se trata apenas das obscuridades do coração e dos sentimentos, nem daquelas produzida pelas imensas árvores milenares da Amazônia que ainda restam em Xambioá. Fala-se, neste caso, principalmente da zona de neblina causada pelos desleais e desumanos jogos de interesse da política, da grana, das ideologias e do poder.

Ainda assim resta muito de positivo e alentador na matéria assinada pelo repórter Leonencio Nossa no "Estado de S. Paulo" - tanto para o jornalismo que ultimamente se tem praticado por aqui, como para a parte da sociedade - em especial a formada pelas famílias das vítimas - que aguarda há mais de três décadas não apenas pelos corpos de seus entes queridos, mas também a verdade sobre o que se passou com eles naqueles tempos temerários.

O fato é: raramente se viu revelações de uma reportagem ou entrevista sobre este episódio cavernoso despertar tamanha atenção e tantos propósitos de esclarecimentos. Além disso, não recordo de outra matéria jornalística recente que tenha merecido tanta repercussão no seio da própria mídia em geral, mas igualmente em redutos de opinião diversificados, relevantes e significativas, quanto esta conversa com o oficial do Exército brasileiro com papel preponderante no combate à guerrilha.

Onze baianos, quase todos jovens, constam da relação dos 60 desaparecidos no Araguaia há mais de três décadas. Dez deles tiveram seus nomes divulgados mais uma vez pela secção estadual do grupo Tortura Nunca Mais, coordenado por Diva Santana (cuja irmã Dinaelza Santana Coqueiro e o cunhado Wandick Coqueiro estão entre os que não voltaram para casa).

Estudante de Jornalismo e de Direito na UFBA, na época pré-guerrilha, convivi muito proximamente com quase todos eles. Na faculdade, na resistência das ruas, no Restaurante Universitário, nos shows de novos e velhos baianos, nas sessões do Clube de Cinema da Bahia, nos fantásticos carnavais atrás dos trios elétricos, na Barraca Botafogo, nos bares e na vida política e boêmia da cidade, enquanto eles andavam por Salvador.

Dois deles, Rosalindo Souza (ex-presidente do histórico Centro Acadêmico Ruy Barbosa - CARB) e Dermeval Pereira (clássico e culto beque central do time da Faculdade de Direito, fã ardoroso de Caetano, dos Beatles e de Waltinho Queirós), ex-colegas de turma, estão na lista de melhores e mais leais amigos de sempre. Outros dois, Dina e Antonio Monteiro, "casal mais bonito de Geologia e da UFBA dos anos 60/70", integram a lista permanente da admiração maior. Mas todos um dia sumiram "para nunca mais", como canta o baiano Gil, que os três amigos admiravam igualmente.

Esta semana o presidente Lula afirmou: "é importante levar a sério" (espera-se que a começar por ele próprio), os documentos revelados pelo "Estadão" sobre a repressão à Guerrilha do Araguaia, escondidos durante 34 anos por Curió. E justificou em uma emissora de rádio: "uma mãe que tem um filho desaparecido e não sabe o paradeiro dele, essa mãe só vai se conformar quando enterrar o filho". Um sentimento que, de outra maneira de querer, é também dos amigos, posso acrescentar.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, defendeu igualmente a abertura de todos os documentos e segredos do tempo da guerrilha, com outro argumento forte: o direito à verdade. "Eu acho que há um direito à verdade. Se de fato esses documentos existem, eles devem ser mostrados". O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também falou grosso demais como sempre, mas dá sinais de agir de menos. Criou há dois meses um grupo responsável por retomar as buscas pelos corpos dos guerrilheiros, mas até esta semana, nem sequer a composição dos integrantes havia sido definida totalmente. Além disso, na comissão de Jobim os parentes e representantes das vítimas constam apenas como observadores.

Mesmo cético por dever de profissão, o jornalista prefere acreditar que algo de novo se move das sombras de Xambioá, na direção da luz dos fatos e da justiça. Seria doloroso demais se essa nova esperança se transformasse, para a família dos desaparecidos e para a sociedade, em mais uma farsa das tantas que cercam esta tragédia brasileira dos anos 70, nas selvas do Araguaia.

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog Bahia em Pauta
Fonte:Terra Magazine.

ANOS DE CHUMBO - Soledad no Recife em julho.

por Conceição Lemes

Soledad Barret Viedma.

