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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

SAÚDE - Carne marinada em álcool reduz risco de câncer.

Marinar um bife em cerveja ou vinho tinto antes de fritá-lo pode ajudar a torná-lo mais saudável, segundo um estudo de cientistas portugueses.

Segundo os pesquisadores, marinar a carne por várias horas antes de fritá-la pode reduzir bastante os níveis de uma substância carcinogênica produzida na carne durante o processo de fritura.

O processo de cozimento dos alimentos aumenta os níveis dos compostos chamados amino-heterocíclicos (HA), que podem provocar tumores cancerígenos.

Segundo a pesquisa, relatada na última edição da revista New Scientist, ao marinar a carne por seis horas em cerveja ou vinho tinto, os níveis de dois tipos de HA após a fritura foram reduzidos em até 90%.

A cerveja foi mais eficiente que o vinho para baixar os níveis de um terceiro tipo de HA, reduzindo significativamente sua concentração após quatro horas, enquanto a mesma redução foi conseguida com o vinho após seis horas.

De acordo com o estudo, publicado originalmente na revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry, a carne marinada com cerveja também apresentou um resultado melhor em testes para avaliar seu cheiro, seu sabor e sua aparência após a fritura.

Alta concentração

Carnes fritas ou grelhadas apresentam normalmente uma alta concentração de compostos HA, formados pela conversão de açúcar e aminoácidos presentes em seu tecido muscular pela ação do calor.

Outras pesquisas já haviam indicado que algumas substâncias como azeite de oliva, suco de limão e alho tinham a capacidade de reduzir a concentração de amino-heterocíclicos em frango grelhado em até 90%.

Também já se conhecia a capacidade do vinho tinto em reduzir os HA em frangos fritos.

Os pesquisadores acreditam que, no caso da carne frita, o álcool teria a capacidade de reduzir a formação de HA ao prevenir que moléculas solúveis em água sejam transportadas para a superfície da carne, onde seriam transformadas no composto carcinogênico no processo de fritura.

Segundo a coordenadora da pesquisa, Isabel Ferreira, da Universidade do Porto, a cerveja, por conter mais açúcares capazes de reter água do que o vinho, teria também uma maior capacidade de impedir o transporte das moléculas para a superfície.
Fonte: BBC BRASIL.

INGLATERRA - Britânicos trabalham para incluir "segundo extra".

Relógio tem de ser ajustado devido a desaceleração na rotação da terra
As comemorações de Ano Novo trouxeram um desafio para os engenheiros que garantem o funcionamento perfeito do principal símbolo da festa em Londres: o Big Ben.

Os engenheiros tiveram que trabalhar no - e contra o - relógio para incluir um segundo extra antes da meia-noite de quarta-feira.

A mudança se tornou necessária por causa da pequena desaceleração na rotação da Terra. Com o avanço da tecnologia, os relógios se tornaram tão precisos que se descobriu que a rotação da Terra pode demorar um pouco mais ou menos que as 24 horas do dia.

Por isso, o Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (IERS, na sigla em inglês) acrescenta de vez em quando um "segundo bissexto" na escala de tempo para manter o ritmo de contagem das horas e de rotação da Terra em sincronia.

Aniversário

Desde 1972, já foram acrescentados 23 segundos bissextos.

A expectativa era de que milhares de organizações em todo o mundo ajustassem seus relógios na noite de 31 de dezembro.

As horas do Grande Relógio de Westminster, que define quando o Big Ben soa, são marcadas por um pêndulo de 226,8 quilos. O relógio pode ser ajustado ao se acrescentar ou retirar pesos posicionados em uma bandeja sobre o pêndulo.

Neste ano, a atenção em torno do Big Ben passou a ser especialmente maior porque, além de anunciar a chegada de 2009, ele também anunciaria seu 150º aniversário.
Fonte:BBC BRASIL.

FELIZ ANO NOVO, HAPPY NEW YEAR , BONNE ANNÉE, FELIZ AÑO NUEVO, BUON ANNO.

NO MOMENTO EM QUE SE INICIA UM NOVO ANO, NÃO PODERIA DEIXAR DE

AGRADECER AQUELES AMIGOS QUE PRESTIGIARAM ESTE BLOG COM CRÍTICAS E SUGESTÕES AO LONGO

DESSES DEZ MESES DE EXISTÊNCIA DO MESMO.


O NOSSO OBJETIVO DE DISSEMINAR E COMENTAR INFORMAÇÕES, QUE DE UM MODO GERAL NÃO SAEM


NA IMPRENSA CORPORATIVA, CREIO QUE FOI ATINGIDO, TENDO EM VISTA O GRANDE NÚMERO DE


ACESSOS, OS QUAIS, JÁ SUPERARAM A MARCA DOS 65.000, O QUE DÁ UMA MÉDIA DE 6.500/MES.


APROVEITO PARA DESEJAR A TODOS, MUITA PAZ, SAÚDE, CONSCIÊNCIA E REALIZAÇÕES AO LONGO


DE 2009.


AQUELE ABRAÇO,

CARLOS AUGUSTO A. DÓRIA

ENTREVISTA COM DELFIM NETO - Lula é o único economista que presta no Brasil.

Delfim Netto diz que virtude de Lula é falar a verdade sobre a economia

Roberval Angelo Schincariol e Roger Marzochi, da Agência Estado

Em meio ao desespero nos mercados, Lula surge como encarnação do otimismo.

Pedro Bottino/arte estadao.com.br

Em meio ao desespero nos mercados, Lula surge como encarnação do otimismo
SÃO PAULO - Para o economista Antônio Delfim Netto, ministro da Fazenda em tempos de chumbo e de milagre econômico, o que fará a diferença na economia do tão temido ano de 2009 é a sensibilidade do brasileiro. E, segundo o professor emérito da FEA-USP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a encarnação do otimismo. "Lula é o maior economista do Brasil", diz Delfim. Em entrevista à Agência Estado, concedida na manhã do dia 10 de dezembro, em seu escritório localizado ao lado do Estádio do Pacaembu, no bairro paulistano de Higienópolis, o economista falou de Platão, Aristóteles, Henry Paulson, Alan Greenspan e, claro, Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual a avaliação que o sr. faz sobre os impactos da crise financeira no Brasil em 2009?
Você está em um ambiente complicado e é claro que o Brasil vai pagar o preço de fazer parte do mundo, como tem os benefícios. O Brasil usou a expansão que houve no mundo. E eu estou convencido de que esta crise é, simplesmente, a própria crise de 2001 consertada pelos economistas. Teve a crise em 2001, que foi a crise do pontocom, que explodiu, e apareceu aquela patifaria da Enron. E como é que os economistas resolveram essa crise? Fornecendo liquidez e permitindo que toda a imaginação do sistema financeiro se exercitasse plenamente, com a idéia de que o sistema tinha em si uma moralidade ínsita. Portanto, ninguém precisa se preocupar porque é tudo gente correta, que não vai fazer nada de patifaria...

O sr. avalia que hoje, então, houve o estouro da bolha da moralidade?
Não, a moralidade já explodiu na Enron. E o que o governo foi fazendo? O Fed e o Tesouro americano passando a grosa, permitindo que você fizesse um curto-circuito aqui, outro lá. Quando o (Henry) Paulson (secretário do Tesouro) tomou posse, em 2006, ele declarou: "Eu vim para acabar com o resto de regulação que está perturbando o crescimento." Em 2006! A crise já estava explodindo! Então, você está diante de um fato: os economistas são capazes de produzir uma crise, mas não podem resolvê-la. A crise está fora da economia.

Seria uma crise de expectativa?
Seria uma crise de expectativa, de crença, de confiança Qual é a origem da sociedade? Está no velho Platão, antes do Aristóteles. Para a coisa funcionar, tem de ter possibilidade de trocar o meu trabalho com outro. E tem de ter uma moeda. Nós estávamos produzindo milho. Eu vivia pobre, você também. Mas eu produzia o meu, você produzia o teu. Mas chegamos a um acordo. Eu vou produzir o milho e você vai fazer um buraco aí até conseguir água, depois a gente irriga o milho, vai dobrar a produção e vamos viver melhor. Esse é o progresso. Está no Adam Smith. Divisão do trabalho. Isso exige que eu confie que, enquanto eu estiver produzindo o milho, você esteja fazendo o buraco. Então, a confiança precede a sociedade. Ela é o cimento, o fator catalítico que faz funcionar a sociedade. Os economistas nunca se preocuparam em saber o que estava por trás do mercado. Atrás do mercado está o Estado. E, atrás do Estado, está a confiança.

É quando o sr. diz que economia não é ciência.
É claro que economia não é ciência. É um bom conhecimento empírico que deve ajudar a administração. Porque o homem tem um defeito enorme: ele pensa. Se o átomo pensasse, a física seria bem mais complicada. Na verdade, o homem aprende. Na economia, ele aprende e se defende. A minha idéia é que você tem de pagar o preço de estar no mundo, mas temos condições melhores. Nem é por virtude. Foi por um acidente. Nós tivemos uma crise bancária muito séria, fizemos um Proer e, com ele, nós demos uma arrumada no sistema bancário.

O Proer foi positivo para o sistema?
Eu vejo o Banco Central (BC) como dois 'animais'. Um tem nota dez, outro tem nota dois. O BC fiscalizador se saiu muito bem. Os bancos estão hígidos, têm alavancagem baixa, são cuidadosos. É claro que o Brasil tem contato com o mundo e precisava de financiamento externo para fazer funding dos bancos.
Na atual crise, o BC agiu no tempo certo?
A ação do BC foi no tempo próprio, com alguns pecadilhos. Em lugar nenhum do mundo o BC diz: "Eu vou dar dinheiro para banco grande comprar banco pequeno." Muito menos vou dar dinheiro para banco público, porque aqui você tem dois problemas graves: a higidez de um banco não depende nem da sua propriedade nem do seu tamanho. O banco público não é muito mais seguro que nenhum banco privado. Mas por uma simples razão: porque banco, por definição, é quebrável.

Quando o sr. diz que o BC não deveria ter dito que o dinheiro era para comprar bancos pequenos, deveria ter dado o dinheiro sem dizer...
Não, deveria ter feito as coisas já de uma vez! Não deveria usar a técnica do conta-gotas. Quando se faz um sistema no qual eu compro a carteira do outro, estou levantando dúvidas sobre essa carteira. É como ter um dinossauro Rex de boca aberta e tem uma galinha que eu estou espantando para a boca do dinossauro.

Hoje sofremos o risco de, ao tentar resolver esta crise, criarmos outra?
Eu acho que hoje as pessoas estão aprendendo. Primeiro, porque se não fosse o Brown (Gordon Brown, primeiro-ministro britânico), o Paulson estava até hoje procurando a causa do problema. Com sua intuição inglesa, Brown disse: "Não, o problema é do capital. O problema veio da alavancagem que vocês fizeram." Nunca houve uma coordenação mundial como está havendo. Se tudo funcionar mais ou menos, essa crise deve ser menor do que seria sem a intervenção do governo e mais rápida do que seria sem ela.

Mas o sr. não avalia que a crise financeira será tão forte no Brasil como está sendo para o resto do mundo?
A crise americana vem vindo desde o começo de 2007. No Brasil, não. É uma crise datada. Vinha se desarrumando e, quando o Paulson faz a barbeiragem no Lehman, desaba tudo. Ou seja, ele matou o fator catalítico, que era a confiança. E no Brasil ocorreu uma função descontínua. É uma crise de confiança que atingiu os bancos lá fora.

Mas houve uma queda na concessão de crédito no Brasil.
Você imagina uma coisa. Chega um grande banqueiro brasileiro no Waldorf-Astoria e encontra com o homem do Citi, na sua importância, para dizer: "Eu ainda não cortei o crédito lá." O homem do Citi diz: "Esse sujeito não faz parte do nosso clube " Agora, nenhum deles fez patifaria aqui, nem sei se por virtude É que aqui tinha formas de ter retorno muito mais seguro e mais alto que com a patifaria.

Com juros?
Então, nós já tínhamos a mais alta taxa e fizemos o maior aumento do mundo. Quando o mundo inteiro reduziu, nós continuamos insistindo na mesma política. Isso tudo, que era um defeito enorme, agora as pessoas dizem que foi uma clarividência É como aquele francês, para quem ofereceram a Brigitte Bardot. Só que hoje ela está com 80 anos!

Se o senhor fosse o presidente do BC, qual seria a taxa ideal de juros?
O Brasil não tem nenhuma razão para ter a maior taxa de juro do mundo. A taxa de equilíbrio é 3%, 3,5%, como é no mundo todo. Com inflação de 5%, poderíamos rodar com 8% nominal. Mas tudo isso é absolutamente irrelevante porque o BC nem tem mecanismo para fazer esse negócio. Então, vamos pensar onde paramos. Paramos por uma questão psicológica. O Lula é o único economista que presta no Brasil porque é o único que está falando a verdade. A intuição dele mostra o seguinte: nós estamos interrompendo o circuito econômico porque, se você não comprar o carro, porque tem medo de ficar desempregado, é certo que você vai ficar desempregado, porque a Volkswagen não faz o carro por medo que não vai ter demanda. E o banqueiro, no final, que pensa que está salvo, ele também vai morrer junto com o sistema.

É como o sr. já comentou que, ao pregar a morte do crédito, os banqueiros acabam se "suicidando"?
Eles se suicidam porque não têm outro remédio. Porque nenhum banco é seguro! E aqui é que vem a segunda crítica à política do BC. Quando ele diz que está dando dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica pra fazer isso ou aquilo, está dizendo o quê? Esses bancos são mais seguros. Isso tudo é um equívoco monumental.

Como o sr. mede a expectativa hoje?
O Lula, com todas as críticas... As pessoas ficam furiosas com o Lula. Porque há, na verdade, um preconceito enorme. A vantagem do Lula é não ter um curso superior.

É uma vantagem?
Sim, não é um prejuízo. Senão ele estava igualzinho aos de curso superior aí dizendo "tá tudo perdido!, "estamos perdidos!", "'sifu' para todos nós!". Então, o que acontece? É uma atitude ingênua, mas que corresponde a uma realidade. O fator principal é restabelecer aquilo que é o cimento da sociedade, que é a confiança.

Em uma entrevista recente, o sr. afirmou que não fazia previsões para 2009...
O que você pode esperar do Brasil? Devido a essas condições, pode-se esperar uma situação um pouco melhor. Não adianta fazer editorial dizendo que o Lula é oportunista, que fala errado. Também ele não vai brigar por conta disso. E dizer que o Lula não conhece física quântica porque ele também prefere não saber física quântica. O que ele conhece é gente. Então, se quatro quintos do Nordeste e dois terços do Sul acreditam no Lula, é porque tem alguma coisa que funciona.

E quanto disso pode se refletir no crescimento do Brasil?
Qualquer número é um chute. A minha convicção é a seguinte: quando o Brasil cresce? Cresce quando cresce mais que o mundo.

O sr. não pensa em voltar para o governo?
Você está louco! Esquece essas coisas. Deixa eu te contar. Hoje é outro mundo. Hoje você precisa de gente e de uma arrumação do governo. Desligou já isso (o gravador)? Não, não tem nada de desligar não, é isso mesmo.
Fonte:O Estadão.

ORIENTE MÉDIO - Carta aberta de Uri Avnery a Barak Obama.

O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz israelense-árabe a partir do primeiro dia. "Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço", diz Avnery.

Redação - Carta Maior

Esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset (Parlamento de Israel), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz:

"As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:

1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.

2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.

3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.

Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.

4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.

5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.

6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.

7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.

8) Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.

9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.

10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.

11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).

12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.

13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:

a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.

b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.

c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.

d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)

e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.

f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.

h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.

14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.

15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.

16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.
Fonte:Agência Carta Maior.

REFLEXÕES DE FIDEL - A destruição injustificável do meio ambiente.

SERÁ que a sociedade capitalista pode evitá-la? As notícias que chegam a respeito do tema não são animadoras. Em Poznam, é analisado o projeto que será apresentado em dezembro do próximo ano em Copenhaque, onde se discutirá e aprovará o Convênio que substituirá o de Kyoto.

A Comissão que o elabora é dirigida por Al Gore, o ex-candidato à presidência dos Estados Unidos que foi derrotado fraudulentamente por Bush nas eleições de 2001. Os que o elaboram o Convênio têm todas suas esperanças em Barack Obama, como se ele pudesse mudar o curso da história.

Um exemplo disso, provém do Canadá.

Um artigo da BBC Mundo, intitulado "Febre betuminosa no Canadá", assinala que "a área explorada neste momento é de 420 km², mas o governo de Alberta cedeu às empresas petroleiras quase 65 mil km². A área de reservas exploráveis é de 140 mil km², mais ou menos o tamanho do estado da Flórida.

"Do ar, pode ver-se como as minas transformaram a floresta numa paisagem luar, de crateras e lagos com enormes colunas de fumaça, que criam enormes nuvens na atmosfera. Tudo isto acontece numa região longínqua de Alberta."

Noutro trecho, o artigo afirma: "…os principais atores neste momento são Suncor, Syncrude e um consórcio liderado pela Shell, porém há cada vez mais investidores estrangeiros interessados em entrarem nesse negócio."

"…a falta de resposta por parte do governo significa que não se fez o suficiente para contra-arrestar os efeitos no ambiente."

"…o Conselho do Câncer de Alberta tem previsto a publicação de um relatório sobre o tema no começo deste ano; 500 patos que chegaram a uma poça de lava em Syncrude morreram… O governo abriu um processo. Seja qual for o resultado dessas investigações, parece que a oposição à exploração das areias betuminosas vai continuar crescendo."

El País, jornal espanhol, divulga que "…as estimativas do organismo dependente da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos — OCDE — tomam como ponto de partida os prognósticos do FMI, que apontam para uma paulatina recuperação da economia global a partir do segundo semestre de 2009, quando a produção mundial de petróleo atingirá 86,3 milhões de barris diários".

Esse mesmo jornal espanhol publica que "o diretor do Departamento de Mudança Climática da China deseja deixar bem claro que Beijing apenas limitará suas emissões, em troca de muito investimento e patentes de tecnologia limpa. Sua assinatura é imprescindível para que os 187 países reunidos na cidade polonesa avancem num protocolo que substitua o de 1997. Obama atrasa 20 anos a luta contra a mudança climática."

Outro telex da agência Notimex, datado em 13 de dezembro, explica que "…a colossal fraude de Wall Street, feita pelo ex-chefe da empresa Nasdaq, Bernard L. Madoff, causa perdas milionárias na Espanha", segundo salientou hoje o jornal Expansión, especializado em assuntos econômicos.

"…Nesta sexta-feira um dos maiores escândalos em Wall Street" — prossegue o telex — "foi descoberto depois de ser apreendido o ex-chefe da empresa Nasdaq, Bernard L. Madoff, por participar de uma fraude com um fundo de investimento que pode atingir US$50 bilhões."

"…Madoff, ex-presidente e fundador do Nasdaq Stock Market, foi detido na noite de quinta-feira, depois que o filho denunciou perante as autoridades federais que seu pai levava o que qualificou como ‘enorme fraude piramidal’.

"…Sob este esquema, apenas os primeiros investidores vão obter lucros de seus investimentos, deixando o resto com perdas que, conforme a Procuradoria Federal em Nova Iorque, poderiam alcançar a cifra acima referida."

Outra notícia da agência Reuters, com a mesma data, salienta: "…O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, está considerando um plano para reativar a economia do país, que poderia ter um valor ainda maior que as estimativas prévias…, disse no sábado o Wall Street Journal.

"…Os assessores de Obama, que, até há duas semanas, estavam analisando um pacote de US$500 bilhões, agora consideram US$600 bilhões (por ano) durante dois anos, ‘uma estimativa no patamar muito baixo’ do que se necessita, informou o jornal.

"…O montante fiscal do plano seria de US$1 trilhão durante esse período, em face da deterioração da economia.

"...Membros da equipe de Obama evitaram referir-se aos artigos de imprensa que especulam sobre o montante do eventual pacote que o democrata lançará em 20 de janeiro, assim que assumir a presidência dos Estados Unidos."

O contexto piora mais, quando as informações chegam através das agências de notícias anunciando todo tipo de problemas, que abrangem desde a falência da indústria automobilística, derivada da crise financeira, até os desastres naturais, incluindo o custo crescente dos alimentos, a fome, a guerra e outros muitos acontecimentos.

O problema é que não mais existe espaço habitável no nosso planeta para distribuir. O último foi a Austrália, da qual o Reino Unido se apoderou em 19 de janeiro de 1788.

Há muito, o meio ambiente está comprometido. Será que nossa espécie conseguirá ultrapassar essa barreira?
Fonte: Gramna Internacional.

BOLÍVIA - Expulsão de embaixador desmantelou conspiração.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta terça-feira (30) que a expulsão do embaixador americano do país, Philip Goldberg, permitiu desmantelar uma conspiração contra seu governo.

Goldberg foi declarado persona non-grata por Morales em setembro, acusado de fomentar os violentos protestos realizados em departamentos (estados) no leste do país, governados pela oposição. Naquela ocasião, mais de 15 camponeses foram assassinados no departamento de Pando.

"Depois de suportar esta arremetida da direita, do império, eu não hesitei no momento de decidir que o embaixador dos Estados Unidos devia ir embora", disse Morales, que fez hoje um balanço de sua gestão em 2008. O presidente reiterou que Goldberg "dirigia uma conspiração contra a democracia e, portanto, contra o governo".

Depois de expulsar o embaixador, Morales anunciou ainda a suspensão das atividades da agência americana antidrogas (DEA), que teve seu escritório fechado no país.

Em retaliação, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, expulsou o embaixador boliviano de Washington, Gustavo Guzmán, colocou a Bolívia na lista de países que "não combatem o narcotráfico de maneira satisfatória" e não renovou a Lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas (ATPDEA), por meio da qual a Bolívia podia exportar produtos têxteis e manufaturados ao mercado americano livre de tarifas.

Morales qualificou a decisão tomada por Washington como "vingança política" e já disse, em outras ocasiões, esperar que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que assume no dia 20 de janeiro, reveja a suspensão das vantagens tarifárias.

Sobre as perspectivas para 2009, Morales destacou o referendo de aprovação da nova Constituição do país, marcado para 25 de janeiro. "Temos para o próximo ano muitas responsabilidades de caráter democrático", disse ele, que também deu ênfase "à necessidade de dar segurança à população e lutar contra o narcotráfico e a corrupção".
Fonte:Site O Vermelho.

BEATLES - McCartney diz que foi o responsável por politizar os Beatles.

Paul McCartney revela que não foi John Lennon, mas ele mesmo, o responsável de politizar os Beatles e de fazê-los ver que a Guerra do Vietnã era um erro.

Em entrevista que sairá em janeiro na revista Prospect, McCartney, de 66 anos, muda totalmente o que se sabia até agora sobre o interesse do grupo musical pelo conflito bélico e a idéia de que o mais politizado era Lennon. Segundo o ex-beatle, foi ele que convenceu Lennon a se opor à Guerra do Vietnã em 1968, quando a banda de Liverpool gravou a música Revolution.

McCartney afirma que começou a se dar conta do conflito por causa de uma reunião que teve em Londres com Bertrand Russell (1872-70), escritor, filósofo, matemático e pacifista britânico que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1950.

Russell ''era fabuloso. Falou da Guerra do Vietnã, a maioria de nós não sabia sobre isso, ainda não estava nos jornais, e também (me disse) que era uma guerra muito ruim'', disse McCartney em sua entrevista, antecipada nesta segunda-feira (15) pelo jornal The Sunday Times.