Eu a “conheci” ao ler uma coluna do jornalista e escritor pernambucano Urariano Mota, em Direto da Redação. Fascinou-me na hora. Uma jovem idealista, corajosa e linda, muito linda.Foi torturada e morta no Recife em 1973, grávida, depois de ser entregue ao delegado Sílvio Paranhos Fleury, traída pelo cabo Anselmo , de quem trazia um filho na barriga. O texto era tão terno, carinhoso, delicado. Confesso que me passou pela cabeça os dois terem sido namorados.

Emocionou-me tanto a história, que, imediatamente, quis saber mais de Soledad. Daí nasceu esta conversa com Urariano, que lança, em julho, o livro “Soledad no Recife” pela editora Boitempo. Ele é autor do romance “Os Corações Futuristas”, cuja paisagem é a ditadura Médici.

Viomundo -- Por que Soledad? Na sua coluna, você diz que só agora teve condições de mergulhar nas entranhas daquele momento. Por quê?

Urariano Mota -- Há temas que nos perseguem, embora nem sempre a gente perceba. No meu primeiro livro, o romance “Os corações futuristas”, houve Cíntia, uma brava socialista. Já no destino trágico de Cíntia havia um destino de Soledad. A "diferença" é que Cíntia se apoiava em outra pessoa, em outra militante. Enquanto Soledad, pelo menos quero crer e me empenhei muito por isso, Soledad é a pessoa. É a própria pessoa, pelo menos desejo ter realizado isso.

Por que só agora, 36 anos depois? De um ponto de vista pessoal, estou mais apto e cônscio de minhas fronteiras. De um ponto de vista mais geral, digamos, objetivo, o crime contra Soledad é o caso mais eloqüente da guerra suja da ditadura no Brasil. A traição que ela sofreu expressa, com vigor, a traição contra jovens do sentimento mais generoso, que é o sentimento de humanidade, do mundo.

Viomundo -- Era tua amiga? Como ela era?

Urariano Mota -- Eu sou fundamentalmente um escritor. Isso quer dizer, expresso minha experiência vivida, sempre. Ou em fatos biográficos, testemunhados e sofridos, ou em fatos imaginados, recompostos, ressurgidos, que são também, para a literatura, para o artista, fatos testemunhados e sofridos. Soledad não era, ela é minha amiga. Mas não trocamos palavras em sua curta vida. Este livro diz a ela, fala as palavras que não podemos trocar, no Recife da ditadura Médici.

Mais de uma pessoa, para não dizer quase todas as pessoas, pensam que Soledad foi minha namorada, que eu a conheci pessoalmente. Isso vem da narração e da forma apaixonada do relato. Essa impressão surge, veio e vem do livro. Mais de um leitor já recebeu essa impressão. Isso se deve à mistura, em um só corpo, de pessoas e fatos absolutamente reais, documentados, sabidos, ao sentimento que tenho daqueles dias. O documento vivido pela segunda vez. Então, é claro, o elemento "ficcional" virou factual. Como ela era, como ela é, o livro dirá.

Viomundo -- É citado o massacre da chácara São Bento. Que lembrança isso traz?

Urariano Mota -- As notícias, publicadas em todo o Brasil em janeiro de 1973, dos seis "terroristas” mortos no aparelho da São Bento, são absolutamente falsas. As "notícias" de terroristas mortos, naquele tempo, eram reproduzidas com a mesma redação e teor em toda a imprensa brasileira. Vinham da agência de segurança nacional. Jamais houve o “massacre da chácara São Bento”. Houve a execução fria, planejada, de seis bravos militantes. A chácara foi o teatrinho criado para a execução de seis bravos.

Soledad Barret Viedma e Pauline Reichstul – há testemunho público disso - foram assaltadas em uma butique no Recife, de surpresa espancadas sob pistolas e seqüestradas. Em uma mangueira, por trás da butique, a proprietária notou depois sangue, vômito e urina. Isso de modo público, à vista de todos. Jarbas Pereira Marques, outro militante, que aparece entre os terroristas da chácara, foi retirado da livraria onde trabalhava, à luz do dia.
Digo isso no livro, e repito aqui: em uma ditadura, até as datas dos jornais são falsas.

Viomundo -- Soledad foi traída pelo cabo Anselmo, que a delatou ao delegado Fleury. Você conheceu o cabo Anselmo? O que sente por ele?