''Lembro-me de ir outra vez ao estúdio (de gravação), naquela tarde ou no dia seguinte, e falar aos meninos, particularmente a John Lennon, sobre esta reunião e dizer como esta guerra era ruim'', ressaltou McCartney.

Segundo ele, o grupo ignorou os pedidos de seus representantes para que evitassem mencionar o Vietnã quando estivessem nos Estados Unidos. ''Certamente, falamos disso o tempo todo, e dissemos que era uma guerra muito ruim. Obviamente, apoiamos o movimento pacifista'', disse.

Se foi McCartney quem politizou os Beatles, foi John Lennon quem manifestou abertamente sua opinião através da música Revolution e o que gravou mais hinos pacifistas, como Give Peace a Chance, ressalta o dominical britânico.

Além disso, McCartney disse que está convencido de que a música pode mudar as coisas, já que as pessoas ouvem o que dizem os músicos famosos, como o caso de Bob Geldof e Bono, que trabalham contra a fome na África.

No entanto, a opinião de McCartney contrasta com a de alguns especialistas nos Beatles, indica o Sunday Times.

Alan Clayson, autor de biografias dos Beatles, acha que McCartney está voltando a escrever a história, ''agora que Lennon não está''.

Spencer Leigh, que escreveu a história do clube Cavern, onde os Beatles começaram em Liverpool, disse que ''tanto Paul quanto John estavam interessados no que acontecia a seu redor, mas, se Paul politizou John, não tenho certeza''.

Tariq Ali, um dos líderes do movimento britânico contra a guerra, admitiu que a afirmação de McCartney é nova, pois, naquela época, não se sabia qual era a opinião dele sobre o Vietnã.

''Foi John Lennon que estava preocupado com a guerra. Ele nunca mencionou McCartney e nunca pensei em pedir (ao segundo) que se unisse a nós'', acrescentou Ali.

Fonte: Efe/Site O Vermelho.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

DAS CINZAS DE GAZA.

Tariq Ali.

Perante o último ataque de Israel, a única opção para o nacionalismo palestiniano é abraçar a solução de um só Estado, a exigência de que o país e os seus recursos sejam divididos equitativamente, na proporção de duas populações que são iguais em tamanho - não 80% uma e 20% a outra, uma desapropriação de tal iniquidade, à qual que nenhum povo que tenha auto-estima jamais se vai submeter a longo prazo.

Por Tariq Ali, publicado no Guardian

O ataque a Gaza, planeado há seis meses e executado no momento certo, tinha em grande medida, como observou correctamente Neve Gordon, o objectivo de ajudar os partidos candidatos à reeleição a vencer as próximas eleições israelitas. Os mortos palestinianos são pouco mais que alimento eleitoral nesta competição entre a direita e a extrema-direita em Israel. Washington, e os seus aliados da União Europeia, perfeitamente cientes de que Gaza estava na iminência de ser atacada, tal como no Líbano em 2006, sentaram-se para ver.

Washington, como é seu hábito, culpa os palestinianos pró-Hamas, com Obama e Bush cantando o mesmo hino da pauta da AIPAC [American Israeli Political Activity Committee, Comité Americano Israelita de Actividade Política, o lóbi judeu nos EUA]. Os políticos da UE, tendo observado o cerco, a punição colectiva a Gaza, o assassinato de civis, etc. (para todos os sangrentos detalhes, leiam o assustador ensaio da académica de Harvard Sara Roy publicado na London Review of Books), estavam convencidos que foram os ataques com foguetes que "provocaram" Israel, mas apelaram aos dois lados a porem fim à violência, sem obter qualquer efeito. A velha ditadura de Mubarak no Egipto e os islamistas favoritos da Nato de Ankara não registaram sequer um simbólico protesto, chamando os seus embaixadores em Israel. A China e a Rússia não pediram uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise.
Diante da apatia oficial, uma consequência deste último ataque será inflamar as comunidades muçulmanas através do mundo e aumentar as fileiras das organizações que o Ocidente afirma estar a combater na "guerra contra o terror".

O banho de sangue em Gaza levanta questões de estratégia mais amplas para ambos os lados, que se relacionam com a história recente. Um facto que é preciso reconhecer é que não há Autoridade Palestiniana. Nunca houve. Os Acordos de Oslo foram um absoluto desastre para os palestinianos, criando um conjunto de guetos desligados e encolhidos sob permanente vigilância de um agente brutal. A OLP, antes a depositária da esperança palestiniana, tornou-se menos que uma pedinte do dinheiro da UE.
O entusiasmo do Ocidente pela democracia termina sempre que os que se opõem às suas políticas ganham eleições. O Ocidente e Israel tentaram de todas as formas garantir uma vitória da Fatah: os eleitores palestinianos rejeitaram o concerto de ameaças e de subornos da "comunidade internacional", numa campanha que viu a detenção rotineira de membros do Hamas e de outros oposicionistas pelo exército israelita, os seus cartazes confiscados ou destruídos, os fundos da UE e dos EUA a serem canalizados para a campanha da Fatah, e os deputados do Congresso dos EUA a anunciar que o Hamas não devia ser autorizado a candidatar-se.
Até a data da eleição foi determinada pela vontade de burlar o resultado. Marcada para o Verão de 2005, foi adiada até Janeiro de 2006 para dar a Abbas tempo para distribuir vantagens em Gaza - nas palavras de um oficial de informações egípcio, "o público vai assim apoiar a Autoridade contra o Hamas".

O desejo popular de que houvesse uma vassourada depois de dez anos de corrupção, intimidação e arrogância sob a Fatah provou-se mais forte que tudo isto. A vitória eleitoral do Hamas foi tratada pelos governantes e jornalistas do mundo atlântico como um sinal deplorável do fundamentalismo crescente, e um golpe temível às perspectivas de paz com Israel. Foram aplicadas pressões financeiras e diplomáticas imediatas para forçar o Hamas a adoptar as mesmas políticas do partido que derrotara pelo voto. Sem compromissos com a combinação de ganância e de dependência da Autoridade Palestiniana, caracterizada pelo auto-enriquecimento dos seus servis porta-vozes e polícias e a sua concordância com um "processo de paz" que só trouxe mais expropriação e miséria à população, o Hamas ofereceu a alternativa de um exemplo simples. Sem ter qualquer dos recursos da sua rival, instalou clínicas, escolas, hospitais, centros de formação profissional e programas de bem-estar para os pobres. Os seus líderes e quadros viviam frugalmente, dentro dos padrões do povo comum.

Foi esta resposta às necessidades do dia-a-dia que conquistou para o Hamas a sua ampla base de apoio, não a recitação diária dos versos do Alcorão. É menos claro até que ponto a sua conduta na segunda Intifada lhe deu um grau adicional de credibilidade. Os seus ataques armados contra Israel, como os da Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, da Fatah, e os da Jihad Islâmica, foram retaliações contra uma ocupação muito mais mortal que antes. Medidos à escala dos assassinatos do exército israelita, os ataques palestinianos foram poucos e espaçados. A assimetria ficou duramente exposta durante o cessar-fogo unilateral do Hamas, iniciado em Junho de 2003 e mantido durante todo o Verão, apesar da campanha israelita de raids e de detenções em massa que se seguiu, na qual cerca de 300 quadros do Hamas foram apanhados na Cisjordânia.

Em 19 de Agosto de 2003, uma autoproclamada célula do "Hamas" em Hebron, desautorizada e denunciada pela liderança oficial, fez explodir um autocarro em Jerusalém ocidental, ao que Israel prontamente respondeu com o assassinato do negociador do cessar-fogo do Hamas, Ismail Abu Shanab. O Hamas, por sua vez, ripostou. Em resposta, a Autoridade palestiniana e os estados árabes cortaram os fundos às suas obras de caridade e, em Setembro de 2003, a UE declarou todo o movimento Hamas como uma organização terrorista - uma antiga exigência de Tel Aviv.

O que realmente distinguiu o Hamas, num combate desigual e sem esperança, não foi o uso de bombistas suicidas, uma prática que contava com muitos competidores, mas a sua superior disciplina - demonstrada pela capacidade de impor um auto-declarado cessar-fogo contra Israel no ano passado. Todas as mortes civis devem ser condenadas, mas como Israel é o seu principal adepto, a hipocrisia euro-americana serve apenas para se desmascarar. A maior marca de assassinatos está no outro lado, brutalmente cravada na Palestina por um exército moderno equipado de jactos, tanques e mísseis, na mais prolongada opressão armada da história moderna.

"Ninguém pode rejeitar ou condenar a revolta de um povo que sofreu a força bruta de uma ocupação militar durante 45 anos", disse o general Shlomo Gazit, ex-chefe de informações militares israelita, em 1993. O ressentimento real da UE e dos EUA em relação ao Hamas é que este sempre se recusou a aceitar a capitulação dos Acordos de Oslo, e rejeitou cada um dos esforços subsequentes, de Taba a Genebra, de dissimular as suas calamidades diante dos palestinianos. A prioridade do Ocidente desde então foi romper a resistência. O corte de fundos à Autoridade Palestiniana foi uma evidente arma para forçar a submissão do Hamas. Outra foi estimular os poderes presidenciais de Abbas - publicamente escolhido para o cargo por Washington, como Karzai foi para Cabul - à custa do conselho legislativo.

Não foi feito qualquer esforço sério para negociar com a liderança eleita dos palestinianos. Duvido que o Hamas pudesse ter sido rapidamente subornado aos interesses ocidentais e israelitas, mas não seria sem precedentes, se acontecesse. A herança programática do Hamas permanece hipotecada à mais fatal fraqueza do nacionalismo palestiniano: a crença de que as escolhas políticas que se lhe apresentam são a rejeição da existência de Israel no todo, ou a aceitação de restos desmembrados de um quinto do país. Da fantasia maximalista do primeiro ao patético minimalismo do segundo, o caminho é muito curto, como a história da Fatah mostrou.

O teste para o Hamas não é se pode ser domesticado para a satisfação da opinião ocidental, mas se pode romper com esta tradição paralisante. Logo depois da vitória eleitoral do Hamas, um palestiniano perguntou-me em público o que eu faria no lugar deles. "Dissolvia a Autoridade Palestiniana", foi a minha resposta, "e punha fim à fantasia". Fazê-lo iria situar a causa nacional palestiniana na sua base correcta, com a exigência de que o país e os seus recursos sejam divididos equitativamente, na proporção de duas populações que são iguais em tamanho - não 80% uma e 20% a outra, uma desapropriação de tal iniquidade, à qual que nenhum povo que tenha auto-estima jamais se vai submeter a longo prazo. A única alternativa aceitável é um só Estado tanto para judeus quanto para palestinianos, no qual as extorsões do sionismo sejam reparadas. Não há outro caminho.

E os cidadãos israelitas podiam ponderar as seguintes palavras de Shakespeare (no "Mercador de Veneza"), que alterei ligeiramente:

"Sou um palestiniano. Os palestinianos não têm olhos? Os palestinianos não têm mãos, órgãos, dimensões, sentidos, inclinações, paixões? Não ingerem os mesmos alimentos, não se ferem com as armas, não estão sujeitos às mesmas doenças, não se curam com os mesmos remédios, não se aquecem e refrescam com o mesmo Verão e o mesmo Inverno que aquecem e refrescam os judeus? Se nos espetardes, não sangramos? Se nos fizerdes cócegas, não rimos? Se nos derdes veneno, não morremos? E se nos ofenderdes, não devemos vingar-nos? Se em tudo o mais somos iguais a vós, teremos de ser iguais também a esse respeito... Hei-de por em prática a maldade que me ensinastes, sendo de censurar se eu não fizer melhor do que a encomenda."1

Tradução de Luis Leiria

1A passagem original de "O Mercador de Veneza" é a seguinte: "E tudo, por quê? Por eu ser judeu. Os judeus não têm olhos? Os judeus não têm mãos, órgãos, dimensões, sentidos, inclinações, paixões? Não ingerem os mesmos alimentos, não se ferem com as armas, não estão sujeitos às mesmas doenças, não se curam com os mesmos remédios, não se aquecem e refrescam com o mesmo verão e o mesmo inverno que aquecem e refrescam os cristãos? Se nos espetardes, não sangramos? Se nos fizerdes cócegas, não rimos? Se nos derdes veneno, não morremos? E se nos ofenderdes, não devemos vingar-nos? Se em tudo o mais somos iguais a vós, teremos de ser iguais também a esse respeito. Se um judeu ofende a um cristão, qual é a humildade deste? Vingança. Se um cristão ofender a um judeu, qual deve ser a paciência deste, de acordo com o exemplo do cristão? Ora, vingança. Hei de por em prática a maldade que me ensinastes, sendo de censurar se eu não fizer melhor do que a encomenda."
Fonte: Blog Esquerda.net.

DOIS TEMPOS EM UM

Marina Silva
De Brasília (DF)

Os ritos de final de ano estão cada vez mais sofisticados. As grandes cidades do mundo rivalizam no deslumbramento de suas festas e na duração dos espetáculos pirotécnicos, multidões se juntam em praias e praças, muitos bebem, outros oram. Ninguém quer estar sozinho, embora muitos o estejam, até sem saber. A data é de uma capacidade mobilizadora incomum, embora seja um corte imaginário no suceder dos dias.

Sob a euforia da contagem regressiva dos segundos, os sentimentos são os mais variados e nem sempre alegres, apesar do aspecto externo jubiloso do momento. Mas certamente todos comemoram mais um ano vivos, com mais uma chance de estar, de fazer ou de ser algo indizível, que está no íntimo de cada um.

Em qualquer cultura ou local, a humanidade rende-se atavicamente à simbologia e, à sua maneira, reverencia o passar do tempo. Lembro-me com muito carinho dos finais de ano no seringal Bagaço, no Acre. Antes é preciso explicar que seringal é uma grande área dentro da floresta, dividida em colocações. Cada colocação é formada pela casa onde vive a família do seringueiro e um conjunto de "estradas de seringa", ou seja, trilhas ao longo das quais se identificam seringueiras nativas para a retirada do látex.

Na minha infância, o seringal tinha um dono - o seringalista - que comprava o produto dos seringueiros, mas, ao mesmo tempo, os mantinha em regime quase de escravidão graças ao sistema de aviamento. Nele, o dono fornecia equipamento, mantimentos e outros produtos de primeira necessidade a um preço tão absurdo que, por mais que trabalhassem, os seringueiros praticamente nunca viam a cor do dinheiro. Sua dívida era quase sempre maior do que o ganho com a venda da borracha.

Na noite de 31 de dezembro a família ficava acordada no terreiro da casa até meia-noite, o que era uma absoluta exceção. Como nos levantávamos em torno de 4 da manhã para o trabalho na seringa, às sete da noite já estávamos dormindo. Então esse dia era especial, principalmente para a criançada, mas demandava um grande esforço para esperar a meia-noite.

Meu pai inventava brincadeiras que nunca esqueci. Quando coincidia de ser noite de lua cheia, ele organizava dois times de futebol. Dos oito filhos, sete eram mulheres e o irmão caçula era muito novo para jogar. Meu pai e uma goleira formavam um time. No outro, ficava o resto da mulherada. A bola de látex puro, feita por ele mesmo, quicava muito, o que só aumentava a diversão.

Também fazíamos fogueira. Além de iluminar, servia para assar macaxeira e milho. Quando dava meia noite, meu pai ia para o canto mais distante do terreiro e dava um tiro de pólvora e espoleta com sua espingarda 12. Quando a situação estava melhor e o custo da comemoração podia ser um pouco maior, eram 12 tiros, um para cada mês. E a gente escutava ao longe os tiros das outras colocações, comemorando a passagem do ano.

Aí íamos dormir e a rotina recomeçava sem nenhum imprevisto. Ninguém fazia planos para o ano novo. Tudo estava delineado: cuidar da roça de subsistência; no tempo da castanha, fazer a colheita; cuidar para a chuva não apodrecer o milho, fazer a extração do látex. Mudar de um ano para outro não fazia muita diferença. Era um prolongamento quase previsível, como se fosse um ano eterno.

Depois, quando entrei na adolescência, passei a alimentar sonhos de ir para a cidade estudar. Achava também que lá encontraria solução para meus problemas de saúde. Comecei então, secretamente, a sair da rotina e a querer um "ano que vem" diferente, a criar certa expectativa de uma grande mudança de vida que, na minha imaginação, aconteceria a partir de setembro.

Na cultura do seringal, setembro é o mês para as coisas boas acontecerem. Decisões importantes são deixadas para setembro, casamentos são marcados geralmente para esse mês. Não sei exatamente o porquê. Talvez porque nessa época ainda dá para se locomover com certa facilidade, antes do advento das chuvas mais pesadas. Talvez porque é a época do fim da safra da borracha, o momento de fazer as contas e e verificar o saldo. Era comum as pessoas dizerem: "se eu tirar saldo em setembro, vou me casar". Ou: "vou pra cidade registrar as crianças". Ou ainda: "vou voltar pro Ceará", lugar de origem de minha família e de muitos seringueiros.

Nos meus planos, em setembro eu teria coragem para pedir ao meu pai autorização para ir embora, estudar na cidade. Fui para Rio Branco exatamente em setembro, com 16 anos. No início fiquei em casa de parentes, arranjei um emprego de empregada doméstica e tudo aconteceu muito rápido. Estava tão ansiosa por aprender que fiquei um mês no Mobral e saí alfabetizada. Em outubro fui transferida para a educação integrada. Em dezembro fiz as provas correspondentes às quatro séries do antigo primário.

Setembro para mim ainda era um marco muito forte. Tudo de importante em minha nova vida, eu planejava para acontecer em setembro. Depois, essa relação foi ficando mais rarefeita e hoje as demandas são para a próxima hora. Mas reconheço em minhas lembranças a força da identidade, das raízes que sempre estarão comigo e me dirão, onde quer que esteja, quem eu sou.

Trago dentro de mim um tempo cindido, o tempo da cidade que corre com a velocidade do agora e o tempo do seringal que anda no ritmo das pisadas ao longo das curvas dos rios e das infindáveis restingas em meio à floresta.

Que a gente seja capaz sempre de conciliar esses tempos internos dos anos que passaram e aqueles que vêm com a velocidade do futuro. Feliz ano novo a todos e que Deus nos dê sabedoria para viver o milagre do sonho na realidade.
Fonte: Terra Magazine.

CRISE FINANCEIRA - A solução é a eutanásia da economia fictícia.

Por Jorge Nascimento Rodrigues.

A solução para a crise actual só poder ser a “eutanásia” da economia fictícia que se apoderou da economia global, afirma-nos Michael Hudson, de 70 anos, professor na Universidade do Missouri, onde dirige o Instituto para o Estudo das Tendências Económicas de Longo-Prazo.Hudson concedeu uma entrevista que publicamos em inglês integralmente.

As medicinas que andam a ser aplicadas nos Estados Unidos e na Europa apenas alimentam o ‘monstro’. A própria mentalidade popular continua a acreditar na mesma ficção de riqueza, diz-nos o historiador económico, autor de livros como o ‘Superimperialismo’ (1972) e ‘A fractura global’ (1977).

Hudson, um economista da contracorrente, foi ao baú da história económica buscar a célebre expressão de John Maynard Keynes sobre a necessidade da “eutanásia dos que vivem de rendas” (do «rentier», a expressão francesa que fez escola para este protagonista financeiro), uma operação política que o célebre economista inglês via como “gradual” na época em que escreveu a sua obra-prima, a ‘Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda’ (1936). Por rendas, os economistas entendem não a noção comum de renda ligada ao arrendamento de bens duráveis, imobiliários ou de capital fixo, mas as margens ganhas derivadas de poder monopolista de mercado, de outras formas de benefício político alterando a concorrência ou de operações financeiras sem qualquer ligação à economia real.

Matemática de plástico e risco

Ao contrário de Keynes que via neste sistema de rendas “uma fase transitória do capitalismo”, a realidade tem sido madrasta. “Os Estados Unidos e a Europa prosseguiram teimosamente uma política de bolhas”, diz Hudson, que prepara um livro precisamente com o título ‘A Economia Fictícia’. A dívida disparou a tal ponto que deixou de ter qualquer suporte realista para o seu pagamento futuro – a pirâmide de derivados está avaliada em 500 biliões de dólares, quase 8 vezes o valor anual em dólares da economia mundial.

Alimentou-se essa euforia com “uma matemática de plástico”, diz o historiador económico. A chamada criatividade financeira das instituições da Wall Street, da City londrina e de outros locais do mundo serviu para desenvolver até ao extremo um sistema de rendas, baseado na obtenção de rendimentos sobre operações financeiras em pirâmide. O resultado de uma tal acumulação de excessos só poderia ser o que ocorreu com o «crash» de 2007/2008, com uma volatilidade jamais vista nas bolsas, e com uma crise profunda na economia real, a maior desde os anos 1980. Por isso, Hudson é de opinião que esta crise tem problemas “estruturais” e que é a pior do pós-guerra. Em suma, como diz Hudson, “tal economia beneficiou alguns à custa de espalhar um risco incalculável por toda a economia e o geral da população”.

O historiador teme que a Europa esteja numa situação mais complicada do que os Estados Unidos, em virtude da bomba financeira ao retardador que tem nas economias do Leste e devido às suas reservas em divisas estrangeiras (em terceiro lugar, depois da China e do Japão) estarem em dólares (555 mil milhões).
Fonte:Blog Janela na Web.

SAÚDE - Beber pouco pode reduzir risco de Alzheimer.

Por Redação, com BBC - de Londres

Consumir bebidas alcoólicas em moderação reduz o risco de desenvolvimento do mal de Alzheimer e de outros distúrbios de perda cognitiva, segundo pesquisadores em Chicago.

Os cientistas revisaram 44 estudos da década de 90 e constataram que pessoas que consumiam vinho, cerveja e destilados em moderação apresentavam menor risco de desenvolver demência do que abstêmios.

Poucos estudos diziam que o risco de desenvolver a doença tinha aumentado.

- O álcool é uma faca de dois gumes - disse Michael Collins, neurocientista e professor da Escola de Medicina Stritch da Universidade Loyola, e que liderou a pesquisa divulgada na revista Alcoholism: Clinical and Experimental Research "Demais faz mal. Mas um pouco pode, na verdade, ser útil."

Ingestão moderada de bebida alcoólica geralmente é definida como uma dose ou menos por dia para mulheres e de uma a duas ou menos por dia para homens.

- Os danos patológicos e vasto caos social originários do vício e do abuso de álcool são bem conhecidos, e precisam continuar a receber atenção prioritária de médicos, pesquisadores e outros profissionais da saúde - escreveu Collins. "Mas o consumo responsável de leve a moderado de álcool parece trazer determinados benefícios à saúde."
Fonte:jornal Correio do Brasil.

DO CUIDADO COM AS PALAVRAS.

Paulo Coelho.
Do cuidado com as palavras
Postado por Paulo Coelho em 30 de Dezembro de 2008 às 00:05

Quantas dizemos para alguém: “puxa, faz tempo que não discuto com fulano”. Ou: “nunca mais tive uma gripe”. E, de repente, no dia seguinte, pegamos uma gripe ou discutimos com fulano.

Então concluímos: se falamos as coisas boas que acontecem conosco, isto traz má sorte.