Urariano Mota -- Eu estudo o seu caráter há muitos e muitos anos. Ele é objeto de minha permanente observação e pesquisa. No entanto, jamais vi na rua o cabo Anselmo. Eu o conheço por seus cadáveres, que ele arrasta como uma cauda. Fui, sou amigo de quem ele perseguiu, traiu e matou.

Ninguém podia imaginar que ele fosse uma infiltração. Anselmo pertence à família dos agentes duplos, dos instrumentos de política que se chamam espiões. Isso quer dizer: ele é um mundo de mentiras. Ele era e é um sistema em que mentiras armam mentiras, que constroem mentiras, sempre. Isso quer dizer, enfim, que tudo quanto esse instrumento dizia e disser, falar, deve ser posto sob absoluta desconfiança, porque ele mente por sistema, por hábito, por defesa, por ataque e natureza. Não se pode acreditar em uma só das suas palavras. Quando ele diz eu amo, eu respeito, o bom senso deve traduzir de imediato, ele odeia e despreza.

Sou de opinião que não importa o seu último nome. Porque ele não tem outro nome nem outra face. Jonas, Daniel, José, com barba, sem barba, magro, gordo, com novos olhos, novas orelhas, novo nariz, nova boca, não importa. Ele será sempre, para onde for, cabo Anselmo, aquele que gerou a morte da sua companheira, que trazia um filho no ventre.

Viomundo -- Soledad morreu jovem, linda. Se ela vivesse no Brasil de hoje, o que estaria fazendo Soledad, em quem votaria, o que a preocuparia?

Urariano Mota -- É a pergunta mais difícil. Mas sei, ou posso ter a esperança de que ela estaria no movimento socialista, com um apoio crítico ao governo Lula. Continuaria linda, pelo fogo que tomava o seu corpo e sua vida, que não se apaga, não arrefece, apenas fica mais maturado. Como um vinho decantado que embriaga melhor.

Para ela, viva neste 2009, digo o que escrevi no livro:

Soledad não é só a mulher bonita, de um ponto de vista físico, cuja fotografia revela apenas uma estação do seu ser. Uma estação imóvel do seu peito dinâmico, e de tal modo que dará ao fotógrafo o que se diz de um mau desenhista, “isto não se parece com ela, não saiu parecido”. E se pedirá então ao fotógrafo o absurdo, a saber, que a máquina, a mecânica, reproduza um ser, a textura, cor e delicadeza da orquídea, da pessoa mesma. Como se fosse possível da flor um close que a isolasse do ar que ela respira, do campo em torno, do cheiro que exala, em resumo, como se fosse possível reproduzir o complexo, a conspiração de sentidos que se dirigem para um único fim, a pessoa, o ser vivo, poderoso em nos despertar amor, afeição, paixão, tar a e paz, que buscamos como a uma miragem. Ainda assim, se sabemos que na flor há um ser inalcançado na fotografia, se comparamos, se transpomos mal, imagine-se então Soledad no lugar dessa flor do campo. Imaginamos mal e mau, já vêem. Flor não se rebela nem canta. Flor nos desperta canção e rebeldia, quando machucada. Mas a pessoa de Soledad, ainda que lembre essa flor - e é irrecusável não lhe ver a pele como o tecido de uma pétala -, e assim a lembraremos pelo vento forte e traiçoeiro que se prepara para a muchucar e destruir, ainda assim, como a superar tal associação, ainda que nos persiga como só uma idéia é capaz de perseguir, hoje, neste dia do seu aniversário, ela está mais bela que antes. ¡ Arriba, Sol!



Como aperitivo, encante-se com mais estes dois momentos de"Soledad no Recife"

Primeira vez em que Urariano fala de Soledad no livro

Eu a vi primeiro numa noite de sexta-feira de carnaval. Fossem outras circunstâncias, diria que a visão de Soledad, naquela sexta-feira de 1972, dava na gente a vontade de cantar. Mas eu a vi, como se fosse a primeira vez, quando saíamos do Coliseu, o cinema de arte daqueles tempos no Recife. Vi-a, olhei-a e voltei a olhá-la por impulso, porque a sua pessoa assim exigia, mas logo depois tornei a mim mesmo, tonto que eu estava ainda com as imagens do filme. Num lago que já não estava tranquilo, perturbado a sua visão me deixou. Assim como muitos anos depois, quando saí de uma exposição de gravuras de Goya, quando saí daqueles desenhos, daquele homem metade tronco de árvore, metade gente, eu me encontrava com dificuldade de voltar ao cotidiano, ao mundo normal, “alienado”, como dizíamos então. Saíamos do cinema eu e Ivan, ao fim do mal digerido O anjo exterminador. Imagens estranhas e invasoras assaltavam a gente.