Nada disso. Na verdade, a Alma do Mundo - antes de qualquer problema - sempre nos mostra quanto tempo ficamos sem nos aborrecer com determinada coisa. Ela quer nos dizer como a vida tem sido generosa até aquele momento - continuará sendo, se superarmos com bravura o obstáculo.

Mantenha as palavras positivas no ar. Elas vão lhe ajudar a crescer em qualquer dificuldade.
Fonte:Blog Paulo Coelho.

SARAMAGO DENUNCIA ISRAEL.

GAZA

Por José Saramago

A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho.

Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende.

Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.
Fonte:RS Urgente.

CARTA DE SÃO FRANCISCO AOS GOVERNANTES DOS POVOS.

Leonardo Boff.

Quase no final de sua vida, Francisco de Assis escreveu uma carta aberta aos governantes dos povos. Mais de mil franciscanos, vindos do mundo inteiro, reunidos em Brasília em meados de outubro, tentaram reescrevê-la. Dei minha colaboração, proibida pelo bispo local, nestes temos:

“A todos os chefes de Estado e aos portadores de poder neste mundo, eu Frei Francisco de Assis, vosso pequenino e humilde servo, lhes desejo Paz e Bem.

Escrevo-vos esta mensagem com o coração na mão e com os olhos voltados ao alto em forma de súplica.

Ouço, vindo de todos os lados, dois clamores que sobem até ao céu. Um, é o brado da Mãe Terra terrivelmente devastada. E o outro, é a queixa lancinante dos milhões e milhões de nossos irmãos e irmãs, famintos, doentes e excluídos, os seres mais ameaçados da criação.

É um clamor da injustiça ecológica e da injustiça social que implora urgentemente ser escutado.

Meus irmãos e irmãs constituídos em poder: em nome daquele que se anunciou como o “soberano amante da vida”(Sabedoria 11,26) vos suplico: façamos uma aliança global em prol da Terra e da vida.

Temos pouco tempo e falta-nos sabedoria. A roda do aquecimento global do Planeta está girando e não podemos mais pará-la. Mas podemos diminuir-lhe a velocidade e impedir seus efeitos catastróficos.

Não queremos que a nossa Mãe Terra, para salvar outras vidas ameaçadas por nós, se veja obrigada a nos excluir de seu próprio corpo e da comunidade dos viventes.

Por tempo demasiado nos comportamos como um Satã, explorando e devastando os ecossistemas, quando nossa vocação é sermos o Anjo Bom, o Cuidador e o Guardião de tudo o que existe e vive.

Por isso, meus senhores e minhas senhoras, aconselho-vos firmemente que penseis não somente no desenvolvimento sustentável de vossas regiões. Mas que penseis no planeta Terra como um todo, a única Casa Comum que possuímos para morar, para que ela continue a ter vitalidade e integridade e preserve as condições para a nossa existência e para a de toda a comunidade terrenal.

A tecno-ciência que ajudou a destruir, pode nos ajudar a resgatar. E será salvadora se a razão vier acompanhada de sensibilidade, de coração, de compaixão e de reverência.

Advirto-vos, humildemente, meus irmãos e irmãs, que se não fizerdes esta aliança sagrada de cuidado e de irmandade universal deveis prestar contas diante do tribunal da humanidade e enfrentar o Juízo do Senhor da história.

Queremos que nosso tempo seja lembrado como um tempo de responsabilidade coletiva e de cuidado amoroso para com a Mãe Terra e para com toda a vida.

Por fim, irmãos e irmãs, modeladores e modeladoras de nosso futuro comum: recordeis que a Terra não nos pertence. Nós pertencemos a ela pois nos gestou e gerou como filhos e filhas queridos. Custo aceitar que depois de tantos milhões e milhões de anos sobre esse planeta esplendoroso, tenhamos que ser expulsos dele.

Pela iluminação que me vem do Alto, pressinto que não estamos diante de uma tragédia cujo fim é desastroso. Estamos dentro de uma crise que nos acrisolará, nos purificará e nos fará melhores. A vida é chamada à vida. Nascidos do pó das estrelas, o Senhor do universo nos criou para brilharmos e cantarmos a beleza, a majestade e a grandeza da Criação que é o espaço do Espírito e o templo da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Se observardes tudo isso que Deus me inspirou para vos comunicar em breves palavras, garanto-vos que a Terra voltará novamente a ser o Jardim do Éden e nós os seus dedicados jardineiros e cuidadores”. Assinado F. de Assis.
Fonte:Blog Envolverde.

CUBA - Um amor que os anos não apagam.

SUSANA SALVADOR.
em Havana.

A jornalista viajou para Cuba com visto de turista
Havana. Há meio século, Fidel Castro liderava os guerrilheiros para a vitória, depois de três anos de luta na Sierra Maestra. Hoje, os cubanos ainda apoiam a revolução, mas vivem com esperança de que o futuro será melhor. Raúl Castro prometeu mudanças e Cuba está à espera. Amanhã: o turismo como motor económico da ilha
Marisa tinha 17 anos quando os barbudos liderados por Fidel Castro entraram triunfantes em Havana. Apesar de ser oriunda de uma família burguesa, abraçou a revolução que prometia acabar com as desigualdades sociais na sua ilha. "Foi um amor à primeira vista", diz hoje esta antiga historiadora de olhos azuis, que revela aos turistas as histórias dos bastidores do Hotel Nacional de Cuba. Um amor que, como qualquer outro, teve os seus momentos bons e maus, mas que agora celebra as suas bodas de ouro. "Há dificuldades, não vou dizer que não, mas é tudo por causa do bloqueio."

No pequeno parque na esquina da calle San Rafael com a Avenida de Itália, no degradado centro de Havana, Eloy e Juan discutem, como sempre, as novidades do dia. O primeiro olha com desconfiança para a estrangeira que acaba de se sentar no banco, mas o segundo vê com bons olhos a possibilidade de trocar dois dedos de conversa com uma portuguesa, uma quebra à rotina de reformado.

Tem "novio"? A pergunta sobre a existência ou não de um namorado costuma ser a terceira ou quarta que os cubanos fazem e Juan, de 64 anos, não é excepção. Este antigo mecânico divorciou-se há alguns anos da mulher, com quem teve sete filhos. "Dois vivem nos EUA", diz orgulhoso com um sorriso que revela já a falta de alguns dentes. Ao lado, Eloy, uns anos mais velho, participa na conversa apenas com monossílabos. O medo ainda está presente na sociedade cubana e nunca se sabe quem pode estar à escuta.

Tal como Marisa e a maioria dos cubanos, Juan repete o discurso oficial quando diz que a situação é culpa dos "imperialistas" e do embargo decretado na década de 1960. "Nós queremos fazer negócios com os outros países, mas os americanos não deixam. Descobrem e pressionam as empresas para que desistam", acrescenta, para logo depois se congratular com o apoio recebido do líder venezuelano Hugo Chávez: "A Venezuela é como uma família para Cuba."

Juan tinha 14 anos quando se deu a revolução, mas não gosta de se lembrar daqueles tempos - não do que veio depois, mas do que ficou para trás. "Ui, aqui em Havana era muito mau. Havia tortura, mortes..." Noutro canto da cidade, Che recorda como a polícia do ditador Fulgencio Batista (que fugiu de Havana a 1 de Janeiro de 1959, abrindo assim caminho à vitória dos barbudos que tinham desembarcado três anos antes do Granma) prendia os jovens por "tudo e por nada". O antigo guerrilheiro argentino, a quem roubou a alcunha, é o seu herói.

Na colonial Habana Vieja, este homem de 63 anos e uma longa barba posa para as fotografias dos turistas em troca de alguns pesos. Che lembra-se "como se fosse ontem" de ver entrar Fidel em Havana, última paragem da Caravana da Liberdade. "El Comandante chegou num tanque, com Fidelito ao lado". "E depois?", perguntamos. "Depois, tudo mudou... para melhor."

Saúde e educação são os aspectos que os cubanos mais gostam de destacar, quando é para referir as vitórias da revolução. Mas mesmo nestes sectores, a situação já não é a que era. Nos últimos anos, a ilha "exportou" médicos e professores para outros países da América Latina e do mundo, acabando por ficar com falta de profissionais. Mal pagos, estão sujeitos às pressões de todo o lado: quer isso signifique ganhar a vida a guiar um táxi ou receber dos alunos um pequeno suborno para garantir as boas notas.

Nos hospitais, os cubanos não pagam, mas muitas vezes faltam os materiais: "Um dia, precisei fazer uma radiografia e não foi possível", diz Yuan, de 30 anos, tantos quantos os do seu Fiat 500 que é preciso empurrar para pôr a funcionar. "Ou então, vamos à farmácia oficial do Estado e não há o remédio que procuramos, mas ao lado, na farmácia para os estrangeiros, já há", acrescenta, enquanto conduz pelo trânsito caótico de Havana.

Miriam, de 21 anos, dá graças a Deus pelos acontecimentos de há 50 anos. "Se não fosse a revolução, eu não podia estudar. Os meus pais não têm recursos", diz, sentada na escadaria em frente à Universidade de Havana. A nova geração de cubanos, que cresceu a ouvir louvar o regime, está dividida em relação ao futuro. Por um lado, estão confiantes nas mudanças iniciadas por Raúl Castro, mas por outro querem que estas ocorram mais rapidamente.

"Não acredito no fim do sistema, mas acredito numa abertura", explica Ariel, um mulato de 20 anos, colega de Miriam no curso de Alimentação. "Há muita coisa boa que a revolução nos dá. Em vez de criticarmos tudo, devíamos contribuir para a discussão, para as mudanças que já estão a acontecer", acrescenta, sob o olhar aprovador dos amigos. Quando a conversa recai no futuro Presidente dos EUA, Barack Obama, os rostos dos dois jovens iluminam-se de esperança. Ao contrário dos mais velhos, acreditam que o "embargo" é só uma desculpa usada pelo regime para justificar as dificuldades. E acreditam que Obama já vai ajudar Cuba, permitindo, como prometeu, o envio de remessas e facilitando as viagens dos americanos à ilha.

De volta ao banco de jardim, Juan não se deixa enganar: "Já passaram dez presidentes dos EUA e as coisas nunca melhoraram. Porque é que agora havia de ser diferente?" Frente à secção de interesses de Washington em Havana, na mais famosa avenida cubana, o Malecón, um trabalhador pinta pacientemente cada um dos 138 postes do "bosque de bandeiras", plantado pelo regime para esconder as mensagens ianquis que iluminam o edifício à noite. No dia 1 de Janeiro, os cubanos vão assinalar aqui, na Tribuna Anti-Imperialista, mais um aniversário da revolução que, para o bem e para o mal, continua viva.|
Fonte:DN Online.

COMO ESCAPAR DO FIM DO MUNDO.

Leonardo Boff.

Chegamos a um tal acúmulo de crises que, conjugadas, podem pôr fim a este tipo de mundo que nos últimos séculos o Ocidente impôs a todo o globo. Trata-se de uma crise de civilização e de paradigma de relação com o conjunto dos ecossistemas que compõem o planeta Terra, relação de conquista e de dominação. Não temos tempo para acobertamentos, meias-verdades ou simplesmente negação daquilo que está à vista de todos. O fato é que assim como está, a humanidade não pode continuar. Caso contrario, vai ao encontro de um colapso coletivo da espécie. É tempo de balanço face à catástrofe previsível.

Inspira-nos uma escola de historiadores bíblicos que vem sob o nome de escola deuteronomista, derivada do livro do Deuteronômio que narra a tomada de Israel e a entronização de chefes tribais (juízes). A escola refletiu sobre 500 anos da história de Israel, a idade do Brasil, fazendo uma espécie de balanço das várias catástrofes políticas havidas, especialmente, a do exílio babilônico. Segue um esquema, diria, quase mecânico: o povo rompe a aliança; Deus castiga; o povo aprende a lição e reencontra o rumo certo; Deus abençoa e faz surgir governantes sábios.

Usando um discurso secular, apliquemos, analogamente, o mesmo esquema à presente situação: a humanidade rompeu a aliança de harmonia com a natureza; esta a castigou com secas, inundações, tufões e mudanças climáticas; a humanidade tirou as lições destes cataclismos e definiu um outro rumo para o futuro; a natureza resgatada favorece o surgimento de governos que mantém a aliança originária de harmonia natureza-humanidade.

Ocorre que apenas uma parte deste esquema está sendo vivida: estamos tirando algumas lições dos transtornos globais. Muitos se dão conta de que temos que mudar os fundamentos da convivência humana e com a Terra, organismo vivo doente e incapaz de se auto-regular. Essa mudança deve possuir uma função terapêutica: salvar a Terra e a Humanidade que se condicionam mutuamente. Outros, no entanto, querem continuar pela mesma rota que os conduziu ao desastre atual. O fato é que precisamos escutar aqueles que com consciência da situação nos estão oferecendo as melhores propostas. Eles não se encontram nos centros do poder decisório do Império. Estão na periferia, no universo dos pobres, aqueles que para sobreviver têm que sonhar, sonhos de vida e de esperança.

Uma destas vozes é de um indígena, o Presidente da Bolívia, Evo Morales. Ele escreveu, agora em novembro, uma carta aberta à Convenção da ONU sobre mudanças climáticas na Polônia. Escutando o chamado da Pacha Mama conclama:

"Necessitamos de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. Esta organização tem que contar com mecanismos efetivos de implantação de programas, verificação e sanção para garantir o cumprimento dos acordos presentes e futuros… A humanidade é capaz de salvar o planeta se recuperar os princípios da solidariedade, da complementaridade e da harmonia com a natureza, em contraposição ao império da competição, do lucro e do consumismo dos recursos naturais".

Evo Morales é indígena de um país pobre. Temo que ele conheça o destino da triste história narrada pelo livro do Eclesiastes: "Um rei poderoso marchou sobre uma pequena cidade; cercou-a e levantou contra ela grandes obras de assédio. Havia na cidade um homem pobre, porém sábio que poderia ter salvo a cidade. Mas ninguém se lembrou daquele homem pobre porque a sabedoria do pobre é desprezada"(9,14-15). Que isso não se repita de novo.
Fonte:ADITAL.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

MÍDIA - Veja e Época: revistas refazem a história.

Por Luciano Martins Costa.

As tradicionais retrospectivas do ano que chegam às mãos dos leitores e trazem algumas curiosidades. As duas revistas semanais de informações mais destacadas pela circulação, Veja e Época, optaram pelas notas curtas e muitas fotografias sobre o que seus editores consideram os mais importantes acontecimentos de 2008.

A crise financeira, as Olimpíadas na China e a eleição do futuro presidente Barack Obama nos Estados Unidos dominam o cenário, mas Veja dedicou muitas páginas às mulheres bonitas que protagonizaram escândalos ou que simplesmente apareceram bastante no ano que se encerra.

Difícil explicar como a briga de uma atriz com o namorado, por exemplo, pode ajudar o leitor a entender o que foram esses últimos doze meses.

A questão ambiental, que em 2008 ganhou bastante espaço na imprensa, aparece num mero registro, e os debates sobre sustentabilidade, que chegaram a ocupar um espaço maior depois da eclosão da crise financeira internacional, em setembro, simplesmente desapareceram das lembranças do ano.

Inversão de valores

Lidas cuidadosamente, como ocorre com as revistas de informação que se pretendem influentes, ou folheadas aleatoriamente, como as publicações de amenidades, que não pretendem outra coisa a não ser entreter os leitores, as edições de fim de ano dão na mesma: passam a impressão de que 2008 foi um ano como qualquer outro.

Foi, por exemplo, o ano em que a Polícia Federal bateu recordes de atuação. Foi o ano em que um lustroso banqueiro e empresário, celebrizado na imprensa por sua ousadia no processo de privatização das telecomunicações, acabou na cadeia. Por pouco tempo, é verdade, mas o suficiente para levantar o véu das relações suspeitas entre o dinheiro de origem duvidosa e certas autoridades da República.

Mas o personagem escolhido pela revista Veja para lembrar o episódio foi o delegado federal encarregado do inquérito, acusado de haver cometido abusos durante as investigações.

Resumindo o que a imprensa fez durante o ano, a revista termina 2008 invertendo valores, e estampa o retrato do delegado no lugar do vilão.

***

Bolas de cristal

A imprensa tem publicado, nos últimos dias de 2008, tentativas de adivinhar o que vai acontecer no mundo com a eclosão da crise financeira internacional, que se tornou explícita no dia 15 de setembro. A maioria dos artigos e reportagens destaca a necessidade de mudanças nos hábitos de consumo, especialmente dos cidadãos americanos e europeus. A palavra de ordem é: mais responsabilidade com relação ao dinheiro.

O Globo traz na segunda-feira (29/12) uma reportagem de orientação sobre como proceder diante do cenário de dificuldades – como, por exemplo, pagar à vista sempre que possível e evitar o consumismo.

Diretores de alguns dos principais jornais do país já admitiram que a imprensa andou exagerando no catastrofismo, acabando por antecipar os efeitos da crise internacional no Brasil antes que ela de fato acontecesse. Ainda assim, os números da economia no período natalino estiveram longe de configurar uma recessão.

Por outro lado, a maioria dos especialistas escolhidos pelos editores coincide em prever que o Brasil será um dos países menos afetados pelas turbulências globais.

Ponto comum

Os heróis recentes da globalização, Índia e China, apresentados pela imprensa como exemplos que o Brasil devia seguir, são vistos hoje como países muito vulneráveis.

A China enfrenta o desafio de ter que trocar rapidamente seu modelo exportador pelo incentivo ao consumo interno. No entanto, o crescimento econômico do país nos últimos trinta anos se baseou na extrema exploração da mão-de-obra, e os especialistas têm dúvidas sobre a capacidade de compra do povo chinês.

A Índia, até recentemente apontada como sinônimo de pujança econômica, se vê obrigada a encarar seus milenares problemas sociais e se encontra na iminência de uma guerra com o Paquistão.

Não parece fácil para a imprensa brasileira falar bem do Brasil e é sempre difícil desenhar perspectivas de ano-novo. No entanto, em todas as tentativas de prever o futuro, jornais e revistas acabam coincidindo num ponto: o novo ano será difícil para todos, mas o Brasil pode chegar ao final dele com mais motivos para comemorar do que o resto do mundo.
Fonte: Observatório da Imprensa.

GAZA - Da responsabilidade coletiva de um povo.

As novas atrocidades cometidas pelo estado judeu colocam questões candentes. O bombardeamento indiscriminado da população de Gaza pelos caças F-16 da entidade sionista até agora já provocou quase 300 mortos e 900 feridos. Isto vem na sequência de um sitiamento prolongado, em que se priva aquela população de alimentos, combustíveis e medicamentos. A palavra genocídio tem razão de ser. Ele está a ser efectuado desde há anos. É um genocídio em câmara lenta. A cumplicidade/passividade da União Europeia e dos governos de muitos países árabes (a começar pelo do Egipto) é notória. Mas acima de tudo é notória a conivência de grande parte dos cidadãos de Israel.

Na década de 1930 o cidadão médio da Alemanha podia alegar desconhecimento dos crimes perpetrados pelo nazismo. O aparelho de propaganda hitleriano jamais mencionava o holocausto em curso. A existência dos campos de concentração e dos fornos crematórios era cuidadosamente escondida. Os media da Alemanha nazi nunca mencionavam a existência de tais infâmias.

E o que se passa hoje em Israel? Os crimes do estado sionista são bem conhecidos. A realidade do apartheid é evidente para todos, basta olhar as muralhas que esquartejam a Palestina. Os assassinatos das sinistras polícias políticas de Israel são (em parte) divulgados nos media. As 100 toneladas de bombas já despejadas sobre a população indefesa de Gaza são anunciadas nos jornais israelenses. As perseguições ao espoliado povo palestino (10 mil palestinos presos) são notórias. Por isso – ao contrário do povo alemão dos anos 30-40 – o povo de Israel não pode alegar ignorância. Assim, exceptuando as forças democráticas e progressistas (como o PCI, o Hadash e algumas personalidades dignas) deve-se colocar o problema da responsabilidade colectiva dos cidadãos israelenses que permanecem passivos ou dão apoio (inclusive com o seu voto) a um governo que comete tais atrocidades.

O repúdio à barbárie nazi-sionista deve ser universal. As manifestações contra o massacre já começaram nos EUA e em outros países. O apêlo ao boicote a Israel e ao desinvestimento deve transformar-se em realidade.
Fonte: Blog Resistir.info.

CUBA , REVOLUÇÃO, 50.

De repente chegaram fotos de uns barbudos, posando como time de futebol, que tinham derrubado uma ditadura na América Central (sic – naquela época ainda não existia para nós o Caribe. Era uma região de “repúblicas bananeiras”, como depreciativamente nos referíamos a uma área de ditaduras – Somoza, Trujillo, Batista – como se fosse um fenômeno exótico na América Latina).

Por Emir Sader, em seu blog

Aquela ilha tropical começava a surpreender-nos, a falar de revolução em um continente em que essa palavra era reservada para um fenômeno longínquo – a revolução mexicana – e de que desconhecíamos a revolução boliviana de 1952. Revolução, na verdade, para nós, eram a soviética e a chinesa. De repente, começa a se esboçar uma no nosso próprio continente, no nosso tempo político de vida.

Primeiro, a revolução nos chegava como luta contra o analfabetismo – que passou a representar um elemento essencial da luta emancipatória, a que a Venezuela e a Bolívia viriam a se somar recentemente, como se fossem carimbos de que se trata de processos revolucionários. Depois, as reformas urbana e agrária, as nacionalizações de empresas estrangeiras, mas, sobretudo, o discurso antiimperialista.

Diante das reações da maior potência imperial da historia da humanidade, Cuba passou logo a identificar-se para nós com revolução – nascia a expressão Revolução Cubana, que nos acompanha a 50 anos. Tudo começado em um primeiro de janeiro, o que passou a dar a essa data uma conotação nova – de tempos novos, de que a pomba no ombro do Fidel quando discursava, era um prenuncio seguro.

Desde então, revolução, emancipação, dignidade, justiça, exemplo, solidariedade, internacionalismo – e tantas outras palavras, gestos, comportamentos, passaram a se incorporar a nosso mundo, a servir de norte, de referência e a identificar-se com Cuba. Nada foi igual desde que Cuba passou a expressar diante de nós a todos esses valores. Já não podíamos dizer que não eram possíveis, remetê-los para a utopia, como se não fosse possível a um pais ser pobre e ainda assim justo, ainda assim solidário, ainda assim internacionalista.

Cuba nos trouxe a revolução e o socialismo. O fato de que uma sociedade possa viver não em função do lucro, da ganância, do valor de troca, do mercado, mas das necessidades das pessoas, possa colocar em primeiro lugar a educação, a saúde, a habitação, a cultura – nos aponta o que contrapõe o socialismo ao capitalismo.

50 anos em que Cuba enfrentou as mais difíceis condições – do bloqueio dos EUA às duas tentativas de invasão do país por parte do governo estadunidense, pelo fim do campo socialista, pelas agressões reiteradas do imperialismo, pelo bloqueio e pelas mentiras – do que diz e do que cala – da imprensa monopolista mundial, pelo período especial e pelas catástrofes naturais. Cuba chega a seus 50 anos de Revolução desmentindo os que diziam que não sobreviveria sem o apoio da URSS, aos que se deslocaram para a Ilha para cobrir a suposta queda do regime cubano depois do fim dos regimes do leste europeu, aos que creiam que o país seria afetado pelas maiores convulsões se Fidel deixasse de estar à cabeça do governo.