A vontade que dava de cantar retornou adiante, naquela mesma noite. No Bar de Aroeira, no pátio de São Pedro, naquela sexta-feira gorda. Como são pequenas as cidades para os que têm convicções semelhantes! Estávamos eu e Ivan sentados em bancos rústicos de madeira, na segunda batida de limão, quando irromperam Júlio, ela e um terceiro, que eu não conhecia. Ela veio, Júlio veio, o terceiro veio, mas foi como se ela se distanciasse à frente – diria mesmo, como se existisse só ela, e de tal modo que eu baixei os olhos. “Como é bela”, eu me disse, quando na verdade eu traduzi para beleza o que era graça, graça e terna feminilidade.


A morte de Soledad

Chegamos agora mais perto de Soledad Barret Viedma. Excluo-me, na medida do possível, da qualidade daquele que a amou em silêncio.

Há quem considere que a morte de Soledad, nas circunstâncias que conhecemos mais tarde, deu-se em razão de sua ternura. Isso é mais que um namoro, um interlúdio, para dizer que ela esculpiu a própria sorte, porque, diabo, era terna e verdadeira. Com a evidência de um escândalo. Prenhe de ternura até as raias do suicídio. Esse elogio torto, digno da reen¬carnação e pele de um Anselmo 2, é como um açúcar no sal de sua execução. Um doce, um mel, a lhe correr sobre os lábios entre coices, descargas elétricas e afogamentos. Conviria melhor ser dito que ela, por suas qualidades raras de pessoa, estava condenada.
Fonte:Vi o mundo.

sábado, 27 de junho de 2009

POLÍTICA - O terceiro mandato tem nome.

Carlos Chagas

Poucos companheiros poderão exprimir tão bem o PT quando o ex-ministro José Dirceu. Apesar de afastado do Congresso e do ministério, o ex-chefe da Casa Civil dedica-se com força total ao diálogo com os principais líderes do partido, percorrendo permanentemente os estados. Este ano já esteve em vinte deles, alguns por quatro ou cinco vezes.

Pois é de José Dirceu a observação definitiva a respeito da sucessão presidencial: “o terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff. Não há hipótese da continuação do presidente Lula no governo, até porque ele rejeita qualquer articulação nesse sentido. Muito menos haverá prorrogação de mandatos.”

Outra afirmação dele é de que se por acaso José Serra for eleito, coisa em que não acredita, o PT e o presidente Lula passarão sem qualquer trauma o poder, como já aconteceu em alguns estados e prefeituras de capital. A democracia está consolidada no país, completamente afastada a possibilidade de golpes ou sucedâneos.

Dilma Rousseff vence as etapas necessárias à sua candidatura, acrescenta Dirceu, informando que no segundo semestre ela deverá apresentar seu plano de governo, exprimindo continuidade. Continuísmo, jamais. A chefe da Casa Civil surpreendeu, antecipando percentuais de apoio, nas pesquisas, que se imaginava só se registrariam no final do ano.

O presidente Lula, para seu antigo auxiliar, é maior do que o PT, na medida em que aglutina outros partidos. Sua popularidade ultrapassa a de qualquer de seus antecessores porque governa para a sociedade, priorizando os mais pobres sem esquecer as elites. Assim, supõe que o empresariado ficará com Dilma, nas eleições de 2010, assim como a imensa maioria das massas.

A existência de montes de grupos e alas no PT, com denominações específicas, é considerada natural, por José Dirceu, evidência da democracia interna. O importante é que depois dos debates e discussões, tomada a decisão, todos se unem em torno dela. Dois movimentos que não de conformaram com essa diretriz acabaram saindo, até porque seriam expulsos. No caso, formaram o Psol e o PT do B.

O PMDB é o PMDB…

Análise das principais questões políticas e econômicas do país foi feita por José Dirceu em entrevista à TV Educativa do Paraná. Ele concorda com o presidente Lula sobre a necessidade do apoio do PMDB ao governo e à sua candidata, aceitando que o PT venha a se compor com o maior partido nacional em muitos estados. Onde não houver condição, porém, candidatos de lá e de cá disputarão as preferências populares, abrindo até dois palanques para a candidatura de Dilma Rousseff. Tudo dentro do maior respeito.

Reconhece que parte do PMDB,em São Paulo, inclina-se por apoiar José Serra, mas a grande maioria do partido fechará com o governo. Michel Temer é um nome respeitável para compor a chapa oficial, mas essa questão será decidida no devido tempo pela candidata e pelo PT.

Um desabafo de José Dirceu refere-se ao seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, junto com outros acusados no processo do mensalão. Ele já foi absolvido em outros casos, na primeira instância, e gostaria que o foro especial não existisse, mas como é o que manda a lei, curva-se a ela. Seus planos são para retornar ao Congresso, quando desimpedido.
Fonte:Tribuna da Imprensa

ANOS DE CHUMBO - Negros que morreram na luta contra o regime militar recebem homenagem.

Kelly Oliveira

Repórter da Agência Brasil

Valter Campanato/ABr

Brasília - O secretário-adjunto da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Elói Ferreira, e o secretário-adjunto da Secretaria dos Direitos Humanos, Rogério Sottili, participam da homenagem a 40 negros mortos durante a ditadura militar
Brasília - Descendentes de escravos que morreram na luta contra o regime militar (1964-1986) foram homenageados hoje (27) na 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, aberta no último dia 25, em Brasília.

Os secretários-adjuntos das secretarias especiais dos Direitos Humanos (SEDH), Rogério Sottili, e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloy Ferreira, apresentaram um totem, de 1,80m de altura por 0,80m de largura, com imagens de 40 negros - 35 homens e 5 mulheres – mortos e desaparecidos durante a ditadura.

A ideia da SEDH é fazer com que o totem seja levado para vários lugares, assim como a exposição “Direito à Memória e à Verdade”, cujos painéis contam a história da resistência ao regime militar no Brasil e já rodaram mais de 50 cidades brasileiras e do exterior.

Sottili ressaltou que uma das maiores violações dos direitos humanos é feita pela segregação, pelo preconceito e pela discriminação. “Igualdade racial é uma luta de preservação, de promoção dos direitos humanos. Todo o Estado deve estar comprometido de varrer do nosso país toda, qualquer tipo de discriminação, seja racial, de gênero, de diversidade religiosa”, disse.

Para Ferreira, a historiografia não teve “o cuidado ou a preocupação de registrar a luta dos negros ao longo da história do Brasil". Segundo o secretário, levar o conhecimento da luta dos negros contribui para o “fortalecimento da identidade nacional”. “A juventude vai saber, a nação vai conhecer que temos heróis negros, brancos, que todos formamos o Brasil.”

Segundo Ferreira, ainda é preciso trabalhar mais sobre esse tema nas escolas do país. “É um processo superar o racismo institucional.”

Segundo ele, durante o regime militar, as escolas ensinavam que Zumbi dos Palmares foi um negro insurreto. “Essa inversão de valores é hoje repudiada pela historiografia, pela força do movimento negro e pela força dos governos que, após a ditadura militar, trabalharam na construção de valores nacionais.”

A lista de 40 homenageados, com um breve histórico de cada um deles, está disponível na internet.

A 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial termina amanhã (28). São 1,3 mil delegados eleitos em todo o país para discutir temas como a titulação de terras quilombolas, as cotas no ensino superior, religiões de matrizes africanas, políticas para as populações indígenas e ciganas e o combate ao racismo institucional.

Para a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Luíza Bairros, a conferência abre caminho para que movimentos sociais se organizem e governos locais passem a dar atenção à questão da igualdade racial.
Fonte:Agência Brasil.

DESDOBRAMENTOS DO BLOG DA PETROBRÁS.

Luis Nassif

Alguns desdobramentos inevitáveis do Blog da Petrobras - que, aliás, ocorreriam mesmo sem o Blog:

1. Os jornais terão que reaprender a fazer jornalismo, sob pena de terem suas matérias permanentemente questionadas por um circuito cada vez mais amplo de Blogs e sites.

2. Rompe-se o corporativismo e o fechamento da Petrobras. A partir do Blog, não poderá mais haver pergunta sem resposta. E essa tendência se espraiará por outras empresas e organizações.

3. A imprensa não poderá mais recorrer impunemente a dossiês, quebras de sigilo fiscal e outras práticas do submundo político e policial. A iniciativa da Petrobras de cobrar judicialmente explicações sobre a quebra de sigilo fiscal de seus diretores rompe definitivamente com o medo que paralisava empresas e pessoas alvos dessas operações. Os jornais serão cada vez mais questionados sobre a origem de suas informações. Como contrapartida à maior transparência das empresas, terão que ser cada vez mais transparentes. A questão do sigilo de fonte terá que ser revista para aquilo que se aplica mesmo: informações relevantes para o país.

4. Acaba definitivamente o monopólio do jornalista na intermediação da notícia. Hoje em dia tem-se a hipocrisia de assessorias de imprensa cada vez maiores, enviando releases que são publicados como se fosse apuração do veículo. Daqui para frente, cada vez mais empresas, associações, ONGs etc serão geradoras de notícia, que terão tanta (ou maior) credibilidade quanto as notícias jornalísticas. Essa nova modalidade exigirá de todos esses grupos a capacidade de gerar notícias tecnicamente bem feitas - o que abrirá um novo mercado de trabalho para os jornalistas.

TORTURA - Casos de tortura ainda são comuns em vários países do mundo.

Adital

Hoje se comemora o Dia Mundial de Apoio às Vitimas de Tortura, data que serve para chamar a atenção para o sofrimento das vítimas desse crime e para reafirmar a luta contra a tortura e os tipos de tratamentos que vão de encontro aos direitos humanos. Apesar de muitos países terem ratificado os Protocolos Facultativos à Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, a tortura continua sendo uma prática recorrente em todas as regiões do mundo.
De acordo com o Relatório Anual 2009 - publicado em maio pela Anistia Internacional -, casos de torturas e maus tratos aconteceram de forma generalizada em todas as regiões do mundo durante todo o ano de 2008 e início deste ano. Segundo a organização, dos 157 países analisados no Relatório, 107 praticaram tortura e maus tratos. Desse total, 14 são países membros do G20.

No Brasil, por exemplo, o Relatório registrou operações policiais em comunidades urbanas empobrecidas que implicaram no uso excessivo da força, execuções extrajudiciais, torturas e conduta abusiva. Tal situação, entretanto, não é exclusiva de países pouco desenvolvidos ou em desenvolvimento.

De acordo com o Relatório Anual, países como Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido continuam violando os direitos humanos com torturas e maus tratos. Ademais, como justificativa de "lutar contra o terrorismo", muitos países seguem aplicando práticas de reclusões secretas, desaparições forçadas, torturas e outros tratamentos cruéis, inumanos e degradantes.

Na maioria dos casos de torturas, os agressores são agentes do Estado, como forças de segurança e policiais. Isso reforça ainda mais a característica de impunidade. Segundo o diretor executivo da Anistia Internacional do Chile, Sergio Laurenti, em muitos casos, as vítimas continuam sem amparo porque o sistema de justiça não exige a prestação de contas dos agressores e não contam com o acesso imediato da representação legal.

"Em muitas ocasiões, os fiscais não investigam, as vítimas têm medo de ser objeto de represálias se denunciam e as penas que se impõem aos culpados são muito leves. O resultado é que, em muitos lugares, a tortura perpetuou-se como uma cultura de impunidade", apontou.

A Anistia Internacional, por sua vez, já se dirigiu aos governos de vários países solicitando medidas efetivas contra a impunidade dos responsáveis pelos crimes.

O dia contra tortura no Chile

A data de apoio às vítimas de tortura terá uma conotação ainda mais significativa para a população chilena. Hoje, a presidente da república, Michelle Bachelet, decretou o dia 26 de junho como o "Dia Nacional contra a Tortura". Além disso, será enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei para modificar a tipificação do crime no país.

Apesar de a iniciativa ter sido bem recebida pela Anistia Internacional, a organização pede mais ações concretas do governo chileno no combate à tortura. Em virtude do anúncio da data, a Anistia Internacional denunciou vários casos de como o discurso centrado no "controle público" das autoridades legitimam os atos violentos promovidos pela polícia no país.