Cuba chega aos 50 anos soberana, decidindo seu futuro a partir de suas próprias experiências, sem nunca ter deixado de ser solidária e internacionalista, nem nos seus momentos de maiores dificuldades. Ao contrário, a Escola Latino-americana de Medicina expande a quantidade de alunos que formam as primeiras gerações de médicos pobres da América Latina. Mantêm e reforça a Operação Milagre, que já devolveu a visão a mais de um milhão de pessoas. Estende seu trabalho CE combate ao analfabetismo, que possibilitou que a Venezuela e a Bolívia fossem o segundo e o terceiro territórios livres de analfabetismo, como apoio direto e sistemático de Cuba.

São 50 anos de luta, de dignidade, de busca incessante da construção de uma sociedade justa, de apoio aos que precisam de apoio, de solidariedade com todos os povos do mundo. São 50 anos em que Cuba aponta o caminho da sociedade desmercantilizada, humanista, internacionalista – da sociedade socialista, de José Martí, de Fidel e do Che.
Fonte:Site O Vermelho.

O "TRAMBIQUE" DO MADOFF - O paradigma de Ponzi.

por Michael Hudson [*]

Charles Ponzi. Na semana passada o Bom Deus, evidentemente, percebeu que um número insuficiente de pessoas lera a explicação de Hyman Minsky de como os ciclos financeiros acabam em esquemas de Ponzi – a etapa em que os bancos mantêm o boom em andamento emprestando aos seus clientes o dinheiro para pagar juros e assim evitar o incumprimento. Assim, Ele enviou Bernie Madoff para ocupar os noticiários durante uma semana e dar aos mass media oportunidade para informar os leitores de jornais e visionadores de TV como funcionam os esquemas de Ponzi. O que sr. Madoff fez, em resumo, foi o que a economia como um todo tem estado da fazer sob o nome de "criação de riqueza".

Se os media foram capazes de aguardar até tão tardiamente o colapso financeiro da semana passada para apresentar diagramas sobre como os esquema de Ponzi precisam manter-se a crescer exponencialmente, isso é simplesmente porque as más notícias financeiras não são consideradas valiosas na América do Norte. Mas a Europa tem estado a fazer os seus próprios ensaios, encabeçada pela Espanha – a qual, não por coincidência, está agora a experimentar a maior queda imobiliária fora das economias pós-soviéticas.

O melhor estudo de caso verificou-se dois anos atrás. Em 9 de Maio de 2006, a polícia espanhola invadiu 21 casas e escritórios da Afinsa Bienes Tangibles SA, o maior negociante de selos de correio, e uma firma rival, Forum Filatélico. Acusaram onze pessoas de dirigir um esquema pirâmide de US$6,4 mil milhões que (juntamente com a Afinsa) atingiu 343 mil investidores – 1 por cento de toda a população da Espanha, tornando a fraude uma das maiores da história do país.

Quando investidores se afastam da formação de capital tangível e preferem comprar selos de correio e objectos semelhantes uma economia ou está perturbada ou perdeu o seu senso de equilíbrio. Ao contrário da maquinaria e da tecnologia, selos não produzem bens e serviços reais. Desde há muito são impressos e vendidos pelos governos e nunca serão realmente utilizados para postar cartas. Contudo, os selos mostraram-se um grande veículo para atrair poupadores, os quais pensam que comprá-los pode produzir um crescimento de rendimentos exponencial – ou, mais tecnicamente, ganhos de "capital", se pudermos estender a terminologia económica suficientemente longe para chamar de "capital" a uma colecção de selos.

Se o valor resultasse simplesmente da escassez, então todos os selos de correio, moedas e pinturas de mestres pareceriam aumentar quase automaticamente ao longo do tempo, tal como a maior parte da terra. Mas estes troféus de riqueza não promovem a elevação da produção, do consumo ou dos padrões de vida. Como selos não rendem dinheiro empregando trabalho para produzir bens e serviços, os seus ganhos de preço não são nem lucro nem ganhos de capital como se entende no sentido clássico. Eles são o que os economistas chamam de ganhos inesperados.

O esquema espanhol dos selos de correio parece tem levantado voo em 2003, o ano que o governo conservador e favorável ao livre-mercado da Espanha desregulamentou os seguros e a supervisão para fundos de investimento não financeiros. A Afinsa Group comprou os dois terços de controle da casa de leilões de selos e moedas Greg Manning, de Nova Jersey, e fundiu-se com o leiloeiro espanhol Auctentia para criar a Escala, a terceira maior firma de leilões do mundo (após a Sotheby's e a Christie's). A Escala mudou as suas operações para a cidade de Nova York e listou as suas acções no mercado de balcão da Nasdaq. Apesar da tendência letárgica do mercado de acções, os ganhos da companhia mostraram um crescimento tão rápido que em apenas três anos o preço da sua acção subiu de menos de US$5 para US$35, triplicando apenas em 2005.

As compras da Afinsa representavam 70 por cento dos lucros da Escala, graças em grande parte ao facto de que, como seu único fornecedor, a Escala alcavalava os seus selos com uma margem de 1.150 por cento, muito além dos 25 por cento habituais. A Afinsa então estava a registar na sua contabilidade selos pelos quais pagava 58 milhões de euros a €723 milhões, mais de dez vezes os seus valores de catálogo – os quais são ficticiamente altos de qualquer forma, sendo publicados principalmente em benefício dos comerciantes de selos a fim de que possam dar aos seus clientes a ideia de que estão a efectuar uma boa compra. Mas, como explicou o presidente do Forum Filatélico, Francisco Briones, a um repórter do Financial Times de Londres, "era normal cobrar aos clientes preços tão inflacionados devido aos serviços que proporcionavam ... incluindo a custódia e conservação dos selos".

A Afinsa pagava aos seus investidores em selos uma taxa de juros anual de 6 a 10 por cento, superando a maior parte dos rendimentos competidores quando a bolha financeira global pressionava as taxas de juros para baixo. (Os títulos do governo espanhol pagavam apenas 3,5 por cento.) Para aumentar a confiança, a Afinsa dava aos seus clientes cheques pós-datados relativo aos ganhos que eram prometidos. Ela também prometia comprar de volta os selos que vendia, ao preço original. Isto dava uma aparência de liquidez ao normalmente ilíquido mercado de selos, obras de arte e outros bens coleccionáveis, em que comissões de 25 por cento para os leiloeiros são normais. Estas tácticas convenciam a maioria a simplesmente reinvestir o dinheiro para comprar ainda mais selos, os quais a companhia mantinha ostensivamente nos seus escritórios para salvaguarda e preservação.

O dinheiro era despejado ali, dando aos investidores em acções do Escala retornos muito mais elevados do que os clientes compradores de selos estavam a receber nominalmente. Como observou um repórter, por que comprar selos e moedas quando se pode investir em companhias que negoceiam com eles? Mas, uma semana após as prisões, as acções do Escala mergulharam abaixo do US$4 por unidade.

O desenlace verificou-se logo após o Lloyd's de Londres retirar-se de uma apólice de €1,2 mil milhões para segurar os selos da Afinsa. Um dos seus peritos percebeu que se US$6 mil milhões houvessem realmente sido investidos, isto teria comprado todos os selos para investimento no mundo todo muitas vezes. O facto de que os preços dos selos não reflectiam compras tão extraordinárias implicava que poucas transacções de selos de boa fé verificaram-se de todo, e que havia uma super-facturação maciça.

Quando o assunto foi deslindado, a maior parte dos selos da Afinsa não tinha valor como investimento. Isto explicava porque não havia receitas das transacções com a Escala. A polícia descobriu 10 milhões em notas de 500€ ao romper uma parede recentemente camuflada na casa de Madrid do principal fornecedor da Afinsa, Francisco Guijarro. O que não puderam encontrar foram quaisquer recibos para os selos que ele alegadamente comprara. A apesar das margens incrivelmente altas cobradas para cuidar da colecção de selos, as falsificações eram frequentes, como o Lloyd's suspeitara. Concluindo que as facturas que o Senhor Guijarro havia enviado à Afinsa eram apenas uma cobertura para uma operação de lavagem de dinheiro, os promotores acusaram os membros da família e os responsáveis que controlavam a Afinsa de desfalque, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, bancarrota fraudulenta, quebra de confiança e falsificação.

As prisões trazem à memória uma das mais famosas fraudes dos EUA envolvendo selos de correio há 86 anos atrás, em 1920, cometida por Charles Ponzi – o homem que baptizou com o seu nome o esquema da pirâmide. Ele chegou a Boston em 1903 com apenas US$2,50 no bolso. Como não falava bem o inglês, assumiu trabalhos servis. Despedido do emprego de criado de mesa por aldrabar clientes nos trocos, mudou-se para Montreal e tornou-se caixa assistente no banco de um imigrante italiano. Este cresceu rapidamente por pagar o dobro das taxas de juros normais de 3 por cento em contas-poupança, mas fracassou quando os seus empréstimos imobiliários começaram a ir mal. A tentativa do banco de dar a impressão de solvência parecem ter dado a Ponzi a ideia de pagar juros a partir de novas entradas de depósitos ao invés de fazê-lo a partir de rendimentos reais. Enquanto os clientes sentissem que estavam a receber juros regularmente, tendiam a ficar calmos quanto ao capital principal.

Ponzi foi mandado para uma prisão canadiana por falsificação, e depois foi encarcerado em Atlanta por tentar contrabandear imigrantes italianos para os Estados Unidos. Após a sua libertação mudou-se para Boston e conseguiu um emprego num negócio de vendas por catálogo. Um cliente espanhol enviava-lhe pelo correio um coupon de resposta, o qual permitia ao seu possuidor comprar selos em países estrangeiros para o envio de retorno ao invés de utilizar o dinheiro interno para comprar um selo.

Os preços destes coupons estavam ultrapassados, tendo sido reajustados em 1907 pela International Postal Union. A I Guerra Mundial alterou drasticamente as taxas de câmbio, permitindo aos compradores pagarem uma pequena quantia na Grã-Bretanha – ou mesmo menos na Alemanha com a sua divisa desvalorizada – e obter a encomenda de um selo de retorno que era válido nos Estados Unidos.

A margem destas pequenas encomendas postais era grande. Um tostão americano podia comprar encomendas de selos estrangeiros que podiam ser convertidos em seis centavos em selos dos EUA, com um lucro de 500 por cento. O problema era que seria preciso um camião inteiro de tais encomendas para ganhar dinheiro significativo. Um milhão de dólares de investimento envolveria uma centena de milhões de coupons de tostão – os quais teriam então de serem convertido em selos e vendidos em concorrência com o U.S. Post Office, presumivelmente com um desconto, principalmente em vizinhanças de imigrantes.

Enfatizando o principio da arbitragem ao invés de uma implementação laboriosa, Ponzi explicou que podia obter um ganho de 400 por cento após despesas. Ele prometia aos investidores duplicar o seu dinheiro em 90 dias, pretendo considerar os custos e o tempo de transporte da Europa para a América. Quando a sua Securities Exchange Company pagou aos primeiros investidores os altos retornos que ele havia descrito, eles difundiram a notícia junto a outros. O influxo de fundos para Ponzi aumentou de US$5000 em Fevereiro de 1920 para US$30 mil em Março em US$420 mil em Maio. Por volta de Julho, estavam a entrar na sua firma US$250 mil por dia, principalmente de pequenos investidores que deixavam os seus créditos contabilísticos ali para aumentarem ao invés de tomarem o seu dinheiro de volta. Algumas pessoas colocaram as poupanças de toda a sua vida no plano, e até tomaram dinheiro emprestado hipotecando as suas casas.

Ponzi gastou a maior parte do dinheiro consigo próprio, comprando uma mansão e trazendo a sua mãe da Itália. O repórter financeiro Clarence Barron (editor do Barron's) observou que se ele houvesse realmente investido o dinheiro como dizia aos seus investidores que havia feito, Ponzi teria de comprar 160 milhões de coupons de resposta postal. Mas os correios informaram que poucos estavam a ser comprados internamente ou no exterior, e apenas 27 mil estavam a circular nos Estados Unidos.

Agentes federais invadiram os escritórios de Ponzi no mês de Agosto e não encontram quaisquer coupons de resposta postal, assim como a polícia espanhola não encontrou selos de correio aptos para investimento no esquema de 2006. Ponzi foi mais uma vez sentenciado à prisão, mas fugiu e tentou fazer algum dinheiro rápido vendendo imóveis na Florida. Foi logo recapturado e deportado de volta para a Itália em 1934.

O que Ponzi vendia era esperança, aproveitando-se do desejo irrealista das pessoas de acreditar que fora descoberto um novo meio de obter ganhos fáceis, sem limites superiores de por quanto tempo os ganhos podem persistir acima da própria taxa de crescimento da economia. É uma medida de quão duro é obter retornos no mundo de hoje – e portanto, quão pouca esperança precisa ser estimulada – que enquanto Ponzi prometia duplicar o dinheiro investido a cada três meses, o esquema espanhol dos selos pagava apenas 6 a 10 por cento de retorno anual. Nenhuma fraude realmente obtém quaisquer ganhos ou lucros, mas simplesmente paga aos investidores com o novo dinheiro vindo de novos actores. Os novos influxos eram tratados como rendimentos. É assim que funcionam os esquema de pirâmide.

Era quase como se os operadores espanhóis houvessem lido uma das biografias de Ponzi que começaram a aparecer quando observadores perceberam os denominadores comuns entre a bolha financeiro global da década de 1990 e as bolhas primitivas. Estas bolhas apresentavam o contraste clássico entre a riqueza real das nações e o que a imprensa de negócios destes dias chama "criação de riqueza" que toma simplesmente a forma de aumento do preço dos activos – "ganhos de capital", a maior parte dos quais são ganhos no preço da terra.

Não há dúvida que os coleccionadores de selo teriam encarado o aumento dos preços dos selos como criação de riqueza se realmente houvesse ocorrido. Mas tudo o que teria sido alcançado era o inflacionamento dos preços dos velhos selos, tal como as fileiras crescentes de bilionários do mundo estivessem a aumentar preços de pinturas de grandes mestras e de arte moderna, mobiliário de designers e casas com frente para o mar. Se todas as poupanças da economia fossem para Rembrandts e Picassos, o seu preço obviamente dispararia, assim como aplicar US$6 mil milhões em selos postais teria estabelecido níveis mais elevados para os preços dos selos.

O fluxo de fundos para qualquer categoria de activos aumenta os seus preços. Isto é verdadeiro acima de tudo para a terra, uma das necessidades económicas mais universais e medida do status do consumo de luxo. Mas será que isto realmente "cria riqueza"? Será que os preços do mercado reflectem os valores de uso, os padrões de vida e o progresso da civilização.

O requisito característico para tais ganhos de preços é na verdade da escassez, mas não demasiada de forma a que não haja o suficiente para grande número de compradores fazerem um mercado. Se a utilidade psicológica é a chave, "escassez" tem valor apenas para um carácter aquisitivo compulsivo – vício da riqueza. Isto significa ter aquilo que falta a outras pessoas, com conotações de recusa. A maior parte do dinheiro à busca de mera escassez não está a ir para troféus dos novos ricos, mas sim para o mais abundante e também o mais escassos recurso universal: terra. A natureza não está a fazer mais disto. Mas todos precisam de terra para viver, tornando-a o objecto por excelência da poupança pessoal e dos negócios. Mesmo nas economias pós-industriais de hoje, a terra e a riqueza do seu subsolo representam os componentes maiores dos balanços nacionais.

Mas visto que a terra não pode ser fabricada, as poupanças não podem aumentar a sua oferta através do investimento. Isto coloca um problema traumatizante para os economistas. As estatísticas do rendimento nacional contam qualquer dinheiro gasto que não é consumido como poupança. Seguindo John Maynard Keynes, elas definem poupança como igual a investimento. Isto lança as sementes das confusão em relação ao carácter e às pré-condições do crescimento económico. Podemos nós realmente chamar a isto "criação de riqueza" quando a sociedade dirige as suas poupanças meramente para a especulação ao invés de elevar as forças produtivas ou os padrões de vida?

Os economistas clássicos vacilavam em tratar a terra como um factor de produção ou como um direito legal da propriedade para extrair uma portagem (tollbooth) de um dado sítio e cobrar um encargo de acesso tal como um imposto ao utilizador. Um factor de produção contribui para a produção e o rendimento quando mais rendimento é nele investido. Uma propriedade da qual se obtêm rendas reduz o fluxo do rendimento económico. Neste último caso a terra é parte do sistema de propriedade institucional, não o sector de produção da economia com base tecnológica.

O que não se discute é que o imobiliário é altamente político ao nível local. O desenvolvimento urbano tende a ser moldado por negócios de iniciados e os gastos com infraestrutura pública para aumentaram os preços da propriedade local e lobbying para obter baixas avaliações fiscais. É inquestionável que quanto mais economicamente poderosa se tornar uma fonte de riqueza, maior é o seu poder político para fazer lobby em favor de vantagens fiscais especiais. Ao nível nacional, o imobiliário utiliza parte do ser rendimento para apoiar políticos que lhe proporcionam uma ampliação do favoritismo fiscal sobre este rendimento especial.

Na esfera financeira, toda bolha tem sido dirigida por governos. As bolhas precisam ser orquestradas por formadores de opinião, endossadas por responsáveis públicos para dar-lhes uma patina de confiança. A "loucura das multidões" é um eufemismo concebido para afastar a culpa dos governos e transferi-la para o público. Nos Estados Unidos, Alan Greenspan desempenhou o papel de mestre público da bolha de forma semelhante àquele que Walpole desempenhou na bolha do Mar do Sul na Inglaterra e ao de John Law na bolha do Mississipi em França cerca de três séculos atrás, nos anos 1710.

Os balanços de hoje confundem a bolha da riqueza com formação de capital real. "Investimento" tornou-se qualquer coisa que os contabilistas digam que é. De modo que ter activo e valores de dívida dá a deriva para a ficção financeira de hoje. A prática de "marcação pelo mercado" ("marking to market") permite aos contabilistas projectarem ganhos hipotéticos a taxas de juro astronómicas, ou trivializando através da actualização, aplicar funções puramente matemáticas que perderam toda a conexão com taxas de crescimento realistas. O resultado é que o próprio sector financeiro tornou-se desligado da economia "real".

A tragédia do nosso tempo é que a poupança de hoje está a ser divergida por caminhos que estão desligados da formação de capital real, mas que simplesmente acrescentam encargos da dívida e da propriedade à economia.

Suponha-se que Ponzi houvesse realmente comprado International Postal Orders e que as companhias de selos espanholas houvessem realmente investido US$6 mil milhões em selos e moedas raras, fazendo subir o seu preço a fim de criar ganhos para os investidores. A quem venderiam elas, a fim de tomarem os seus ganhos? (Isto é o problema proverbial do "louco maior".) Indo mais directamente ao principal, quão positivo teria sido o vasto efeito económico de tal inflação do preço dos activos?

As bolhas recentes do mercado de acções e do imobiliário são tal como esquemas de pirâmide no sentido de que altear os preços das acções e da propriedade é um influxo exponencial de novo dinheiro de planos de pensão e fundos mútuos (para acções) e de crédito bancário (para imobiliário). Os capitalistas de risco estão a refinanciar-se ("cashing out") enquanto administradores corporativos exercem as suas opções de acções.

Suponha-se que as companhias de empacotamento de hipotecas sejam honestas nas suas avaliações das tendências de preços actuais. A bolha imobiliária, contudo, é especulativa e pós-industrial. A analogia é revelada quando administradores financeiros endossam políticas governamentais que encorajam a inflação de preços para acções e títulos, selos e moedas, Rembrandts e arte moderna com a afirmação de que isto cria riqueza e portanto, por definição, faz avançar os padrões de vida e de cultura.

O que está errado neste quadro? Para começar, ele falha em definir valor como algo distinto do preço, ganhos inesperados e ganhos de capital como distintos do rendimento obtido. Ele também esquece o facto que os preços do mercado sobem e descem, mas que as dívidas permanecem no lugar onde estão. E quando as dívidas não podem ser pagas, as poupanças são destruídas.

Em 9 de Maio de 2006, o preço das acções da Escala caíram pela metade quando a notícia do raid da polícia difundiu-se. Na sexta-feira a sua acção havia caído quase 90 por cento. Na segunda-feira saltou 50 por cento, de US$4,34 para o fecho de US$9,45 por acção na quinta-feira. Os hedge funds estavam a fazer e perder dinheiro, minimizando os ganhos e perdas feitos com o comércio de selos. Um verdadeiro mercado no crime, a punição e a fuga ao castigo estava em causa.

O que tem isto a ver com a verdadeira formação de capital? Indivíduos estão a ficar ricos enquanto a economia está a polarizar-se entre credores e devedores, donos da propriedade e pagadores de rendas. O investimento improdutivo verifica-se quando assume a forma de ganhos de "capital" inesperados, e quando isto envolve entrar em dívida para o imobiliário, acções, títulos ou "coleccionáveis". O crédito improdutivo verifica-se quando bancos comerciais fazem empréstimos que simplesmente financiam a compra de propriedade, companhias ou títulos financeiros já existentes.

Dois séculos atrás, os seguidores franceses do conde Henry St. Simon conceberam um sistema industrial que devia ser baseado principalmente no financiamento por acções ao invés de sê-lo pela dívida (títulos e empréstimos bancários). A sua ideia era tornar a banca industrial uma espécie de fundo mútuo, de modo que as reivindicações de pagamento (e portanto o valor das poupanças) ascenderiam e cairiam de modo a reflectir o poder de rendimento da economia. A banca industrial que se desenvolveu amplamente na Alemanha e na Europa Central diferia do curto-prazista crédito comercial com colateral anglo-americano e no empréstimo hipotecário. Mas desde a I Guerra Mundial, as práticas financeiras globais têm sido mais extractivas do que produtivas.

A consequência foi que dívidas ao nível mais vasto da economia cresceram mais rapidamente do que a capacidade para pagar. Ao invés de reduzir este encargo da dívida arranjando um meio para dela sair, as economias têm procurado inchar o caminho de saída. Contudo, o modo de inflação não é a elevação familiar nos preços do consumidor, muito menos inflação de salários. É, ao contrário, inflação do preço dos activos, proveniente em grande medida dos Estados Unidos. Desde que o padrão ouro deu lugar ao padrão dólar de papel, em 1971, a economia dos EUA tornou-se a única a ser capaz de criar crédito – e dívida externa – sem constrangimento. O resultado tem sido um crescimento sem paralelo da dívida em relação ao rendimento, à produção e aos salários. Esta "poluição da dívida" tem sido comparada à poluição ambiental.

Entrámos numa era em que os mercados financeiros assemelham-se aos fundos de compra de selos. Os governos substituíram o crescimento industrial pela criação de riqueza puramente financeira na forma de bolhas do mercado imobiliário e de acções. Isto pôs o universo económico de cabeça para baixo em relação às expectativas dos escritores clássicos quanto ao progresso tecnológico desencadeado pela Revolução Industrial e suas revoluções agrícolas, comerciais e financeiras paralelas. A propriedade e o crédito tornaram-se custo ao invés de benefício, formas institucionais de extracção de renda e de juros que sobrecarregam ao invés de ajudarem.
Ver também:
# Wikipedia, "Charles Ponzi," baseado principalmente em Mitchell Zuckoff, Ponzi's Scheme: The True Story of a Financial Legend (Random House: New York, 2005).
# A pirâmide em Portugal: ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Branca

[*] mh@michael-hudson.com

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/hudson12232008.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .